{"id":418358,"date":"2026-04-02T12:45:13","date_gmt":"2026-04-02T11:45:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=418358"},"modified":"2026-04-02T10:23:45","modified_gmt":"2026-04-02T09:23:45","slug":"homilia-de-d-nuno-bras-na-missa-crismal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-nuno-bras-na-missa-crismal\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Nuno Br\u00e1s na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>QUINTA FEIRA SANTA \u2014 MISSA CRISMAL<\/p>\n<p>S\u00e9 do Funchal, 02 de Abril de 2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. \u201cCumpriu-se hoje mesmo a passagem da Escritura que acabais de ouvir\u201d: com esta afirma\u00e7\u00e3o, Jesus apresenta-se aos seus conterr\u00e2neos \u2014 eles que o conheciam desde a inf\u00e2ncia, mas que se mostraram incapazes de O reconhecer como Messias.<\/p>\n<p>Jesus apresenta-se clara e definitivamente, para que O possam reconhecer como Aquele sobre quem repousa o Esp\u00edrito Santo. Apresenta-se para que tamb\u00e9m os seus possam entrar no dinamismo da Nova Alian\u00e7a. \u00c9 assim a miseric\u00f3rdia do Senhor: vem ao nosso encontro, revela-se, propondo-se \u00e0 nossa liberdade para que esta se decida a entrar no caminho da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas a passagem de Isa\u00edas, acabada de ser proclamada, que se cumpre em Jesus: nele, \u00e9 toda a Escritura que plenamente se realiza (Mt 5,17). Jesus \u00e9 Aquele de quem todo o Antigo Testamento fala, a quem a Antiga Alian\u00e7a aguarda \u201cmais que a sentinela espera pela aurora\u201d (Sl 130,6); Aquele que, agora, na \u201cplenitude dos tempos\u201d, o pr\u00f3prio Pai atesta e apresenta como salvador e redentor.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 nunca demais olhar para Jesus. N\u00e3o \u00e9 nunca demais contemplar nele a realiza\u00e7\u00e3o da Promessa, a sobreabund\u00e2ncia do Esp\u00edrito, a presen\u00e7a da gl\u00f3ria divina, ainda que resplandecendo na humilha\u00e7\u00e3o e concretude da carne humana. E nunca \u00e9 demais procurar em Jesus o centro do nosso viver e, ao mesmo tempo, a meta do nosso peregrinar. Afinal, a vida crist\u00e3 mais n\u00e3o \u00e9 que procuramos reconhecer-nos, identificarmo-nos cada vez mais com Ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Foi o pr\u00f3prio Senhor quem ensinou os seus disc\u00edpulos a entender-se desse modo, como um prolongamento da miss\u00e3o que Ele tinha recebido do Pai: \u201cQuem vos escuta \u00e9 a mim que escuta, e quem vos rejeita \u00e9 a mim que rejeita; mas quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou\u201d (Lc 10,16). Por isso, a Igreja tem consci\u00eancia de que o seu tempo n\u00e3o tem outra verdadeira novidade que n\u00e3o aquela \u00fanica e aut\u00eantica not\u00edcia que \u00e9 Jesus, o Deus feito homem.<\/p>\n<p>Da Galileia e da Judeia, a Igreja espalhou-se pelo mundo. Hoje est\u00e1 presente em todos os continentes; ultrapassou s\u00e9culos, crises, vicissitudes. Apesar de constitu\u00edda por pecadores, foi sempre capaz de acolher e expressar a santidade daquele que \u00e9 a sua cabe\u00e7a e raz\u00e3o de ser, n\u00e3o tanto por causa das suas capacidades mas por causa do Esp\u00edrito Santo que a habita e que nela encontra a sua morada. Por isso, o Evangelho que a Igreja proclama \u00e9 o Evangelho\u00a0 de Jesus; o an\u00fancio que ela realiza hoje, ainda que atrav\u00e9s de diferentes instrumentos, \u00e9 o mesmo que o da Igreja dos tempos apost\u00f3licos; a f\u00e9 acreditada e proclamada hoje \u00e9 a mesma que os Ap\u00f3stolos ensinaram tal como receberam do Senhor: cresceu em aprofundamento, em consci\u00eancia, em maturidade, mas \u00e9 a mesma f\u00e9 apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>O cumprimento das Escrituras que admiramos em Jesus continua hoje no seu Corpo que \u00e9 a Igreja. E desse cumprimento \u2014 desse \u201choje divino\u201d \u2014 devemos todos n\u00f3s, Igreja funchalense, tomar tamb\u00e9m consci\u00eancia. E, com ele, nos devemos igualmente maravilhar. Em n\u00f3s e por nosso interm\u00e9dio, instrumentos insuficientes e fracos, se realiza, no nosso tempo, o admir\u00e1vel mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nisto mesmo, ali\u00e1s, consiste a liturgia da Igreja: mergulhar em cada dia no acontecimento da salva\u00e7\u00e3o, deixar que ele inunde os tempos e os lugares, as vidas, de forma a que todos se encham com a gra\u00e7a divina: gra\u00e7a a oferecer-se, a jorrar, a transbordar a partir daquele acontecimento \u00fanico que \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Como Igreja que peregrina nestas Ilhas do Atl\u00e2ntico, maravilhamo-nos por percebermos Deus a actuar hoje na nossa hist\u00f3ria, na vida concreta das nossas comunidades, das nossas fam\u00edlias, dos nossos crist\u00e3os. Mas, como sacerdotes, ficamos ainda mais surpreendidos, ao percebermos como esse hoje divino nos tem a n\u00f3s por instrumentos.<\/p>\n<p>Escrevendo ao presbit\u00e9rio de Madrid, o Papa Le\u00e3o, come\u00e7ava por reconhecer que, nos nossos dias, \u201co Evangelho encontra n\u00e3o apenas indiferen\u00e7a, mas tamb\u00e9m um panorama cultural diferente, no qual as palavras j\u00e1 n\u00e3o carregam o mesmo significado e onde a proclama\u00e7\u00e3o inicial j\u00e1 n\u00e3o pode ser tomada como certa\u201d. Mas logo acrescentava: \u201cContudo, esta descri\u00e7\u00e3o n\u00e3o capta na totalidade o que realmente est\u00e1 a acontecer. Estou convencido \u2014 e sei que muitos de voc\u00eas percebem isso no exerc\u00edcio di\u00e1rio do vosso minist\u00e9rio \u2014 que uma nova inquieta\u00e7\u00e3o est\u00e1 a agitar o cora\u00e7\u00e3o de muitas pessoas, especialmente dos jovens\u201d.<\/p>\n<p>E logo o Santo Padre apresentava aos sacerdotes madrilenos o modelo de padre para este nosso tempo: \u201cCertamente \u2014 dizia ele \u2014 n\u00e3o homens definidos por uma multid\u00e3o de tarefas ou pela press\u00e3o de resultados, mas homens configurados a Cristo, capazes de sustentar o seu minist\u00e9rio por meio de uma rela\u00e7\u00e3o viva com Ele, alimentada pela Eucaristia e expressa numa caridade pastoral marcada pela doa\u00e7\u00e3o sincera de si. N\u00e3o se trata de inventar novos modelos ou redefinir a identidade que recebemos, mas de reprop\u00f4r, com renovada intensidade, o sacerd\u00f3cio na sua ess\u00eancia mais aut\u00eantica \u2014 ser alter Christus \u2014 permitindo que Ele molde as nossas vidas, una os nossos cora\u00e7\u00f5es e d\u00ea forma a um minist\u00e9rio vivido a partir da intimidade com Deus, da dedica\u00e7\u00e3o fiel \u00e0 Igreja e do servi\u00e7o concreto ao povo que nos foi confiado\u201d.<\/p>\n<p>Ser e viver como \u201coutro Cristo\u201d, com tudo o que isso implica: eis o que torna apaixonante o nosso minist\u00e9rio. Procurar que, quando nos encontra pela rua e nas igrejas, o povo de Deus ou qualquer transeunte perceba que est\u00e1 a encontrar Cristo! Tarefa imensa, que por n\u00f3s ser\u00edamos incapazes de cumprir, mas que a gra\u00e7a sacramental n\u00e3o s\u00f3 nos permite como quase nos obriga!<\/p>\n<p>Olhamos \u00e0 nossa volta, e somos quotidianamente surpreendidos pelo hoje divino da salva\u00e7\u00e3o. Olhamos para n\u00f3s e percebemos que \u00e9 atrav\u00e9s das nossas m\u00e3os e do nosso ser que este \u201choje\u201d se torna presente, actuante, na Igreja e no mundo. Mesmo com todas as derrotas e vicissitudes; mesmo com todas as incapacidades; mesmo apesar do nosso pecado, n\u00e3o temos o direito de baixar os bra\u00e7os, de desistir de Deus e da miss\u00e3o que Ele nos confiou e confia.<\/p>\n<p>\u201cCumpriu-se hoje mesmo a palavra da Escritura que acabais de escutar\u201d. De cora\u00e7\u00e3o cheio e grato, continuemos a apascentar o povo que nos foi confiado, rezando com ele e por ele; continuemos a oferecer-lhe os dons sacramentais que conduzem \u00e0 salva\u00e7\u00e3o; sejamos para ele guias da f\u00e9 neste mundo de turbulenta indefini\u00e7\u00e3o. Abracemos, com renovada confian\u00e7a e ardor, a miss\u00e3o de tornar presente a Cristo.<\/p>\n<p>\u201cAlter Christus\u201d: desafio enorme e apaixonante, que n\u00e3o nos admite outra resposta a n\u00e3o ser aquela que pronunci\u00e1mos no dia da nossa ordena\u00e7\u00e3o: \u201cEis-me aqui, Senhor!\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":9,"featured_media":370190,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-418358","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418358\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/370190"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}