{"id":41701,"date":"2009-11-03T11:56:48","date_gmt":"2009-11-03T11:56:48","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/03\/accao-catolica-75-anos-bodas-de-diamante\/"},"modified":"2009-11-03T11:56:48","modified_gmt":"2009-11-03T11:56:48","slug":"accao-catolica-75-anos-bodas-de-diamante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/accao-catolica-75-anos-bodas-de-diamante\/","title":{"rendered":"Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, 75 anos, bodas de diamante"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino, Bispo em\u00e9rito de Aveiro <!--more--> <\/p>\n<p>75 anos, tempo suficiente para apreciar e continuar a lapidar este &ldquo;diamante&rdquo; em tempo jubilar, a Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica Portuguesa. Tempo, tamb&eacute;m, para apreciar e agradecer o trabalho apost&oacute;lico realizado nos diversos meios sociais, onde os seus organismos actuaram e actuam. Por fim, tempo para olhar o presente e antever caminhos do futuro.<\/p>\n<p>A Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica foi a grande escola que, ao longo dos anos, gerou crist&atilde;os militantes, acordou comunidades adormecidas e redimiu omiss&otilde;es pastorais graves. Pela sua metodologia, apoiada na revis&atilde;o de vida &agrave; luz do Evangelho, proporcionou uma nova pedagogia de forma&ccedil;&atilde;o continuada e de ac&ccedil;&atilde;o encarnada; pela sua organiza&ccedil;&atilde;o em grupos apost&oacute;licos e equipas de vida e de compromisso criou espa&ccedil;os de personaliza&ccedil;&atilde;o e comunh&atilde;o; pelo rosto eclesial que deu aos leigos, at&eacute; ali, muitos deles enrolados nos servi&ccedil;os do templo e ausentes dos lugares onde se jogava a vida, despertou valores escondidos e acomodados; pelo abrir de horizontes de ac&ccedil;&atilde;o a uma Igreja muito fechada e enredada nos seus problemas, ela a puxou para os espa&ccedil;os da vida onde se joga a sorte das pessoas concretas e para uma sensibiliza&ccedil;&atilde;o aos meios sociais, com problemas de sempre e dinamismos novos. &nbsp;<\/p>\n<p>Ningu&eacute;m pode negar o trabalho, positivo e merit&oacute;rio, que, ao longo do tempo, realizam os organismos da AC em seus meios de vida e com sua metodologia de ac&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Foi nestes meios, com os seus desafios, que dirigentes e militantes viveram os maiores problemas, deram mais preocupa&ccedil;&otilde;es ao governo da Na&ccedil;&atilde;o e &agrave; hierarquia da Igreja, se empenharam em projectos sociais mais determinantes e mostraram maior capacidade de resist&ecirc;ncia e de supera&ccedil;&atilde;o de dificuldades.<\/p>\n<p>Como assistente da AC desde a minha juventude sacerdotal, posso testemunhar, a partir desta experi&ecirc;ncia, o valor e a import&acirc;ncia determinante do laicado, a persist&ecirc;ncia corajosa dos organismos oper&aacute;rios, a capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o dos diversos organismos, a disponibilidade de militantes adultos para responder ao apelo de novas iniciativas pastorais nas dioceses, com o aconteceu, em v&aacute;rias delas, com o lan&ccedil;amento dos cursilhos de cristandade, a aten&ccedil;&atilde;o dada &agrave; vida concreta das pessoas e das popula&ccedil;&otilde;es. Vivi, com a AC, horas dif&iacute;ceis em momentos dif&iacute;ceis de conselhos e reuni&otilde;es nacionais, que, por vezes, pareciam j&aacute; antecipar o PREC. Com alguns exageros, que pareciam querer desvirtuar a especificidade do movimento, traduziam-se, em muitos casos, impaci&ecirc;ncias e revoltas, frente a problemas sociais e pol&iacute;ticos que se agudizavam J&aacute; bispo, sofri, por dentro, ao ver como a Assembleia Plen&aacute;ria do episcopado, onde muitos bispos n&atilde;o tinham experi&ecirc;ncia de trabalho com a AC, se preparou para votar, como de facto aconteceu, por voto secreto, a suspens&atilde;o da JOC, como movimento da AC. Uma p&aacute;gina de dor que a hist&oacute;ria regista. Tempos depois, tudo voltou ao normal. &Eacute; &ldquo;preciso saber suportar as demoras de Deus&rdquo;, que s&atilde;o as nossas demoras em entender e responder, evangelicamente, aos sinais, gritos e apelos, da sociedade e das pessoas. &nbsp;<\/p>\n<p>A AC, com as mudan&ccedil;as operadas na sociedade, o desmoronar dos meios sociais tradicionais e a explos&atilde;o de novos movimentos laicais, tem de se reencontrar e repensar &agrave; luz de realidades sociais e eclesiais novas, para continuar com a proposta da sua originalidade, mormente pela pr&aacute;tica da revis&atilde;o de vida, a ac&ccedil;&atilde;o organizada e concreta, a abertura colaborante a outras institui&ccedil;&otilde;es em campo, sempre que esteja em causa a luta pela justi&ccedil;a e dignidade das pessoas e pelos direitos humanos no seu todo, sem que com isso se desvirtue a sua identidade<\/p>\n<p>N&atilde;o deixando de actuar nos campos em aberto e de fronteira, como acontece com os organismos oper&aacute;rios, na sociedade actual, marcada por for&ccedil;as corporativas e ideais economicistas, a AC dever&aacute; caminhar na implementa&ccedil;&atilde;o e revigoramento de associa&ccedil;&otilde;es profissionais, em que o esp&iacute;rito crist&atilde;o, a prem&ecirc;ncia do bem comum e o servi&ccedil;o aos outros, seja a regra que o Evangelho ilumina e estimula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Continuar a lapidar o diamante nas comemora&ccedil;&otilde;es jubilares, exige a convic&ccedil;&atilde;o de que continua a ser diamante. Se nenhuma institui&ccedil;&atilde;o da Igreja pode deixar de se avaliar periodicamente ante os desafios da realidade de um mundo em mudan&ccedil;a e de uma Igreja serva, o discernimento l&uacute;cido dos sinais dos tempos, imp&otilde;e-se tamb&eacute;m &agrave; AC.<\/p>\n<p>Ela n&atilde;o sofre crise de morte. Mas n&atilde;o pode quedar-se a contemplar, nost&aacute;lgica, os m&eacute;ritos do passado e a olhar, de modo cr&iacute;tico e desconfiado, os novos movimentos laicais, que o Esp&iacute;rito vai suscitando na Igreja. A sua capacidade de ser fermento vivo e activo &eacute; tamb&eacute;m servi&ccedil;o a prestar a quem vai chegando, para que n&atilde;o aconte&ccedil;a de novo que se encham os templos e fiquem a descoberto os campos vitais, onde o secularismo, com as suas muitas vertentes sociais, politicas e econ&oacute;micas, se sinta dono, &uacute;nico inspirador de projectos e condutor de pessoas.<\/p>\n<p>A AC destruiu o fosso hist&oacute;rico e saltou o muro que separou, por longo tempo, a Igreja e o mundo. Ela &eacute; apta a estimular e tem algo de mestria, com que se possa aprender sempre.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ant&oacute;nio Marcelino, bispo de Aveiro (em&eacute;rito)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino, Bispo em\u00e9rito de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[95,170,189],"class_list":["post-41701","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-accao-catolica","tag-diocese-de-aveiro","tag-direitos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41701"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41701\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}