{"id":418387,"date":"2026-04-02T12:30:35","date_gmt":"2026-04-02T11:30:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=418387"},"modified":"2026-04-02T12:32:29","modified_gmt":"2026-04-02T11:32:29","slug":"homilia-de-d-nuno-almeida-na-missa-crismal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-nuno-almeida-na-missa-crismal-2\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Nuno Almeida na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>A nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 amar<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_418439\" aria-describedby=\"caption-attachment-418439\" style=\"width: 1600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-418439 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/missa_crismal_braganca2026-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/missa_crismal_braganca2026-1.jpeg 1600w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/missa_crismal_braganca2026-1-373x280.jpeg 373w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/missa_crismal_braganca2026-1-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/missa_crismal_braganca2026-1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/missa_crismal_braganca2026-1-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-418439\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/figcaption><\/figure>\n<p>Car\u00edssimos Irm\u00e3os: D. Ant\u00f3nio Montes, Senhor Vig\u00e1rio-geral, Vig\u00e1rio Episcopal do Clero, Presb\u00edteros, Di\u00e1conos, Religiosas, Seminaristas, Ac\u00f3litos e todos v\u00f3s, Irm\u00e3os e Irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Em nome pessoal, do Presbit\u00e9rio e de toda a Diocese, dirijo uma sauda\u00e7\u00e3o de particular congratula\u00e7\u00e3o aos aniversariantes. Neste ano, alegramo-nos com a celebra\u00e7\u00e3o dos 25 anos de Ordena\u00e7\u00e3o Episcopal de D. Ant\u00f3nio Montes, nosso Bispo Em\u00e9rito; com os 25 anos de Ordena\u00e7\u00e3o Sacerdotal do Padre Jos\u00e9 Rocha; com os 50 anos de Consagra\u00e7\u00e3o da Ir. Em\u00edlia Faustino e da Ir. Sameiro Vieira.<\/p>\n<p>Manifestamos ainda redobrado j\u00fabilo pelos 100 anos de vida e 75 de Ordena\u00e7\u00e3o Sacerdotal do Pe Telmo Ferraz.<\/p>\n<p>Na comunh\u00e3o dos santos temos presentes os sacerdotes que n\u00e3o puderam vir por motivo de sa\u00fade e grata recorda\u00e7\u00e3o daqueles que partiram para a casa do Pai.<\/p>\n<p>1.\u00abO Esp\u00edrito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu\u00bb, diz Isa\u00edas (Is 61,1), reconhecendo nesta un\u00e7\u00e3o a nova e bela miss\u00e3o da gra\u00e7a, de liberdade, da alegria e da consola\u00e7\u00e3o que Deus agora lhe oferece.<\/p>\n<p>\u00abO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque o Senhor me ungiu\u00bb, repete Jesus na sinagoga de Nazar\u00e9 (Lc 4,18), assumindo sobre si a un\u00e7\u00e3o e a nova e bela miss\u00e3o de Isa\u00edas. Jesus levantou-se para fazer a leitura lit\u00fargica, e sentou-se para fazer a homilia. E \u00abos olhos de todos\u00bb, informa o narrador, \u00abestavam fixos nele!\u00bb, num misto de espanto, de encanto e de esperan\u00e7a (Lc 4,20). \u00c9 breve e intensa a homilia de Jesus, que disse somente: \u00abHoje cumpriu-se esta Escritura\u00bb (Lc 4, 21).<\/p>\n<p>Se repararmos bem, se tivermos os olhos bem abertos, veremos ent\u00e3o que, na condensada homilia de Jesus, a Palavra salta do plano da folha de papiro ou de papel, e come\u00e7a a ganhar relevo, forma-se um corpo, desenha-se um rosto, pulsa um cora\u00e7\u00e3o, ouve-se uma voz. O corpo, o rosto, o cora\u00e7\u00e3o e a voz firme e serena de Cristo!<\/p>\n<p>2.Unidos e reunidos pelo mesmo Esp\u00edrito em unum presbyterium, para nos dizermos, temos de receber de Jesus as mesmas palavras que Ele pr\u00f3prio pediu emprestadas e a que deu sentido pleno, corpo, rosto e voz, fazendo-as sair da superf\u00edcie plana da folha de papiro.<\/p>\n<p>\u00abO Esp\u00edrito do Senhor sobre mim, porque o Senhor me ungiu\u00bb (Lc 4,18) constitui, de facto, a maneira mais bela e profunda de o presbit\u00e9rio de uma Diocese poder afirmar em un\u00edssono a sua identidade diaconal, e n\u00e3o patronal. \u00c9 mesmo a \u00fanica maneira de podermos dizer quem verdadeiramente somos. Afirmar a grandeza e a dignidade da nossa voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o: ungidos e enviados para anunciar o Evangelho aos pobres!<\/p>\n<p>\u00c9 bom recordar a advert\u00eancia do Papa Francisco: \u201cA un\u00e7\u00e3o, caros irm\u00e3os, n\u00e3o \u00e9 destinada a perfumar-nos a n\u00f3s mesmos, nem muito menos para que a conservemos num vaso, porque o \u00f3leo se tornar\u00e1 ran\u00e7oso \u2026 e o cora\u00e7\u00e3o amargo.\u201d<\/p>\n<p>(Papa Francisco, Missa Crismal de 1013). A un\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em n\u00f3s \u00e9 para todos, sobretudo para os mais afastados, para aqueles que precisam de consola\u00e7\u00e3o, de conforto e de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Aprendemos, mais uma vez, que a nossa identidade presbiteral \u00e9 relacional e o nosso minist\u00e9rio \u00e9 sinodal, \u00e9 tudo menos solit\u00e1rio. S\u00f3 pode ser profunda e radicalmente solid\u00e1rio! No nosso minist\u00e9rio nunca estamos s\u00f3s. Bispos, pastores e padres formamos um presbit\u00e9rio, uma fam\u00edlia, uma fraternidade sacerdotal. A resposta ao Senhor \u00e9 pessoal, mas n\u00e3o \u00e9 solit\u00e1ria, \u00e9 coral, sinf\u00f3nica e solid\u00e1ria!<\/p>\n<p>3.Somos presbit\u00e9rio de Ungidos, desde o bispo, aos sacerdotes, aos di\u00e1conos, ao povo de Deus crente e fiel. Ungido diz-se em hebraico Mash\u00eeah, e em grego Christ\u00f3s, termos que, em portugu\u00eas, soam Messias e Cristo. O Ungido por excel\u00eancia \u00e9, ent\u00e3o, Cristo, Jesus Cristo, Jesus Ungido, e d\u2019Ele todos sabemos que, enquanto Ungido com o Esp\u00edrito Santo, passou pelo meio de n\u00f3s fazendo o bem e curando e libertando e amando at\u00e9 ao fim, intensa e plenamente, porque Deus estava com Ele (At 10,37-38). S\u00f3 configurados com Cristo, cristificados, podemos viver e agir in persona Christi Capitis ou in persona Christi Servitoris, na pessoa de Cristo Cabe\u00e7a do seu Corpo, que \u00e9 a Igreja, ou na pessoa de Cristo Servo do seu Corpo, que \u00e9 a Igreja. \u00c9 assim que dizemos hoje, nesta Quinta-Feira Santa, a nossa identidade Sacerdotal e Diaconal.<\/p>\n<p>\u201cUngidos e enviados\u201d pois a nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 amar. A nossa vida sacerdotal \u00e9 feita para amar. \u201cAmar \u00e9 tudo dar\u201d &#8211; dizia Teresa do Menino Jesus. Porque acreditamos e confiamos, amamos e damo-nos. E h\u00e1 fecundidade!<\/p>\n<p>4.Numa sociedade violenta e fraturada, a unidade da fraternidade sacerdotal interpela as consci\u00eancias. Jesus orou pelos seus disc\u00edpulos para que sejam um (cf. Jo 17, 22). A unidade vem da ora\u00e7\u00e3o entre o Pai e o Filho no Esp\u00edrito. A unidade fraternal do corpo presbiteral deve ser alimentada de amor, do amor de Deus. Neste estaleiro desafiante da fraternidade sacerdotal haver\u00e1 sempre lentid\u00f5es e cansa\u00e7os, porque vivemos com a nossa humanidade. Estes obst\u00e1culos n\u00e3o nos devem paralisar. Pelo contr\u00e1rio, eles encorajam-nos a encontrar a for\u00e7a da unidade e do amor n\u00e3o em n\u00f3s mesmos e nas nossas for\u00e7as, mas no amor de Deus. Partindo s\u00f3 do nosso amor, a fraternidade sacerdotal ser\u00e1 fr\u00e1gil; partindo do amor de Deus, ela ser\u00e1 forte.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias, atrav\u00e9s da Rede Mundial de Ora\u00e7\u00e3o, o Papa Le\u00e3o XIV afirmou que \u201cos presb\u00edteros n\u00e3o s\u00e3o funcion\u00e1rios nem her\u00f3is solit\u00e1rios, mas filhos amados, disc\u00edpulos humildes e estimados, e pastores amparados pela ora\u00e7\u00e3o de seu povo&amp;quot;. Por isso, pediu especiais ora\u00e7\u00f5es \u201cpelos sacerdotes que atravessam momentos de crise, quando a solid\u00e3o pesa, as d\u00favidas obscurecem o cora\u00e7\u00e3o e o cansa\u00e7o parece mais forte do que a esperan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>O Papa acrescentou: \u201cPai bom, ensina-nos, como comunidade, a cuidar dos nossos presb\u00edteros: a escut\u00e1-los sem julgar, a agradecer sem exigir perfei\u00e7\u00e3o, a partilhar com eles a miss\u00e3o batismal de anunciar o Reino com gestos e palavras, e a acompanh\u00e1-los com proximidade e ora\u00e7\u00e3o sincera. Que saibamos amparar aqueles que tantas vezes nos amparam.\u201d<\/p>\n<p>5.O \u00f3leo do Crisma que vamos consagrar, e os \u00f3leos dos enfermos e dos catec\u00famenos que vamos benzer, constituem, no meio de n\u00f3s, um aut\u00eantico manancial ou programa de vida. Igual ao de Cristo. Outros Cristos, Ungidos no cora\u00e7\u00e3o, para levar o an\u00fancio do Evangelho a todos os nossos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Sem ingenuidade e sem artif\u00edcios, pois somos chamados a ser pastores e n\u00e3o atores, \u00e9 necess\u00e1rio difundir o movimento da b\u00ean\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa volta. Essa b\u00ean\u00e7\u00e3o n\u00e3o se reduz a um gesto lit\u00fargico. Ela \u00e9 um projeto de vida e de felicidade para os crentes e buscadores de sentido num mundo que tantas vezes entra em hiberna\u00e7\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>Se somos outros Cristos, Ele est\u00e1 connosco, em n\u00f3s (Gl 2, 20), no meio de n\u00f3s. A vinha, a seara, a messe e a planta\u00e7\u00e3o s\u00e3o d\u2019Ele. A Ele a honra, a gl\u00f3ria e o louvor para sempre. \u00c1men!<\/p>\n<p><em>+Nuno Almeida<\/em><\/p>\n<p><em>Bispo de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":9,"featured_media":418439,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[173],"class_list":["post-418387","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braganca-miranda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418387\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/418439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}