{"id":41742,"date":"2009-11-04T17:25:08","date_gmt":"2009-11-04T17:25:08","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/04\/cuidados-paliativos-ajudar-a-viver\/"},"modified":"2009-11-04T17:25:08","modified_gmt":"2009-11-04T17:25:08","slug":"cuidados-paliativos-ajudar-a-viver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cuidados-paliativos-ajudar-a-viver\/","title":{"rendered":"Cuidados paliativos: ajudar a viver"},"content":{"rendered":"<p>Trabalho das Irm\u00e3s Hospitaleiras mostra que \u00e9 poss\u00edvel apaziguar a dor e morrer com dignidade <!--more--> <\/p>\n<p>&ldquo;Tratam de mim como a uma crian&ccedil;a. &Agrave;s vezes pergunto: meu Deus, que mais quero eu? Mas sofri muito. Passei uns anos muito amargurados. Agora estou pronta para partir, em paz com o meu pr&oacute;ximo e com Deus&rdquo;. Faz agora um m&ecirc;s que In&ecirc;s Garlito chegou &agrave; Unidade de Cuidados Paliativos das Irm&atilde;s Hospitaleiras, em Idanha, Sintra, vinda do Instituto Portugu&ecirc;s de Oncologia.<\/p>\n<p>Depois de apaziguar a dor, por vezes experimentada com grande intensidade, a Unidade trabalha a dimens&atilde;o espiritual, psicol&oacute;gica e social. A equipa &eacute; constitu&iacute;da por m&eacute;dicos, enfermeiros, psic&oacute;logos, assistentes sociais e espirituais, bem como volunt&aacute;rios, que procuram oferecer o melhor de cada dia aos pacientes em fase terminal.<\/p>\n<p>A Ir. Paula Carneiro, coordenadora da Unidade, refere ao Programa &laquo;70&#215;7&raquo; que a miss&atilde;o principal da Congrega&ccedil;&atilde;o Hospitaleira &eacute; poder assistir a pessoa em sofrimento mental e ps&iacute;quico.<\/p>\n<p>Mesmo as estadias curtas podem ser marcantes. Helena Cardoso perdeu a m&atilde;e h&aacute; oito meses, depois de ter passado apenas dez dias nas instala&ccedil;&otilde;es das Irm&atilde;s Hospitaleiras. A mem&oacute;ria desse acompanhamento ficou-lhe para a vida: &ldquo;Quando um beb&eacute; est&aacute; a chorar, damos-lhe todo o carinho e adormecemo-lo, compreende? Foi o que eu senti ao p&eacute; da minha m&atilde;e&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Dar vida aos dias<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Os doentes chegam numa fase muito adiantada da doen&ccedil;a. Quanto a n&oacute;s, deveriam vir mais cedo, para podermos trabalhar melhor essas situa&ccedil;&otilde;es&rdquo;, afirma a enfermeira-chefe, F&aacute;tima Oliveira.<\/p>\n<p>At&eacute; &agrave; hora da morte, a equipa procura satisfazer pequenos desejos: &ldquo;Temos um senhor que n&atilde;o queria partir sem conhecer a &aacute;guia do Benfica, e ela veio c&aacute;. Temos uma senhora que n&atilde;o queria partir sem conhecer o Malato [apresentador de televis&atilde;o]; eu andei a correr atr&aacute;s dele, e ela partiu tr&ecirc;s horas depois de o conhecer&rdquo;, conta F&aacute;tima Oliveira.<\/p>\n<p>&ldquo;Aqui d&aacute;-se vida aos dias, e n&atilde;o dias &agrave; vida. N&atilde;o temos como objectivo prolongar a vida a qualquer custo. N&atilde;o h&aacute; nada que mude o tempo que a pessoa tem para viver&rdquo;, refere F&aacute;tima Oliveira.<\/p>\n<p>S&iacute;lvia Non&eacute;, psic&oacute;loga, afirma que &eacute; preciso estar ao lado do paciente, ajudando-o a adaptar-se &agrave; doen&ccedil;a e &agrave; proximidade da morte. &ldquo;&Eacute; muito bom ver&rdquo; que alguns doentes e familiares &ndash; n&atilde;o todos &ndash; conseguem aceitar a situa&ccedil;&atilde;o, explica.<\/p>\n<p>Para F&aacute;tima Oliveira, a principal finalidade da Unidade S. Bento Menni, &ldquo;&eacute; que a partida seja tranquila e sem sofrimento&rdquo;. Para que este prop&oacute;sito seja alcan&ccedil;ado, as Irm&atilde;s Hospitaleiras contam com a disponibilidade do capel&atilde;o, Pe. Ricardo Crist&oacute;v&atilde;o, p&aacute;roco de Belas.<\/p>\n<p><strong>Falta capacidade de resposta<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; capacidade de resposta para as necessidades de cuidados paliativos, que s&atilde;o &ldquo;uma mais-valia&rdquo;, e n&atilde;o unidades onde &ldquo;as pessoas s&atilde;o colocadas para passar os &uacute;ltimos dias de vida&rdquo;, afirma a professora de enfermagem Ana Querido. No entanto, a associa&ccedil;&atilde;o deste acompanhamento &agrave; ideia de morte afasta as fam&iacute;lias e os pacientes destas unidades de tratamento, critica a investigadora.<\/p>\n<p>&ldquo;Muitas vezes diz-se que n&atilde;o h&aacute; nada a fazer&rdquo;, observa o m&eacute;dico Manuel Ferreira. N&atilde;o &eacute; verdade: H&aacute; muito a fazer quando n&atilde;o se consegue curar&rdquo;.<\/p>\n<p>Depois da morte, h&aacute; vidas para cuidar. Por isso, o trabalho da Unidade de Cuidados Paliativos continua com a fam&iacute;lia, acompanhando o seu luto.<\/p>\n<p><strong>Dignificar o &uacute;ltimo momento<\/strong><\/p>\n<p>Nazar&eacute; tinha 47 anos quando um tumor cerebral lhe tirou a vida em nove meses. O respeito pela individualidade e a insist&ecirc;ncia na comunica&ccedil;&atilde;o, mesmo quando o doente j&aacute; n&atilde;o se pode expressar verbalmente, foram alguns dos aspectos testemunhados pelo marido.<\/p>\n<p>&ldquo;Nos dois meses e quatro semanas que estive aqui, nunca, nunca ouvi um gemido, um choro de desespero, nunca vi uma tristeza profunda&rdquo;, por contraposi&ccedil;&atilde;o a outros hospitais, onde se ouvem &ldquo;gritos lancinantes de dor, em que as fam&iacute;lias n&atilde;o ajudam porque tamb&eacute;m n&atilde;o est&atilde;o a ser acompanhadas&rdquo; e onde os parentes se atiram ao ch&atilde;o nos corredores ap&oacute;s a morte do doente, referiu Paulo Pascoal.<\/p>\n<p>&ldquo;Eu pensava que essas situa&ccedil;&otilde;es eram normais&rdquo;, mas &ldquo;a gente n&atilde;o tem que morrer assim, n&atilde;o deve morrer assim&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Programa de Governo<\/strong><\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.portugal.gov.pt\/pt\/GC18\/Documentos\/Programa_GC18.pdf\" target=\"_blank\">programa do Governo<\/a>, que come&ccedil;ar&aacute; a ser discutido esta Quinta-feira na Assembleia da Rep&uacute;blica, retomar&aacute; as iniciativas para a promo&ccedil;&atilde;o dos direitos dos doentes, designadamente o direito ao consentimento informado (incluindo o testamento vital).<\/p>\n<p>De acordo com o <a href=\"http:\/\/www.portugal.gov.pt\/pt\/GC18\/Documentos\/Programa_GC18.pdf\">documento<\/a>, o Governo pretende igualmente criar &ldquo;equipas multidisciplinares de Cuidados Paliativos nas institui&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os do SNS [Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de], que prestem apoio domicili&aacute;rio a doentes sem perspectiva de cura e\/ou em intenso sofrimento, para que possam permanecer em casa junto dos familiares, se assim o desejarem&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalho das Irm\u00e3s Hospitaleiras mostra que \u00e9 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