{"id":419243,"date":"2026-04-05T12:17:41","date_gmt":"2026-04-05T11:17:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=419243"},"modified":"2026-04-05T10:21:23","modified_gmt":"2026-04-05T09:21:23","slug":"homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-missa-do-domingo-de-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-missa-do-domingo-de-pascoa\/","title":{"rendered":"Homilia do patriarca de Lisboa na Missa do Domingo de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_419280\" aria-describedby=\"caption-attachment-419280\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-419280 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/434537158_816390950530538_2227883773095037520_n.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/434537158_816390950530538_2227883773095037520_n.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/434537158_816390950530538_2227883773095037520_n-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/434537158_816390950530538_2227883773095037520_n-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/434537158_816390950530538_2227883773095037520_n-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/434537158_816390950530538_2227883773095037520_n-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/434537158_816390950530538_2227883773095037520_n-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-419280\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Duarte de Mour\u00e3o Nunes\/Patriarcado de Lisboa<\/figcaption><\/figure>\n<p>1. Hoje a Igreja proclama, com jubilosa certeza: \u00abEste \u00e9 o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria\u00bb (<em>Sl<\/em> 117, 24). N\u00e3o \u00e9 um dia entre outros dias. \u00c9 o dia novo. O dia sem ocaso. O dia em que a hist\u00f3ria encontra o seu centro e o seu sentido. Porque hoje, verdadeiramente, Cristo ressuscitou. E com Ele, n\u00e3o ressuscita apenas um homem: ressuscita a esperan\u00e7a do mundo, ressuscita o sentido da vida, ressuscita o destino eterno da humanidade.<\/p>\n<p>2. O Evangelho conduz-nos ao sepulcro, ainda envolto na penumbra: \u00abNo primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manh\u00e3zinha, ainda escuro\u2026\u00bb (<em>Jo<\/em> 20, 1).<\/p>\n<p>\u00abAinda escuro\u00bb \u2013 n\u00e3o apenas fora, mas tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos. Escuro como \u00e9, tantas vezes, o cora\u00e7\u00e3o do homem quando Deus parece ausente ou, ent\u00e3o, quando j\u00e1 n\u00e3o se reconhece o rosto do outro, do semelhante, como irm\u00e3o. Assim, s\u00e3o aqueles povos e respons\u00e1veis que, obscurecidos pela ideologia, por interesses econ\u00f3micos, por vontade de dominar, ou simplesmente porque sim \u2013 n\u00e3o respeitam os direitos de outros povos e subjugam na\u00e7\u00f5es\u2026 E, no entanto, algo mudou: a pedra do sepulcro foi removida.<\/p>\n<p>Pedro entra. Jo\u00e3o entra. Veem os sinais. E o Evangelho diz com sobriedade luminosa: \u00abViu e acreditou\u00bb (<em>Jo<\/em> 20, 8).<\/p>\n<p>Car\u00edssimos irm\u00e3os, a f\u00e9 pascal nasce assim: n\u00e3o de uma evid\u00eancia esmagadora, mas de sinais que abrem o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a de Deus. Num mundo que exige provas materiais para tudo, a Ressurrei\u00e7\u00e3o apresenta-se como mist\u00e9rio que se revela \u00e0 f\u00e9, que \u00e9 \u00abgarantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que n\u00e3o se veem\u00bb (<em>Hb<\/em> 11, 1). E \u00e9 \u00e0 luz de tudo isto que podemos entender a crise do nosso tempo.<\/p>\n<p>3. Vivemos numa cultura marcada por um profundo materialismo. Uma cultura que mede tudo pelo \u00fatil, pelo imediato, pelo vis\u00edvel. Uma cultura que perdeu o sentido do mist\u00e9rio e do eterno e, assim, o sentido da vida. E, por isso, cresce um fen\u00f3meno silencioso e dram\u00e1tico: um verdadeiro analfabetismo humano e espiritual.<\/p>\n<p>Muitos sabem tudo sobre o mundo, mas ignoram o essencial sobre Deus e sobre a verdade integral do ser humano. Conhecem as linguagens da t\u00e9cnica, mas esqueceram a linguagem da f\u00e9 e silenciaram as declina\u00e7\u00f5es da proximidade e da compaix\u00e3o. Habituaram-se a viver como se Deus n\u00e3o existisse. E o esquecimento de Deus levou ao esquecimento do homem pelo homem. Deste esquecimento nasceu a indiferen\u00e7a. Uma indiferen\u00e7a que n\u00e3o nega Deus \u2013 simplesmente O ignora, como ignora os apelos lancinantes dos fr\u00e1geis, dos pobres e vulner\u00e1veis. Uma indiferen\u00e7a que fecha o cora\u00e7\u00e3o, empobrece a alma e obscurece o sentido da vida. E assim o homem contempor\u00e2neo, rodeado de meios, torna-se muitas vezes incapaz de responder \u00e0s perguntas fundamentais: Para qu\u00ea viver? Para onde caminhar? Qual o sentido da vida?<\/p>\n<p>4. \u00c9 precisamente neste contexto que ressoa, com for\u00e7a nova, o an\u00fancio de Pedro: \u00abDeus ressuscitou-O ao terceiro dia\u00bb (<em>At<\/em> 10, 40). Cristo ressuscitado \u00e9 o ant\u00eddoto para o vazio do nosso tempo. Porque Ele revela que o fundamento da exist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 a mat\u00e9ria, mas Deus. N\u00e3o \u00e9 o acaso, mas o amor a Ele e aos irm\u00e3os. N\u00e3o \u00e9 o fim, mas a plenitude.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo diz-nos: \u00abSe ressuscitastes com Cristo, aspirai \u00e0s coisas do alto\u00bb (<em>Cl<\/em> 3, 1). N\u00e3o para fugir do mundo, mas para o habitar com sentido. N\u00e3o para desprezar a terra, mas para a iluminar com o C\u00e9u. A Ressurrei\u00e7\u00e3o abre a porta da eternidade. E s\u00f3 \u00e0 luz da eternidade a vida humana encontra a sua verdade.<\/p>\n<p>Quando o homem perde o horizonte do eterno, fecha-se no imediato. Quando perde Deus, perde-se a si mesmo. Mas quando reencontra Cristo ressuscitado, reencontra o seu verdadeiro rosto, a sua real dignidade, a sua voca\u00e7\u00e3o sublime.<\/p>\n<p>5. A P\u00e1scoa n\u00e3o \u00e9 apenas um acontecimento a celebrar. \u00c9 uma vida a acolher. S\u00e3o Paulo diz-nos ainda: \u00abA vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus\u00bb (<em>Cl<\/em> 3, 3). E isto muda tudo. Muda o modo de olhar a vida. Muda o modo de enfrentar o sofrimento. Muda o modo de amar. Muda o modo de esperar.<\/p>\n<p>O crist\u00e3o \u00e9 chamado a viver j\u00e1, no tempo, a l\u00f3gica da eternidade. A ser, no meio do mundo, sinal de uma vida que n\u00e3o passa. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio lan\u00e7ar fora o \u00abfermento velho\u00bb: o pecado, a mentira, a mediocridade espiritual, e viver como \u00abp\u00e3es \u00e1zimos da pureza e da verdade\u00bb (cf. <em>1 Cor<\/em> 5, 7), nascendo para uma vida nova, \u00absaindo do sepulcro\u00bb com Cristo.<\/p>\n<p>6. Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s: o mundo de hoje n\u00e3o precisa apenas de solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Precisa de cora\u00e7\u00f5es ressuscitados. Precisa de homens e mulheres que n\u00e3o tenham medo de Deus. Que n\u00e3o tenham vergonha da f\u00e9. Que n\u00e3o vivam fechados no imediato, mas abertos ao infinito. Porque s\u00f3 quando o homem se orienta radicalmente para Deus, para o transcendente, para a eternidade, \u00e9 que o seu cora\u00e7\u00e3o se liberta.<\/p>\n<p>Liberta-se do medo. Liberta-se do ego\u00edsmo. Liberta-se do vazio. Liberta-se da morte interior. A Ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas a vit\u00f3ria de Cristo. \u00c9 a possibilidade de uma humanidade nova.<\/p>\n<p>7. Neste dia de P\u00e1scoa, cada um de n\u00f3s \u00e9 colocado diante do mesmo caminho: ver os sinais\u2026 e acreditar. Acreditar que Cristo vive. Acreditar que Deus n\u00e3o nos abandonou. Acreditar que a vida tem sentido. Acreditar que a eternidade est\u00e1 aberta. E, acreditando, viver de modo novo.<\/p>\n<p>Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s: Cristo ressuscitou. E, com Ele, tudo pode recome\u00e7ar. Este \u00e9 o dia que o Senhor fez. Vivamo-lo na luz da f\u00e9, na alegria da esperan\u00e7a e na for\u00e7a da vida nova, pois, como diz o Ap\u00f3stolo, o Evangelho \u00ab\u00e9 poder de Deus para a salva\u00e7\u00e3o de todo o crente\u00bb (<em>Rm<\/em> 1, 16). Amen. Aleluia.<\/p>\n<p>S\u00e9 Patriarcal, 5 de abril de 2026<\/p>\n<p>+Rui, Patriarca de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":17,"featured_media":419280,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[343],"class_list":["post-419243","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-lisboa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=419243"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419243\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/419280"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=419243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=419243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=419243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}