{"id":41707,"date":"2009-11-03T12:54:30","date_gmt":"2009-11-03T12:54:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/03\/homilia-do-bispo-de-santarem-na-comemoracao-dos-fieis-defuntos\/"},"modified":"2009-11-03T12:54:30","modified_gmt":"2009-11-03T12:54:30","slug":"homilia-do-bispo-de-santarem-na-comemoracao-dos-fieis-defuntos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-santarem-na-comemoracao-dos-fieis-defuntos\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Santar\u00e9m na comemora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is defuntos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Louvado seja Deus pela irm&atilde; vida,<\/strong><\/p>\n<p><strong>Louvado seja Deus pela irm&atilde; morte<\/strong><\/p>\n<p>Todos os anos a liturgia de &ldquo;Todos os Santos&rdquo; e de &ldquo;Fi&eacute;is Defuntos&rdquo; nos confronta com o mist&eacute;rio da vida e com o mist&eacute;rio da morte. Lembramos aqueles que j&aacute; partiram e intercedemos ao Senhor pelo seu descanso eterno. Permanecem algures noutra forma de exist&ecirc;ncia? Ou desapareceram no p&oacute; da terra? Apenas resta a lembran&ccedil;a, o amor, a saudade? S&atilde;o quest&otilde;es que nos acompanham continuamente e cuja resposta vamos amadurecendo ao longo da nossa peregrina&ccedil;&atilde;o terrena. &Eacute; a interroga&ccedil;&atilde;o fundamental sempre presente apesar da tenta&ccedil;&atilde;o de a esquecermos. Vem ao de cima de forma mais viva neste dias.<\/p>\n<p>Na liturgia encontramos uma base segura para iluminar esta quest&atilde;o existencial. Segundo um axioma tradicional da Igreja, &ldquo;Lex orandi lex credendi&rdquo;, ou seja, acreditamos consoante rezamos, a regra para acreditarmos &eacute; a forma como rezamos ou celebramos. Ora, nestes dias, celebramos a festividade de Todos os Santos profundamente associada &agrave; dos Fi&eacute;is Defuntos. Todos os que cr&ecirc;em em Cristo e vivem n&rsquo;Ele s&atilde;o chamados a ser santos, ou seja, justificados gratuitamente pela f&eacute;, mas todos continuam pecadores e a necessitar do perd&atilde;o e da ora&ccedil;&atilde;o. Esta voca&ccedil;&atilde;o e este destino s&oacute; se compreendem &agrave; luz da vida eterna. Rezando ao Pai que est&aacute; nos c&eacute;us alimentamos o desejo da comunh&atilde;o eterna com Ele. A ora&ccedil;&atilde;o &eacute; a luz da alma que nos orienta e prepara para a eternidade.<\/p>\n<p>Os santos e os fi&eacute;is defuntos falam-nos do fim e do in&iacute;cio, de um novo come&ccedil;o, da irm&atilde; vida e irm&atilde; morte, como se exprimia S&atilde;o Francisco de Assis. &Eacute; a conclus&atilde;o do c&acirc;ntico do irm&atilde;o sol ou c&acirc;ntico das criaturas considerado uma s&iacute;ntese da espiritualidade franciscana e um dos textos mais belos da poesia religiosa. Conclui assim este c&acirc;ntico: &ldquo;Louvado seja Deus na m&atilde;e querida, a natureza que fez bela e forte: Louvado seja Deus pela irm&atilde; vida, louvado seja Deus pela irm&atilde; morte&rdquo;. O Santo de Assis via em todas as criaturas um motivo de louvor a Deus pois todas participam da vida do Criador, todas testemunham a sua grandeza e bondade. Mas, n&atilde;o deixa de ser desconcertante que veja a morte, que &eacute; o fim e a nega&ccedil;&atilde;o da vida, tamb&eacute;m como um motivo de louvor. Qual a explica&ccedil;&atilde;o? &Agrave; luz da f&eacute;, a morte &eacute; um caminho para vida. &ldquo;Se o gr&atilde;o de trigo, ca&iacute;do na terra, n&atilde;o morre permanece s&oacute;. Por&eacute;m se morre, dar&aacute; muito fruto&rdquo;<\/p>\n<p>&Eacute; a mesma convic&ccedil;&atilde;o que nos apresenta o profeta Isa&iacute;as na primeira leitura: &ldquo;O Senhor h&aacute;-de tirar o v&eacute;u que cobria todos os povos; Ele destruir&aacute; a morte para sempre&rdquo;. Neste trecho, o profeta, do sec VIII a. c., dos mais fecundos e mais representativos do Antigo Testamento, faz v&aacute;rias promessas significativas: Um banquete universal para todos os povos; a revela&ccedil;&atilde;o que h&aacute;-de eliminar o v&eacute;u que impede as na&ccedil;&otilde;es de O ver, ou seja, h&aacute;-de manifestar-se a todos os povos, para al&eacute;m do povo judaico; e a promessa ainda mais extraordin&aacute;ria e mais dif&iacute;cil de entender, de que h&aacute;-de vencer a morte, consequ&ecirc;ncia do pecado, e fazer que todos vivam para sempre em comunh&atilde;o com Ele.<\/p>\n<p>&Eacute; oportuno notar que esta promessa &eacute; o fio condutor n&atilde;o s&oacute; dos livros do profeta Isa&iacute;as mas dos outros livros do Antigo Testamento. Como sabemos a primeira parte da B&iacute;blia integra livros de g&eacute;neros liter&aacute;rios muito diferentes, de ora&ccedil;&atilde;o, de sabedoria, de narrativas hist&oacute;ricas, de viol&ecirc;ncia e de vingan&ccedil;a, de experi&ecirc;ncias de pecado e de chamamento &agrave; convers&atilde;o. Mas, no meio desta variedade, h&aacute; uma linha comum, como um rio que percorre todos os livros, umas vezes subterr&acirc;neo outras vezes &agrave; superf&iacute;cie, que d&aacute; unidade e sentido a todo o Antigo Testamento. Esse fio condutor &eacute; a promessa de interven&ccedil;&atilde;o de Deus de enviar o Seu Messias para encaminhar os povos para a paz e a fraternidade. O sentido mais profundo do Antigo Testamento, com as suas narrativas de pecado e de convers&atilde;o, de viol&ecirc;ncia e de procura da paz, &eacute; a de um movimento de esperan&ccedil;a para a plenitude da vida tal como se mostra nesta afirma&ccedil;&atilde;o que ouvimos: &ldquo;O Senhor destruir&aacute; a morte para sempre&rdquo;<\/p>\n<p>A missa de &ldquo;Requiem&rdquo; &eacute; um hino de esperan&ccedil;a que se fundamenta nas promessas de Deus. Os crist&atilde;os t&ecirc;m motivos s&oacute;lidos para viver com esperan&ccedil;a, como afirmava S&atilde;o Paulo no trecho da carta aos Tessalonicensses: &ldquo;Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo Deus levar&aacute; com Jesus os que em Jesus tiverem morrido&rdquo;. O mist&eacute;rio pascal de Cristo, a sua morte e Ressurrei&ccedil;&atilde;o &aacute; base principal da nossa esperan&ccedil;a e o sentido mais profundo da nossa vida. N&rsquo;Ele se realiza a promessa da vit&oacute;ria da vida sobre a morte. Unidos a Cristo vivemos, unidos a Ele morremos, para sempre com Ele viveremos. A vida &eacute; um caminho para a morte e a morte um caminho para a vida. A morte estende-se ao longo da vida, torna-se presente em muitas experi&ecirc;ncias de debilidade, de desilus&atilde;o, de doen&ccedil;a. O Senhor ensina-nos a morrer para n&oacute;s mesmos e a viver para Ele. Se vivermos para o Senhor para Ele morreremos e com Ele viveremos.<\/p>\n<p>&ldquo;Que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a vida eterna?&rdquo;, questiona o evangelho. A vida, entendida &agrave; luz do resultado final, convida-nos a ver a morte como entrada na vida. Para quem ama a Sua vinda, Deus chega como um amigo e convida: &ldquo;Entra na alegria do teu Senhor&rdquo;. O descanso eterno (&ldquo;Requiem Aeternam&rdquo;) &eacute; a alegria sem fim, a luz plena que pedimos para os que partiram: Dai-lhes Senhor o eterno descanso, que descansem na Vossa Paz. Amen.<\/p>\n<p>Igreja Catedral de Santar&eacute;m, 2 de Novembro de 2009<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santar&eacute;m<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Louvado seja Deus pela irm&atilde; vida, Louvado seja Deus pela irm&atilde; morte Todos os anos a liturgia de &ldquo;Todos os Santos&rdquo; e de &ldquo;Fi&eacute;is Defuntos&rdquo; nos confronta com o mist&eacute;rio da vida e com o mist&eacute;rio da morte. Lembramos aqueles que j&aacute; partiram e intercedemos ao Senhor pelo seu descanso eterno. 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