{"id":418513,"date":"2026-04-02T14:43:41","date_gmt":"2026-04-02T13:43:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=418513"},"modified":"2026-04-02T14:43:41","modified_gmt":"2026-04-02T13:43:41","slug":"homilia-do-bispo-de-beja-na-missa-crismal-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-beja-na-missa-crismal-3\/","title":{"rendered":"Hom\u00edlia do bispo de Beja na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAlegria, Comunh\u00e3o e Miss\u00e3o\u201d<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_418517\" aria-describedby=\"caption-attachment-418517\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Beja_D.-Fernando-Paiva_missa-Crismal-2026.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-418517\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Beja_D.-Fernando-Paiva_missa-Crismal-2026-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Beja_D.-Fernando-Paiva_missa-Crismal-2026-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Beja_D.-Fernando-Paiva_missa-Crismal-2026-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Beja_D.-Fernando-Paiva_missa-Crismal-2026-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Beja_D.-Fernando-Paiva_missa-Crismal-2026-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Beja_D.-Fernando-Paiva_missa-Crismal-2026-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Beja_D.-Fernando-Paiva_missa-Crismal-2026.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-418517\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese de Beja<\/figcaption><\/figure>\n<p>Car\u00edssimos irm\u00e3os,<\/p>\n<p>A todos sa\u00fado na paz de Cristo e dou gra\u00e7as pela vossa presen\u00e7a, que muito me alegra. Aos que v\u00eam de longe e aos que v\u00eam de perto, das v\u00e1rias par\u00f3quias da nossa Diocese de Beja &#8211; a todos, dou uma palavra calorosa de boas-vindas.<\/p>\n<p>A vossa presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o nesta celebra\u00e7\u00e3o, acompanhando o vosso Bispo na b\u00ean\u00e7\u00e3o do \u00d3leo dos Catec\u00famenos e do \u00d3leo dos Enfermos e na consagra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo do Santo Crisma, \u00e9 um sinal muito expressivo de comunh\u00e3o eclesial que une todas as par\u00f3quias, comunidades, movimentos e minist\u00e9rios, da nossa Diocese.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia destes \u00f3leos na vida da Igreja? Eles est\u00e3o intimamente ligados aos sacramentos, que s\u00e3o sinais eficazes da gra\u00e7a. Atrav\u00e9s destes \u00f3leos, a gra\u00e7a de Deus alcan\u00e7a a pessoa inteira \u2014 corpo e esp\u00edrito \u2014, ungindo, fortalecendo, curando e consagrando. No Batismo, na Confirma\u00e7\u00e3o, no sacramento da Ordem, na Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos e tamb\u00e9m nos ritos da Dedica\u00e7\u00e3o dos altares e das igrejas, est\u00e3o presentes os Santos \u00d3leos, como sinais vis\u00edveis de uma realidade invis\u00edvel: a a\u00e7\u00e3o santificante de Deus no meio do seu povo.<\/p>\n<p>Estes \u00f3leos, que v\u00e3o ser benzidos e consagrados, acompanhar\u00e3o a vida da Igreja Diocesana ao longo de todo o ano, estando presentes nas alegrias e nas dores do Povo de Deus. Neles reconhecemos o cuidado amoroso de Deus, que unge, cura e envia pelo poder do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m neste contexto de comunh\u00e3o eclesial que os presb\u00edteros aqui presentes se associam ao Bispo na consagra\u00e7\u00e3o do santo Crisma, participando nela de forma pr\u00f3pria, em virtude do sacramento da Ordem.<\/p>\n<p>Neste dia, dirijo-me de forma especial aos nossos sacerdotes, que hoje ir\u00e3o renovar as suas promessas sacerdotais.<\/p>\n<p>Car\u00edssimos irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio, car\u00edssimos presb\u00edteros da nossa Diocese de Beja.<\/p>\n<p>Hoje, ireis renovar as promessas sacerdotais diante do vosso Bispo e do povo santo de Deus. E o nosso cora\u00e7\u00e3o volta-se, com rever\u00eancia e gratid\u00e3o, para o dom imerecido que<\/p>\n<p>recebemos: o dom do sacerd\u00f3cio. O sacerd\u00f3cio \u00e9 dom. N\u00e3o \u00e9 fruto de m\u00e9rito, nem conquista pessoal, mas dom gratuito, que nos ultrapassa e nos configura, pela for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, a Cristo Cabe\u00e7a, Pastor e Esposo da Igreja. Esta \u00e9 a nossa identidade e define-nos n\u00e3o apenas nas a\u00e7\u00f5es, mas no ser, no mais profundo do nosso ser.<\/p>\n<p>Neste dia da renova\u00e7\u00e3o das promessas sacerdotais, quero falar-vos de alegria, de comunh\u00e3o e de miss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Alegria<\/strong><\/p>\n<p>A I Leitura da Profecia de Isa\u00edas fala-nos do \u201c\u00f3leo da alegria\u201d. As vossas \/ nossas m\u00e3os foram ungidas, e esta un\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s \u2013 \u00e9 para o servi\u00e7o do Povo de Deus. Dizia-nos o Papa Francisco em 2014: \u201cA un\u00e7\u00e3o \u00e9 para os outros\u2026 para sair de si mesmo.\u201d E como nos ensinou Jesus, \u201ch\u00e1 mais alegria em dar do que em receber\u201d. O sacerdote \u00e9 chamado a viver na doa\u00e7\u00e3o de si mesmo, a ser instrumento da gra\u00e7a de Deus e por isso a viver na alegria da miss\u00e3o. A prop\u00f3sito da alegria, dizia-nos, neste mesmo ano de 2014, o Papa Francisco, na Missa Crismal:<\/p>\n<p>\u201cA alegria do sacerdote \u00e9 uma alegria que tem o seu ninho no cora\u00e7\u00e3o do Senhor. (&#8230;) \u00c9 uma alegria que se renova com a miss\u00e3o, uma alegria que se guarda como un\u00e7\u00e3o \u2013 \u00edntima, como o \u00f3leo precioso que unge em segredo o interior do cora\u00e7\u00e3o \u2013 e que transborda em todo o povo de Deus, por meio do testemunho.\u201d<\/p>\n<p>Car\u00edssimos sacerdotes, fa\u00e7o minhas as palavras de S. Paulo: \u201cAlegrai-vos sempre no Senhor\u201d. Alegrai-vos pelo dom recebido pela imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os, pela miss\u00e3o que vos foi confiada. Car\u00edssimos fi\u00e9is, alegrai-vos pelo dom do sacerd\u00f3cio ministerial. Demos gra\u00e7as pelos nossos sacerdotes, pelo seu minist\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>Comunh\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>O sacerdote \u00e9, por voca\u00e7\u00e3o, um homem de comunh\u00e3o e um construtor de comunh\u00e3o, ou melhor, um instrumento de Deus ao servi\u00e7o da comunh\u00e3o eclesial. Assim o afirmou em 1995 S. Jo\u00e3o Paulo II: \u201cO sacerdote \u00e9 chamado a edificar a Igreja como comunh\u00e3o.\u201d A comunh\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma realidade abstrata, mas concreta e vivida nas seguintes dimens\u00f5es fundamentais: a comunh\u00e3o com Deus, com o Bispo, com os irm\u00e3os sacerdotes e com o Povo de Deus.<\/p>\n<p>Comunh\u00e3o com Deus &#8211; O sacerdote \u00e9, antes de mais, um homem de Deus. \u00c9 chamado a viver esta comunh\u00e3o de forma \u00edntima e constante atrav\u00e9s da vida de ora\u00e7\u00e3o, que o une diariamente ao Senhor: na celebra\u00e7\u00e3o fiel da Liturgia das Horas, na escuta e medita\u00e7\u00e3o ass\u00eddua da Palavra de Deus e, de modo eminente, na celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia, fonte e cume de toda a vida crist\u00e3. A seguinte passagem do Evangelho ilumina de modo particular esta verdade:<\/p>\n<p>\u00abChamou aqueles que quis\u2026 para estarem com Ele e para os enviar a pregar\u00bb (Mc 3, 13-15). Antes de serem enviados, os ap\u00f3stolos s\u00e3o chamados a estar com Cristo. Este estar, permanecer com o Senhor \u00e9 absolutamente central na vida do sacerdote, \u00e9 de \u00e2mbito existencial: \u00e9 rela\u00e7\u00e3o viva, comunh\u00e3o profunda, amizade que configura o cora\u00e7\u00e3o do sacerdote ao de Cristo. Deste modo, o \u201cestar com Ele\u201d constitui o fundamento de todo o agir pastoral: s\u00f3 quem permanece em Cristo \u2014 como o ramo na videira (cf. Jo 15,4-5) \u2014 pode verdadeiramente anunci\u00e1-Lo, testemunh\u00e1-Lo e tornar presente a sua a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica no meio do povo.<\/p>\n<p>Comunh\u00e3o com o Bispo &#8211; O sacerdote exerce o seu minist\u00e9rio em comunh\u00e3o com o Bispo, n\u00e3o atuando de forma isolada, nem por conta pr\u00f3pria. Os presb\u00edteros investidos do \u00fanico e id\u00eantico sacerd\u00f3cio ministerial de que o Bispo possui a plenitude, s\u00e3o os principais e insubstitu\u00edveis cooperadores da ordem episcopal. Em virtude do sacramento da Ordem, est\u00e3o associados \u00e0 solicitude pastoral do Bispo, participando, de modo pr\u00f3prio, na sua responsabilidade pela Igreja particular. Por isso, s\u00e3o chamados a cultivar um profundo sentido de comunh\u00e3o diocesana, insepar\u00e1vel da abertura \u00e0 dimens\u00e3o universal da Igreja. \u00c9 nesta comunh\u00e3o com o Bispo que o minist\u00e9rio presbiteral encontra o seu fundamento, a sua legitimidade, a sua unidade e a sua orienta\u00e7\u00e3o pastoral.<\/p>\n<p>Comunh\u00e3o com os irm\u00e3os sacerdotes &#8211; Os sacerdotes s\u00e3o irm\u00e3os n\u00e3o apenas pelo Batismo, mas de modo particular pelo sacramento da Ordem, que os configura a Cristo e os introduz num v\u00ednculo ontol\u00f3gico espec\u00edfico com Ele. Esta configura\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita ao agir, mas atinge o pr\u00f3prio ser. Por isso, s\u00e3o chamados a viver a fraternidade sacramental no seio do presbit\u00e9rio, cultivando a entreajuda, a corresponsabilidade e a amizade sacerdotal.<\/p>\n<p>A comunh\u00e3o com o bispo e com os irm\u00e3os sacerdotes, est\u00e1 sintetizada no que S. Jo\u00e3o Paulo II afirmou em 1993: \u201cA unidade do presbit\u00e9rio, reunido em torno do Bispo, \u00e9 sinal da comunh\u00e3o da Igreja.\u201d<\/p>\n<p>Comunh\u00e3o com o Povo de Deus &#8211; O sacerdote, e de modo particular o p\u00e1roco, \u00e9 chamado a ser art\u00edfice de comunh\u00e3o no meio do povo que lhe est\u00e1 confiado. Exerce esta miss\u00e3o atrav\u00e9s do di\u00e1logo, da escuta atenta, do discernimento espiritual e da orienta\u00e7\u00e3o pastoral, ajudando cada fiel a encontrar o seu lugar no Corpo de Cristo. Compete-lhe promover a integra\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is na comunh\u00e3o eclesial, n\u00e3o apenas ao n\u00edvel da par\u00f3quia ou dos diversos movimentos, mas numa abertura efetiva \u00e0 Igreja inteira, como mist\u00e9rio de comunh\u00e3o. Por isso, deve evitar toda a forma de fechamento, \u201cguetiza\u00e7\u00e3o\u201d ou fragmenta\u00e7\u00e3o, favorecendo antes uma participa\u00e7\u00e3o viva, org\u00e2nica e mission\u00e1ria na vida da Igreja, no seu sentido mais amplo.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, \u201co sacerd\u00f3cio est\u00e1 enraizado na comunh\u00e3o com Cristo e orientado para a comunh\u00e3o dos homens\u201d, como nos ensinava em 2010, o Papa Bento XVI.<\/p>\n<p><strong>Miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ouvimos a profecia de Isa\u00edas, que Jesus proclamou na sinagoga de Nazar\u00e9: \u00abO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a liberta\u00e7\u00e3o aos cativos e a dar vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor\u00bb.<\/p>\n<p>Jesus chama-nos e associa-nos \u00e0 sua miss\u00e3o. Nas circunst\u00e2ncias concretas das nossas vidas e do tempo que nos \u00e9 dado viver, confia-nos esta nobre tarefa.<\/p>\n<p>Com cora\u00e7\u00e3o agradecido e na alegria da nossa perten\u00e7a ao Senhor e \u00e0 sua Igreja, e de modo particular neste dia, pelo dom dos santos \u00f3leos, presentes na vida sacramental da Igreja, elevamos a Deus a nossa a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, pois \u00e9 pelos sacramentos que somos fortalecidos para a miss\u00e3o de anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>O processo sinodal em curso orienta-nos para uma Igreja cada vez mais consciente da sua natureza mission\u00e1ria. Pe\u00e7amos ao Senhor a gra\u00e7a de permanecermos sempre fi\u00e9is \u00e0 f\u00e9 dos Ap\u00f3stolos e de sabermos discernir com ousadia e criatividade caminhos novos para anunciar o Evangelho aos homens e mulheres do nosso tempo, nas circunst\u00e2ncias pr\u00f3prias da cultura contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Que Maria, M\u00e3e da Igreja e M\u00e3e dos sacerdotes, e S\u00e3o Jos\u00e9, nosso padroeiro, nos acompanhem e inspirem a viver com alegria e fidelidade o dom recebido, como construtores de comunh\u00e3o e arautos da Boa Nova, da compaix\u00e3o e da miseric\u00f3rdia de Jesus Cristo, nosso Salvador.<\/p>\n<p>\u2020 Fernando Paiva, Bispo de Beja<br \/>\n(1-4-2026, S\u00e9 de Beja)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAlegria, Comunh\u00e3o e 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