{"id":418360,"date":"2026-04-02T19:30:11","date_gmt":"2026-04-02T18:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=418360"},"modified":"2026-04-02T13:00:09","modified_gmt":"2026-04-02T12:00:09","slug":"a-decisao-do-amor-ate-ao-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-decisao-do-amor-ate-ao-fim\/","title":{"rendered":"A decis\u00e3o do Amor \u00abat\u00e9 ao fim\u00bb"},"content":{"rendered":"<div>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Homilia do bispo do Funchal na Missa da Ceia do Senhor<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div>\n<p class=\"Corpo\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Funchal_Se_Missa-da-Ceia-do-Senhor-2024-1024x768-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-370132 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Funchal_Se_Missa-da-Ceia-do-Senhor-2024-1024x768-1-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Funchal_Se_Missa-da-Ceia-do-Senhor-2024-1024x768-1-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Funchal_Se_Missa-da-Ceia-do-Senhor-2024-1024x768-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Funchal_Se_Missa-da-Ceia-do-Senhor-2024-1024x768-1.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a>1. \u201cEle que amara os seus que estavam no mundo, amou-os at\u00e9 ao fim\u201d. A celebra\u00e7\u00e3o que agora nos \u00e9 dado viver, bem a pod\u00edamos chamar a \u201ccelebra\u00e7\u00e3o do amor at\u00e9 ao fim\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Sabemos como os estudiosos da Sagrada Escritura se interrogam sobre o que significa este \u201camou-os at\u00e9 ao fim\u201d (eis telos \u00e9gap\u00e9sen autou). Com efeito, ele pode significar \u201cat\u00e9 ao final da sua vida\u201d, afirmando que toda a exist\u00eancia de Jesus foi conduzida pelo amor aos seus disc\u00edpulos que estavam no mundo e que, por isso, tamb\u00e9m a sua morte \u00e9 obra de amor \u2014 obra de um amor que n\u00e3o cansa nem se cansa, poder\u00edamos n\u00f3s dizer; obra de um amor que, mesmo abandonado pelos seus, sem qualquer retribui\u00e7\u00e3o humana, persiste em ir at\u00e9 ao fim da sua exist\u00eancia; obra do amor que est\u00e1 seguro de vencer a morte e que, por isso, n\u00e3o desiste, mesmo quando \u00e9 v\u00edtima da maior injusti\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Mas \u201cat\u00e9 ao fim\u201d pode, igualmente, significar \u201cat\u00e9 ao maior grau em que \u00e9 pens\u00e1vel viver o amor\u201d; at\u00e9 ao grau mais alto do amor. Em Jesus descobrimos o \u201camor maior\u201d \u2014 aquele amor que, por isso mesmo, servir\u00e1 doravante de ponto de refer\u00eancia para todo o amor humano. Porque sendo amor do Homem verdadeiro \u00e9, tamb\u00e9m, amor do Deus verdadeiro.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">2. Como quer que seja \u2014 e as duas acep\u00e7\u00f5es podem ser consideradas em conjunto porque, de facto, n\u00e3o se contradizem \u2014 aquela afirma\u00e7\u00e3o de S. Jo\u00e3o (\u201camou-os at\u00e9 ao fim\u201d) apresenta o amor como a categoria de interpreta\u00e7\u00e3o de toda a Paix\u00e3o do Senhor. Ali, nos acontecimentos da Paix\u00e3o, encontramos o amor vivido, o amor testemunhado, o amor que salva.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">\u201cAmor at\u00e9 ao fim\u201d \u00e9, portanto, a \u00daltima Ceia, com o gesto quase sacramental do Lava-p\u00e9s e a institui\u00e7\u00e3o do sacramento eucar\u00edstico; amor at\u00e9 ao fim s\u00e3o as palavras que Jesus dirige aos seus no Gets\u00e9mani, como testamento, discurso de despedida; amor at\u00e9 ao fim s\u00e3o todos os sofrimentos destes dias: os esc\u00e1rnios, os a\u00e7oites, aquela coroa de espinhos; amor at\u00e9 ao fim \u00e9 o perd\u00e3o de Pedro e da sua trai\u00e7\u00e3o; amor at\u00e9 ao fim \u00e9 o caminho para a cruz por entre a multid\u00e3o que vive, sem disso estar consciente, o momento central da hist\u00f3ria do universo; amor at\u00e9 ao fim s\u00e3o os sofrimentos do Crucificado, a entrega do disc\u00edpulo a sua m\u00e3e e a entrega da m\u00e3e ao disc\u00edpulo; amor at\u00e9 ao fim \u00e9 a \u201centrega do Esp\u00edrito\u201d ao Pai e aos homens; amor at\u00e9 ao fim \u00e9 a pr\u00f3pria morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o gloriosa.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Todos esses momentos finais da sua exist\u00eancia terrena s\u00e3o vividos por Jesus no amor e por amor \u2014 e, mostrando desse modo em que consiste o amor, s\u00e3o vividos para nos dar a possibilidade de, tamb\u00e9m n\u00f3s (exist\u00eancias marcadas pelo desamor), aprendermos com Ele a amar e a tomarmos a decis\u00e3o do amor, do amor at\u00e9 ao fim. Jesus n\u00e3o nos d\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o de amor; n\u00e3o o descreve como um professor ensina o aluno; Ele ama de um modo radical, incondicional e final. E isso basta.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Na verdade, em Jesus o amor est\u00e1 na raiz de todo o seu ser. Jamais surpreendemos em Jesus qualquer atitude que n\u00e3o encontre a sua raz\u00e3o de ser no amor. Nele, tudo \u00e9 obedi\u00eancia ao Pai, acolhimento filial da sua vontade, disponibilidade para o p\u00f4r em pr\u00e1tica. Porque \u201cDeus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho unig\u00e9nito\u201d (Jo 3,16). Tudo em Jesus \u00e9 esquecimento de si; tudo nele \u00e9 motivado pela salva\u00e7\u00e3o daqueles que encontra no seu caminho, a quem se dirige ou que o procuram.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Em Jesus, o amor n\u00e3o coloca quaisquer condi\u00e7\u00f5es. Jesus n\u00e3o faz depender as suas atitudes da correspond\u00eancia dos disc\u00edpulos ou do amor das multid\u00f5es. Em Jesus n\u00e3o existem \u201cses\u201d nem \u201cmas\u201d. Jesus toma a iniciativa de amar todos quantos v\u00ea, mesmo aqueles que n\u00e3o se encontram ali presentes mas para quem \u00e9 pedida a salva\u00e7\u00e3o; Jesus ama simplesmente, e o seu amor transborda, vence, transforma quantos o acolhem.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">Em Jesus, o amor \u00e9 princ\u00edpio e fim. Esse modo de viver n\u00e3o \u00e9 um simples meio, um instrumento para obter a realiza\u00e7\u00e3o de um desejo, para chegar a um objectivo. \u00c9, se quisermos, \u201co caminho, a verdade e a vida\u201d: o amor \u00e9 o ambiente que Jesus respira, aquilo que O anima; o dinamismo transformador e salvador da humanidade, da hist\u00f3ria. Em Jesus, o amor liberta porque \u00e9 radicalmente livre. Por isso, o mandamento novo que o Senhor deixou aos seus consiste simplesmente no amor: no amor a Deus e no amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">\u00c9 o amor que se manifesta na cruz, at\u00e9 ao final, o \u201camor maior\u201d (\u201cNingu\u00e9m tem maior amor que aquele que d\u00e1 a vida pelos seus amigos\u201d). Jesus d\u00e1 a sua vida na cruz (\u201cNingu\u00e9m me tira a vida; sou eu que a dou livremente\u201d). A sua morte de cruz n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade a ser evitada a todo o custo; \u00e9 uma decis\u00e3o de amor, livre, um querer amar sempre, sem desfalecer, na certeza da vit\u00f3ria do amor. Por isso \u00e9 uma decis\u00e3o abra\u00e7ada com amor: como poderia Deus dar a vida ao homem se n\u00e3o sofresse a morte, a consequ\u00eancia maior do pecado? S\u00f3 desse modo a vida divina poderia ser oferecida ao homem mortal e a morte poderia ser derrotada, transformada em vida. Esse \u00e9 o amor maior, aquele que est\u00e1 para al\u00e9m de quanto poder\u00edamos n\u00f3s pensar, imaginar e (muito menos) desejar ou exigir, reivindicar como sal\u00e1rio, pagamento de qualquer m\u00e9rito: como poderia algu\u00e9m exigir que Deus morresse em seu nome, por si?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">3. Apenas algo poderia ser pensado de maior que este acontecimento da Paix\u00e3o, em que Deus manifesta o seu amor por cada um de n\u00f3s e por todos: que esse amor permanecesse at\u00e9 ao fim dos tempos, como presen\u00e7a, atitude, decis\u00e3o eficaz de alimentar, de dar a vida ao mundo inteiro \u2014 mostrando, desse modo, que \u201camor at\u00e9 ao fim\u201d \u00e9, tamb\u00e9m, o amor com que ali, naquele momento da cruz, Jesus assume e faz seus os sofrimentos, as dores, a morte de toda a humanidade desde o seu in\u00edcio ao seu final. E mesmo esse \u201cmaior\u201d acima do qual nada mais pode ser pensado (e que, por isso, traz consigo o sinal divino), mesmo esse maior Ele no-lo dispensa como P\u00e3o partido, Eucaristia, alimento.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">De verdade, que \u00e9 a Eucaristia, o sacramento institu\u00eddo pelo Senhor antes de padecer, para que a sua morte fosse entendida n\u00e3o como derrota mas como alimento, liberta\u00e7\u00e3o, doa\u00e7\u00e3o, entrega at\u00e9 ao fim que resume em si o mundo, o cosmo, a hist\u00f3ria; que \u00e9 a Eucaristia sen\u00e3o este mesmo amor, tornado concreto, vis\u00edvel, sabore\u00e1vel, am\u00e1vel?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"Corpo\">\u201cEle, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os at\u00e9 ao fim\u201d. Deixemo-nos, irm\u00e3os, vencer, alimentar, conduzir pela Eucaristia, presen\u00e7a do Senhor no meio de n\u00f3s, para que derrotando o nosso pecado com o amor que Ele nos oferece e ensina, tamb\u00e9m n\u00f3s nos deixemos transformar, converter, vivificar, alimentar por Ele.<\/p>\n<p><em>D. Nuno Br\u00e1s<\/em><br \/>\n<em>Bispo do Funchal<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do bispo do Funchal na Missa da Ceia do Senhor<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":354575,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-418360","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418360"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418360\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/354575"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}