{"id":418474,"date":"2026-04-02T13:37:08","date_gmt":"2026-04-02T12:37:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=418474"},"modified":"2026-04-02T13:59:05","modified_gmt":"2026-04-02T12:59:05","slug":"homilia-da-missa-crismal-do-cardeal-d-americo-aguiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-da-missa-crismal-do-cardeal-d-americo-aguiar\/","title":{"rendered":"Homilia da Missa Crismal do cardeal D. Am\u00e9rico Aguiar"},"content":{"rendered":"<div dir=\"auto\"><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00abA paz esteja convosco!\u00bb (Jo 20, 19.21)<\/div>\n<div dir=\"auto\">A paz e a bondade desarmam o cora\u00e7\u00e3o do homem<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Irm\u00e3os e irm\u00e3s, queridos sacerdotes,<\/div>\n<div dir=\"auto\">Celebrar a P\u00e1scoa \u00e9 sempre entrar na novidade de Deus, que n\u00e3o se repete e que nos surpreende. Por isso, tamb\u00e9m esta Missa Crismal deve ser vivida como um momento \u00fanico, irrepet\u00edvel, onde cada um de n\u00f3s \u00e9 chamado a reencontrar o sentido mais profundo da sua voca\u00e7\u00e3o e do seu minist\u00e9rio, no cora\u00e7\u00e3o da Igreja e ao servi\u00e7o do Povo de Deus.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Reunidos como presbit\u00e9rio, diante das comunidades que nos conhecem e acompanham, reconhecemos que a nossa identidade nasce desta un\u00e7\u00e3o que hoje celebramos. Como nos recorda o profeta Isa\u00edas, \u201co Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos infelizes\u201d, a cuidar dos cora\u00e7\u00f5es feridos e a levar o \u00f3leo da alegria \u00e0queles que vivem mergulhados no luto. E \u00e9 ainda o mesmo profeta que nos lembra quem somos: \u201cSereis chamados sacerdotes do Senhor, ministros do nosso Deus\u201d.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Esta Palavra n\u00e3o descreve apenas uma miss\u00e3o gen\u00e9rica; define a nossa vida. N\u00e3o somos sacerdotes por fun\u00e7\u00e3o, mas por un\u00e7\u00e3o. N\u00e3o somos enviados para n\u00f3s pr\u00f3prios, mas para os outros \u2014 sobretudo para aqueles que mais precisam de esperan\u00e7a, de proximidade e de sentido.<\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00c9 por isso que o Evangelho de Lucas ganha hoje uma densidade particular, quando Jesus, na sinagoga de Nazar\u00e9, proclama esta mesma passagem e afirma: \u201cCumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir\u201d. Este \u201choje\u201d de Jesus prolonga-se no nosso hoje. Atrav\u00e9s da nossa vida, da nossa palavra e da nossa presen\u00e7a, esta Escritura continua a cumprir-se na hist\u00f3ria concreta das pessoas que nos s\u00e3o confiadas.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Mas este \u201ccumprimento\u201d n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tico. Exige de n\u00f3s uma disponibilidade interior, uma coer\u00eancia de vida e uma capacidade real de nos deixarmos tocar pelas situa\u00e7\u00f5es humanas que encontramos.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Num mundo profundamente marcado pela viol\u00eancia, pela guerra e pela inseguran\u00e7a \u2014 onde tantos continuam privados da possibilidade de viver a f\u00e9 em paz \u2014 ressoa com ainda maior urg\u00eancia a sauda\u00e7\u00e3o do Ressuscitado: \u201cA paz esteja convosco\u201d. Esta paz, como nos recorda o Papa Le\u00e3o XIV, n\u00e3o \u00e9 fr\u00e1gil nem superficial; \u00e9 uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante, que nasce do amor incondicional de Deus e que se torna cred\u00edvel quando encontra testemunhas.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">\u00c9 aqui que a nossa vida sacerdotal se torna decisiva. Somos, de facto, homens que levam esta paz? A nossa presen\u00e7a aproxima ou afasta? As nossas palavras constroem ou ferem? A nossa a\u00e7\u00e3o pastoral liberta e consola, ou corre o risco de se tornar distante e funcional?<\/div>\n<div dir=\"auto\">Neste contexto, quero deixar-vos um apelo muito concreto, que brota diretamente da Palavra que escut\u00e1mos: que a nossa a\u00e7\u00e3o pastoral tenha uma aten\u00e7\u00e3o renovada e cuidada \u00e0 doen\u00e7a, \u00e0 morte e ao luto. S\u00e3o momentos onde a vida se revela na sua maior fragilidade e onde a presen\u00e7a da Igreja n\u00e3o pode faltar. Somos ungidos para estar, para escutar, para acompanhar e para consolar. Nem sempre teremos respostas, mas somos sempre chamados a oferecer presen\u00e7a \u2014 uma presen\u00e7a que, quando \u00e9 verdadeira, se torna sinal de esperan\u00e7a e express\u00e3o da ternura de Deus.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">E hoje, nesta celebra\u00e7\u00e3o, contemplamos tamb\u00e9m um sinal muito concreto desta miss\u00e3o: os santos \u00f3leos que ser\u00e3o aben\u00e7oados e consagrados. Eles n\u00e3o permanecer\u00e3o aqui. Como um rio que brota desta catedral, ir\u00e3o correr por toda a diocese, levados pelas m\u00e3os de cada um de v\u00f3s, at\u00e9 chegarem ao encontro de cada irm\u00e3o e de cada irm\u00e3 que ser\u00e1 ungido. No Batismo, na Confirma\u00e7\u00e3o, na Ordem, na Un\u00e7\u00e3o dos Doentes \u2014 estes \u00f3leos ser\u00e3o sinal da presen\u00e7a de Deus que toca, cura, fortalece e envia. E, atrav\u00e9s deles, \u00e9 a pr\u00f3pria Igreja que se faz pr\u00f3xima, que entra na vida concreta das pessoas, que n\u00e3o abandona ningu\u00e9m.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Ao mesmo tempo, esta celebra\u00e7\u00e3o convida-nos a olhar uns para os outros, como presbit\u00e9rio, com gratid\u00e3o e com responsabilidade. Por isso, permiti-me dizer, com simplicidade e verdade: obrigado. Obrigado pelo vosso minist\u00e9rio fiel ao longo deste \u00faltimo ano, pela Eucaristia celebrada diariamente, pela Palavra anunciada com dedica\u00e7\u00e3o, pela proximidade concreta \u00e0s pessoas nas suas alegrias e nas suas dores.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Quero tamb\u00e9m, de modo muito particular, expressar a minha gratid\u00e3o e assegurar a minha ora\u00e7\u00e3o pelos p\u00e1rocos e pelas comunidades que j\u00e1 receberam a Visita Pastoral. Esses momentos t\u00eam sido, para mim, uma verdadeira gra\u00e7a: oportunidade de encontro, de escuta e de confirma\u00e7\u00e3o na f\u00e9. A todos v\u00f3s, obrigado pelo acolhimento, pela disponibilidade e pelo testemunho de vida crist\u00e3 que tendes oferecido.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Neste contexto de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, reconhecemos com alegria os nossos irm\u00e3os Padres \u00c1lvaro Lago, Francisco Mendes e Jo\u00e3o Rosa, que celebram este ano as suas bodas de prata sacerdotais. O seu percurso de 25 anos de minist\u00e9rio \u00e9 um sinal concreto de fidelidade e um testemunho que encoraja todo o presbit\u00e9rio.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Mas esta gratid\u00e3o n\u00e3o nos impede de reconhecer que h\u00e1 tamb\u00e9m fragilidades, cansa\u00e7os e momentos de crise. Por isso, acolhemos como nossa a inten\u00e7\u00e3o que nos prop\u00f5e o Santo Padre Le\u00e3o XIV: \u201cRezemos pelos sacerdotes que atravessam momentos de crise na sua voca\u00e7\u00e3o, para que encontrem o acompanhamento necess\u00e1rio e para que as comunidades os apoiem com compreens\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o.\u201d Esta \u00e9 tamb\u00e9m uma responsabilidade de todos n\u00f3s: cuidar uns dos outros, com verdade, proximidade e caridade.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Assim, ao regressarmos \u00e0s nossas comunidades, levamos connosco n\u00e3o apenas um conjunto de tarefas, mas uma identidade renovada. O mundo n\u00e3o espera de n\u00f3s discursos perfeitos, mas testemunhos cred\u00edveis. Espera encontrar em n\u00f3s homens que vivem aquilo que anunciam.<\/div>\n<div dir=\"auto\">Neste ano de P\u00e1scoa de 2026, aquilo que temos para oferecer \u2014 \u00e0s nossas comunidades, \u00e0s nossas fam\u00edlias, ao mundo \u2014 \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, a paz de Cristo Ressuscitado. Uma paz que n\u00e3o se imp\u00f5e, mas se prop\u00f5e; que n\u00e3o se explica apenas, mas se vive; que n\u00e3o fica em n\u00f3s, mas passa atrav\u00e9s de n\u00f3s.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Irm\u00e3os, n\u00e3o tenhamos medo de viver \u00e0 altura desta un\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Cristo est\u00e1 vivo. E continua a dizer-nos, hoje e sempre: \u201cA paz esteja convosco.\u201d Am\u00e9n.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><em>+ Cardeal Am\u00e9rico Aguiar, Bispo de Set\u00fabal<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":9,"featured_media":418475,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[181],"class_list":["post-418474","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-setubal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418474"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418474\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/418475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}