{"id":418882,"date":"2026-04-03T17:49:33","date_gmt":"2026-04-03T16:49:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=418882"},"modified":"2026-04-04T00:50:48","modified_gmt":"2026-04-03T23:50:48","slug":"portalegre-castelo-branco-homilia-da-celebracao-da-paixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portalegre-castelo-branco-homilia-da-celebracao-da-paixao\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Portalegre-Castelo Branco na Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_349618\" aria-describedby=\"caption-attachment-349618\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/JM_Se_Catedral_Portalegre.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-349618 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/JM_Se_Catedral_Portalegre-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/JM_Se_Catedral_Portalegre-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/JM_Se_Catedral_Portalegre-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/JM_Se_Catedral_Portalegre-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/JM_Se_Catedral_Portalegre-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/JM_Se_Catedral_Portalegre.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-349618\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Comiss\u00e3o de Gest\u00e3o do Patrim\u00f3nio Religioso \u2013 Diocese de Portalegre-Castelo Branco<\/figcaption><\/figure>\n<p>Car\u00edssimas irm\u00e3s e irm\u00e3os,<\/p>\n<p>Das profundezas do processo contra Jesus, um processo cheio de iniquidade, indiz\u00edvel viol\u00eancia e mentira, ecoa a pergunta de Pilatos: \u201cQue \u00e9 a verdade?\u201d. Esta \u00e9 talvez a decisiva pergunta da humanidade, por vezes formulada numa aut\u00eantica busca de sentido e de Bem, tantas outras vezes formulada distraidamente ou sem uma real disponibilidade para receber a resposta e deixar-se transformar. Porque a verdade transforma.<\/p>\n<p>A esta pergunta de Pilatos, dirigida a Jesus (que \u00e9, de facto, o \u00fanico capaz de lhe dar resposta), o Senhor nada responde por palavras. A resposta \u00e9 Ele pr\u00f3prio, a Sua pessoa viva. E isso Ele j\u00e1 tinha dito: \u201cQuem \u00e9 da verdade escuta a minha voz\u201d. A verdade \u00e9, enfim, tudo aquilo que Cristo era e estava a viver naquele momento culminante: a entrega da vida por Amor, a Revela\u00e7\u00e3o definitiva do rosto de Deus, que \u00e9 amor e t\u00e3o-somente amor. A realeza de Cristo, que parecia ser o objeto da acusa\u00e7\u00e3o que sobre Ele pendia, n\u00e3o era uma realeza deste mundo, como Ele pr\u00f3prio afirmou: n\u00e3o se fundava em argumenta\u00e7\u00f5es de poder, afirma\u00e7\u00f5es de autoridade ou pretens\u00f5es de supremacia. A Sua realeza n\u00e3o se explicava tanto por palavras, mas pelo ato da sua vida entregue por n\u00f3s, na cruz. A sua coroa \u00e9 de espinhos, as suas ins\u00edgnias s\u00e3o as chagas, o seu trono \u00e9 a cruz e o seu poder \u00e9 o Amor supremo de quem d\u00e1 a vida incondicionalmente, abandonando-a por inteiro nas m\u00e3os do Pai. Cristo, o Messias, \u00e9 o Pr\u00edncipe da Paz, a fonte de toda a verdade, o Verbo de Deus em quem a palavra e o gesto se identificam inteiramente. Ele, dedo no Pai na cria\u00e7\u00e3o do mundo, \u00e9 o mesmo que agora o restaura e recria, levando at\u00e9 ao fim o projeto do Reino: \u201cTudo est\u00e1 consumado!\u201d; n\u2019Ele se completa a Miss\u00e3o que, mais do que atos espetaculares ou interven\u00e7\u00f5es miraculosas, consiste na Vida Nova nascida da fonte da cruz, na qual Cristo faz novas todas as coisas.<\/p>\n<p>Cristo, o Verbo de Deus, assume a nossa condi\u00e7\u00e3o humana at\u00e9 ao extremo da viol\u00eancia sofrida e da morte infame. O Seu Mist\u00e9rio Pascal \u00e9, na verdade, a consuma\u00e7\u00e3o da sua escolha de se fazer humano com os humanos, participando de toda a fragilidade, dor e mortalidade que a todos aflige. No relato dram\u00e1tico da Paix\u00e3o de Jesus, que acabamos de escutar, impera a serenidade e o sil\u00eancio manso do Senhor, em contraste com todas as invetivas ruidosas, de raiva e viol\u00eancia, que o circundam e tentam afundar. No processo de Cristo encontramos n\u2019Ele a forma acabada das atitudes que o acompanharam ao longo da Sua vida: por um lado, a compaix\u00e3o por todos, interessando-se at\u00e9 por aqueles que o agridem, interagindo com eles na solicitude de os fazer encontrar-se com a verdade de si pr\u00f3prios, proporcionando-lhes a convers\u00e3o, oferecendo-lhes o perd\u00e3o. Al\u00e9m disso, a suprema liberdade de quem decidiu amar e ser paz at\u00e9 ao fim, n\u00e3o se deixando determinar ou reorientar pela viol\u00eancia dos outros: nem palavras de \u00f3dio nem gestos de morte o demovem da sua trajet\u00f3ria de amor e de paz. Livre, sempre; at\u00e9 ao fim, fiel \u00e0 sua escolha. As suas palavras finais s\u00e3o de dom: confia \u00e0 humanidade a sua m\u00e3e, entrega nas m\u00e3os da m\u00e3e o disc\u00edpulo amado, como Ele pr\u00f3prio, o Filho amado, se entrega nas m\u00e3os do Pai.<\/p>\n<p>\u00c9 Jesus Cristo, o Sacramento do Amor de Deus, que nos salva. Adoramo-lo e bendizemo-lo porque pela Sua cruz redime o mundo: redime-o porque a Sua Cruz \u00e9 a express\u00e3o eficaz do Seu Amor. \u00c9, de facto, o Amor que nos salva. \u00c0 pergunta de Pilatos, sobre o que \u00e9 a verdade, a resposta est\u00e1 dada: a verdade \u00e9 o Amor de Cristo sobre a cruz.<\/p>\n<p>Na Sua cruz, Cristo revela a sede que tem do nosso amor, express\u00e3o do acolhimento ao \u00fanico amor, que \u00e9 Ele pr\u00f3prio. Cristo tem sede da humanidade sedenta de vida e de paz; Cristo est\u00e1 sedento na nossa sede, Cristo morre da nossa morte. A na<\/p>\n<p>Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o, que celebraremos ao terceiro dia, Ele manifesta o quanto a Sua morte vence a nossa morte, o quanto a Sua sede se faz fonte que sacia a nossa sede.<\/p>\n<p>Esta noite iremos percorrer as ruas da nossa cidade de Castelo Branco na tradicional prociss\u00e3o do enterro do Senhor. Este gesto simb\u00f3lico encerra uma pergunta fundamental: o que fazemos da morte? Como carregamos o corpo mortal vencido e humilhado? Levando connosco o corpo morto de Jesus, contemplamos o quanto Jesus leva com Ele o nosso corpo mortal. Experimentando a dor da sua morte na Cruz, nos daremos conta do quanto a dor de Cristo \u00e9 a nossa dor, que Ele abra\u00e7a para reconverter na alegria da Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o. Por isso, adorando Cristo na Cruz, contemplando-o vencido e humilhado, levando o Seu corpo dilacerado, acolhemo-lo na humanidade que hoje, como no passado, \u00e9 crucificada, derrotada, maltratada e humilhada nos caminhos terr\u00edveis da viol\u00eancia, maldade e pecado do homem.<\/p>\n<p>Se a \u00fanica Verdade \u00e9 o Amor de Deus, a \u00fanica mentira \u00e9 o orgulho maldoso e violento dos homens que se esqueceram da fonte e se perderam de si pr\u00f3prios, por se terem perdido de Deus. Adorando Jesus crucificado e levando connosco o seu corpo de morte, assumiremos com Ele as dores reais da carne dos nossos contempor\u00e2neos, nossa pr\u00f3pria carne tantas vezes fracassada e transviada.<\/p>\n<p>Em Cristo que morre na Cruz, reconhecemos os milhares de mortos na Ucr\u00e2nia, em Gaza e noutras partes do M\u00e9dio Oriente, no Ir\u00e3o, em \u00c1frica e, globalmente, nas 61 guerras a decorrer em 36 diferentes pa\u00edses do mundo. Revemos Jesus nas mortes pela fome ou por doen\u00e7as trat\u00e1veis e cur\u00e1veis sofridas por tantas pessoas descartadas e esquecidas. Revemo-l\u2019O nas mortes dos irm\u00e3os e irm\u00e3s que tentam atravessar as fronteiras da Europa ou da Am\u00e9rica do Norte e a\u00ed encontram a rejei\u00e7\u00e3o e a exclus\u00e3o brutal.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00f3s somos cidad\u00e3os deste mundo violento. A n\u00f3s a responsabilidade da coer\u00eancia com a Verdade de Jesus: diante da normaliza\u00e7\u00e3o da mentira, diante da facilidade com que se pretende justificar o injustific\u00e1vel, como a guerra, o racismo ou o \u00f3dio, em que posi\u00e7\u00e3o ficamos, de que lado nos colocamos? A multid\u00e3o que gritava pela crucifix\u00e3o de Jesus era a turba manipulada e pervertida para o projeto de viol\u00eancia que, pouco antes, talvez n\u00e3o tivesse abra\u00e7ado, quando se maravilhava com os milagres de Jesus ou se entusiasmava ao acolher o mesmo Cristo que agora pretendia crucificar.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia dos outros n\u00e3o nos \u00e9 alheia. Ela espreita-nos e pode armar-nos ciladas nas rela\u00e7\u00f5es concretas que estabelecemos na fam\u00edlia, na vizinhan\u00e7a, nos ambientes laborais, na Igreja ou nas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais que defendemos. Diante disso, podemos dizer com o Papa Le\u00e3o XIV, na sua homilia do passado Domingo de Ramos: \u201cDa sua cruz, Cristo, Rei da paz, ainda clama: Deus \u00e9 amor! Tende piedade! Deponde as armas, lembrai-vos de que sois irm\u00e3os!\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 a seguir rezaremos por todos, pelos crentes de todas as religi\u00f5es, pelos governantes e pelos governados, pelos fr\u00e1geis e solit\u00e1rios, por todos. E esse \u00e9 o modelo da ora\u00e7\u00e3o de todos os dias: a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus acolhe a mansid\u00e3o de Jesus, converte-nos \u00e0 Sua paz, transforma as nossas escolhas e faz-nos perceber que a pergunta de Pilatos encontra resposta na Verdade do Amor que vivemos em ato.<\/p>\n<p><em>D. Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":4,"featured_media":349625,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[179,867],"class_list":["post-418882","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco","tag-pascoa-sexta-feira-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418882","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418882"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418882\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/349625"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}