{"id":41955,"date":"2009-11-17T11:25:26","date_gmt":"2009-11-17T11:25:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/17\/homossexualidade-e-formas-de-vida-da-sua-nomeacao\/"},"modified":"2009-11-17T11:25:26","modified_gmt":"2009-11-17T11:25:26","slug":"homossexualidade-e-formas-de-vida-da-sua-nomeacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homossexualidade-e-formas-de-vida-da-sua-nomeacao\/","title":{"rendered":"Homossexualidade e formas de vida da sua nomea\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Certamente que a via ou o m&eacute;todo que escolhermos para, para abordar, tanto a quest&atilde;o da homossexualidade, como a das formas de vida socialmente aceit&aacute;veis dos homossexuais e a da sua nomea&ccedil;&atilde;o, condicionar&aacute; o ju&iacute;zo ou a conclus&atilde;o a que se quer chegar. Os cat&oacute;licos e a Igreja sempre t&ecirc;m, na sua matriz cultural e na sua tradi&ccedil;&atilde;o doutrin&aacute;ria, como refer&ecirc;ncia, principal e principial a via filos&oacute;fico-teol&oacute;gica. A hist&oacute;ria, longa de muitos s&eacute;culos, tem confirmado a pertin&ecirc;ncia desta forma de abordagem, determinante mas n&atilde;o excluente, e capaz de integrar v&aacute;rias outras aporta&ccedil;&otilde;es, nomeadamente as das ci&ecirc;ncias humanas.<\/p>\n<p>A abordagem filos&oacute;fico-teol&oacute;gica &eacute;, aqui e sempre, a de uma filosofia que se deixa iluminar pela teologia e a de uma teologia que se abre aos desafios e &agrave;s media&ccedil;&otilde;es da filosofia.&nbsp; Se algu&eacute;m quiser, por aproxima&ccedil;&atilde;o, saborear a beleza e as implica&ccedil;&otilde;es desta forma de abordagem, pode, por exemplo, ler e meditar, com proveito, a Evangelho da Vida, de Jo&atilde;o Paulo II.<\/p>\n<p>A personaliza&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia dos humanos tem a sua raiz na disponibilidade ontol&oacute;gica com que fomos agraciados pela doa&ccedil;&atilde;o da vida, a exigir e a suportar a nossa abertura e a nossa relacionalidade, a nossa identidade e a nossa diferen&ccedil;a. Quando os humanos se fecham a esta dimens&atilde;o incontorn&aacute;vel da sua humanidade, tornam-se desumanos, porque iludem e escondem a sua marca de transcend&ecirc;ncias, substituindo-a pela soberba e pela idolatria de si mesmos, numa perda de sentido que lhes rouba dignidade e altura espiritual. A palavra com que, no &eacute;timo latino, se diz a pessoa e o personalizar &ndash; <em>per+sonare<\/em> &ndash; j&aacute; indicia esta excel&ecirc;ncia do superlativo da per-fei&ccedil;&atilde;o (como, por exemplo, no per-doar, no per-durar e em tantas outras nomea&ccedil;&otilde;es).<\/p>\n<p>Por isso e desde este ponto de vista, algumas formas de vida t&ecirc;m de ser consideradas como mais personalizantes e mais humanizantes, enquanto outras, pelo contr&aacute;rio, podem e devem mesmo chegar a ser consideradas como despersonalizantes e desumanizantes.<\/p>\n<p>Alguma da nossa incultura dominante pretende come&ccedil;ar por logo subverter a nossa forma de olhar a realidade, tornando-nos o modelo quase acabado do homo cyberneticus, aquele que apenas reage a est&iacute;mulos e a estimula&ccedil;&otilde;es e se orna incapaz de ver para al&eacute;m da superf&iacute;cie das apar&ecirc;ncias, desde logo na forma de sentir a corporalidade do seu corpo. O que ent&atilde;o se acaba por perder &eacute; evidentemente a pr&oacute;pria realidade na sua fundura ontol&oacute;gica, substituindo-a, p. ex., por &ldquo;paradas&rdquo; e por campanhas, subvertendo de caminho a nossa capacidade de nomear e de respeitar a palavra e as palavras.<\/p>\n<p>A palavra e as palavras deixam ent&atilde;o de ser par&aacute;bolas (evang&eacute;licas e evangelizadoras) da realidade e ficam apenas reduzidas a cat&aacute;logo de classifica&ccedil;&atilde;o de est&iacute;mulos mais ou menos instintivos, mesmo se a soberba dos legisladores lhes vier a dar a (fraca) &ldquo;for&ccedil;a&rdquo; de uma lei&hellip;<\/p>\n<p>A natureza e a sua lei &ndash; essa sim, natural e humanamente eco-l&oacute;gica &ndash; p&otilde;e-nos diante dos olhos e logo &agrave; frente do nariz a diferen&ccedil;a de g&eacute;nero e como s&atilde;o os humanos sobre a terra: homens e mulheres, masculinos e femininos. Tanto a sabedoria das culturas, como a ci&ecirc;ncia, t&ecirc;m sabido discernir e assumir as formas aceit&aacute;veis e os n&iacute;veis a que se possa, responsavelmente e no tempo longo, compatibilizar igualdade e diferen&ccedil;a de g&eacute;nero. A diversidade de formas de vida deve respeitar a vida na diversidade da sua riqueza, sob a condi&ccedil;&atilde;o de a n&atilde;o ofender, tanto na sua nomea&ccedil;&atilde;o como na sua ess&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp; Aqui a sexualidade e o amor s&atilde;o ontologicamente e eticamente incontorn&aacute;veis e mutuamente se condicionam na for&ccedil;a da sua expressividade. O respeito pela sua natureza n&atilde;o se pode reduzir a uma quest&atilde;o de excita&ccedil;&atilde;o de hormonas, nem &eacute; redut&iacute;vel ao redutor dualismo homofobia-homofilia, de sabor quase gn&oacute;stico e perigosamente platonizante. A tentativa de perverter, casuisticamente e publicitariamente, o sentido e o senso (comum) das palavras ou da nomea&ccedil;&atilde;o dos nomes, em nada altera a sua vincula&ccedil;&atilde;o a realidades que t&ecirc;m a seu favor a for&ccedil;a da l&oacute;gica da vida (biologia, fisiologia e outras) e a sua manifesta&ccedil;&atilde;o (apari&ccedil;&atilde;o e apar&ecirc;ncia) na natureza dos humanos, onde a sexualidade est&aacute; presente em todas as dimens&otilde;es da exist&ecirc;ncia, nomeadamente, p. ex., sob a forma do carinho (da encarna&ccedil;&atilde;o da carne e das palavras que a tentam dizer) e muito para al&eacute;m da genitalidade som&aacute;tica.<\/p>\n<p>A homossexualidade significa perda de possibilidades da personaliza&ccedil;&atilde;o, Ainda mais grave se afecta aqueles que, pela pouca idade, est&atilde;o em processo de forma&ccedil;&atilde;o e de personaliza&ccedil;&atilde;o e ainda sem referenciais de abertura a horizontes de experi&ecirc;ncia. Este empobrecimento ontol&oacute;gico remete para um perigoso embotamento e empobrecimento &eacute;ticos.<\/p>\n<p>Nos pap&eacute;is &ndash; envergonhados e quase desfeitos pela chuva &ndash; pendurados na publicidade an&oacute;nima das paredes na baixa de Lisboa, chegavam ao ponto de pretender pressionar e condicionar at&eacute; a pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia, ao exigirem o que chamavam a despatologiza&ccedil;&atilde;o da homossexualidade. Alguma imprensa j&aacute; chamou a esta quest&atilde;o, fracturante do bom senso comum, mania ou moda e outras nomea&ccedil;&otilde;es bem menos simp&aacute;ticas&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp; Uma antropologia filosofante &ndash; que &eacute; muito mais do que a soma de andrologias e de ginecologias e lhes &eacute; anterior e posterior&mdash; n&atilde;o pode esquecer a ontologia e a &eacute;tica e torna-se caminho capaz de ajudar a encontrar mais e melhor sentido, nas manifesta&ccedil;&otilde;es da exist&ecirc;ncia dos humanos, e a superar dificuldades. A aten&ccedil;&atilde;o aos fen&oacute;menos mais significantes do nosso existir &ndash; a alegria, o desejo, a vergonha, o respeito, o nascer e morrer, o amar e muitos outros &ndash; ensinar-nos-&aacute; que, at&eacute; as apar&ecirc;ncias, podem e devem deixar de nos iludir, se chegarmos &agrave; sua densidade &eacute;tica e ontol&oacute;gica.<\/p>\n<p>Se desafiarmos esta antropologia filos&oacute;fica com a sabedoria e a riqueza de uma antropologia teol&oacute;gica &ndash; b&iacute;blica e de sapi&ecirc;ncia eclesial &ndash; e os horizontes de interpreta&ccedil;&atilde;o que abre e oferece, ent&atilde;o a caminhada existencial, pessoal e personalizante, cultural e historial &iacute;ntima e socializ&aacute;vel, ficar&aacute; mais bela e mais facilitada.<\/p>\n<p>A liberdade, um bem t&atilde;o ontologicamente precioso e felizmente t&atilde;o querido no nosso tempo e &agrave; nossa linguagem, t&atilde;o estruturante da personaliza&ccedil;&atilde;o da nossa personalidade, ser&aacute; ent&atilde;o, de verdade, uma realidade libertadora&hellip;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Joaquim Cardozo Duarte<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certamente que a via ou o m&eacute;todo que escolhermos para, para abordar, tanto a quest&atilde;o da homossexualidade, como a das formas de vida socialmente aceit&aacute;veis dos homossexuais e a da sua nomea&ccedil;&atilde;o, condicionar&aacute; o ju&iacute;zo ou a conclus&atilde;o a que se quer chegar. 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