{"id":41700,"date":"2009-11-14T10:09:50","date_gmt":"2009-11-14T10:09:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/14\/silencio-projecto-inovador-na-musica-sacra\/"},"modified":"2009-11-14T10:09:50","modified_gmt":"2009-11-14T10:09:50","slug":"silencio-projecto-inovador-na-musica-sacra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/silencio-projecto-inovador-na-musica-sacra\/","title":{"rendered":"Sil\u00eancio, projecto inovador na m\u00fasica sacra"},"content":{"rendered":"<p>Ecumenismo e cultura contempor\u00e2nea em foco no Alentejo <!--more--> <\/p>\n<p>Um dos aliados do esfor&ccedil;o que est&aacute; a ser feito para defender as igrejas hist&oacute;ricas na Diocese de Beja &eacute;, por estranho que isso possa parecer, a m&uacute;sica. De facto, o Festival &ldquo;Terras sem Sombra&rdquo; de M&uacute;sica Sacra, uma iniciativa realizada em parceria com a Arte das Musas, a Direc&ccedil;&atilde;o-Geral das Artes do Minist&eacute;rio da Cultura e os munic&iacute;pios, j&aacute; vai na sua sexta edi&ccedil;&atilde;o e tem-se imposto por uma programa&ccedil;&atilde;o rigorosa e qualificada.<\/p>\n<p>O Festival, hoje uma refer&ecirc;ncia no panorama cultural do pa&iacute;s (e da vizinha Andaluzia), visita regularmente os principais monumentos religiosos e, al&eacute;m de assumir uma componente pedag&oacute;gica de base &ndash; cada edi&ccedil;&atilde;o constitui um novo cap&iacute;tulo de uma informal &ldquo;Hist&oacute;ria da M&uacute;sica&rdquo; &ndash;, d&aacute; a conhecer, atrav&eacute;s de palestras, visitas guiadas e exposi&ccedil;&otilde;es, a arte sacra dos concelhos percorridos. Tendo em conta a grande paix&atilde;o dos alentejanos pela m&uacute;sica, isto significou uma pequena revolu&ccedil;&atilde;o para o patrim&oacute;nio mais esquecido ou negligenciado.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos, a aten&ccedil;&atilde;o da Diocese tem vindo a orientar-se para a arte contempor&acirc;nea. Esta aproxima&ccedil;&atilde;o, segundo Jos&eacute; Ant&oacute;nio Falc&atilde;o, director do Departamento do Patrim&oacute;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico da Diocese de Beja (DPHA), vai ao encontro de uma lacuna h&aacute; muito sentida: &ldquo;existe um longo div&oacute;rcio entre a Igreja e os criadores contempor&acirc;neos, mas &eacute; urgente abrir o patrim&oacute;nio religioso aos testemunhos da vida dos nossos dias&rdquo;.<\/p>\n<p>As colec&ccedil;&otilde;es dos museus diocesanos de Beja contam hoje com obras de pintores como Joana Villaverde ou escultores como Joana Vasconcelos. A pr&oacute;pria equipa do Patrim&oacute;nio Hist&oacute;rico integra, entre os seus elementos, artistas pl&aacute;sticos, entre eles o pintor Ant&oacute;nio Paizana, o escultor Nuno Afonso e o fot&oacute;grafo Francisco Borba.<\/p>\n<p>&ldquo;A arte pode ajudar a devolver aos monumentos a voz de que eles precisam&rdquo;, salienta Falc&atilde;o. E acrescenta: &ldquo;Eis uma reconcilia&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel, mas que exige vistas largas e um trabalho de fundo.&rdquo; Num momento em que n&atilde;o se revela f&aacute;cil o di&aacute;logo entre a Igreja e os criadores art&iacute;sticos, o Departamento acredita na import&acirc;ncia de estender pontes e criar espa&ccedil;os de reflex&atilde;o, o que corresponde, de acordo com os seus respons&aacute;veis, a uma tradi&ccedil;&atilde;o enraizada no Alentejo.<\/p>\n<p><strong><em>Sil&ecirc;ncio<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para assinalar o quarto de s&eacute;culo de actividade, algo pouco vulgar num meio em que florescem muitas iniciativas destinadas a uma vida breve, o DPHA levou a cabo o projecto <em>Sil&ecirc;ncio, <\/em>que parte da m&uacute;sica de matriz crist&atilde; para uma aproxima&ccedil;&atilde;o ecum&eacute;nica, destinada a reunir cat&oacute;licos, ortodoxos e protestantes.<\/p>\n<p>Concebida por Sara Fonseca e Filipe Faria e interpretada pelo agrupamento Sete L&aacute;grimas, a iniciativa assenta na encomenda de seis obras a tr&ecirc;s compositores contempor&acirc;neos: Ivan Moody (n. 1964), Andrew Smith (n. 1970) e Jo&atilde;o Madureira (n. 1971).<\/p>\n<p>O desafio lan&ccedil;ado a estes mestres residiu na composi&ccedil;&atilde;o de duas obras tendo por base a proveni&ecirc;ncia cultural de cada um deles: uma pe&ccedil;a de maior f&ocirc;lego e outra de car&aacute;cter mais popular para instrumentos &ldquo;antigos&rdquo;.<\/p>\n<p>As obras, de car&aacute;cter sacro e em seis idiomas diferentes, do latim ao russo, assentam em textos do Antigo e do Novo Testamento (G&eacute;nesis, Lamenta&ccedil;&otilde;es e Paix&atilde;o) e, complementarmente, de origem popular das distintas proveni&ecirc;ncias dos compositores. Trata-se de um olhar contempor&acirc;neo, em clave ecum&eacute;nica, sobre as tradi&ccedil;&otilde;es ortodoxa, protestante e cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>Sete L&aacute;grimas, um <em>consort<\/em> especializado em m&uacute;sica antiga e contempor&acirc;nea, &eacute;, desde 2006, o grupo residente do Festival Terras sem Sombra de M&uacute;sica Sacra do Baixo Alentejo, tendo sido considerado um dos mais relevantes agrupamentos da actualidade nacional pela cr&iacute;tica. Surgido em 2001, conta j&aacute; com uma discografia assinal&aacute;vel: &ldquo;Lachrim&aelig; #1&rdquo; (2007), &ldquo;Kleine Musik&rdquo; (2008) e &ldquo;Diaspora.pt&rdquo; (2008).<\/p>\n<p>Para a interpreta&ccedil;&atilde;o das obras de Moody, Smith e Madureira, associou ao seu dispositivo a soprano h&uacute;ngara Zsuzsi Toth, uma voz reconhecida, pela surpreendente beleza e pela performance<em> <\/em>clara,<em> <\/em>mas cheia de cor, no meio da m&uacute;sica contempor&acirc;nea europeia.<\/p>\n<p><em>Sil&ecirc;ncio <\/em>ter&aacute; a ante-estreia em Beja, na igreja de Santa Maria da Feira, neste S&aacute;bado,&nbsp;14 de Novembro, pelas 21.30 horas. A estreia realizar-se-&aacute; no Centro Cultural de Bel&eacute;m, a 15 de Novembro, pelas 18.00 horas. Este concerto ser&aacute; precedido (17h00) por uma conversa, moderada pelo jornalista Ant&oacute;nio Marujo (do <em>P&uacute;blico<\/em>), com Ivan Moody, Andrew Smith, Jo&atilde;o Madureira e o Pe. Jos&eacute; Tolentino Mendon&ccedil;a.<\/p>\n<p>Nas mesmas ocasi&otilde;es proceder-se-&aacute; ao lan&ccedil;amento do CD do projecto, gravado pela Sony na &Aacute;ustria e editado sob a chancela da MU Records. A iniciativa conta com o apoio da Direc&ccedil;&atilde;o-Geral das Artes\/Minist&eacute;rio da Cultura, do Turismo do Alentejo e da C&acirc;mara Municipal de Beja.<\/p>\n<p><strong>Homenagem<\/strong><\/p>\n<p>Este projecto presta homenagem D. Manuel Franco Falc&atilde;o (n. 1922), figura marcante da Igreja Portuguesa na segunda metade do s&eacute;culo XX. Engenheiro de forma&ccedil;&atilde;o e detentor de ampla cultura human&iacute;stica, em boa medida adquirida no contacto com um tio, C&oacute;nego Jos&eacute; Falc&atilde;o &ndash; helenista e not&aacute;vel perito no campo dos estudos b&iacute;blicos &ndash;, foi ordenado padre em 1951.<\/p>\n<p>No Patriarcado de Lisboa destacou-se como professor do Semin&aacute;rio dos Olivais, como cientista social e como inovador na &aacute;rea da pastoral, sendo ordenado bispo auxiliar em 1967. Cultivou com paix&atilde;o o jornalismo e a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. A sua abertura aos problemas sociais, patente em momentos decisivos da vida nacional, tornou-o a escolha mais acertada para suceder, na c&aacute;tedra episcopal de Beja, ao arcebispo D. Manuel dos Santos Rocha. Bispo coadjutor em 1974, passou em 1980 a residencial.<\/p>\n<p>O Alentejo deve-lhe contributos importantes para o seu desenvolvimento, entre os quais uma aposta na valoriza&ccedil;&atilde;o da identidade cultural da regi&atilde;o, que o DPHA tem vindo a promover com afinco, dentro e fora de portas. Ap&oacute;s a resigna&ccedil;&atilde;o, em 1999, D. Manuel Falc&atilde;o continuou a viver em Beja, na companhia do actual bispo, D. Ant&oacute;nio Vitalino Dantas.<\/p>\n<p><strong>DPHA<\/strong><\/p>\n<p>O patrim&oacute;nio cultural debate-se hoje, num mundo globalizado e em r&aacute;pida muta&ccedil;&atilde;o, com grandes problemas. No que toca a Portugal, esta situa&ccedil;&atilde;o afecta, com particular intensidade, o patrim&oacute;nio religioso, que corresponde a uma parcela esmagadora do nosso universo patrimonial &ndash; quase tr&ecirc;s quartos. A Igreja v&ecirc;-se hoje a bra&ccedil;os com enormes dificuldades para fazer frente a uma situa&ccedil;&atilde;o que, do ponto de vista financeiro e t&eacute;cnico, ultrapassa as suas possibilidades.<\/p>\n<p>O Estado, por seu turno, disp&otilde;e cada vez de menos recursos para conservar e manter abertos os monumentos, alijando responsabilidades nos munic&iacute;pios, tamb&eacute;m eles sobrecarregados de encargos. Face ao descalabro que se adivinha para muitos monumentos e obras de arte sacra, a &uacute;nica esperan&ccedil;a consiste na mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil. Hoje, mais do que nunca, o futuro do patrim&oacute;nio depende da mobiliza&ccedil;&atilde;o das comunidades locais. Algo que n&atilde;o se faz com uma varinha m&aacute;gica.<\/p>\n<p>Foram estas as preocupa&ccedil;&otilde;es que estiveram na origem do Departamento do Patrim&oacute;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico da Diocese de Beja. Fundado em 1984 pelo ent&atilde;o bispo de Beja, D. Manuel Franco Falc&atilde;o, este servi&ccedil;o, constitu&iacute;do essencialmente por volunt&aacute;rios, inclui um &ldquo;n&uacute;cleo duro&rdquo;, de marcado car&aacute;cter t&eacute;cnico-cient&iacute;fico, com 12 membros, e conta com cerca de duas centenas de colaboradores dispersos pelo vasto territ&oacute;rio do Baixo Alentejo &ndash; Beja &eacute; a segunda maior diocese do pa&iacute;s em &aacute;rea, mas tamb&eacute;m a mais despovoada.<\/p>\n<p>A luta pela salvaguarda do patrim&oacute;nio faz-se aqui em condi&ccedil;&otilde;es desiguais, uma vez que a desertifica&ccedil;&atilde;o crescente do interior abre a porta a situa&ccedil;&otilde;es de abandono, furto e vandalismo, especialmente em zonas rurais onde j&aacute; h&aacute; poucos habitantes. Mesmo assim, tem sido poss&iacute;vel recuperar e dar nova vida a muitos monumentos e obras de arte em risco.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ana Santos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ecumenismo e cultura contempor\u00e2nea em foco no Alentejo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[119,168,171,192,265,320],"class_list":["post-41700","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-arte-sacra","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-beja","tag-ecumenismo","tag-musica","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41700","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41700"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41700\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}