{"id":418885,"date":"2026-04-03T17:57:27","date_gmt":"2026-04-03T16:57:27","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=418885"},"modified":"2026-04-04T00:50:29","modified_gmt":"2026-04-03T23:50:29","slug":"aveiro-homilia-da-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/aveiro-homilia-da-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Aveiro na Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_320043\" aria-describedby=\"caption-attachment-320043\" style=\"width: 393px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-320043\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Aveiro_bispo_D.-Antonio-Moiteiro_Sexta-feira-Santa-2024_Foto-Diocese-de-Aveiro-1-393x260.jpg\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Aveiro_bispo_D.-Antonio-Moiteiro_Sexta-feira-Santa-2024_Foto-Diocese-de-Aveiro-1-393x260.jpg 393w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Aveiro_bispo_D.-Antonio-Moiteiro_Sexta-feira-Santa-2024_Foto-Diocese-de-Aveiro-1-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Aveiro_bispo_D.-Antonio-Moiteiro_Sexta-feira-Santa-2024_Foto-Diocese-de-Aveiro-1-768x508.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Aveiro_bispo_D.-Antonio-Moiteiro_Sexta-feira-Santa-2024_Foto-Diocese-de-Aveiro-1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Aveiro_bispo_D.-Antonio-Moiteiro_Sexta-feira-Santa-2024_Foto-Diocese-de-Aveiro-1-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Aveiro_bispo_D.-Antonio-Moiteiro_Sexta-feira-Santa-2024_Foto-Diocese-de-Aveiro-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 393px) 100vw, 393px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-320043\" class=\"wp-caption-text\">Foto Diocese de Aveiro<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>1 &#8211; A pris\u00e3o de Jesus: entrega-se livremente<\/strong><\/p>\n<p>Meditamos a paix\u00e3o de Jesus segundo o Evangelho de S. Jo\u00e3o. O evangelista pode comparar-se a um diretor de cinema que em cada cena do filme procura dar uma perspetiva nova aos acontecimentos que est\u00e1 a narrar. N\u00e3o muda os factos da paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, mas ajuda-nos a v\u00ea-los de um modo novo, e ao mudar o olhar, muda tamb\u00e9m o seu significado.<\/p>\n<p>Quando o v\u00eam prender, Jesus n\u00e3o foge nem se esconde. E pergunta-lhes: \u201cQuem procurais?\u201d. Quando respondem que \u00e9 Jesus, o Nazareno, ele diz simplesmente \u201cSou Eu\u201d. N\u00e3o \u00e9 somente uma forma de se identificar, mas uma express\u00e3o que o identifica com o pr\u00f3prio Deus. A revela\u00e7\u00e3o do nome de Deus a Mois\u00e9s, no Monte Sinai \u2013 \u201cEu sou aquele que sou\u201d, \u00e9 a mesma de Jesus quando afirma \u201cEu sou a luz do mundo\u201d, \u201cEu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida\u201d. Perante a incredulidade dos seus ouvintes, quando ensinava no templo de Jerusal\u00e9m, Jesus afirma: \u201cQuando tiverdes levantado o Filho de Homem, ent\u00e3o sabereis que \u2018Eu Sou\u2019\u201d (Jo 8,28). \u00c9 como dizer: O que eu sou \u2013 e, por isso, \u201co que Deus \u00e9\u201d \u2013 ser\u00e1 conhecido somente a partir da cruz. A express\u00e3o \u201cser levantado\u201d, no Evangelho de Jo\u00e3o, refere-se sempre ao acontecimento da cruz.<\/p>\n<p>Estamos diante de uma total invers\u00e3o da ideia humana de Deus e, em parte, tamb\u00e9m a do Antigo Testamento. Jesus n\u00e3o veio para retocar ou aperfei\u00e7oar a ideia que os homens fizeram de Deus, mas, em certo sentido, invert\u00ea-la e revelar o verdadeiro rosto de Deus. Mais tarde, o ap\u00f3stolo Paulo ir\u00e1 ensinar aos crist\u00e3os da comunidade de Corinto que \u201cde facto, pela sabedoria de Deus, o mundo n\u00e3o foi capaz de reconhecer a Deus por meio da sabedoria, mas, por meio da loucura da prega\u00e7\u00e3o, Deus quis salvar os que creem. Com efeito, enquanto os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria, n\u00f3s pregamos Cristo crucificado, esc\u00e2ndalo para os judeus e loucura para os gentios. Para os que s\u00e3o chamados, por\u00e9m, tanto judeus como gregos, Cristo \u00e9 poder de Deus e sabedoria de Deus (1Cor 1,21-24).<\/p>\n<p>O que para o mundo \u00e9 derrota, o evangelista Jo\u00e3o contempla-o como glorifica\u00e7\u00e3o. A crucifix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma execu\u00e7\u00e3o, mas manifesta\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 realmente Jesus.<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; Da morte brota a vida<\/strong><\/p>\n<p>Olhar a cruz de Jesus atinge o seu ponto culminante no momento da sua morte. S. Jo\u00e3o escreve que Jesus, inclinando a cabe\u00e7a, entregou o seu esp\u00edrito. N\u00e3o se diz que Jesus morreu, mas sugere-se outra realidade: Jesus comunica o Esp\u00edrito de Deus. No momento da morte come\u00e7a uma vida nova para os outros. Onde parecia que tudo tinha acabado, come\u00e7a uma nova vida e a cruz converte-se, assim, em fonte de vida.<\/p>\n<p>O texto termina com um momento de esperan\u00e7a. Jos\u00e9 de Arimateia e Nicodemos, que eram disc\u00edpulos cheios de medo, quando tudo parecia perdido, o mestre morto e a hist\u00f3ria parecia que tinha terminado, d\u00e3o um passo em frente: pedem o corpo de Jesus, descem-no da cruz e sepultam-no. A morte de Jesus torna vis\u00edvel o que antes estava oculto. A f\u00e9 que permanecia escondida manifesta-se agora no momento da sepultura. Na cruz revela-se um amor que n\u00e3o se imp\u00f5e, mas que se entrega pelos outros.<\/p>\n<p><strong>3 &#8211; Olhemos hoje para a cruz de Cristo<\/strong><\/p>\n<p>Numa sociedade secularizada como \u00e9 a nossa em que vivemos, a cruz pode parecer simplesmente um s\u00edmbolo religioso do passado ou uma hist\u00f3ria de fracasso. O Evangelho convida-nos a olh\u00e1-la de outra forma: a descobrirmos que nela n\u00e3o existe somente a dor, mas o amor que se entrega; n\u00e3o h\u00e1 derrota, mas uma vida que come\u00e7a.<\/p>\n<p>Nesta tarde em que vamos adorar Jesus que morre por cada um de n\u00f3s e pela humanidade na sua totalidade, bons e maus, acolhamos o convite que Jesus dirige ao mundo do alto da sua cruz: \u201cVinde a mim, todos v\u00f3s que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso\u201d (Mt 11,28).<\/p>\n<p>Vem tu, que \u00e9s idoso, doente e sozinho; tu, que o mundo deixa morrer na mis\u00e9ria, na fome, ou sob as bombas da guerra; tu, que pela tua f\u00e9 em mim, ou pela tua luta pela liberdade, definhas numa pris\u00e3o; venham at\u00e9 mim mulheres e homens v\u00edtimas de viol\u00eancia e da guerra; vinde a mim todas as v\u00edtimas que o mal produz no mundo e que progressivamente vamos perdendo a sensibilidade para o perd\u00e3o; venham todos, ningu\u00e9m est\u00e1 exclu\u00eddo: \u201cVinde a mim e eu vos darei descanso\u201d, porque prometi solenemente: \u201cQuando eu for elevado da terra, atrairei todos a mim\u201d (Jo 12,32).<\/p>\n<p>A miss\u00e3o que Jesus recebeu do Pai foi a de revelar o mist\u00e9rio do amor de Deus na sua plenitude, porque \u00abDeus \u00e9 amor\u00bb (1Jo 4, 8.16) e \u00abQuem o v\u00ea, v\u00ea o Pai\u00bb (cf. Jo 14,9). Este amor que se tornou vis\u00edvel e palp\u00e1vel em toda a vida de Jesus, agora, na cruz, manifestou-se de um modo superabundante. Contemplemos a Paix\u00e3o de Jesus e deixemo-nos inundar por este amor salvador, porque na cruz de Jesus tamb\u00e9m se revela a solidariedade de Deus com os crucificados de hoje.<\/p>\n<p>M\u00e3e Dolorosa, de p\u00e9 junto \u00e0 cruz do teu Filho, ensina-nos que o amor tem sempre a \u00faltima palavra e que sempre triunfar\u00e1.<\/p>\n<p><em>Sexta-feira Santa, 3 de abril de 2026<\/em><br \/>\n<em><span style=\"font-size: 16px;\">D. Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":4,"featured_media":320043,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[170,867],"class_list":["post-418885","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-aveiro","tag-pascoa-sexta-feira-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418885"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418885\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/320043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}