{"id":418583,"date":"2026-04-02T17:26:32","date_gmt":"2026-04-02T16:26:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=418583"},"modified":"2026-04-02T17:26:32","modified_gmt":"2026-04-02T16:26:32","slug":"homilia-do-bispo-de-vila-real-na-missa-crismal-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-vila-real-na-missa-crismal-5\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Vila Real na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<div>\n<figure id=\"attachment_418580\" aria-describedby=\"caption-attachment-418580\" style=\"width: 373px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Vila-Real_bispo_D.-Antonio-Azevedo_missa-Crismal-2026.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-418580\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Vila-Real_bispo_D.-Antonio-Azevedo_missa-Crismal-2026-373x280.jpeg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Vila-Real_bispo_D.-Antonio-Azevedo_missa-Crismal-2026-373x280.jpeg 373w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Vila-Real_bispo_D.-Antonio-Azevedo_missa-Crismal-2026-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Vila-Real_bispo_D.-Antonio-Azevedo_missa-Crismal-2026.jpeg 960w\" sizes=\"(max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-418580\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na manh\u00e3 de quinta-feira santa estamos reunidos nesta catedral para a Missa Crismal, celebra\u00e7\u00e3o que se reveste de especial significado para todo o clero. Como Jesus voltou \u00e0 sinagoga de Nazar\u00e9, lugar onde se tinha criado, tamb\u00e9m n\u00f3s voltamos a este lugar onde se gerou a nossa vida sacerdotal. Para o Senhor, foi ocasi\u00e3o para ler as profecias e proclamar que se cumpriam na sua pessoa. Para n\u00f3s \u00e9 momento para avaliarmos o cumprimento das palavras ent\u00e3o ditas e de renovarmos as promessas sacerdotais<\/p>\n<p>Aqui reunidos como presbit\u00e9rio, juntamente com os leigos que rezam connosco e por n\u00f3s, tom\u00e1mos consci\u00eancia de que o Esp\u00edrito que nos consagrou no dia ordena\u00e7\u00e3o, nos acompanha e fortalece na fidelidade \u00e0 miss\u00e3o. Neste dia agradecemos a Deus esse e tantos outros dons concedidos. Neste dia o Bispo quer tamb\u00e9m manifestar o seu reconhecimento pelo trabalho e dedica\u00e7\u00e3o dos sacerdotes em favor do Povo de Deus desta diocese. Com trabalho empenhativo ao servi\u00e7o das comunidades, muitas vezes em contextos dif\u00edceis, s\u00e3o incans\u00e1veis em entrega e disponibilidade.<\/p>\n<p>A Carta Apost\u00f3lica do Papa Le\u00e3o XIV, por ocasi\u00e3o dos 60 anos dos importantes documentos conciliares Optatum Totius e Presbyterorum Ordinis tem como t\u00edtulo sugestivo \u00abUma fidelidade que gera futuro\u00bb. Na vida sacerdotal, \u00e9 de facto a fidelidade no presente que abre a possibilidade de um futuro melhor. Este tempo desafia-nos, pois,\u00a0 a uma presen\u00e7a fiel e a um compromisso alegre e dispon\u00edvel. N\u00e3o pode ser um tempo de ced\u00eancia ao des\u00e2nimo ou de receio face \u00e0s dificuldades.<\/p>\n<p>Como ensinava o Papa Bento XVI, \u00abo presb\u00edtero \u00e9 servo de Cristo, no sentido que a sua exist\u00eancia, ontologicamente configurada com Cristo, adquire uma \u00edndole relacional: ele vive em Cristo, por Cristo e com Cristo ao servi\u00e7o dos homens. Porque pertence a Cristo, o presb\u00edtero encontra-se radicalmente ao servi\u00e7o dos homens, \u00e9 ministro da sua salva\u00e7\u00e3o\u00bb. A fidelidade sacerdotal encontra assim a sua raiz e a sua for\u00e7a na comunh\u00e3o com Cristo, exprime-se e consolida-se numa aut\u00eantica fraternidade presbiteral.<\/p>\n<p>Pelo sacramento da Ordem passamos a fazer parte de um presbit\u00e9rio, verdadeira comunidade de irm\u00e3os, fam\u00edlia de disc\u00edpulos de Cristo ungidos para uma miss\u00e3o comum. Ningu\u00e9m se faz pastor sozinho, por iniciativa ou conta pr\u00f3pria. Somos irm\u00e3os no minist\u00e9rio e partilhamos a mesma miss\u00e3o de servir esta Igreja. Importa, portanto, superar as tenta\u00e7\u00f5es de individualismo e cuidar para que ningu\u00e9m experimente a solid\u00e3o. Para isso \u00e9 essencial refor\u00e7ar os la\u00e7os de amizade e valorizar os espa\u00e7os e modalidades que favorecem a comunh\u00e3o presbiteral. Os desafios do presente e a renova\u00e7\u00e3o da Igreja requerem presbit\u00e9rios unidos, com forte sentido de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Numa outra carta, dirigida ao clero de Madrid, o Papa Le\u00e3o XIV refere a necessidade de refletir com serenidade e honestidade, \u00e0 luz da f\u00e9, sobre o momento presente. Vivemos num contexto marcado por uma crescente polariza\u00e7\u00e3o social e pelo avan\u00e7o da seculariza\u00e7\u00e3o que enfraquece um certo substrato comum. Estes sinais, acrescidos pelo proliferar da guerra representam um enorme desafio para a miss\u00e3o da Igreja e o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio presbiteral.<\/p>\n<p>A par destes sinais preocupantes come\u00e7am a despontar outros que s\u00e3o de esperan\u00e7a: a abertura \u00e0 f\u00e9 por parte da gera\u00e7\u00e3o mais jovem, bem como a busca da f\u00e9 e a redescoberta de Jesus Cristo e das Escrituras por parte de um n\u00famero crescente de pessoas. \u00c9 fundamental discernir estes sinais, reconhecendo que podem ser rea\u00e7\u00e3o ao vazio e a solid\u00e3o de uma sociedade da abund\u00e2ncia que promete tudo mas, falha no essencial, ou ent\u00e3o \u00e0 cultura da hiperinforma\u00e7\u00e3o e da tecnologia, incapaz de gerar felicidade. Acolher estes sinais e encontrar respostas adequadas \u00e9 o grande e novo desafio.<\/p>\n<p>Estes sinais valorizam a atualidade do sacerd\u00f3cio e o seu papel na resposta a estes desafios. N\u00e3o se trata de inventar novos modelos, de copiar a vida mundana ou replicar modelos do passado, mas de ser disc\u00edpulo fiel do Senhor. Para o Papa Le\u00e3o, o tipo de padres que a Igreja precisa neste momento \u00abn\u00e3o \u00e9 de homens definidos pela multiplicidade de tarefas ou pela press\u00e3o dos resultados mas homens configurados a Cristo, capazes de sustentar o seu minist\u00e9rio com base numa rela\u00e7\u00e3o viva com Ele, nutrida pela Eucaristia e expressa numa caridade pastoral marcada pelo sincero dom de si mesmo\u00bb.<\/p>\n<p>Jesus Cristo \u00e9 de facto a raz\u00e3o de ser do nosso minist\u00e9rio. Ele nos escolheu e nos chamou, nos encheu da sua gra\u00e7a e confiou o cuidado do Seu povo. Para viver o minist\u00e9rio de forma mais plena \u00e9 necess\u00e1rio refor\u00e7ar a intimidade com Ele, sem nunca perder de vista que Ele \u00e9 o modelo de pastor, o amigo que est\u00e1 connosco em todas as horas. \u00ab\u00c9 aquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de n\u00f3s um reino de sacerdotes para Deus\u00bb, como proclamava o Apocalipse.<\/p>\n<p>Para o sacerdote e para todos os batizados, a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa convida, antes de mais, a reafirmar a nossa f\u00e9. \u00c9 momento especial para ver com olhos l\u00edmpidos a originalidade e a for\u00e7a da f\u00e9. Tantas vezes a rotina pode gerar cansa\u00e7o, a repeti\u00e7\u00e3o suscitar distra\u00e7\u00e3o, as contrariedades produzirem desgaste interior. Na P\u00e1scoa reencontramos o centro da nossa f\u00e9 e a raz\u00e3o do nosso minist\u00e9rio. Junto do Senhor e no meio da comunidade dos seus disc\u00edpulos fortalecemos a f\u00e9. Assim poderemos vencer a tenta\u00e7\u00e3o da tristeza e o risco da incredulidade e sermos verdadeiros e alegres anunciadores da f\u00e9 pascal, aquela que salva e liberta, aquela f\u00e9 que o mundo busca e carece.<\/p>\n<p>Neste ano que em a Igreja nos convida ao aprofundamento e \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do percurso sinodal, manifesto o meu apelo a que as assembleias sinodais que se ir\u00e3o realizar nos v\u00e1rios arciprestados e par\u00f3quias signifiquem experi\u00eancias de gra\u00e7a e comunh\u00e3o e representem marcos de uma verdadeira renova\u00e7\u00e3o pastoral. Passados mais de meio s\u00e9culo do conc\u00edlio \u00e9 tempo de concretizar uma comunh\u00e3o mais plena na vida da Igreja e uma participa\u00e7\u00e3o mais efetiva dos leigos. O crescimento da sinodalidade dever\u00e1 ter ainda como efeito a revitaliza\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio dos presb\u00edteros, exercido cada vez mais numa l\u00f3gica de colabora\u00e7\u00e3o, partilha e entreajuda. O esp\u00edrito sinodal favorecer\u00e1 a reorganiza\u00e7\u00e3o das nossas comunidades, aprofundar\u00e1 a colabora\u00e7\u00e3o entre elas e ajudar\u00e1 os sacerdotes a trabalharem de forma mais articulada.<\/p>\n<p>Jesus saiu da sinagoga ap\u00f3s clarificar o sentido da sua miss\u00e3o. Da\u00ed em diante passou por momentos de reconhecimento e de sucesso, bem como de incompreens\u00f5es e oposi\u00e7\u00f5es que o conduziram at\u00e9 \u00e0 cruz. Da mesma forma, partiremos desta solene celebra\u00e7\u00e3o mais conscientes da miss\u00e3o e preparados para as variadas circunst\u00e2ncias da vida pastoral. Mas partiremos animados pela confian\u00e7a que o Senhor deposita em cada um de n\u00f3s, mais confortados na f\u00e9. Levaremos ainda para as v\u00e1rias comunidades, como \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o, os santos \u00f3leos, com os quais vamos santificar os fi\u00e9is. De facto aqui fomos ungidos para ungir os irm\u00e3os; aqui fomos santificados para santificar os fi\u00e9is; aqui renovamos a f\u00e9 e o compromisso sacerdotal para os testemunhar a todos os crentes.<\/p>\n<p>Ao longo do tr\u00edduo pascal acompanhemos Jesus, tomemos parte na sua P\u00e1scoa. Sem d\u00favida um dos grandes enigmas da P\u00e1scoa que merece reflex\u00e3o diz respeito aos disc\u00edpulos. Homens simples e fr\u00e1geis escolhidos por Jesus que nas horas dif\u00edceis abandonaram o Mestre e se dispersaram mas que viriam a tornar-se, por obra do Esp\u00edrito, ap\u00f3stolos inquebrant\u00e1veis da Boa Nova.<\/p>\n<p>\u00abO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre Mim&#8230;\u00bb, revelou Jesus em Nazar\u00e9. Esse foi o mesmo Esp\u00edrito que animou os ap\u00f3stolos e que nos impele, hoje a viver e a anunciar a P\u00e1scoa do Senhor.<\/p>\n<p>A cada um de v\u00f3s e \u00e0s vossas comunidades votos de Santa P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Vila Real, 2 de Abril de 2026<br \/>\n+Ant\u00f3nio Augusto de Oliveira Azevedo<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":368877,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[183],"class_list":["post-418583","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-vila-real"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418583","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418583"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418583\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/368877"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}