{"id":41812,"date":"2009-11-09T16:22:45","date_gmt":"2009-11-09T16:22:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/09\/discurso-de-d-jorge-ortiga-na-abertura-da-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa-2\/"},"modified":"2009-11-09T16:22:45","modified_gmt":"2009-11-09T16:22:45","slug":"discurso-de-d-jorge-ortiga-na-abertura-da-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-d-jorge-ortiga-na-abertura-da-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa-2\/","title":{"rendered":"Discurso de D. Jorge Ortiga na abertura da Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p>A Assembleia Plen&aacute;ria da Confer&ecirc;ncia Episcopal &eacute;, sempre, experi&ecirc;ncia de profunda comunh&atilde;o eclesial. Desta vez, a alegria da comunh&atilde;o torna-se mais expressiva pela gra&ccedil;a que nos&nbsp;&eacute; concedida da visita de Sua Santidade o Papa.<\/p>\n<p>Como j&aacute; foi referido em Nota Pastoral do Conselho Permanente da C.E.P (6 de Outubro de 2009): &#8220;A comunh&atilde;o vis&iacute;vel com o Sucessor de Pedro, fisicamente presente entre n&oacute;s, ser&aacute;, mais&nbsp; uma vez, ocasi&atilde;o da express&atilde;o espont&acirc;nea desse amor &agrave; sua pessoa, ao seu magist&eacute;rio e ao seu servi&ccedil;o universal e de fidelidade &agrave; Igreja&#8221;.<\/p>\n<p>Expressamos a mais sentida gratid&atilde;o e queremos corresponder com a prepara&ccedil;&atilde;o consciente das nossas comunidades, de modo que a sua mensagem seja acolhida sem retic&ecirc;ncias por todos os crist&atilde;os.<\/p>\n<p>A mesma comunh&atilde;o eclesial faz com que manifestemos a D. Albino Mamede Cleto, Bispo de Coimbra, as felicita&ccedil;&otilde;es pelos vinte e cinco anos de servi&ccedil;o episcopal e a D. Manuel Rodrigues Linda, novo Bispo Auxiliar de Braga, a solidariedade permanente de cada um de n&oacute;s.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>A IGREJA NO MUNDO<\/strong><\/p>\n<p>A C.E.P., norteada pela necessidade de repensar a pastoral nas suas dioceses, encontra-se mergulhada num momento num contexto de mudan&ccedil;a civilizacional. Muitas perspectivas podem e devem ser equacionadas. Fi&eacute;is a uma responsabilidade hist&oacute;rica &ndash; que a minha presen&ccedil;a no S&iacute;nodo dos Bispos sobre a &Aacute;frica veio refor&ccedil;ar &ndash; importa que reinterpretemos a nossa voca&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria. Para isso, teremos, por um lado, de continuar a acolher os imensos contornos do universo como espa&ccedil;o onde levar a semente do Evangelho; por outro, centrar a aten&ccedil;&atilde;o nos nossos pr&oacute;prios espa&ccedil;os, onde nos apercebemos de um progressivo afastamento da mensagem crist&atilde;.<\/p>\n<p>Sempre interpelados pela miss&atilde;o, recordo a peculiar rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica entre a Europa e a &Aacute;frica, para manifestar a particular solidariedade, no campo espiritual e material, com os povos de l&iacute;ngua portuguesa (1).<\/p>\n<p>Aceitamos, tamb&eacute;m, a gratid&atilde;o manifestada pelo S&iacute;nodo &agrave;s nossas Igrejas na Europa, sabendo que &eacute; nosso dever eclesial permanecer junto desses povos, inclusive atrav&eacute;s do envio de mission&aacute;rios que, por meio da incultura&ccedil;&atilde;o, testemunhem a fidelidade a Cristo com o an&uacute;ncio do evangelho e a entrega da vida (2).<\/p>\n<p>Esta nova consci&ecirc;ncia mission&aacute;ria e a reflex&atilde;o que dela fazemos, obriga-nos a repensar, &agrave; luz do Conc&iacute;lio Vaticano II, o papel da Igreja no mundo. Durante muito tempo apenas vimos &ldquo;o mundo da Igreja&rdquo;. Hoje, &eacute; inequ&iacute;voco que n&atilde;o existe o &ldquo;mundo da Igreja&rdquo;, mas que Ela deve estar no meio do mundo, n&atilde;o como <em>senhora<\/em> mas como <em>serva<\/em>. Estar no cora&ccedil;&atilde;o do mundo &eacute; j&aacute; uma luta a travar, uma vez que a mudan&ccedil;a que modernidade ocidental trouxe consigo deslocou o cristianismo do centro para a &ldquo;periferia dos <em>dispens&aacute;veis<\/em> e dos <em>irrelevantes<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>Curiosamente, na fragilidade desta periferia podemos reencontrar a nossa identidade crist&atilde;, a qual se plasma na &uacute;nica seguran&ccedil;a que vem de Cristo. &Eacute; neste contexto de humildade, que teremos de passar duma atitude de detentores da verdade para uma transpar&ecirc;ncia da verdade, de emissores &uacute;nicos e autorit&aacute;rios a peregrinos dialogantes nesta mesa comum da procura. Nunca podemos renunciar ao encargo que nos &eacute; confiado de apontar a urg&ecirc;ncia dum encontro com a Verdade. Sabemos que o ser humano se desfigura sempre que n&atilde;o &eacute; capaz de se confrontar com Ela e vive na persistente &ldquo;ditadura do relativismo&rdquo;, ou seja, no comodismo de quem se demite de pensar com rigor a realidade.<\/p>\n<p>Segundo Santo Agostinho, a verdade, que tamb&eacute;m &eacute; dom, &eacute; maior do que n&oacute;s e &eacute;-nos primeiramente dada. Em &ldquo;qualquer processo cognoscitivo, a verdade n&atilde;o &eacute; produzida por n&oacute;s, mas sempre encontrada ou, melhor, recebida&rdquo;, afirma a enc&iacute;clica <em>Caritas in Veritate<\/em><em> <\/em>(n. 34). Podemos ent&atilde;o concluir que, sendo a verdade um dom recebido por todos, pode constituir-se como for&ccedil;a que unifica a Humanidade e promove a universalidade dos povos.<\/p>\n<p>Compete-nos, por isso, sair do &ldquo;nosso&rdquo; mundo para provocar encontros com todos e ouvir as suas inquieta&ccedil;&otilde;es e dramas e, na comunh&atilde;o com todos, semear a sede duma redescoberta do sentido para a vida que s&oacute; Deus oferece. Este encontro dialogante acontecer&aacute;, ou dever&aacute; acontecer, atrav&eacute;s de uma presen&ccedil;a, silenciosa mas de testemunho, da Igreja nos mais variados ambientes.<\/p>\n<p>A miss&atilde;o est&aacute; a&iacute; e &eacute; desafio que devemos encarar. Os &ldquo;mundos&rdquo; esperam-nos e teremos de l&aacute; chegar. A sociedade portuguesa &eacute;, ainda, detentora de profundas marcas crist&atilde;s. Trata-se de avivar o que parece morto e situar o Evangelho neste contexto que parece contradiz&ecirc;-lo em muitas dimens&otilde;es.<\/p>\n<p>Como pode, ent&atilde;o, a Igreja convergir com o mundo neste jogo de fronteiras e de procura da Verdade? Acredito que &eacute;, precisamente, apostando no desenvolvimento integral da pessoa, na educa&ccedil;&atilde;o para os valores e restituindo a dignidade &agrave; institui&ccedil;&atilde;o familiar, como nos recorda o Santo Padre na enc&iacute;clica <em>Caritas in Veritate<\/em>.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>TEMPO DE MUDAN&Ccedil;AS<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho s&oacute; faz sentido se dinamizado em conjunto com m&uacute;ltiplos parceiros.<\/p>\n<p>A actual condi&ccedil;&atilde;o da sociedade portuguesa solicita da Igreja uma atitude muito concreta. Qualquer mudan&ccedil;a projecta-nos para um futuro em aberto, uma infinitude de possibilidades que, a seu tempo, se concretizam ou desvanecem. Este &eacute; o tempo de mudan&ccedil;a de governo e, neste sentido, perspectiva-se uma nova fase de relacionamento com o poder civil.<\/p>\n<p>Hoje &eacute; consensual a autonomia entre Igreja e Estado. A laicidade &eacute; uma realidade e, no dizer do Papa Jo&atilde;o Paulo II (Fevereiro de 2005): &ldquo;longe de ser um lugar de colis&atilde;o, &eacute; realmente o &acirc;mbito para um di&aacute;logo construtivo, no esp&iacute;rito dos valores de liberdade, de igualdade e de fraternidade&rdquo;. Este &ldquo;di&aacute;logo construtivo&rdquo; &eacute; o nosso permanente compromisso e queremos continuar a cooperar na linha da <em>Lei da Liberdade Religiosa<\/em> que consigna que n&atilde;o pode ser tratado como igual o que &eacute; diferente (Art.&ordm; 5&ordm;) e cria espa&ccedil;o legal para uma <em>Concordata<\/em> que testemunha o espec&iacute;fico da Igreja Cat&oacute;lica nos v&aacute;rios quadrantes. N&atilde;o queremos pretender um Estatuto de privil&eacute;gio. Caminhamos como povo portugu&ecirc;s e trairemos a nossa miss&atilde;o se n&atilde;o lhe oferecermos uma mensagem que alguns podem n&atilde;o reconhecer como necess&aacute;ria. Aceitamos a l&oacute;gica da liberdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PRIORIDADE DA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O<\/strong><\/p>\n<p>Torna-se priorit&aacute;rio olhar para a Educa&ccedil;&atilde;o e reconhec&ecirc;-la como elemento fundante e estruturante da sociedade portuguesa, comportando responsabilidades, quer para a sociedade em geral quer para a Igreja em particular. A educa&ccedil;&atilde;o apela a ac&ccedil;&otilde;es que favorecem o desenvolvimento intelectual, afectivo, espiritual, f&iacute;sico e moral da pessoa humana, tendo sempre como objectivo a tomada de consci&ecirc;ncia da pr&oacute;pria pessoa e o autodom&iacute;nio. &Eacute; necess&aacute;rio, portanto, ter a capacidade de abrir horizontes e promover a totalidade da pessoa, nas suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es: intelectual, afectiva, f&iacute;sica e espiritual&hellip; S&oacute; um projecto onde se fomentem os valores garante um humanismo com futuro.<\/p>\n<p>Da&iacute; que algumas coordenadas do ensino em Portugal nos inquietem. Importa ter a coragem de o repensar e n&atilde;o caminhar com solu&ccedil;&otilde;es parciais e ao sabor dos ventos e conveni&ecirc;ncias corporativas e pol&iacute;ticas. Sem valores verdadeiramente assumidos, a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o acontece, o relativismo ganha foros de &ldquo;norma&rdquo;, a fam&iacute;lia desestrutura&#8209;se, perde as suas coordenadas de refer&ecirc;ncia e at&eacute; de autoridade e a vida social corre o risco de se tornar ponto de &ldquo;desencontro&rdquo;. Muitos j&aacute; o referiram e nunca se pode esquecer. A crise est&aacute; na aus&ecirc;ncia de valores. Poder&aacute; parecer que temos uma sociedade de progresso e verdadeiramente desenvolvida. O actual momento da sociedade j&aacute; o desmente e o futuro poder&aacute; reservar-nos algumas surpresas.<\/p>\n<p>Educar para os valores deve permitir uma pluralidade plaus&iacute;vel e s&eacute;ria de propostas, de modo que, segundo o princ&iacute;pio da subsidiariedade, seja permitido aos pais escolher o projecto que querem assumir para os seus filhos. Os pais necessitam da concretiza&ccedil;&atilde;o deste direito. E para que isto seja uma realidade, o ensino n&atilde;o pode ser estatizado em absoluto, de uma forma sub&#8209;rept&iacute;cia e compulsiva, como parece ser essa a vontade de muitas pol&iacute;ticas pseudo&#8209;educativas. Tamb&eacute;m na educa&ccedil;&atilde;o, a democracia passa necessariamente pela justa autonomia e descentraliza&ccedil;&atilde;o estatal.<\/p>\n<p>A par da necess&aacute;ria pluralidade e qualidade de oferta, torna-se imprescind&iacute;vel sensibilizar, consciencializar e responsabilizar as fam&iacute;lias, para que sejam capazes de interpretar a sua miss&atilde;o, neste ambiente de uma sociedade com sinais de desorienta&ccedil;&atilde;o e imaturidade. Em muitos casos, podem ser necess&aacute;rios gestos e atitudes frontais, manifestando um justo inconformismo c&iacute;vico, a fim de que seja respeitada e legislada claramente a liberdade de op&ccedil;&atilde;o dos pais sobre a educa&ccedil;&atilde;o dos seus filhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A FAM&Iacute;LIA E OS VALORES<\/strong><\/p>\n<p>A &ldquo;fam&iacute;lia tornou-se a <em>c&eacute;lula primeira e vital da sociedade<\/em>&rdquo; (FC 42), uma vez que possui v&iacute;nculos vitais e org&acirc;nicos com a mesma sociedade. Na verdade, representa a primeira escola da sociedade e, como tal, local privilegiado para a aprendizagem dos valores &eacute;ticos e c&iacute;vicos.<\/p>\n<p>A nossa hist&oacute;ria atesta que a institui&ccedil;&atilde;o familiar tem sido uma escola positiva e fundamental. Foi ela que promoveu uma consci&ecirc;ncia viva da liberdade pessoal, incutiu a import&acirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, estimulou uma verdadeira educa&ccedil;&atilde;o dos filhos e, no amor m&uacute;tuo, abriu-se a uma necess&aacute;ria procria&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel.<\/p>\n<p>Hoje, a fam&iacute;lia encontra-se exposta ao relativismo dos valores, o que estar&aacute; a degenerar em anti&#8209;valores: rupturas familiares, crise social da figura do pai, dificuldade em assumir compromissos est&aacute;veis, graves ambiguidades acerca da rela&ccedil;&atilde;o de autoridade entre pais e filhos, o n&uacute;mero crescente dos div&oacute;rcios, a praga do aborto, o recurso cada vez mais frequente &agrave; esteriliza&ccedil;&atilde;o e a instaura&ccedil;&atilde;o de uma verdadeira e pr&oacute;pria mentalidade contraceptiva (cf. FC 6).<\/p>\n<p>&Eacute;, pois, fundamental que a fam&iacute;lia descubra a sua identidade. O que &eacute;, e tamb&eacute;m qual a sua miss&atilde;o na sociedade. Cada fam&iacute;lia &eacute; chamada a descobrir o apelo de Deus dentro de si e &ldquo;tornar-se aquilo que &eacute;&rdquo; (FC 17).<\/p>\n<p>Se a <em>emerg&ecirc;ncia educativa<\/em> passa pela fam&iacute;lia, nunca nos poderemos cansar de anunciar o seu verdadeiro estatuto e denunciar campanhas que pretendem dar uma orienta&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria &agrave;s caracter&iacute;sticas que, queiramos ou n&atilde;o, se revestem de uma dimens&atilde;o cultural e antropol&oacute;gica e que, por essa raz&atilde;o, nunca podem ser consideradas ultrapassadas ou retr&oacute;gradas.<\/p>\n<p>Continua a infiltrar&#8209;se, em muitos casos de uma maneira camuflada, a &ldquo;teoria do g&eacute;nero&rdquo;, como verdadeira ideologia apostada em redefinir a fam&iacute;lia, a rela&ccedil;&atilde;o matrimonial, a procria&ccedil;&atilde;o e a adop&ccedil;&atilde;o. Ningu&eacute;m ignora os problemas reais com os quais a institui&ccedil;&atilde;o familiar se debate quotidianamente. Perante estas novas problem&aacute;ticas, v&atilde;o surgindo tentativas de solu&ccedil;&atilde;o baseadas nos valores tradicionais de <em>liberdade<\/em>, <em>igualdade<\/em> e <em>sa&uacute;de<\/em> que, para al&eacute;m dos seus significados verdadeiros, come&ccedil;am a ficar mergulhados num conjunto de ambiguidades, desviando-se duma antropologia sadia e verdadeiramente confirmada pela genu&iacute;na cultura.<\/p>\n<p>Em muitos casos, a justa <em>liberdade<\/em> da mulher j&aacute; n&atilde;o encerra uma verdadeira emancipa&ccedil;&atilde;o das discrimina&ccedil;&otilde;es sociais e do poder autorit&aacute;rio do homem. Enveredou por uma competi&ccedil;&atilde;o entre os dois sexos, onde aparece com evid&ecirc;ncia a rivalidade e o antagonismo que conduzem a uma procura da afirma&ccedil;&atilde;o individual, quando deveria estruturar-se em termos de solidariedade e complementaridade respons&aacute;vel. A viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica prolifera e o desencanto familiar multiplica-se.<\/p>\n<p>Determinadas concep&ccedil;&otilde;es de <em>igualdade<\/em> pretendem sublinhar a diferen&ccedil;a natural entre homem e mulher como irrelevante e prop&otilde;em a uniformidade de todos os indiv&iacute;duos como se fossem sexualmente indiferenciados, com a consequ&ecirc;ncia inevit&aacute;vel de considerar os comportamentos e orienta&ccedil;&otilde;es sexuais equivalentes. Assim julgam que cada indiv&iacute;duo tem o direito de concretizar livremente e, em muitos casos at&eacute; mudar, as pr&oacute;prias escolhas segundo as suas prefer&ecirc;ncias, desejos ou inclina&ccedil;&otilde;es. As <em>uni&otilde;es<\/em> <em>homossexuais<\/em> pretendem apresentar-se com estatuto id&ecirc;ntico &agrave; fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m na &aacute;rea da <em>sa&uacute;de reprodutiva<\/em>, sob o pretexto da preven&ccedil;&atilde;o e da preocupa&ccedil;&atilde;o por evitar as doen&ccedil;as, aconselha-se o exerc&iacute;cio meramente amistoso, ou at&eacute; simplesmente l&uacute;dico, da sexualidade, n&atilde;o a integrando numa perspectiva de verdadeiro amor aberto, responsavelmente, &agrave; procria&ccedil;&atilde;o. Neste terreno, o aborto &eacute; banalizado com orienta&ccedil;&otilde;es legais que desrespeitam o valor indiscut&iacute;vel da vida e assim o decr&eacute;scimo da natalidade atinge n&iacute;veis preocupantes, motivados por interpreta&ccedil;&otilde;es ego&iacute;stas do dom da sexualidade.<\/p>\n<p>Trata-se duma verdadeira campanha ideol&oacute;gica que n&atilde;o tem em considera&ccedil;&atilde;o as implica&ccedil;&otilde;es antropol&oacute;gicas. Se isto acontecesse, tais comportamentos deviam ser considerados eticamente inaceit&aacute;veis. Urge, por isso, a responsabilidade de restituir aos sagrados princ&iacute;pios da liberdade, igualdade e sa&uacute;de os seus verdadeiros conte&uacute;dos em favor&nbsp;&nbsp; duma conviv&ecirc;ncia respons&aacute;vel perante um amanh&atilde; que deve ser continuamente repensado dentro dos par&acirc;metros dum humanismo integral.<\/p>\n<p>O papel da Igreja ser&aacute; sempre de proposta e defesa da dignidade humana, independentemente da ideologia ou cren&ccedil;a religiosa dos indiv&iacute;duos, aliando o respeito com a coragem. Sentimos o dever de oferecer um contributo para uma sociedade constitu&iacute;da por homens e mulheres verdadeiramente livres e iguais. Em muitos casos seremos incompreendidos, mas o que julgamos ser a verdade sobre a vida humana deve prevalecer sobre o que &eacute; considerado pol&iacute;tica ou socialmente correcto e os aplausos da opini&atilde;o p&uacute;blica reinante. Por vezes, a Igreja experimenta seguir em contra-corrente, mas sempre de modo respeitoso e dialogante, a mentalidades facilitistas que pretendem impor os seus crit&eacute;rios.<\/p>\n<p>A aten&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia determina o conte&uacute;do das prioridades a considerar pelas inst&acirc;ncias governativas. N&atilde;o devemos cair num alarmismo ou vis&atilde;o negativa do actual momento hist&oacute;rico. Tamb&eacute;m n&atilde;o interessa ficar passivamente a apontar os culpados ou respons&aacute;veis pela actual situa&ccedil;&atilde;o social. Sabemos que o desemprego cresce e as empresas lutam com dificuldades ou j&aacute; encararam a realidade da fal&ecirc;ncia. A car&ecirc;ncia de bens essenciais entrou em muitas casas e n&atilde;o pode ser camuflada a resigna&ccedil;&atilde;o dura de pessoas simples que se v&ecirc;em obrigadas &agrave; austeridade. A vergonha encobre muita mis&eacute;ria e os dados estat&iacute;sticos, elaborados a n&iacute;vel nacional ou internacional, lan&ccedil;am alertas que os poderes deveriam ouvir para discernir caminhos que ofere&ccedil;am aos pobres uma vida digna.<\/p>\n<p>Esta &eacute; a prioridade das prioridades. As solu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o f&aacute;ceis de encontrar. S&oacute; uma converg&ecirc;ncia que n&atilde;o admite distrac&ccedil;&otilde;es permite uma sociedade justa e fraterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>SACERDOTES, SERVOS DUMA NOVA HUMANIDADE<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; meu grato dever recordar o Ano Sacerdotal. A Igreja &eacute; povo de Deus que participa no &uacute;nico sacerd&oacute;cio de Cristo. Nesta abrang&ecirc;ncia de responsabilidades, os sacerdotes devem revitalizar o dom que receberam e sentir-se int&eacute;rpretes duma miss&atilde;o ministerial capaz de rejuvenescer o tecido das comunidades, suscitando e reconhecendo o Sacerd&oacute;cio comum dos fi&eacute;is. A todos e cada um dos sacerdotes, gostaria de expressar a mais profunda gratid&atilde;o pelo testemunho de fidelidade a Cristo e pedir que continuem a testemunhar maior transpar&ecirc;ncia do Amor de Deus pela humanidade. Os Bispos de Portugal n&atilde;o s&oacute; compreendem o novo e complexo contexto em que o minist&eacute;rio &eacute; exercido, mas est&atilde;o, tamb&eacute;m, empenhados em discernir solu&ccedil;&otilde;es capazes de a todos proporcionar as condi&ccedil;&otilde;es humanas exigidas para a alegria de serem int&eacute;rpretes duma miss&atilde;o que, sendo de origem divina, se incarna na hist&oacute;ria, mostrando como Cristo continua a ser imprescind&iacute;vel para uma vida feliz.<\/p>\n<p>Continuaremos empenhados em vivenciar um amor feito verdade a partir dum projecto de vida onde resplande&ccedil;a a l&oacute;gica do dom e o princ&iacute;pio da gratuidade capaz de constituir um Portugal caracterizado por um desenvolvimento integral para todos e, particularmente, para os mais pobres.<\/p>\n<p>Que o Santo Padre, cuja visita queremos preparar com esmero e j&uacute;bilo, nos encontre mergulhados neste servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>F&aacute;tima, 9 de Novembro de 2009<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga e Presidente da C.E.P<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>NOTAS:<\/strong><\/p>\n<p>1 &#8211; Um sincero agradecimento a todas as Igrejas locais que, estendendo a m&atilde;o, prestam servi&ccedil;os em &Aacute;frica e &agrave; &Aacute;frica, tanto no campo espiritual como no material. No que se refere &agrave; reconcilia&ccedil;&atilde;o, &agrave; justi&ccedil;a e &agrave; paz, a Igreja em &Aacute;frica continua a contar com a solidariedade dos respons&aacute;veis da Igreja nos pa&iacute;ses ricos e poderosos, cuja pol&iacute;ticas, ac&ccedil;&otilde;es ou omiss&otilde;es, ajudam ou podem causar e mesmo agravar a dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica. A este respeito, recordamos que entre a Europa e a &Aacute;frica h&aacute; uma peculiar, rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica.<\/p>\n<p>2 &#8211; A este prop&oacute;sito, o S&iacute;nodo sente o dever de exprimir um profundo reconhecimento aos muitos missio&shy;n&aacute;rios, cl&eacute;rigos, religiosos e fi&eacute;is leigos de outros continentes que semearam a f&eacute; na maior parte dos pa&iacute;ses de &Aacute;frica. S&atilde;o muitos os que ainda hoje a&iacute; trabalham, com uma dedica&ccedil;&atilde;o e zelo her&oacute;icos. Um agradecimento muito especial &agrave;queles que permaneceram junto do seu povo, mesmo em tempos de guerra e de graves crises. Alguns chegaram mesmo a pagar com a vida a sua fidelidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Assembleia Plen&aacute;ria da Confer&ecirc;ncia Episcopal &eacute;, sempre, experi&ecirc;ncia de profunda comunh&atilde;o eclesial. Desta vez, a alegria da comunh&atilde;o torna-se mais expressiva pela gra&ccedil;a que nos&nbsp;&eacute; concedida da visita de Sua Santidade o Papa. Como j&aacute; foi referido em Nota Pastoral do Conselho Permanente da C.E.P (6 de Outubro de 2009): &#8220;A comunh&atilde;o vis&iacute;vel com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,114,146,147,172,174,203,267,314],"class_list":["post-41812","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-ano-sacerdotal","tag-concordata","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-europa","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41812"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41812\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}