{"id":419067,"date":"2026-04-05T00:52:49","date_gmt":"2026-04-04T23:52:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=419067"},"modified":"2026-04-05T00:52:49","modified_gmt":"2026-04-04T23:52:49","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-vigilia-pascal-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-vigilia-pascal-6\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Funchal na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAssim como Cristo ressuscitou dos mortos pela gl\u00f3ria do Pai, tamb\u00e9m n\u00f3s vivamos uma vida nova\u201d (Rom 6)<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_170506\" aria-describedby=\"caption-attachment-170506\" style=\"width: 318px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/D.NUNO-VIGILIA-PASCAL14-768x628-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-170506\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/D.NUNO-VIGILIA-PASCAL14-768x628-1-318x260.jpg\" alt=\"\" width=\"318\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/D.NUNO-VIGILIA-PASCAL14-768x628-1-318x260.jpg 318w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/D.NUNO-VIGILIA-PASCAL14-768x628-1-480x393.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/D.NUNO-VIGILIA-PASCAL14-768x628-1.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-170506\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese do Funchal (arquivo)<\/figcaption><\/figure>\n<p>No excerto da Carta aos Romanos que escut\u00e1mos, S. Paulo apresentava \u00e0 Comunidade de Roma um racioc\u00ednio central para a nossa vida de crist\u00e3os: ser crist\u00e3o, dizia o Ap\u00f3stolo, \u00e9 viver unido o mais poss\u00edvel a Cristo.<\/p>\n<p>Ou seja: ser crist\u00e3o \u00e9 estar unido a Cristo exteriormente, procurando assumir os mesmos comportamentos e as mesmas atitudes que Ele; \u00e9 estar unido a Cristo psicologicamente, vivendo os mesmos pensamentos e sentimentos; mas \u00e9, sobretudo, estar unido a Cristo em uni\u00e3o de ser, deixando que seja Ele a viver em n\u00f3s \u2014 deixando que Ele tome conta de tudo o que somos, temos e vivemos. Se tal acontecer, ent\u00e3o a vida de Cristo ser\u00e1 a nossa; o destino de Cristo ser\u00e1 o nosso: e se Cristo ressuscitou, tamb\u00e9m n\u00f3s havemos de, com Ele, ser ressuscitados.<\/p>\n<ol>\n<li>\u201cCristo ressuscitou dos mortos para gl\u00f3ria do Pai\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<p>Cristo ressuscitou. Esta \u00e9 a grande not\u00edcia que fez correr os primeiros crist\u00e3os, e que faz correr, em particular, a S. Paulo, depois que o Ressuscitado lhe saiu ao encontro na estrada de Damasco, e o antigo perseguidor se rendeu \u00e0 vida gloriosa que Jesus lhe propunha.<\/p>\n<p>Desde esse momento, os crist\u00e3os correm at\u00e9 aos confins do mundo porque trazem consigo uma not\u00edcia \u00fanica mas essencial para todos os seres humanos: um de n\u00f3s venceu a morte e mostra em si a vida, a gl\u00f3ria de Deus. E isso significa que a morte pode ser vencida; que a morte deixou de ser um destino inevit\u00e1vel para os seres humanos. O muro da morte que nos condenava e separava da vida foi derrubado para sempre.<\/p>\n<p>E essa \u00e9 tamb\u00e9m a grande not\u00edcia que nos faz correr a cada um de n\u00f3s \u2014 para a vivermos com feliz alegria, porque abre diante de n\u00f3s o horizonte da vida eterna; e para a comunicarmos aos outros, de modo a transformar a sua vida, a vida das diferentes sociedades e culturas humanas: de todas as suas estruturas, modos de pensar, organiza\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>A not\u00edcia da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a not\u00edcia que nos anima a ser crist\u00e3os durante esta nossa vida: a procurar ser \u201cpor Cristo, com Cristo e em\u00a0 Cristo\u201d, apesar de todas as dificuldades e sofrimentos.<\/p>\n<p>De um modo particular, esta \u00e9 a not\u00edcia que preenche esta noite santa, esta noite de P\u00e1scoa. Ao romper da manh\u00e3, um grupo de mulheres foi procurar um sepulcro cerrado e encontraram um Anjo que, da parte de Deus, lhes retirou a pedra que fechava o t\u00famulo; foram para chorar o amigo morto, e depararam-se com a not\u00edcia alegre e jubilosa da ressurrei\u00e7\u00e3o; estavam derrotadas com o acontecimento da morte, e anunciaram-lhes a alegre not\u00edcia da vit\u00f3ria sobre a morte; foram procurar o Crucificado e saiu-lhes ao encontro o Ressuscitado, cheio da gl\u00f3ria de Deus.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>\u201cTamb\u00e9m com Ele viveremos\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u201cSe morremos com Cristo, acreditamos que tamb\u00e9m com Ele viveremos, sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo j\u00e1 n\u00e3o pode morrer; a morte j\u00e1 n\u00e3o tem dom\u00ednio sobre Ele\u201d.<\/p>\n<p>Como morremos com Cristo? O Baptismo, dizia S. Paulo, configura-nos com Cristo: \u201cTodos n\u00f3s que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele pelo Batismo na sua morte\u201d. No baptismo morremos com Cristo. O baptismo \u00e9, em primeiro lugar, um sacramento de morte.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo IV, S\u00e3o Bas\u00edlio Magno interrogava-se: \u201cComo poderemos assemelhar-nos a Cristo na sua morte? Sepultando-nos com Ele pelo Baptismo. Em que consiste esta sepultura e qual \u00e9 o fruto desta imita\u00e7\u00e3o? Antes de mais, trata-se de cortar com a vida passada. Mas ningu\u00e9m pode conseguir isto, se n\u00e3o renascer de novo, segundo a palavra do Senhor, porque o renascimento, como o nome indica, \u00e9 o come\u00e7o de uma vida nova. Por isso, antes de come\u00e7ar esta vida nova, \u00e9 necess\u00e1rio p\u00f4r fim \u00e0 antiga\u201d (Sobre o Esp\u00edrito Santo, Cap. 15, 35).<\/p>\n<p>E S\u00e3o Cirilo de Jerusal\u00e9m dirigindo-se aos rec\u00e9m-baptizados na noite de P\u00e1scoa, tamb\u00e9m no s\u00e9culo IV, dizia: \u201cOh! facto estranho e paradoxal! N\u00e3o morremos em verdade, n\u00e3o fomos sepultados em verdade, n\u00e3o fomos crucificados e ressuscitados em verdade. A imita\u00e7\u00e3o \u00e9 uma imagem; a salva\u00e7\u00e3o, uma verdade. Cristo foi crucificado, sepultado e verdadeiramente ressuscitou. Todas estas coisas nos foram dadas como gra\u00e7a, a fim de que, participando, por imita\u00e7\u00e3o, nos seus sofrimentos, em verdade cheguemos \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Oh! amor sem medida! Cristo recebeu em suas m\u00e3os imaculadas os pregos e padeceu; e a mim, sem sofrimento e sem pena, concede graciosamente a salva\u00e7\u00e3o por meio desta participa\u00e7\u00e3o\u201d (II Catequese mistag\u00f3gica, 5).<\/p>\n<p>Eis, queridos irm\u00e3os, o grande mist\u00e9rio que celebramos nesta noite santa de P\u00e1scoa. Unidos a Cristo, participando da sua morte por meio do baptismo, tamb\u00e9m n\u00f3s havemos de viver como ressuscitados, irradiando a gl\u00f3ria de Deus \u2014 quer dizer: o esplendor do amor divino. Acolhamos, de cora\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel a gra\u00e7a que nos \u00e9 oferecida, e manifestemos na nossa vida a maravilha de vivermos como ressuscitados, unidos sempre ao Senhor, vencedor da morte e do pecado.<\/p>\n<p>S\u00e9 do Funchal, 5 de Abril de 2026<br \/>\nD. Nuno Br\u00e1s<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAssim como Cristo ressuscitou dos mortos pela gl\u00f3ria do Pai, tamb\u00e9m n\u00f3s vivamos uma vida nova\u201d (Rom 6)<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":170506,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-419067","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419067","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=419067"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419067\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/170506"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=419067"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=419067"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=419067"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}