{"id":41901,"date":"2009-11-13T16:11:00","date_gmt":"2009-11-13T16:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/13\/a-construcao-do-bem-comum-responsabilidade-do-estado\/"},"modified":"2009-11-13T16:11:00","modified_gmt":"2009-11-13T16:11:00","slug":"a-construcao-do-bem-comum-responsabilidade-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-construcao-do-bem-comum-responsabilidade-do-estado\/","title":{"rendered":"A constru\u00e7\u00e3o do bem comum, responsabilidade do Estado"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"><em>&laquo;O bem que cada um obt&eacute;m para si &eacute; suficiente para se satisfazer, mas o bem que um povo e os Estados obt&ecirc;m e conservam &eacute; mais belo e mais pr&oacute;ximo do que &eacute; divino.&raquo; <\/em><em>Arist&oacute;teles (&lsquo;&Eacute;tica a Nic&oacute;maco&rsquo;)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante mil&eacute;nios o ser humano viveu sem Estado, leis, impostos e ex&eacute;rcitos. S&oacute; com o surgimento de excedentes (agr&iacute;colas), evolu&iacute;mos para sociedades lideradas por chefes, e mais tarde para estados e imp&eacute;rios.<\/p>\n<p>Nas comunidades ancestrais, os propriet&aacute;rios dos excedentes, da riqueza, pelo poder simb&oacute;lico e social que detinham, definiam as leis, espalhavam os seus genes e, em muitos casos, mediavam a rela&ccedil;&atilde;o com os deuses, subjugando geralmente os mais fracos. Nos prim&oacute;rdios do Estado, as desigualdades e a hierarquia eram tidas como leg&iacute;timas e naturais.<\/p>\n<p>Mais tarde, h&aacute; cerca de cinco mil anos, o mundo de chefes de tribos deu lugar aos primeiros Estados de que h&aacute; registo &ndash; na Sum&eacute;ria, no Egipto, na China.<\/p>\n<p>Nos mil&eacute;nios seguintes surgiram v&aacute;rios tipos de Estados. Quando se chegou ao s&eacute;culo V a.C., a maioria das formas de estado que hoje conhecemos j&aacute; existiam. Despotismo, democracia, teocracia, e oligarquia eram j&aacute; familiares, bem como tratados e assembleias, burocracia e legisla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Havia estados quase totalit&aacute;rios (Esparta), governos democr&aacute;ticos e cosmopolitas (Atenas), rep&uacute;blicas hostis &agrave; ideia de um rei (Roma), imp&eacute;rios que acreditavam que os seus imperadores eram deuses (Egipto) e rep&uacute;blicas aristocr&aacute;ticas (no norte da &iacute;ndia, onde Buda nasceu no s&eacute;culo VI a.C.), entre outros.<\/p>\n<p>O Estado legitimava-se como garante de uma ordem (c&oacute;smica) contra o caos que o tinha precedido ou se verificava al&eacute;m fronteiras. Legitimava-o a cren&ccedil;a generalizada de que sem Estado as pessoas viveriam na anarquia, ref&eacute;ns do mal e da viol&ecirc;ncia, o mais forte prevalecendo sobre o mais fraco (ainda que, em muitos casos, os Estados produzissem tanta viol&ecirc;ncia como a que evitavam). Essa legitimidade moral conferia a possibilidade de recorrer a meios coercivos. Ao longo da hist&oacute;ria, pouco se esperou dos Estados, para al&eacute;m de uma contribui&ccedil;&atilde;o algo difusa para o bem comum.<\/p>\n<p>Assim, facilmente se compreende que at&eacute; ao s&eacute;culo XVIII, muitos autores n&atilde;o faziam depender o progresso social do papel do Estado. Em 1776, escrevia Adam Smith: &laquo;Pouco mais &eacute; necess&aacute;rio para elevar um Estado da mais pura barb&aacute;rie ao mais elevado n&iacute;vel de opul&ecirc;ncia do que paz, impostos baixos e uma boa administra&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a; sendo o resto assegurado pelo curso natural das coisas.&raquo;<\/p>\n<p>A imagina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do s&eacute;culo XVIII n&atilde;o poderia supor qu&atilde;o ub&iacute;quo, activo e mesmo competente o Estado se poderia vir a tornar. As ideias provenientes da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa &ndash; liberdade, igualdade e fraternidade &ndash;, ampliadas pela maior capacidade t&eacute;cnica dos Estados modernos e pela riqueza proveniente da Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, moldaram os sistemas de governo at&eacute; hoje.<\/p>\n<p>A &lsquo;igualdade&rsquo; deu origem aos regimes democr&aacute;ticos, a &lsquo;liberdade&rsquo; ao predom&iacute;nio da economia de mercado e a &lsquo;fraternidade&rsquo; ao Estado-provid&ecirc;ncia &ndash; substituindo-se este, em grande medida, ao papel desempenhado anteriormente pelas fam&iacute;lias e comunidades.<\/p>\n<p>No in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX, Hegel descrevia o estado como uma &lsquo;obra de arte&rsquo;, comparando-o &agrave;s grandes conquistas civilizacionais nas artes, na filosofia e na poesia (e acreditava que ele tinha atingido a sua forma final na Pr&uacute;ssia do in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX).<\/p>\n<p>Poucos esperavam que o estado, que havia sido t&atilde;o adverso para os mais pobres, pudesse agora ser seu &ldquo;amigo&rdquo;. Em 1870, os estados europeus j&aacute; absorviam 11 por cento do PIB (hoje, a sua despesa p&uacute;blica ascende a cerca de 50 por cento do PIB). O alargamento do papel do estado foi de tal ordem que, em 1890, o pol&iacute;tico ingl&ecirc;s liberal Sir William Harcourt escrevia: &laquo;Somos todos socialistas agora.&raquo;<\/p>\n<p>O advento da democracia e do Estado-provid&ecirc;ncia parecia estar a concretizar o sonho de muitos vision&aacute;rios e revolucion&aacute;rios do passado: o de um final perfeito, de uma ordem est&aacute;vel benigna, uma utopia, onde a hist&oacute;ria chegaria ao fim e o ser humano regressaria a um estado primordial sem invejas nem divis&otilde;es. A este prop&oacute;sito, Mark Twain haveria de escrever, mais tarde, que &laquo;a hist&oacute;ria n&atilde;o se repete mas rima&raquo;, condenando ao fracasso este tipo de expectativas ut&oacute;picas.<\/p>\n<p>A legitima&ccedil;&atilde;o moral que os estados se atribuem, desde os prim&oacute;rdios, nas diferentes civiliza&ccedil;&otilde;es, deve ser a bitola pela qual s&atilde;o julgados. Assim, para se avaliar um governo &eacute; necess&aacute;rio perceber qu&atilde;o bem promove a justi&ccedil;a, a protec&ccedil;&atilde;o (da guerra, do crime, das amea&ccedil;as ecol&oacute;gicas) e o bem-estar dos seus cidad&atilde;os (medido em felicidade, rendimento ou sa&uacute;de) &ndash; tendo em considera&ccedil;&atilde;o as circunst&acirc;ncias que herdou e o desempenho de outros governos em circunst&acirc;ncias semelhantes &ndash;, bem como se aumentou ou diminuiu o capital (financeiro, humano, social e natural) herdado.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o basta. Para que as sociedades sejam bem governadas, n&atilde;o &eacute; suficiente assegurar a democracia e um bom desempenho do Estado. H&aacute; outros aspectos determinantes, nomeadamente a &eacute;tica e o contributo da sociedade civil.<\/p>\n<p>No que respeita &agrave; &eacute;tica, na antiguidade assumia-se que as qualidades dos l&iacute;deres eram t&atilde;o importantes quanto as leis e as macroestruturas do estado. A &lsquo;Rep&uacute;blica&rsquo; de Plat&atilde;o ou os &lsquo;Anacletos&rsquo; de Conf&uacute;cio procuram sistematizar as qualidades necess&aacute;rias a um bom l&iacute;der.<\/p>\n<p>Em &lsquo;Verdade e Pol&iacute;tica&rsquo;, Hannah Arendt come&ccedil;a por interrogar se &laquo;as mentiras foram sempre consideradas como instrumentos necess&aacute;rios e leg&iacute;timos, n&atilde;o apenas na profiss&atilde;o de pol&iacute;tico, mas tamb&eacute;m na de homem de Estado. Porque ser&aacute; assim? Ser&aacute; da pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia da verdade ser impotente e da pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia do poder enganar?&raquo;, mas conclui que &laquo;a verdade &eacute; o solo sobre o qual nos mantemos e o c&eacute;u que se estende por cima de n&oacute;s.&raquo;<\/p>\n<p>A ideia popular de que o governo ideal &eacute; uma tecnocracia amoral &eacute; indesej&aacute;vel e incompat&iacute;vel com o papel que cabe aos Estados desempenhar. Ali&aacute;s, o s&eacute;culo XX exp&ocirc;s bem os perigos de Estados (totalit&aacute;rios) amorais ou imorais.<\/p>\n<p>No que respeita ao papel da sociedade civil, se o melhor Estado &eacute; aquele que serve as pessoas, a melhor sociedade &eacute; aquela em que cada cidad&atilde;o serve todos os outros. A cidadania &eacute; a &uacute;nica alternativa a uma democracia pacificada, composta por observadores passivos que se limitam a escolher entre elites concorrentes. Para Hannah Arendt, participar &eacute; &laquo;a alegria de nos inserirmos no mundo pela palavra e pela ac&ccedil;&atilde;o.&raquo; E &eacute; t&atilde;o importante que Dante reservava os lugares mais sombrios no inferno para aqueles que se mantinham neutros em tempos de crise moral.<\/p>\n<p>Ao longo da hist&oacute;ria, encontraram-se mecanismos de condicionamento dos Estados, que supriram a necessidade de revoltas violentas &ndash; desde logo, elei&ccedil;&otilde;es, divis&atilde;o do poder, primado da lei e livre acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Mas o &lsquo;bom poder&rsquo; s&oacute; acontece quando estes mecanismos se encontram alinhados com elevados padr&otilde;es &eacute;ticos, da parte dos l&iacute;deres e funcion&aacute;rios do Estado, e com uma sociedade civil empenhada e exigente.<\/p>\n<p>Ainda que, na segunda metade do s&eacute;culo XX, os Estados tenham alienado poder para n&iacute;veis de governa&ccedil;&atilde;o transnacionais, bem como para o sector privado e para o terceiro sector, seja qual for o entendimento que se tenha sobre qual deve ser o seu papel na sociedade, estes s&atilde;o decisivos para a constru&ccedil;&atilde;o do bem comum. Sobre este aspecto, julgo que at&eacute; Ronald Reagan (que costumava dizer: &laquo;The two funniest sentences in English are: &lsquo;I&rsquo;m from the government&rsquo; and &lsquo;I can help&rsquo;&raquo;) estaria de acordo.<\/p>\n<p>Na &lsquo;Centesimus Annus&rsquo;, Jo&atilde;o Paulo II alertava para que j&aacute; na &lsquo;Rerum Novarum&rsquo; Le&atilde;o XIII n&atilde;o ignorava que uma s&atilde; teoria do Estado &eacute; necess&aacute;ria para assegurar o desenvolvimento normal das actividades humanas: tanto as espirituais, como as materiais. Na &lsquo;Gaudium et Spes&rsquo;, Paulo VI afirmava que o exerc&iacute;cio da autoridade pol&iacute;tica &ndash; seja na comunidade, seja nos &oacute;rg&atilde;os representativos do Estado &ndash; deve ser sempre realizado para procurar o bem comum. Finalmente, na &lsquo;Ecclesia in America&rsquo;, Jo&atilde;o Paulo II declarava que &eacute; condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para estabelecer uma aut&ecirc;ntica democracia a educa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica. Ou seja, &eacute; necess&aacute;rio que a Igreja ponha grande aten&ccedil;&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o das consci&ecirc;ncias, promova a educa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica, a observ&acirc;ncia dos direitos humanos, e dedique maior esfor&ccedil;o na forma&ccedil;&atilde;o &eacute;tica da classe pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Sempre, como recorda D. Manuel Clemente, reconhecendo a import&acirc;ncia da secularidade, pois ela &laquo;tem o seu lugar pr&oacute;prio e irrecus&aacute;vel numa perspectiva crist&atilde;.&raquo; Ali&aacute;s, &laquo;&eacute; mesmo nela que o homem se salva, pois a&iacute; realiza o seu destino concriador e solid&aacute;rio.&raquo; Mas &laquo;se &eacute; na secularidade que o homem se salva, n&atilde;o &eacute; menos verdade &ndash; sempre na perspectiva crist&atilde; &ndash; que a secularidade precisa de ser salva, isto &eacute;, consolidada e eventualmente corrigida no seu devir e finalizada no seu sentido.&raquo;<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o do bem comum &#8211; responsabilidade do Estado, da Igreja, de todos n&oacute;s &ndash; come&ccedil;a precisamente em assumirmos que o bem &eacute; o &uacute;nico brilho duradouro que est&aacute; ao nosso alcance dar &agrave; hist&oacute;ria &ndash; e que s&oacute; ele lhe confere sentido e plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Jo&atilde;o Wengorovius Meneses, Director da TESE<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;O bem que cada um obt&eacute;m para si &eacute; suficiente para se satisfazer, mas o bem que um povo e os Estados obt&ecirc;m e conservam &eacute; mais belo e mais pr&oacute;ximo do que &eacute; divino.&raquo; Arist&oacute;teles (&lsquo;&Eacute;tica a Nic&oacute;maco&rsquo;) &nbsp; Durante mil&eacute;nios o ser humano viveu sem Estado, leis, impostos e ex&eacute;rcitos. 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