{"id":419094,"date":"2026-04-04T23:40:49","date_gmt":"2026-04-04T22:40:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=419094"},"modified":"2026-04-04T23:40:49","modified_gmt":"2026-04-04T22:40:49","slug":"homilia-do-bispo-da-guarda-na-vigilia-pascal-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-da-guarda-na-vigilia-pascal-5\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo da Guarda na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><!--more-->\u00abDisse Deus: \u00abFa\u00e7amos o homem \u00e0 nossa imagem e semelhan\u00e7a. (\u2026) Deus criou o ser humano \u00e0 sua imagem, criou-o \u00e0 imagem de Deus. Ele o criou homem e mulher\u00bb.<br \/>\n\u00abFomos sepultados com Ele pelo Batismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela gl\u00f3ria do Pai, tamb\u00e9m n\u00f3s vivamos uma vida nova. [\u2026] Bem sabemos que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que fosse destru\u00eddo o corpo do pecado e n\u00e3o mais f\u00f4ssemos escravos dele. [\u2026] Se morremos com Cristo, acreditamos que tamb\u00e9m com Ele viveremos, [\u2026]. Assim v\u00f3s tamb\u00e9m, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus\u00bb.<\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_419126\" aria-describedby=\"caption-attachment-419126\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Guarda_Bispo_D.-Jose-Pereira_Vigilia-Pascal-2026.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-419126\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Guarda_Bispo_D.-Jose-Pereira_Vigilia-Pascal-2026-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Guarda_Bispo_D.-Jose-Pereira_Vigilia-Pascal-2026-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Guarda_Bispo_D.-Jose-Pereira_Vigilia-Pascal-2026-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Guarda_Bispo_D.-Jose-Pereira_Vigilia-Pascal-2026-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Guarda_Bispo_D.-Jose-Pereira_Vigilia-Pascal-2026-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Guarda_Bispo_D.-Jose-Pereira_Vigilia-Pascal-2026-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Guarda_Bispo_D.-Jose-Pereira_Vigilia-Pascal-2026.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-419126\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese da Guarda<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como acab\u00e1mos de escutar neste abundante banquete da Palavra do Senhor, recordamos hoje a primeira cria\u00e7\u00e3o no in\u00edcio dos tempos e celebramos a nova cria\u00e7\u00e3o, realizada na P\u00e1scoa de Cristo. Vale a pena meditarmos na rela\u00e7\u00e3o existente entre ambas.<\/p>\n<p>Reparemos bem. Jesus tem uma inten\u00e7\u00e3o: criar o ser humano \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a. E tem uma ac\u00e7\u00e3o original: criar o ser humano \u00e0 sua imagem, enquanto homem e mulher. Pela diferen\u00e7a entre a inten\u00e7\u00e3o e a ac\u00e7\u00e3o originais de Deus, podemos entrever que a cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o saiu completa e est\u00e1tica das m\u00e3os de Deus, antes din\u00e2mica e em processo, at\u00e9 \u00e0 finalidade intencional. Ou seja: homem e mulher, na sua igual e complementar condi\u00e7\u00e3o original de imagem de Deus, s\u00e3o criados para que, na rela\u00e7\u00e3o entre si e com a demais cria\u00e7\u00e3o, prossigam at\u00e9 alcan\u00e7ar a finalidade com que foram criados: serem imagem e semelhan\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p>Isso diz-nos claramente a palavra divina, depois da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, por meio da 1\u00ba carta de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u00abCar\u00edssimos, agora somos filhos de Deus e ainda n\u00e3o se v\u00ea o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Jesus Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele \u00e9\u00bb (I Jo 3, 2).<\/p>\n<p>A semelhan\u00e7a foi-nos proposta como a imagem na sua express\u00e3o completa, no final do processo que a primeira cria\u00e7\u00e3o inaugurou.<br \/>\nMas, durante o mesmo, o ser humano introduziu o pecado que desfigurou a imagem, quebrou a rela\u00e7\u00e3o de proximidade com Deus necess\u00e1ria para prosseguir o processo inaugurado, e impediu a evolu\u00e7\u00e3o da imagem at\u00e9 \u00e0 semelhan\u00e7a pensada desde a origem.<\/p>\n<p>Diante te tal situa\u00e7\u00e3o, Deus n\u00e3o desiste da inten\u00e7\u00e3o original. Deus olha para o ser humano e continua a reconhecer nele a sua imagem. Desfigurada, sim, mas intacta. A imagem \u00e9 obra de Deus, foi por ele indestrutivelmente impressa no ser humano. N\u00e3o desaparece com as nossas obras, ainda que elas a possam ofuscar.<br \/>\nPor isso, Deus empenha-se, de modo at\u00e9 ent\u00e3o inimagin\u00e1vel, em reaviv\u00e1-la. Ele pr\u00f3prio, na pessoa de seu Filho, assumiu a nossa condi\u00e7\u00e3o, submeteu-se \u00e0s consequ\u00eancias do pecado, sujeitou-se \u00e0 morte, destruiu a nossa escravid\u00e3o do pecado e ressuscitou dos mortos para que tenhamos uma vida nova.<\/p>\n<p>O que \u00e9 ent\u00e3o esta imagem de Deus que trazemos em n\u00f3s, que permanece intacta ainda que obscurecida, e que pela qual Jesus morre e ressuscita?<br \/>\n\u00c9 o fruto da interven\u00e7\u00e3o directa de Deus, pelo sopro divino com que Ele infunde em cada ser humano aquilo a que chamamos de alma humana ou principio vital, que nos distingue de todas as outras criaturas. \u00c9 a dimens\u00e3o sobrenatural coexistente em n\u00f3s com a nossa dimens\u00e3o biopsicossocial.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o sobrenatural que nos constitui como imagem de Deus manifesta-se nestas dimens\u00f5es espirituais \u00fanicas face a todos os demais seres terrenos:<br \/>\nA dimens\u00e3o intelectiva associada \u00e0 consci\u00eancia reflexiva; a autoconsci\u00eancia e comunica\u00e7\u00e3o da mesma; a vontade livre por meio de processos reflexivos de decis\u00e3o; o amor que se eleva acima do impulso: decidido, gratuito e capaz de amar os inimigos, fazer bem aos perseguidores, perdoar sempre; a esponsalidade oblativa, fiel e indissol\u00favel, mais forte do que a trai\u00e7\u00e3o e a morte; a vida interior; e a transcend\u00eancia espiritual.<br \/>\nTal dimens\u00e3o sobrenatural mostra-se anterior e condi\u00e7\u00e3o de possibilidade de realiza\u00e7\u00e3o das agora referidas express\u00f5es espirituais.<\/p>\n<p>Ora, esta condi\u00e7\u00e3o natural e sobrenatural, inexistente em nenhuma outra criatura terrena, \u00e9 comum a todos os seres humanos. Mas \u00e9 igualmente individualizada e intransmiss\u00edvel. \u00c9 universal e n\u00e3o depende da f\u00e9 que se tenha ou n\u00e3o, ainda que n\u00f3s conhe\u00e7amos a sua origem divina, e por isso a reconhe\u00e7amos como imagem de Deus.<br \/>\nAssim, ela reflecte e sustenta a condi\u00e7\u00e3o \u00fanica e inviol\u00e1vel de cada um e constitui a raiz da dignidade humana. Esta dignidade assenta em algo constitutivo, indestrut\u00edvel e gravado por Deus em cada um, logo, n\u00e3o diminui pelo modo como cada um vive, nem com os actos praticados, nem com a debilidade da condi\u00e7\u00e3o cong\u00e9nita, cr\u00f3nica ou terminal da mat\u00e9ria destrut\u00edvel que tamb\u00e9m nos constitui.<\/p>\n<p>Esta noite santa proclama ao mundo esta not\u00edcia: Deus n\u00e3o deixa destruir definitivamente a humanidade nem nenhum ser humano, mesmo que a viol\u00eancia e a morte atentem contra eles. Deus encontra e abre caminhos novos onde nem sempre parece existirem sa\u00eddas. Para esta vida terrena e para al\u00e9m da morte.<\/p>\n<p>Como h\u00e1-de a P\u00e1scoa de Jesus inspirar-nos caminhos novos na defesa da dignidade de cada vida humana? Se Deus n\u00e3o desiste de ningu\u00e9m, como podemos n\u00f3s desistir de algu\u00e9m? Como podemos n\u00f3s habituar-nos \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida de algu\u00e9m?<br \/>\nComo podemos ficar indiferentes \u00e0s mais de 14.000 pessoas em condi\u00e7\u00e3o de sem abrigo no nosso pa\u00eds? Como \u00e9 que a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa nos h\u00e1-de comprometer a encontrar respostas concretas no cuidado das pessoas nesta situa\u00e7\u00e3o?<br \/>\nApesar da taxa considerada baixa (5,8%), como podemos contentar-nos com 347.700 pessoas sem emprego para se sustentar, no nosso pa\u00eds? Como \u00e9 que a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa nos h\u00e1-de comprometer a encontrar respostas concretas no cuidado das pessoas nesta situa\u00e7\u00e3o?<br \/>\nComo podemos conviver com 27 v\u00edtimas de homic\u00eddio volunt\u00e1rio e quase 30.000 (29.776) ocorr\u00eancias participadas \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a em contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica, no ano passado no nosso pa\u00eds? Como \u00e9 que a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa nos h\u00e1-de comprometer a encontrar respostas concretas no cuidado das pessoas nesta situa\u00e7\u00e3o?<br \/>\nComo podemos n\u00e3o fazer nada diante de 17.807 abortos volunt\u00e1rios em 2023 no nosso pa\u00eds? Como \u00e9 que a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa nos h\u00e1-de comprometer a encontrar respostas concretas no cuidado das pessoas nesta situa\u00e7\u00e3o?<br \/>\nComo podemos habituar-nos a n\u00fameros como 61 guerras em 36 pa\u00edses, com mortos entre os 160.000 e 233.000 (conforme as fontes) em 2024 no mundo? Como \u00e9 que a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa nos h\u00e1-de comprometer a encontrar respostas concretas no cuidado das pessoas nesta situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Poder\u00edamos continuar a lista. Mas o que \u00e9 preciso real\u00e7ar \u00e9 que pode ser diferente. A P\u00e1scoa de Jesus torna poss\u00edvel e convoca-nos a outros caminhos.<br \/>\nNas fam\u00edlias, na escola, na academia, na sociedade, onde estamos inseridos, como \u00e9 que a certeza do triunfo da vida sobre a morte, j\u00e1 presente e vivo entre n\u00f3s, nos entusiasma e compromete na procura de outras solu\u00e7\u00f5es, diferentes daquelas que o mundo oferece e parecem ser as \u00fanicas que ele sabe oferecer?<br \/>\nJesus venceu a viol\u00eancia e a morte, est\u00e1 vivo, e guia-nos em caminhos de vida. Conta connosco e espera por n\u00f3s. Como disse o anjo \u00e0s mulheres, junto ao sepulcro vazio: \u00abide depressa dizer aos disc\u00edpulos: &#8216;Ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de v\u00f3s para a Galileia. L\u00e1 O vereis&#8217;. Era o que tinha para vos dizer\u00bb.<\/p>\n<p>D. Jos\u00e9 Miguel Pereira, bispo da Guarda<br \/>\n04 de Abril de 2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":419126,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168],"class_list":["post-419094","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419094","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=419094"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419094\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/419126"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=419094"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=419094"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=419094"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}