{"id":41687,"date":"2009-11-02T15:45:49","date_gmt":"2009-11-02T15:45:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/02\/homilia-de-d-jose-alves-na-solenidade-de-todos-os-santos\/"},"modified":"2009-11-02T15:45:49","modified_gmt":"2009-11-02T15:45:49","slug":"homilia-de-d-jose-alves-na-solenidade-de-todos-os-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jose-alves-na-solenidade-de-todos-os-santos\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jos\u00e9 Alves na Solenidade de Todos os Santos"},"content":{"rendered":"<p>Dia da Universidade <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A Igreja venera os santos e celebra as suas festas, antes de mais, para proclamar a grandeza das obras de Deus, manifestada de modo singular na vida de homens e mulheres que, assistidos pela gra&ccedil;a e enriquecidos pelos multiformes dons do Esp&iacute;rito Santo, praticaram de modo her&oacute;ico as virtudes teologais e cardeais. Al&eacute;m disso, os santos s&atilde;o propostos &agrave; multid&atilde;o dos fi&eacute;is como exemplos de vida e como intercessores junto de Deus. Ao propor os santos como exemplos de vida, a Igreja est&aacute; a insinuar-nos que o caminho da santidade, sendo embora uma via de exig&ecirc;ncia, n&atilde;o &eacute; vedado a ningu&eacute;m, pois todos somos chamados &agrave; santidade, isto &eacute;, &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o de vida.<\/p>\n<p>O chamamento universal &agrave; santidade, expresso muitas vezes e de m&uacute;ltiplas formas na Revela&ccedil;&atilde;o e desenvolvido na doutrina conciliar do Vaticano II, est&aacute; clara e simbolicamente afirmado na leitura do Apocalipse que ouvimos, h&aacute; pouco, e nos fala de uma multid&atilde;o incont&aacute;vel <em>proveniente de todas as na&ccedil;&otilde;es, tribos, povos e l&iacute;nguas, <\/em>que<em> <\/em>rodeava o trono de Deus e, prostrada em adora&ccedil;&atilde;o, O proclamava como o &uacute;nico digno de<em> louvor, gl&oacute;ria, sabedoria, ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as, honra, poder e for&ccedil;a.<\/em><\/p>\n<p>Fazendo apelo &agrave; experi&ecirc;ncia, facilmente concluiremos que o chamamento universal &agrave; santidade n&atilde;o &eacute; compreendido ou n&atilde;o &eacute; aceite por uma percentagem significativa da popula&ccedil;&atilde;o. Certamente porque, quem reage assim se baseia em ideias erradas sobre a santidade e sobre o chamamento de Deus.<\/p>\n<p>Ora, a santidade dos seres humanos, enquanto peregrinam por este mundo, n&atilde;o se identifica com religiosidade ou pietismo, nem corresponde a qualquer tipo de angelismo ou aliena&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se refere a um estado adquirido e imut&aacute;vel. Em vida n&atilde;o h&aacute; santos confirmados em gra&ccedil;a. &Eacute; antes um processo de transforma&ccedil;&atilde;o interior, coadjuvado pela gra&ccedil;a de Deus, que torna poss&iacute;vel o desenvolvimento das potencialidades individuais, segundo o prot&oacute;tipo da humanidade, enunciado nos alvores da cria&ccedil;&atilde;o e definido claramente pelos ensinamentos e pelo exemplo de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>No princ&iacute;pio, diz o livro do G&eacute;nesis, Deus criou o homem e a mulher e criou-os &agrave; sua imagem e semelhan&ccedil;a, isto &eacute;, dotou-os de conhecimento, de poder para transformar a realidade criada, de capacidade para gerar vida e, acima de tudo, f&ecirc;-los participantes do Seu amor infinito. Ele que &eacute; AMOR deu aos seres humanos a capacidade de amar. De acordo com esta vis&atilde;o, a santidade consiste em usar as capacidades humanas de acordo com o plano de Deus, que disse <em>crescei, multiplicai-vos e dominai a terra.<\/em><\/p>\n<p>O significado do chamamento universal &agrave; santidade torna-se mais expl&iacute;cito e compreens&iacute;vel quando nos fixamos na pessoa de Jesus Cristo, na sua mensagem e no seu exemplo. Foi Ele que disse: Sede santos e sede perfeitos como o vosso Pai do C&eacute;u, que manda a chuva e o sol tanto para os bons como para os maus. E, logo de seguida, apresenta-se a si pr&oacute;prio como modelo. Como Eu fiz, fazei v&oacute;s tamb&eacute;m. E, resumindo conclui: amai-vos como Eu vos amei. Nestas palavras de Jesus est&aacute; contido o programa que deve seguir todo aquele que, fiel ao apelo de Deus, se disp&otilde;e a trilhar o caminho da perfei&ccedil;&atilde;o. Os contornos desse programa est&atilde;o delineados na passagem do Evangelho de S. Mateus, que foi proclamada e &eacute; considerada como o c&oacute;digo da perfei&ccedil;&atilde;o, proposto para todos sem excep&ccedil;&atilde;o. Se algu&eacute;m fosse capaz de o cumprir poderia ser considerado santo, perfeito. Aqueles que, embora o n&atilde;o cumpram totalmente, se esfor&ccedil;am sinceramente por p&ocirc;-lo em pr&aacute;tica, s&atilde;o os que sentiram o apelo &agrave; santidade e prosseguem o caminho da perfei&ccedil;&atilde;o. Em s&iacute;ntese, esse c&oacute;digo prop&otilde;e um estilo de vida orientado pelo desprendimento dos bens terrenos, pela emenda dos erros cometidos, pela aceita&ccedil;&atilde;o plena do que em verdade se &eacute;, pela pr&aacute;tica da justi&ccedil;a, pelo perd&atilde;o das ofensas recebidas, pelo compromisso com a paz interior e a paz social e pela aceita&ccedil;&atilde;o serena das incompreens&otilde;es e persegui&ccedil;&otilde;es injustas por causa da paz ou da Boa Nova do Evangelho.<\/p>\n<p>A transforma&ccedil;&atilde;o interior, no dizer do Ap&oacute;stolo S. Jo&atilde;o, &eacute; tamb&eacute;m um caminho de purifica&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias inten&ccedil;&otilde;es, &agrave; luz da esperan&ccedil;a, que nos projecta para l&aacute; dos estreitos limites do tempo a que todos estamos sujeitos e nos abre clareiras de um mundo novo, que somos chamados a construir, pela transforma&ccedil;&atilde;o das realidades sociais, depois de nos termos transformado a n&oacute;s pr&oacute;prios. &Eacute; neste contexto que se enquadra a Universidade. Tamb&eacute;m ela faz parte do chamamento universal &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A Universidade, como a pr&oacute;pria palavra sugere, &eacute; tamb&eacute;m uma institui&ccedil;&atilde;o com car&aacute;cter universal: por defini&ccedil;&atilde;o, est&aacute; interessada em todo o tipo de conhecimento que possa contribuir para o aperfei&ccedil;oamento da humanidade e est&aacute; ao servi&ccedil;o de toda a humanidade. Tem a miss&atilde;o de transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade ao longo dos tempos e tem obriga&ccedil;&atilde;o de proporcionar a aquisi&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos, atrav&eacute;s da investiga&ccedil;&atilde;o. Deve manter-se aberta a todos quantos possuam condi&ccedil;&otilde;es para aceder aos conhecimentos e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o humana, cient&iacute;fica, moral e espiritual que ela pode proporcionar, em ordem a promover a transforma&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos e da sociedade, pelo triunfo da justi&ccedil;a, da verdade e da paz.<\/p>\n<p>Assim como os santos s&atilde;o apresentados pela Igreja aos fi&eacute;is como modelos que souberam percorrer o caminho da perfei&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m os mestres e professores da Universidade s&atilde;o chamados a alcan&ccedil;ar um tal grau de excel&ecirc;ncia no saber e de perfei&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, intelectual, humana e moral no modo de actuar e de viver que os disc&iacute;pulos se sintam estimulados a tom&aacute;-los como modelo. Pois, se &eacute; verdade que uma imagem vale mais do que mil palavras, tamb&eacute;m &eacute; verdade que a aprendizagem &eacute; mais f&aacute;cil e mais consistente quando &eacute; feita a partir de um bom modelo.<\/p>\n<p>Se a nossa sociedade evolui t&atilde;o lentamente e, por vezes, at&eacute; parece regredir &eacute; porque faltam bons modelos que incentivem as boas pr&aacute;ticas em todos os dom&iacute;nios da vida em sociedade. Nestes tempos de crise econ&oacute;mica e crise de valores, os nossos olhos voltam-se para a Universidade. Dela, enquanto institui&ccedil;&atilde;o de ensino superior, sustentada pelo er&aacute;rio p&uacute;blico, esperamos que prepare cientistas curiosos, verdadeiros e rigorosos, profissionais competentes, cidad&atilde;os respons&aacute;veis, homens &iacute;ntegros e promotores dos valores humanos, morais e espirituais. Se assim for, ao celebrarmos a solenidade de todos os santos, estaremos a celebrar todos aqueles e aquelas que, formados na universidade, souberam colocar as suas vidas ao servi&ccedil;o da humanidade e contribu&iacute;ram para a transforma&ccedil;&atilde;o da nossa sociedade, numa sociedade mais humana, &agrave; luz do modelo primitivo que o pr&oacute;prio Deus nos prop&ocirc;s desde o in&iacute;cio e colocou ao alcance da nossa compreens&atilde;o em Jesus Cristo.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>&Eacute;vora, 1 de Novembro de 2009<br \/>+Jos&eacute;, Arcebispo de &Eacute;vora<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia da Universidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-41687","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41687","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41687"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41687\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}