{"id":418937,"date":"2026-04-03T21:10:21","date_gmt":"2026-04-03T20:10:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=418937"},"modified":"2026-04-04T00:48:44","modified_gmt":"2026-04-03T23:48:44","slug":"evora-homilia-da-sexta-feira-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/evora-homilia-da-sexta-feira-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do arcebispo de \u00c9vora na Sexta-Feira da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><em>Sete express\u00f5es pronunciadas por Jesus no momento da Cruz<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_369316\" aria-describedby=\"caption-attachment-369316\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-369316\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Evora_D.-Francisco-Senra-Coelho_missa-ramos-2025-_Foto-Arquidiocese-Evora-2-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Evora_D.-Francisco-Senra-Coelho_missa-ramos-2025-_Foto-Arquidiocese-Evora-2-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Evora_D.-Francisco-Senra-Coelho_missa-ramos-2025-_Foto-Arquidiocese-Evora-2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Evora_D.-Francisco-Senra-Coelho_missa-ramos-2025-_Foto-Arquidiocese-Evora-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Evora_D.-Francisco-Senra-Coelho_missa-ramos-2025-_Foto-Arquidiocese-Evora-2-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Evora_D.-Francisco-Senra-Coelho_missa-ramos-2025-_Foto-Arquidiocese-Evora-2-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Evora_D.-Francisco-Senra-Coelho_missa-ramos-2025-_Foto-Arquidiocese-Evora-2.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-369316\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Arquidiocese de \u00c9vora<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEle tomou o vinagre e disse: Tudo est\u00e1 consumado. E inclinando a cabe\u00e7a, entregou o esp\u00edrito\u201d. (Jo. 18,30). Com a Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor \u2013 no dia em que \u201cCristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado\u201d (1Cor 5,7) \u2013, a Igreja celebra o mist\u00e9rio da Cruz gloriosa daquele que, \u201cderramando o seu sangue, instituiu o mist\u00e9rio da p\u00e1scoa\u201d, como rezamos na Ora\u00e7\u00e3o da Colecta.<\/p>\n<p>A Igreja recorda o seu nascimento sabendo que assim como Eva nasceu do lado de Ad\u00e3o, a Igreja nasce do lado aberto de Cristo na Cruz. Deste modo, compreendemos que a Igreja nasce silenciosa, prostrada, ajoelhada, em ora\u00e7\u00e3o (como nos ritos de abertura da celebra\u00e7\u00e3o de hoje), chamada a anunciar a paix\u00e3o de seu Senhor como decorre nesta Liturgia da Palavra que proclamamos e meditamos, intercedendo pela salva\u00e7\u00e3o do mundo inteiro como acontecer\u00e1 dentro de momentos (na Ora\u00e7\u00e3o Universal) e adorando a Cruz que representa o seu Salvador.<\/p>\n<p>Na segunda leitura (Hb. 4,14-16;5,7-9), o autor da Carta aos Hebreus, proclama que Jesus Cristo, pela sua obedi\u00eancia e confian\u00e7a, pelas suas s\u00faplicas, sofrimentos e ora\u00e7\u00f5es tornou-se o Sumo Sacerdote definitivo. O profeta Isa\u00edas, na primeira leitura (Is. 52,13-15;53,1-12), ao narrar o sofrimento do Servo de Jav\u00e9 que prefigura a miss\u00e3o do Messias revela-nos em seu or\u00e1culo que Jesus foi para a cruz \u201ccomo um cordeiro levado ao matadouro \u2013 Ele n\u00e3o abriu a boca\u201d (Is. 53,7). Por\u00e9m j\u00e1 pregado na cruz o Senhor ofereceu-nos o tesouro das suas \u00faltimas palavras. A Igreja guarda essas \u201cSete Palavras\u201d com profundo respeito e devo\u00e7\u00e3o. S\u00e3o sete express\u00f5es pronunciadas por Jesus no momento da Cruz e recolhidas pelos evangelistas.<\/p>\n<p>Estas express\u00f5es revelam-nos quem \u00e9 Jesus e qual a sua miss\u00e3o. Pois, expressam as maiores preocupa\u00e7\u00f5es do seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Primeira Palavra:<\/strong> \u201cPai, perdoa-lhes, pois n\u00e3o sabem o que fazem.\u201d (Lc. 23,34)<\/p>\n<p>Jesus, sempre revelou-nos sempre o perd\u00e3o do Pai. Nos encontros com os pecadores revelou a miseric\u00f3rdia redentora de Deus. E na Cruz, Jesus mostrou que \u00e9 poss\u00edvel viver a maior exig\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3: o perd\u00e3o incondicional a todos, \u201csetenta vezes sete\u201d. O perd\u00e3o revela a dignidade e humanidade do cora\u00e7\u00e3o de quem perdoou e sendo oferecido a quem feriu.<\/p>\n<p>Na vida quotidiana, quando nos decepcionarem, nos tra\u00edrem, nos abandonarem, nos humilharem e caluniarem, contemplemos o Senhor dilacerado na Cruz, dizendo: \u201cPai, perdoai-lhes.\u201d<\/p>\n<p><strong>Segunda Palavra:<\/strong> \u201cHoje estar\u00e1s comigo no para\u00edso\u201d (Lc. 23,43)<\/p>\n<p>Jesus morre entre dois ladr\u00f5es. Ali, Ele \u00e9 o \u00fanico inocente e justo, todavia n\u00e3o assume o papel de condenador, mas oferece uma nova oportunidade de salva\u00e7\u00e3o. Jesus revela uma promessa que muitos precisam de escutar, sobretudo aqueles que sofrem ao carregar pesadas cruzes injustas e vivem vidas devastadas pela dor, pela solid\u00e3o, d\u00favida ou humilha\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Terceira Palavra:<\/strong> \u201cMulher, eis o teu filho; filho, eis a tua m\u00e3e\u201d (Jo. 19,26)<\/p>\n<p>O sim dado por Maria no momento da Encarna\u00e7\u00e3o repercute at\u00e9 \u00e0 Cruz. A Sua resposta acompanhou-a durante toda a vida. Jesus, crucificado e desprovido de tudo, oferece-nos um tesouro. Entrega-nos a sua m\u00e3e para que seja presen\u00e7a educadora e consoladora.<\/p>\n<p><strong>Quarta Palavra:<\/strong> \u201cMeu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?\u201d (Mt 27,46)<\/p>\n<p>Aqui contemplamos todo o aniquilamento do Senhor. \u00c9 aquilo que S\u00e3o Paulo afirma: \u201caniquilou-se a si mesmo, assumindo a condi\u00e7\u00e3o de escravo\u201d (Fl. 2,8). Jesus sofreu todo o aniquilamento moral, psicol\u00f3gico, afetivo, f\u00edsico, espiritual, pois Ele \u201cfoi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades.\u201d (Is. 53,5).<\/p>\n<p><strong>Quinta Palavra:<\/strong> \u201cTenho sede\u2026\u201d (Jo. 19,28)<\/p>\n<p>Jesus tinha sede de muitas coisas: Sede de fazer a vontade do Pai, de anunciar o Reino, de defender a vida, de servir. Os santos afirmam que na Cruz, a sede que Jesus revela \u00e9 na verdade a sede de Deus salvar toda a humanidade. Hoje, muitos pelos quais ele derramou o seu sangue precios\u00edssimo, vivem como se Deus n\u00e3o existisse de modo indiferente, alheado, omisso; ou seja o \u201cAmor n\u00e3o \u00e9 Amado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Sexta Palavra:<\/strong> \u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d (Jo. 19,30).<\/p>\n<p>Cristo proclama, com as poucas for\u00e7as que lhe restam, que a d\u00edvida imposta pelo pecado est\u00e1 \u201cpaga\u201d. Mesmo que aos olhos humanos a sua morte pare\u00e7a um fracasso total, na cruz tudo \u00e9 pago e consumado. Ele \u00e9 o G\u00f6el, o pre\u00e7o do nosso resgate, face a escravid\u00e3o do pecado e da morte. Entrando na morte, o Senhor mergulha nas trevas do sofrimento humano e ali revela a presen\u00e7a do Deus \u201ccompassivo, clemente e misericordioso\u201d (Ex.34, 6-7 \/ Sl. 86, 15). Do alto da Cruz, Jesus manifesta a consci\u00eancia que n\u00e3o viveu em v\u00e3o. A Sua vida frutuosa, consumada com amor, no amor e pelo amor, torna sua morte fecunda a ponto de fazer surgir vida em abund\u00e2ncia; \u00abNa verdade, Ele \u00e9 o Filho de Deus\u00bb.<\/p>\n<p><strong>S\u00e9tima Palavra:<\/strong> \u201cPai, em tuas m\u00e3os entrego meu esp\u00edrito\u201d (Lc. 23,46)<\/p>\n<p>S\u00f3 quem viveu intensamente a vida doada pode acolher a pr\u00f3pria morte com paz, confian\u00e7a, serenidade e abandono nos bra\u00e7os do Deus. Jesus morre como viveu: totalmente entregue na confian\u00e7a ao Pai. Ele que foi as m\u00e3os do Pai a atuar no mundo, entrega-se agora nos seus divinos bra\u00e7os. Jesus que viveu em divina comunh\u00e3o com o Pai, no momento de intenso desespero, quando poderia duvidar e desconfiar do Amor do Pai, por se sentir infinitamente desamparado, oferece, todavia, todo o seu Ser na certeza do acolhimento de Deus Pai.<\/p>\n<p>Estas palavras, proferidas por Jesus levam-nos a fixar os olhos na sua Cruz, lembrando-nos que s\u00f3 podemos crer Nele se estivermos dispostos a acolher todos os seres humanos que sofrem por causa do pecado do mundo em cada \u00e9poca e em todas as \u00e9pocas, na nossa tamb\u00e9m. Que o Senhor alargue a tenda da nossa miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, o que contemplamos na Cruz que vamos adorar dentro de momentos? A express\u00e3o da plena compaix\u00e3o e comunh\u00e3o de Deus com os sofredores. Ela aponta para Aquele que foi plena e permanentemente fiel ao Pai e ao seu Reino. A partir da Cruz de Jesus, descobrimos o sentido de toda a Sua vida e n\u2019Ele podemos encontrar um sentido novo para as nossas vidas. Dar a vida, servir, amar.<\/p>\n<p>Qual o motivo \u00faltimo pelo qual vivemos? Qual o lugar do Amor, da doa\u00e7\u00e3o e do sentido do servi\u00e7o ao Bem Comum em nossas vidas? Vivo para mim ou vivo para servir? Sirvo-me ou sirvo?<\/p>\n<p>As respostas a estas quest\u00f5es ditam a verdade do nosso cristianismo e a profundidade da nossa felicidade e autenticidade da nossa Paz interior.<\/p>\n<p>Que um dia todos possamos dizer em Paz e de modo tranquilo: \u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d. \u201c Pai nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u201d. Com o poeta Miguel Torga ter como desejo \u201cQue eu me cumpra\u201d.<\/p>\n<p><em>D. Francisco Jos\u00e9 Senra Coelho &#8211; Arcebispo de \u00c9vora<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sete express\u00f5es pronunciadas por Jesus no momento da Cruz<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":369316,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[175,867],"class_list":["post-418937","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-evora","tag-pascoa-sexta-feira-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418937","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418937"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418937\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/369316"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}