{"id":418529,"date":"2026-04-02T21:15:00","date_gmt":"2026-04-02T20:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=418529"},"modified":"2026-04-02T15:16:49","modified_gmt":"2026-04-02T14:16:49","slug":"redescobrir-o-fascinio-da-eucaristia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/redescobrir-o-fascinio-da-eucaristia\/","title":{"rendered":"\u00abRedescobrir o fasc\u00ednio da Eucaristia\u00bb"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Homilia do patriarca de Lisboa na Missa da Ceia do Senhor<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_319984\" aria-describedby=\"caption-attachment-319984\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-319984\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/53616547397_defae9e1af_o-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/53616547397_defae9e1af_o-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/53616547397_defae9e1af_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/53616547397_defae9e1af_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/53616547397_defae9e1af_o-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/53616547397_defae9e1af_o.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-319984\" class=\"wp-caption-text\">Foto Diogo Paiva Brand\u00e3o\/Patriarcado de Lisboa<\/figcaption><\/figure>\n<p>1. A <em>hora<\/em> de Jesus passar deste mundo para o Pai cumpre-se na plenitude do amor para com os seus, e realiza-se no contexto da \u00daltima Ceia, no dom sublime da institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta \u00abHora\u00bb n\u00e3o \u00e9 simplesmente o escoar do tempo na ampulheta da hist\u00f3ria. \u00c9 a irrup\u00e7\u00e3o da plenitude. Naquela Ceia derradeira, o tempo inclina-se diante da Eternidade. Cristo, ao instituir a Eucaristia, n\u00e3o nos deixa apenas um rito, nem apenas uma mem\u00f3ria: entrega-nos o seu pr\u00f3prio \u00abPassar\u00bb, o mist\u00e9rio da sua P\u00e1scoa tornado Sacramento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por isso, somos chamados a ir al\u00e9m da sucess\u00e3o dos acontecimentos e a mergulhar no mist\u00e9rio desta passagem: n\u00e3o uma vit\u00f3ria abstrata sobre o tempo, mas o encontro definitivo com o Pai. A Eucaristia n\u00e3o apenas recorda essa passagem: ela \u00e9 o seu acontecer, aqui e agora.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00f3 o Amor \u2013 esse Amor absoluto que rompe o muro do nada \u2013 d\u00e1 consist\u00eancia \u00e0 nossa travessia do tempo para a eternidade. E s\u00f3 Cristo, no seu amor sem medida, rasga a dist\u00e2ncia entre a terra e o c\u00e9u (cf.<em>Mt<\/em> 27, 51), entre a criatura e o Criador, abrindo-nos o caminho para o Pai. Sem Ele, ser\u00edamos n\u00e1ufragos do ef\u00e9mero; com Ele, tornamo-nos peregrinos da Gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>2. Esta passagem n\u00e3o se realiza por artes humanas, nem pelo esfor\u00e7o heroico de uma vontade isolada. S\u00f3 Aquele que saiu do Pai e regressa ao seu seio pode conduzir-nos neste \u00eaxodo. E como o faz? Pela sabedoria divina da entrega.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na Cruz, Ele dir\u00e1: \u00abPai, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u00bb (<em>Lc<\/em> 23, 46). Mas j\u00e1 aqui, na Ceia, antecipa esse gesto supremo na humildade desconcertante do lava-p\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No lava-p\u00e9s, tocamos o abismo da <em>kenosis<\/em>: Aquele que \u00e9 de condi\u00e7\u00e3o divina inclina-Se at\u00e9 ao p\u00f3 da nossa condi\u00e7\u00e3o (cf. <em>Fl<\/em> 2, 6-8). N\u00e3o se trata apenas de um exemplo moral. \u00c9 uma revela\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica. \u00c9 Deus que Se abaixa para elevar o homem.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Jesus inclina-Se para nos erguer. Faz-Se servo para nos tornar participantes da sua pr\u00f3pria vida. Lava os p\u00e9s aos disc\u00edpulos para os introduzir na sua filia\u00e7\u00e3o. Ali, no gesto silencioso, acontece uma transfer\u00eancia de vida: Ele d\u00e1-nos o que Ele \u00e9.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sem esta doa\u00e7\u00e3o total \u2013 sem este \u00abesvaziar-Se\u00bb at\u00e9 ao fim \u2013 n\u00e3o haveria P\u00e1scoa. E a Eucaristia seria apenas corpo sem alma, forma sem subst\u00e2ncia, gesto sem mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>3. Participar na Fra\u00e7\u00e3o do P\u00e3o n\u00e3o \u00e9, portanto, repetir gestos sagrados de forma mec\u00e2nica. \u00c9 entrar em comunh\u00e3o real com Cristo. \u00c9 unir-se a Ele no seu pr\u00f3prio movimento: passar deste mundo para o Pai (cf. <em>Jo<\/em> 13, 1).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em cada Eucaristia, somos inseridos neste \u00eaxodo. Somos arrancados \u00e0 l\u00f3gica da finitude para come\u00e7armos j\u00e1 a viver da eternidade. Um her\u00f3i pode conquistar a mem\u00f3ria dos homens; mas s\u00f3 aquele que comunga de Cristo est\u00e1 sempre na mem\u00f3ria de Deus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Este \u00eaxodo assume a forma de uma perten\u00e7a m\u00fatua. No lava-p\u00e9s, Jesus estabelece uma alian\u00e7a silenciosa: \u00abSou vosso, e v\u00f3s sois Meus\u00bb. Ele purifica-nos, toma-nos consigo e apresenta-nos ao Pai como membros do seu pr\u00f3prio Corpo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Eucaristia n\u00e3o \u00e9 apenas presen\u00e7a: \u00e9 incorpora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 apenas proximidade: \u00e9 comunh\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 apenas sinal: \u00e9 participa\u00e7\u00e3o real na vida divina.<\/p>\n<p>4. Caros irm\u00e3os, somos convidados a redescobrir o fasc\u00ednio da Eucaristia, a sua beleza sempre antiga e sempre nova: Cristo realmente presente, que Se d\u00e1 e nos transforma.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em cada Missa, renova-se aquele ato de amor que nos resgata da superficialidade do mundo e nos mergulha na profundidade da eternidade. Ir \u00e0 Missa n\u00e3o \u00e9 fugir do mundo, nem alienar-se da realidade. Pelo contr\u00e1rio: \u00e9 levar o mundo consigo, para o oferecer a Deus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando vais \u00e0 Eucaristia, n\u00e3o vais sozinho. Levas contigo o mundo inteiro: as suas dores, as suas alegrias, as suas feridas, as suas esperan\u00e7as. E, unido a Cristo, apresentas tudo ao Pai. A Missa \u00e9 o lugar onde o mundo respira. Onde reencontra o sopro da vida verdadeira. Onde aprende, ainda que sem o saber, o ar da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por isso, se amas o mundo, n\u00e3o te afastes da Eucaristia. Leva-o contigo. Oferece-o. Deixa que seja transfigurado no amor de Deus, pois como o Sol d\u00e1 vida ao mundo, a Eucaristia d\u00e1 vida \u00e0 alma.<\/p>\n<p>5. Por isso, amados irm\u00e3os, compreendamos com lucidez e coragem: poupar-se, hesitar na entrega, fechar-se no ego\u00edsmo, s\u00e3o gestos profundamente anti-eucar\u00edsticos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Eucaristia \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o do dom total. \u00c9 o \u00abdespojamento santo\u00bb de Deus por n\u00f3s e o convite a que tamb\u00e9m n\u00f3s nos tornemos dom. Ela abre-nos um caminho: o caminho de uma vida entregue. Ela d\u00e1-nos uma certeza: em Cristo, o nosso fim n\u00e3o \u00e9 o t\u00e9rmino: \u00e9 o verdadeiro princ\u00edpio. Porque, n\u2019Ele, tudo o que \u00e9 dado n\u00e3o se perde. Tudo o que \u00e9 oferecido \u00e9 transfigurado. E tudo o que morre por amor\u2026 ressuscita para a vida eterna. Amen.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>D. Rui Val\u00e9rio<\/em><br \/>\n<em>Patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do patriarca de Lisboa na Missa da Ceia do Senhor<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":319984,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[343],"class_list":["post-418529","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-lisboa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418529","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418529\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/319984"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}