{"id":418951,"date":"2026-04-03T21:34:28","date_gmt":"2026-04-03T20:34:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=418951"},"modified":"2026-04-04T00:49:32","modified_gmt":"2026-04-03T23:49:32","slug":"beja-homilia-da-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/beja-homilia-da-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Beja na Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>A Igreja nasce da Cruz<\/strong><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_419000\" aria-describedby=\"caption-attachment-419000\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-419000 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Celebracao-da-Paixao-na-Diocese-de-Beja.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Celebracao-da-Paixao-na-Diocese-de-Beja.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Celebracao-da-Paixao-na-Diocese-de-Beja-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Celebracao-da-Paixao-na-Diocese-de-Beja-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Celebracao-da-Paixao-na-Diocese-de-Beja-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Celebracao-da-Paixao-na-Diocese-de-Beja-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Celebracao-da-Paixao-na-Diocese-de-Beja-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-419000\" class=\"wp-caption-text\">Foto Diocese de Beja, Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor<\/figcaption><\/figure>\n<p>Car\u00edssimos irm\u00e3os,<\/p>\n<p>A Sexta-Feira Santa \u00e9 o dia em que revivemos a paix\u00e3o, crucifix\u00e3o e morte de Jesus. Neste dia n\u00e3o se celebra a Santa Missa, mas a comunidade crist\u00e3 re\u00fane-se para meditar, \u00e0 luz da Palavra de Deus, os padecimentos do Senhor. Hoje a liturgia \u00e9 despojada, o altar est\u00e1 desnudado, n\u00e3o se canta o c\u00e2ntico de entrada e v\u00e1rios gestos expressam, exteriorizam o nosso sentir diante dos sofrimentos de Jesus e do amor com que, por n\u00f3s, os suportou.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m uma ocasi\u00e3o para ter presente o grande mist\u00e9rio do mal e do pecado que oprimem a humanidade. Depois de termos ouvido a narra\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o de Cristo, iremos rezar, daqui a pouco por todas as necessidades da Igreja e do mundo, iremos adorar a Cruz e iremo-nos alimentar da Eucaristia, consumindo as esp\u00e9cies conservadas da Missa da Ceia do Senhor, que celebr\u00e1mos no dia de ontem.<\/p>\n<p>No Domingo passado ouvimos o relato da Paix\u00e3o do Senhor, a partir do Evangelho segundo S. Mateus, o evangelista deste ano. No Evangelho que acab\u00e1mos de escutar, \u00e9-nos narrada a Paix\u00e3o de Jesus, desta vez segundo S. Jo\u00e3o e \u00e9 sempre assim, neste dia de Sexta-Feira Santa. Gostaria de partilhar convosco duas breves medita\u00e7\u00f5es a partir deste texto evang\u00e9lico.<\/p>\n<p><strong>O apelo \u00e0 n\u00e3o viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Nos tr\u00eas evangelhos sin\u00f3ticos, algu\u00e9m corta a orelha de um servo do sumo sacerdote, mas s\u00f3 S. Jo\u00e3o d\u00e1 o nome do servo (Malco) e identifica o agressor como Pedro (Jo 18,10). S. Jo\u00e3o d\u00e1 uma enfase especial a este epis\u00f3dio, acrescentando detalhes. Jesus n\u00e3o quer a viol\u00eancia, o seu Reino n\u00e3o \u00e9 conquistado pela espada, mas pelo amor, pelo servi\u00e7o e pelo sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>Vivemos um tempo muito marcado pela viol\u00eancia, pela guerra. Como esta mensagem de Jesus \u00e9 atual, tremendamente atual! N\u00e3o podemos desistir de construir a paz, criando pontes, dialogando, perdoando e rezando. Iremos rezar, tamb\u00e9m pela paz, daqui a pouco, nesta celebra\u00e7\u00e3o, e hoje de uma forma particularmente expressiva. E somos convidados a ser instrumentos de paz e conc\u00f3rdia onde estamos, onde vivemos, nas nossas casas, fam\u00edlias, comunidades, locais de trabalho, escolas, vizinhan\u00e7a. Cada um de n\u00f3s pode, de alguma forma e a seu modo, contribuir para a constru\u00e7\u00e3o da paz e da conc\u00f3rdia.<\/p>\n<p><strong>A Igreja nasce da Cruz<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s a morte de Jesus, um soldado trespassa-lhe o lado com uma lan\u00e7a, e sai sangue e \u00e1gua\u201d (Jo 19,34).<\/p>\n<p>Esta passagem, exclusiva do Evangelho segundo S. Jo\u00e3o, \u00e9 carregada de simbolismo e significado reconhecidos pela grande Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, nomeadamente por S. Agostinho, S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, S. Bernardo de Claraval, entre outros:<\/p>\n<p>Diz S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo: \u201cesta \u00e1gua e este sangue simbolizavam o Batismo e a Eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a Igreja, pelo banho de regenera\u00e7\u00e3o e pela renova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, isto \u00e9, pelo sacramento do Batismo e pela Eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Foi do lado de Cristo, por conseguinte, que se formou a Igreja, como foi do lado de Ad\u00e3o que Eva foi formada\u201d.<\/p>\n<p>Neste sentido m\u00edstico, que nos \u00e9 proposto pelos Padres da Igreja, podemos afirmar que a Igreja nasce do lado aberto do Senhor na Cruz. Dito de forma mais formal: Cristo instituiu a Igreja, sobre a qual havia de descer o Esp\u00edrito Santo no Pentecostes. Contudo, antes de expirar, o Senhor entrega uma M\u00e3e \u00e0 Sua Igreja, como est\u00e1 escrito em Jo. 19, 26-27: &#8220;Jesus disse a sua M\u00e3e: \u00abMulher, eis o teu filho\u00bb. Depois disse ao disc\u00edpulo: \u00abEis a tua M\u00e3e\u00bb.&#8221;.<\/p>\n<p>Ao morrer na Cruz, Jesus confiou a Sua pr\u00f3pria M\u00e3e ao disc\u00edpulo amado. Nesse disc\u00edpulo \u2014 como reconhece a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja \u2014 estamos todos n\u00f3s: est\u00e1 a Igreja inteira. Em Jo\u00e3o, cada um de n\u00f3s \u00e9 confiado a Maria, que se torna, assim, tamb\u00e9m nossa M\u00e3e. Pela comunh\u00e3o com Cristo, somos feitos membros do Seu Corpo M\u00edstico e introduzidos na Sua fam\u00edlia; por isso, tornamo-nos verdadeiramente filhos e filhas da M\u00e3e de Jesus.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o dar gra\u00e7as a Deus pelo dom imenso de pertencermos \u00e0 Igreja? Como n\u00e3o reconhecer tudo aquilo que nos foi dado ao sermos nela incorporados? A Igreja n\u00e3o \u00e9 uma mera organiza\u00e7\u00e3o ou associa\u00e7\u00e3o humana; \u00e9 muito mais do que isso: \u00e9 o Sacramento Universal da Salva\u00e7\u00e3o. Damos gra\u00e7as ao Senhor pela Sua Santa Cruz, pela qual nos salvou e nos deu a Igreja, na qual caminhamos na esperan\u00e7a da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por vezes, por\u00e9m, vemos crist\u00e3os \u2014 praticantes e at\u00e9 empenhados \u2014 que manifestam de modo muito vis\u00edvel a sua perten\u00e7a a diversos grupos: associa\u00e7\u00f5es culturais, filantr\u00f3picas, profissionais, partidos pol\u00edticos ou clubes desportivos. Nada h\u00e1 de errado nestes envolvimentos c\u00edvicos; pelo contr\u00e1rio! No entanto, causa apreens\u00e3o notar que alguns destes mesmos crist\u00e3os n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o expressam a sua perten\u00e7a \u00e0 Igreja com o mesmo entusiasmo e visibilidade, como chegam, por vezes, a ocult\u00e1-la ou dissimul\u00e1-la, talvez por receio ou timidez social.<\/p>\n<p>\u00c9, pois, necess\u00e1rio redescobrir o valor, a beleza e a alegria de pertencer \u00e0 Igreja. Porque n\u00e3o se pertence a Cristo sem pertencer ao seu Corpo, que \u00e9 a Igreja. Ou seja, \u00e9 pela perten\u00e7a \u00e0 Igreja que pertencemos verdadeiramente a Cristo.<\/p>\n<p>Pe\u00e7amos a gra\u00e7a de nos unirmos mais intimamente ao Senhor, contemplando a Sua Paix\u00e3o e adorando a Sua Santa Cruz, neste caminho rumo \u00e0 P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que Nossa Senhora das Dores \u2014 que permaneceu com admir\u00e1vel coragem e fidelidade ao p\u00e9 da Cruz do Seu Filho \u2014 e S\u00e3o Jos\u00e9, nosso padroeiro, nos amparem sempre neste caminho que fazemos em Igreja.<\/p>\n<p><em>D. Fernando Paiva, Bispo de Beja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja nasce da Cruz<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":419000,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171,867],"class_list":["post-418951","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja","tag-pascoa-sexta-feira-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418951","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418951"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418951\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/419000"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418951"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418951"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418951"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}