{"id":417,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-vida-humana-nao-e-so-genoma\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-vida-humana-nao-e-so-genoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-vida-humana-nao-e-so-genoma\/","title":{"rendered":"A Vida Humana n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Genoma"},"content":{"rendered":"<p>Prof. Doutor Daniel Serr\u00e3o &#8211; Membro Academia Pontif\u00edcia para a vida <!--more--> A Vida Humana n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Genoma A descodifica\u00e7\u00e3o do genoma do ser humano \u00e9 um formid\u00e1vel resultado cient\u00edfico que deve ser saudado, com um sincero aplauso, por todos, crentes e n\u00e3o-crentes numa transcend\u00eancia &#8211; que para n\u00f3s \u00e9 IAV\u00c9, revelado em Jesus Cristo -, na certeza de que a transcend\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 codificada no genoma. O ADN, a chamada mol\u00e9cula da vida, n\u00e3o \u00e9 o equivalente bioqu\u00edmico da alma espiritual que se manifesta no homem, como unidade substancial de mat\u00e9ria e esp\u00edrito, de corpo e alma, de c\u00e9rebro e intelig\u00eancia. Mas a informa\u00e7\u00e3o, arquivada no genoma e expressa em segmentos determinados da sua estrutura qu\u00edmica, aos quais chamamos genes, essa influencia, a constru\u00e7\u00e3o do corpo do homem e, neste, de um c\u00e9rebro por meio do qual se ir\u00e1 constituir, progressivamente, uma autoconsci\u00eancia preceptiva na qual se instala e manifesta a intelig\u00eancia l\u00f3gica, a intelig\u00eancia \u00e9tica e a intelig\u00eancia emocional. O homem, enquanto ser racional, emocional e \u00e9tico n\u00e3o \u00e9 produto dos seus genes. Ele constr\u00f3i-se, no tempo, com todas as suas experi\u00eancias cognitivas a partir de percep\u00e7\u00f5es sens\u00edveis e sensoriais, j\u00e1 activas na vida intra-uterina, com todas as suas experi\u00eancias emocionais e afectivas e, principalmente, com o exerc\u00edcio dessa poderosa capacidade, \u00fanica entre todos os seres vivos, que \u00e9 o pensamento livre, abstractizante e simbolizador. Quais s\u00e3o, ent\u00e3o, os riscos das anunciadas manipula\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas de c\u00e9lulas germinativas, de embri\u00f5es in vitro e de \u201cembri\u00f5es\u201d obtidos por transfer\u00eancia nuclear assexuada (clonagem)? Quais s\u00e3o os riscos de escrutinar o genoma activo de um nascituro no \u00fatero da m\u00e3e ou de um embri\u00e3o constitu\u00eddo no Laborat\u00f3rio e ainda n\u00e3o implantado? O risco principal de constituir um genoma activo pr\u00e9-programado por engenharia gen\u00e9tica exercida sobre o genoma activo natural, \u00e9 o de despertar a tenta\u00e7\u00e3o eug\u00e9nica entendida como constitui\u00e7\u00e3o de genomas \u00e0 escolha do programador, discriminando, pela destrui\u00e7\u00e3o, os \u201cmaus\u201d genomas e promovendo, para o nascimento, os \u201cbons\u201d genomas.  Ao mito do filho perfeito e superior, junta-se agora o filho c\u00f3pia de um homem ou mulher adultos cuja express\u00e3o p\u00fablica, como seres humanos, os tornou dignos de suscitarem a vontade de os produzir em s\u00e9rie, por c\u00f3pia. Ou porque s\u00e3o muito bons ou porque s\u00e3o muito mais, ou muito \u00fateis, ou muito manipul\u00e1veis, etc&#8230; Pura ilus\u00e3o. O homem, como unidade substancial de corpo e esp\u00edrito, n\u00e3o \u00e9 geneticamente program\u00e1vel. Mas persiste um risco, que n\u00e3o \u00e9 menor, que \u00e9 o de eliminar, na fase embrion\u00e1ria ou fetal, seres humanos com modifica\u00e7\u00f5es da express\u00e3o genica que indicam o aparecimento, prov\u00e1vel, de malforma\u00e7\u00f5es corporais, estruturais ou funcionais ou tardiamente, pelos quarenta anos, o desenvolvimento de doen\u00e7as progressivas do sistema nervoso muito incapacitantes. A elimina\u00e7\u00e3o destes embri\u00f5es e fetos \u00e9 inaceit\u00e1vel pela consci\u00eancia crist\u00e3 e pelos ensinamentos da moral cat\u00f3lica. O embri\u00e3o humano \u00e9 um ente vivo da esp\u00e9cie humana com direito absoluto \u00e0 vida e \u00e0 express\u00e3o do seu programa de desenvolvimento. Sobre um corpo com alguns defeitos, gen\u00e9ticos ou adquiridos, pode constituir-se um ser humano normal ou at\u00e9 de grande express\u00e3o espiritual, como o atestam tantos exemplos da Hist\u00f3ria da Humanidade. A perfei\u00e7\u00e3o f\u00edsica, mais do que um mito, \u00e9 um conceito que ningu\u00e9m sabe, nem pode, definir; \u00e9, por isso, um conceito vazio. A c\u00f3pia por clonagem de um corpo j\u00e1 existente, foi realizada em algumas esp\u00e9cies animais e h\u00e1 uns t\u00e9cnicos, pertencentes a uma seita absurda, cujos dirigentes recebem ordens dos extraterrestres, que v\u00e3o anunciando ter j\u00e1 produzido c\u00f3pias de seres humanos. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma prova cred\u00edvel de j\u00e1 ter sido produzido um clone humano pela seita ou pelo comerciante da medicina, o italiano Antinori. Mas pode estar algum laborat\u00f3rio cred\u00edvel a trabalhar neste sentido e por tal motivo h\u00e1 um grande movimento mundial para conseguir que as Na\u00e7\u00f5es Unidas aprovem, em Assembleia Geral, um Tratado que pro\u00edba a clonagem e outras formas de modifica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas heredit\u00e1rias. Para os juristas americanos que preparam o texto deste tratado ou Conven\u00e7\u00e3o Internacional, a clonagem \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 esp\u00e9cie humana, como um todo, e n\u00e3o a esta ou \u00e0quela pessoa, num determinado pa\u00eds. Comparam esta amea\u00e7a \u00e0 das minas antipessoal que foram j\u00e1 objecto de um Tratado Internacional. Em Portugal a clonagem est\u00e1 proibida desde que o nosso pa\u00eds assinou e ratificou o Protocolo de proibi\u00e7\u00e3o da clonagem humana do Conselho da Europa. A Academia Pontif\u00edcia para a Vida, emitiu um Parecer que considera a clonagem humana eticamente inaceit\u00e1vel e contr\u00e1ria \u00e0 moral crist\u00e3, ofendendo gravemente a dignidade humana. N\u00e3o se defende nem protege a vida humana com aventuras cient\u00edficas inconsequentes e perigosas como \u00e9 o caso da produ\u00e7\u00e3o, em laborat\u00f3rio, de corpos clonados. No caso do homem, o corpo obtido assexuadamente, por clonagem, pode ser parecido com o corpo do qual foi extra\u00edda a c\u00e9lula, depois manipulada para se comportar como embri\u00e3o. O corpo talvez venha a ser parecido, mas nunca ser\u00e1 igual. A pessoa que se manifestou nesse corpo e atrav\u00e9s desse corpo, essa continuar\u00e1 a ser \u00fanica e n\u00e3o h\u00e1 clonagem que a copie. Cada um de n\u00f3s constr\u00f3i-se como pessoa na inter-subjectividade com os outros, na rela\u00e7\u00e3o cognitiva com o mundo natural e no exerc\u00edcio livre e criador da nossa intelig\u00eancia dedutiva e l\u00f3gica. E esta constru\u00e7\u00e3o aut\u00f3noma da pessoa \u00e9 imprevis\u00edvel, n\u00e3o pode nunca ser copiada. \u00c9 neste processo de constru\u00e7\u00e3o da pessoa individual que acontece o mist\u00e9rio da f\u00e9 numa transcend\u00eancia e da realiza\u00e7\u00e3o dessa f\u00e9 no ensinamento revelado. Na Tradi\u00e7\u00e3o Judaica \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o do IAV\u00c9 e na religi\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 o cumprimento da promessa na pessoa de Cristo como um corpo humano habitado pelo Esp\u00edrito de IAV\u00c9, permitindo de certa forma, a sua visibilidade pelos contempor\u00e2neos e, at\u00e9 ao fim dos tempos, por todos os que n\u00e3o viram e acreditaram.  N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel clonar o esp\u00edrito humano. Mas \u00e9 poss\u00edvel, ou quase, intervir sobre a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do corpo que est\u00e1 a constituir-se e alter\u00e1-lo de tal forma que a constru\u00e7\u00e3o nele, de uma pessoa seja dif\u00edcil ou at\u00e9 imposs\u00edvel. \u00c9 aqui que toda a manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica se torna ofensiva da dignidade humana e, por isso, deve ser combatida. Por outro lado, aproveitar a investiga\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do embri\u00e3o para determinar que embri\u00f5es devem nascer e que embri\u00f5es s\u00e3o para destruir, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 eticamente aceit\u00e1vel e ofende a moral crist\u00e3. Para os crist\u00e3os, o embri\u00e3o tem um direito absoluto n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 vida, como ainda ao desenvolvimento, porque \u00e9 um ser vivo e porque a sua informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica tem que poder exprimir-se livremente, no tempo, cumprindo um programa de desenvolvimento. O embri\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma coisa \u00e9, pelo contr\u00e1rio, a primeira e a mais simples &#8211; e tamb\u00e9m a mais fr\u00e1gil &#8211; forma corporal humana. \u00c9, de pleno direito, um corpo humano que ningu\u00e9m pode usar ou destruir. Os conhecimentos actuais sobre o genoma humano, a sua cartografia e, no futuro, as suas fun\u00e7\u00f5es, s\u00e3o um bem precioso que n\u00e3o deve ser conspurcado, com aplica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o lesivas do bem estar f\u00edsico e da dignidade das pessoas singulares e da esp\u00e9cie humana na sua globalidade. A liberdade de investigar para descobrir a verdade, \u00e9 um importante valor da dignidade humana e deve ser sempre respeitado e promovido. A Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 obscurantista e est\u00e1 aberta a acolher tudo o que uma Ci\u00eancia respons\u00e1vel e s\u00e9ria descobre sobre a natureza biol\u00f3gica do Homem. O que n\u00e3o pode aceitar-se, em nome da dignidade e lisura da pr\u00f3pria ci\u00eancia, \u00e9 que os seus cultores se considerem livres para actuarem sobre os seres humanos a partir de interpreta\u00e7\u00f5es sobre a natureza pessoal dos humanos, quando estas interpreta\u00e7\u00f5es excedem o campo dos saberes cient\u00edficos e s\u00e3o indevidamente extrapoladas. Ci\u00eancia e F\u00e9 podem e devem coexistir em Paz, porque cada uma olha para a vida humana com a metodologia que lhe \u00e9 pr\u00f3pria e situa-se no campo definido por essa mesma metodologia. Sendo rigorosas e sem pressupostos, ambas, a Ci\u00eancia e F\u00e9, constr\u00f3em, em complementaridade, a imagem mais aut\u00eantica do Homem. Prof. Doutor Daniel Serr\u00e3o Membro Academia Pontif\u00edcia para a vida  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prof. Doutor Daniel Serr\u00e3o &#8211; Membro Academia Pontif\u00edcia para a vida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[131,203,266],"class_list":["post-417","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-clonagem","tag-europa","tag-nacoes-unidas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=417"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}