{"id":41697,"date":"2009-11-03T11:31:19","date_gmt":"2009-11-03T11:31:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/03\/salvaguardar-a-criacao\/"},"modified":"2009-11-03T11:31:19","modified_gmt":"2009-11-03T11:31:19","slug":"salvaguardar-a-criacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/salvaguardar-a-criacao\/","title":{"rendered":"Salvaguardar a cria\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o de Bento XVI para o m\u00eas de Novembro <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Que todos os homens e mulheres, especialmente os que t&ecirc;m responsabilidades no campo pol&iacute;tico e econ&oacute;mico, se comprometam corajosamente em salvaguardar a cria&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p><strong>1. Destino comum dos bens da terra<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; uma das constantes da doutrina social da Igreja, com origens na revela&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica e abundantemente afirmada pelos Padres da Igreja, desde os primeiros s&eacute;culos do Cristianismo: a cria&ccedil;&atilde;o &eacute; dom de Deus a toda a humanidade e, portanto, os bens da terra n&atilde;o podem nunca, com justi&ccedil;a, ser apropriados por alguns, em preju&iacute;zo da grande maioria. Esta intui&ccedil;&atilde;o precisou, no entanto, de fazer um caminho longo e tortuoso, no cora&ccedil;&atilde;o dos homens e nas estruturas das sociedades, antes de se tornar parte da consci&ecirc;ncia comum &ndash; caminho, ali&aacute;s, ainda por concluir. N&atilde;o &eacute;, de facto, evidente para a maior parte, mesmo entre os crist&atilde;os, esta exig&ecirc;ncia radical de solidariedade e justi&ccedil;a na distribui&ccedil;&atilde;o dos bens da terra. As desigualdades sociais, muito para l&aacute; de quanto seria leg&iacute;timo &agrave; luz das diferen&ccedil;as de capacidade e iniciativa entre as pessoas, permanecem uma realidade inquestion&aacute;vel. O mesmo se diga relativamente &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre pa&iacute;ses e povos e &agrave; mis&eacute;ria de tantos milh&otilde;es ao lado da opul&ecirc;ncia de tantos outros.<\/p>\n<p><strong>2. Cuidar da cria&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O cuidado pela cria&ccedil;&atilde;o &ndash; habitualmente designado <em>ecologia<\/em> &ndash; come&ccedil;a aqui: na justi&ccedil;a e solidariedade entre as pessoas. &Eacute; aquilo que Bento XVI, na sua enc&iacute;clica <em>Caritas in veritate<\/em> (&laquo;A Caridade na Verdade&raquo;), chama uma s&atilde; &laquo;ecologia do humano&raquo;, a qual inclui n&atilde;o apenas as rela&ccedil;&otilde;es entre as pessoas, mas mais ainda a rela&ccedil;&atilde;o da pessoa consigo mesma, com o seu corpo e a sua identidade. Sem esta &laquo;ecologia do humano&raquo;, n&atilde;o h&aacute; ecologia do ambiente com futuro &ndash; pois se o homem, centro da cria&ccedil;&atilde;o e seu cuidador, se degrada, a cria&ccedil;&atilde;o n&atilde;o poder&aacute; sen&atilde;o sofrer as consequ&ecirc;ncias. Por isso, Bento XVI insiste na <em>verdade<\/em> &ndash; sobre o homem e sobre a cria&ccedil;&atilde;o, da qual o homem faz parte, mas com a qual n&atilde;o se confunde em absoluto &ndash; como pedra de toque das rela&ccedil;&otilde;es humanas e das rela&ccedil;&otilde;es dos humanos com a natureza. S&oacute; esta verdade vivida permitir&aacute; cuidar da cria&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o a endeusando ou sacralizando, mas tamb&eacute;m n&atilde;o a violentando para l&aacute; daquilo que exige a humaniza&ccedil;&atilde;o do mundo para o tornar mais habit&aacute;vel.<\/p>\n<p><strong>3. O cuidado da natureza e as &laquo;altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas&raquo;<\/strong><\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos dec&eacute;nios, as preocupa&ccedil;&otilde;es com o meio ambiente tornaram-se assunto, n&atilde;o apenas de discuss&atilde;o entre cientistas, mas dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e do p&uacute;blico em geral, sobretudo nos pa&iacute;ses economicamente mais desenvolvidos. No centro destas preocupa&ccedil;&otilde;es est&atilde;o as &laquo;altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas&raquo; provocadas pelo &laquo;aquecimento global&raquo; do planeta. O papel da actividade humana no referido &laquo;aquecimento global&raquo; continua a ser objecto de discuss&atilde;o por parte de cientistas desalinhados do pensamento ecologista dominante &ndash; e mesmo o conceito de &laquo;aquecimento global&raquo; como fen&oacute;meno inevit&aacute;vel e sem recuo n&atilde;o &eacute; aceite por todos os especialistas. Apesar disso, &eacute; comummente dado por adquirido, pelo menos pelo ecologismo mais radical, que a ac&ccedil;&atilde;o humana &eacute; respons&aacute;vel por altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, a prazo, catastr&oacute;ficas. Por influ&ecirc;ncia deste ecologismo e do p&acirc;nico instalado nas sociedades, hoje &eacute; comum medir-se o valor de cada ser humano pela chamada &laquo;pegada de carbono&raquo;, ou seja, pela polui&ccedil;&atilde;o que ir&aacute; causar ao longo da vida. Percebe-se, deste modo, como a aus&ecirc;ncia da &laquo;ecologia do humano&raquo;, urgida por Bento XVI, leva a uma radical invers&atilde;o dos valores e a uma atitude destrutiva, face ao homem, em nome de uma natureza sacralizada.<\/p>\n<p><strong>4. Os crist&atilde;os e o cuidado da cria&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>No centro da miss&atilde;o evangelizadora da Igreja est&aacute; o ser humano, &uacute;nica criatura querida por Deus por si mesma. Esta perspectiva antropol&oacute;gica permite-lhe propor uma rela&ccedil;&atilde;o com a natureza mais de acordo com a vontade do Criador, salvaguardando aquela, como habita&ccedil;&atilde;o do homem, e humanizando-a, para que o mundo seja mais habit&aacute;vel &ndash; uma verdadeira ecologia. Viver esta atitude ecol&oacute;gica &eacute; dever de todos os crist&atilde;os, pois sabem que a natureza &eacute; cria&ccedil;&atilde;o amorosa de Deus, na qual o ser humano se integra como primeira de todas as criaturas e a &uacute;nica chamada &agrave; responsabilidade de cuidar de todas as outras.&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Elias Couto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o de Bento XVI para o m\u00eas de Novembro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[120,168,256,314],"class_list":["post-41697","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-bento-xvi","tag-diocese-da-guarda","tag-meio-ambiente","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41697"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41697\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}