{"id":416694,"date":"2026-03-22T09:30:42","date_gmt":"2026-03-22T09:30:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=416694"},"modified":"2026-03-20T11:30:09","modified_gmt":"2026-03-20T11:30:09","slug":"portugal-saude-ha-espaco-para-novas-parcerias-diz-presidente-da-uniao-das-misericordias-portuguesas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-saude-ha-espaco-para-novas-parcerias-diz-presidente-da-uniao-das-misericordias-portuguesas\/","title":{"rendered":"Portugal\/Sa\u00fade: \u00abH\u00e1 espa\u00e7o para novas parcerias\u00bb, diz presidente da Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias Portuguesas"},"content":{"rendered":"<p>Na semana em que em Roma foi divulgado o 2\u00ba relat\u00f3rio europeu sobre o Estado da Equidade na Sa\u00fade, Manuel Lemos, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_416696\" aria-describedby=\"caption-attachment-416696\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-416696 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MANUEL-LEMOS-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MANUEL-LEMOS-1.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MANUEL-LEMOS-1-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MANUEL-LEMOS-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MANUEL-LEMOS-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/MANUEL-LEMOS-1-1536x864.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-416696\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Renascen\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>As Miseric\u00f3rdias s\u00e3o as principais parceiras do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade e t\u00eam manifestado disponibilidade para incrementar &#8220;o neg\u00f3cio&#8221; com o setor p\u00fablico. Que passos foram dados a esse n\u00edvel para melhorar a equidade na sa\u00fade?<\/em> Bem, primeiro eu queria come\u00e7ar por dizer que n\u00e3o \u00e9 propriamente um neg\u00f3cio, \u00e9 uma coopera\u00e7\u00e3o. As institui\u00e7\u00f5es do setor social cooperam com o Estado e, portanto, movem-se num mundo diferente do setor privado, que naturalmente, e sem preju\u00edzo das quest\u00f5es \u00e9ticas que s\u00e3o protegidas, tem a remunera\u00e7\u00e3o do capital investido. N\u00e3o \u00e9 o nosso caso, n\u00f3s estamos na sa\u00fade porque temos uma obra de miseric\u00f3rdia que nos manda cuidar dos enfermos e \u00e9 por causa disso que estamos nisto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 espa\u00e7o para novas parcerias?<\/em><\/p>\n<p>Claro que h\u00e1 espa\u00e7o para novas parcerias, n\u00e3o s\u00f3 porque n\u00f3s temos uma popula\u00e7\u00e3o muito envelhecida, mas tamb\u00e9m porque a medicina tem dado saltos significativos e \u00e9 cada vez mais caro cuidar de uma pessoa, temos a no\u00e7\u00e3o disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Temos o processo de cria\u00e7\u00e3o das unidades de sa\u00fade familiar modelo C, as quais permitem que as miseric\u00f3rdias, o setor social e tamb\u00e9m entidades privadas, de que estamos a falar, assumam a gest\u00e3o de centros de sa\u00fade em parceria com o Estado. H\u00e1 algum avan\u00e7o nesse sentido?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos tido uma dificuldade de fundo: \u00e9 que em Portugal n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9dicos da especialidade de medicina familiar. Para concorrermos a essas unidades, temos de ir buscar m\u00e9dicos de algum lado, e onde \u00e9 esse lado? \u00c9 o Estado. N\u00f3s temos muito a sensa\u00e7\u00e3o de que podemos melhorar num s\u00edtio onde concorrermos, mas vamos naturalmente desfalcar outro s\u00edtio e, portanto, h\u00e1 aqui um desequil\u00edbrio.<\/p>\n<p>N\u00f3s propusemos ao Estado aproveitar muitos cl\u00ednicos gerais que tenham uma forma\u00e7\u00e3o desse tipo e que poderiam colaborar em condi\u00e7\u00f5es claras com o Estado e com as pessoas, porque esse \u00e9 o objetivo da gest\u00e3o dessas unidades de sa\u00fade. Eu vou-lhe dar um exemplo: o professor de Mora, o professor Manuel Carlos de Almeida, \u00e9 m\u00e9dico. Ele come\u00e7ou a sua carreira num centro de sa\u00fade h\u00e1 30 anos; tinha 7 m\u00e9dicos, hoje n\u00e3o tem nenhum. Dir-se-\u00e1: a popula\u00e7\u00e3o de Mora tamb\u00e9m se calhar diminuiu. Diminuiu, com certeza, mas precisa de um m\u00e9dico pelo menos, n\u00e3o \u00e9? E temos aqui uma situa\u00e7\u00e3o complicada.<\/p>\n<p>Arraiolos tem dois m\u00e9dicos. Lisboa tem um milh\u00e3o e trezentas mil pessoas sem m\u00e9dicos de fam\u00edlia e, portanto, n\u00f3s temos de encontrar aqui uma solu\u00e7\u00e3o intercalar, que tem de ser naturalmente negociada com o Estado e com a Ordem dos M\u00e9dicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 a defender a importa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos?<\/em><\/p>\n<p>Porque n\u00e3o? N\u00f3s estamos a importar emigrantes, porque \u00e9 que n\u00e3o podemos importar emigrantes m\u00e9dicos desde que asseguremos que a sua forma\u00e7\u00e3o \u00e9 boa? E, portanto, n\u00f3s precisamos desesperadamente de pessoas. Claro que n\u00e3o podemos abrir as portas como abrimos no passado, em que veio tudo e mais alguma coisa, mas digamos, pessoas qualificadas, porque n\u00e3o? Os outros pa\u00edses v\u00eam-nos c\u00e1 buscar, porque \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o devemos ter uma atitude igual \u00e0 desses pa\u00edses?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A n\u00edvel dos hospitais, por exemplo, o Estado est\u00e1 a ponderar voltar \u00e0s parcerias p\u00fablico-privadas. As Miseric\u00f3rdias est\u00e3o interessadas em participar?<\/em><\/p>\n<p>Estamos com certeza, e aqui temos a no\u00e7\u00e3o da nossa proximidade aos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 a pensar em alguns hospitais em particular?<\/em><\/p>\n<p>Estou a pensar em olhar para todos e estamos neste momento a constituir equipas t\u00e9cnicas, que t\u00eam de ser t\u00e3o ou mais profissionais do que os grupos nacionais e estrangeiros que se v\u00e3o apresentar. N\u00f3s temos a no\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 grupos estrangeiros, nomeadamente franceses e espanh\u00f3is, que poder\u00e3o estar interessados em concorrer a essas parcerias, e n\u00f3s tamb\u00e9m estamos, temos uma tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E v\u00e3o a jogo?<\/em><\/p>\n<p>E vamos a jogo, com certeza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Garantiu que o setor social pode dobrar ou triplicar consultas e cirurgias. Falta vontade pol\u00edtica para se avan\u00e7ar nesse sentido?<\/em><\/p>\n<p>Bom, saiu recentemente uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Ministros que aumenta um bocadinho essa capacidade e, portanto, n\u00f3s vamos poder usufruir de uma verba que parece muito dinheiro para um cidad\u00e3o vulgar, mas que em termos de sa\u00fade \u00e9 irris\u00f3ria, que s\u00e3o 11 milh\u00f5es de euros este ano a mais para fazer consultas e cirurgias.<\/p>\n<p>\u00c9 importante saudar esse refor\u00e7o e eu queria aqui tamb\u00e9m salientar o di\u00e1logo com a senhora Ministra da Sa\u00fade, que tem sido muito proveitoso, mas depois h\u00e1 sempre aquela coisa terr\u00edvel chamada Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as, que fica muito preocupado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma for\u00e7a de bloqueio?<\/em><\/p>\n<p>Eles acham que n\u00e3o, n\u00f3s achamos que sim, mas enfim, eu prefiro o caminho do di\u00e1logo, de perceber as op\u00e7\u00f5es que o Estado tem de fazer em rela\u00e7\u00e3o aos dinheiros que tem. E cuidar das pessoas \u00e9 absolutamente fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E, neste caso, \u00e9 absolutamente fundamental que o setor social possa ajudar a reduzir as listas de espera?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que sim, porque \u00e9 inaceit\u00e1vel que uma pessoa que est\u00e1 indicada para fazer uma cirurgia, ou ent\u00e3o est\u00e1 angustiada por ter uma consulta, n\u00e3o saiba se aquilo \u00e9 grave, se n\u00e3o \u00e9 grave, se vai conduzir a uma cirurgia ou se se resolve de outra maneira mais f\u00e1cil. Isso perturba, perturba tudo, perturba a vida da pessoa, obviamente, perturba a vida da sua fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m em termos nacionais tem um impacto grande na economia, porque uma pessoa preocupada mete baixa e n\u00e3o vai trabalhar, ou ent\u00e3o a sua produtividade \u00e9 francamente menor.<\/p>\n<p>N\u00f3s hoje temos de olhar para o problema todo, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para uma fatia do problema. \u00c9 por isso que eu disse que o Estado tem de fazer seguramente escolhas, e a quest\u00e3o da sa\u00fade e a quest\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o social s\u00e3o duas quest\u00f5es fundamentais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Entidade Reguladora da Sa\u00fade revela que mais de 30% dos utentes s\u00e3o operados fora do tempo em v\u00e1rias regi\u00f5es, com o interior a ser o mais prejudicado. Como \u00e9 que podem ajudar? <\/em><\/p>\n<p>Se as ULS quiserem, \u00e9 fac\u00edlimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 fazerem acordos com os hospitais das Miseric\u00f3rdias, que t\u00eam a capacidade instalada e que t\u00eam os m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sobretudo no Interior? <\/em><\/p>\n<p>Sim, n\u00e3o \u00e9 longe. Neste momento estamos a conversar com a Regi\u00e3o Aut\u00f3noma dos A\u00e7ores para trazer doentes para c\u00e1. Se podem vir dos A\u00e7ores, n\u00e3o podem vir da Covilh\u00e3, ou do Castelo Branco, ou de outro s\u00edtio qualquer? \u00c9 uma quest\u00e3o de montarmos o sistema e quererem, porque no papel toda a gente quer. Depois, quando nos sentamos a uma mesa, &#8220;v\u00e3o andando que eu vou j\u00e1 l\u00e1 ter&#8221;, como dizia a can\u00e7\u00e3o dos Deolinda, n\u00e3o \u00e9 verdade? E, portanto, \u00e9 sempre essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s temos de passar para a \u00e1rea dos cuidados continuados, porque sabemos que as Miseric\u00f3rdias s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de metade do total de camas, e a pergunta \u00e9 se ainda h\u00e1 espa\u00e7o para crescer e tamb\u00e9m se est\u00e3o previstas novas apostas neste setor? <\/em><\/p>\n<p>Na nossa rela\u00e7\u00e3o com o Estado, a Rede Nacional de Cuidados Continuados transformou-se na nossa linha vermelha. A rede \u00e9 p\u00fablica, a rede n\u00e3o \u00e9 social nem privada; a rede \u00e9 p\u00fablica, isto \u00e9, o Estado \u00e9 que contrata com as entidades, sejam sociais, sejam privadas, sejam p\u00fablicas. O Estado \u00e9 que manda os doentes, \u00e9 que diz quanto tempo \u00e9 que eles l\u00e1 v\u00e3o estar, \u00e9 que vai l\u00e1 verificar. Chega ao c\u00famulo de dizer quais s\u00e3o as pessoas que a gente tem de ter para cuidar, isto \u00e9, tanto faz que sejam bons como sejam maus, porque o que quer \u00e9 aquele n\u00famero. Ou seja, a rede \u00e9 totalmente p\u00fablica e o Estado n\u00e3o quer pagar a rede. No ano passado j\u00e1 diminu\u00edmos em cerca de 300 camas, porque houve entidades que com grande pena tiveram de fechar&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o era sustent\u00e1vel? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 completamente imposs\u00edvel, e temos de seguir naquela l\u00f3gica de &#8220;v\u00e3o-se os an\u00e9is e salvem-se os dedos&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Significa que estamos perante a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o ainda de mais camas este ano? <\/em><\/p>\n<p>Muito mais camas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quantas? <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei. Isto depois \u00e9 o princ\u00edpio do efeito domin\u00f3. Temos um Estado que precisa cada vez de mais camas, em que n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma de que as camas de cuidados continuados s\u00e3o fundamentais; e s\u00e3o, se quiser, o terceiro pilar do SNS, a par dos agudos e dos cuidados prim\u00e1rios. E depois temos um Estado a n\u00e3o as querer pagar, sabendo, como sabe, que a gest\u00e3o feita por n\u00f3s \u00e9 sempre muito mais barata. N\u00f3s n\u00e3o queremos ter resultados positivos no sentido de querermos ganhar dinheiro, mas n\u00e3o podemos ter preju\u00edzo. N\u00f3s queremos o valor justo, e \u00e9 sobre o valor justo que n\u00f3s queremos trabalhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa diminui\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave quando sabemos dos n\u00fameros que existem dos chamados internamentos sociais, que s\u00e3o milhares? <\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos aqui duas quest\u00f5es que temos de separar. A rede de cuidados continuados n\u00e3o se fez para os internamentos sociais, a rede dos cuidados continuados fez-se para as pessoas que precisam de cuidados de sa\u00fade, mas n\u00e3o precisam de cuidados agudos de sa\u00fade, s\u00e3o pessoas que est\u00e3o doentes. Os internamentos sociais s\u00e3o outra coisa, s\u00e3o as pessoas que t\u00eam alta, mas n\u00e3o t\u00eam retaguarda familiar ou n\u00e3o t\u00eam para onde ir.<\/p>\n<p>Embora n\u00f3s saibamos, at\u00e9 com a quest\u00e3o dos lares, que cada vez essa distin\u00e7\u00e3o se vai diluindo mais, porque os problemas de sa\u00fade s\u00e3o quase constantes&#8230; mas sim, essa distin\u00e7\u00e3o est\u00e1 feita. A partir dos hospitais est\u00e1 feita, a partir da sociedade n\u00e3o est\u00e1 feita; tem toda a raz\u00e3o. No resto da Europa os lares j\u00e1 s\u00e3o hoje unidades de sa\u00fade. At\u00e9 na conta sat\u00e9lite da economia social em Portugal, os lares j\u00e1 aparecem como unidades de sa\u00fade, porque o perfil do idoso nestes \u00faltimos 15 anos mudou de forma substancial. Dantes ia-se para um lar porque a pessoa era idosa e achava-se ali mais protegida. Hoje s\u00f3 se vai para um lar \u00e0 \u00faltima, isto \u00e9, j\u00e1 s\u00e3o de facto pessoas que v\u00e3o com diferentes patologias. Escrevi uma vez e estou convencido de que escrevi bem ao afirmar que o lar se transformou num &#8220;albergue espanhol&#8221;, porque vai para l\u00e1 a pessoa que n\u00e3o tem retaguarda familiar, vai a pessoa com dem\u00eancia e que n\u00e3o se pode ter em casa, vai o africano que n\u00e3o tem retaguarda, n\u00e3o tem fam\u00edlia em Portugal e vai tamb\u00e9m, ou ainda continua a ir, aquela pessoa de h\u00e1 mais de 15 anos que achava que o lar era um s\u00edtio \u00f3timo para terminar os seus dias.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 que falamos dos estrangeiros que n\u00e3o t\u00eam retaguarda, fa\u00e7amos tamb\u00e9m um sublinhado \u00e0 quest\u00e3o dos estrangeiros que t\u00eam muito dinheiro e que decidem vir para Portugal para passar os \u00faltimos anos de vida num lar\u2026<\/em><\/p>\n<p>Isso \u00e9 o lado bom da coisa. Isto s\u00e3o os estrangeiros a irem procurar cuidados para a sua velhice. E est\u00e3o a vir para c\u00e1 porque se estabeleceu, e bem, a ideia de que as pessoas s\u00e3o bem cuidadas. E \u00e9 falsa a ideia de que as pessoas s\u00e3o mal cuidadas. A m\u00e9dia das miseric\u00f3rdias, posso-lhe garantir que de uma maneira geral \u00e9 alta, atrai as pessoas de certa idade que v\u00eam para Portugal, que v\u00e3o ver os lares, que compram aqui casas, que fazem resid\u00eancias e que chegam e envelhecem como os outros. Podem ter mais dinheiro, mas envelhecem como os outros.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E \u00e9 tamb\u00e9m um novo desafio para as Miseric\u00f3rdias?<\/em><\/p>\n<p>E \u00e9 um novo desafio, claro que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Deixe-me s\u00f3 voltar um pouco atr\u00e1s, relativamente \u00e0 quest\u00e3o dos internamentos sociais, porque em 2025 eles eram cerca de 2300, e eu pergunto-lhe que resposta \u00e9 que as Miseric\u00f3rdias est\u00e3o dispostas a dar para que se reduza este n\u00famero, at\u00e9 porque agora em abril saber-se-\u00e3o os n\u00fameros de 2025?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s gostar\u00edamos de acolher essas 2300 pessoas, mas n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es para o fazer nesta fase, o que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o o possamos vir a fazer, e mais uma vez sublinho: temos de ter uma rela\u00e7\u00e3o transparente com o Estado. O Estado at\u00e9 fixou um pre\u00e7o aceit\u00e1vel, e este ano vai manter esse pre\u00e7o aceit\u00e1vel? E daqui a dois anos vai manter esse pre\u00e7o aceit\u00e1vel? Ou faz como fez na rede nacional de cuidados continuados, em que no princ\u00edpio o pre\u00e7o era aceit\u00e1vel e agora estamos como eu falei h\u00e1 bocado? O Estado tem de ser coerente. Em todo o caso, n\u00f3s dissemos e mantemos que num primeiro momento pod\u00edamos, quer atrav\u00e9s da adapta\u00e7\u00e3o dos lares, quer com a cria\u00e7\u00e3o das chamadas unidades interm\u00e9dias, ir colocando pessoas at\u00e9 um n\u00famero de 700 rapidamente. Mas depois o Estado \u00e0s vezes funciona devagar, devagarinho, quase parado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E dessas 700 foram algumas incorporadas?<\/em><\/p>\n<p>Est\u00e3o algumas a ser colocadas, mas tudo isto demora muito tempo. Houve um entusiasmo muito grande das miseric\u00f3rdias para ajudarem o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e o Estado portugu\u00eas. Houve esse movimento, houve muito interesse, mas depois n\u00e3o havia o formul\u00e1rio. S\u00f3 recentemente \u00e9 que o formul\u00e1rio apareceu; n\u00f3s, tanto quanto sabemos, as miseric\u00f3rdias que demonstraram interesse est\u00e3o a responder ao formul\u00e1rio, e agora \u00e9 imperioso tamb\u00e9m que o Estado complete as exig\u00eancias que assegurem a qualidade do cuidado. E, como sempre, a quest\u00e3o dos recursos \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Voltamos tamb\u00e9m a esse di\u00e1logo com o Estado, porque foi criada uma comiss\u00e3o para avaliar a devolu\u00e7\u00e3o de hospitais \u00e0s miseric\u00f3rdias. Pergunto quantos hospitais \u00e9 que foram devolvidos at\u00e9 ao momento, e j\u00e1 agora, para dar um caso concreto, em Santo Tirso a autarquia opunha-se a essa devolu\u00e7\u00e3o? <\/em><\/p>\n<p>As quest\u00f5es v\u00e3o evoluindo, as comunidades e os autarcas naturalmente v\u00e3o percebendo a realidade. Primeiro, eu acho que n\u00e3o perceberam muito bem que esses hospitais devolvidos continuavam dentro do SNS, como qualquer hospital p\u00fablico. Depois tamb\u00e9m h\u00e1 aquela quest\u00e3o dos protagonismos, mas a evid\u00eancia de que os hospitais do SNS geridos pelas miseric\u00f3rdias \u2014 ou inclu\u00eddos no SNS \u2014 representam para as comunidades de proximidade muit\u00edssima qualidade, e uma resposta mais barata para o pr\u00f3prio Estado. Aqui h\u00e1 uns anos andavam todos a fazer contas \u00e0s parcerias p\u00fablico-privadas. Umas for\u00e7as pol\u00edticas diziam que era gastar muito dinheiro, mas depois concluiu-se que afinal eram mais baratas, e o mesmo aqui se passa. N\u00f3s neste momento temos tr\u00eas hospitais devolvidos, temos um hospital conclu\u00eddo, andamos a conversar com o Estado sobre Santo Tirso, e temos mais algumas manifesta\u00e7\u00f5es de vontade. E aqui sim, de autarcas e de miseric\u00f3rdias, no sentido de atuarem junto do Governo para fazerem essa devolu\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos recomendado calma, serenidade, porque \u00e9 importante que as pessoas percebam que quando o hospital \u00e9 devolvido h\u00e1 uma melhoria para as pessoas, e os pol\u00edticos v\u00e3o sempre atr\u00e1s do que \u00e9 melhor, portanto c\u00e1 estamos para conversas com eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta semana o Papa Le\u00e3o XIV sublinhou que a sa\u00fade n\u00e3o pode ser um luxo para poucos e definiu a cobertura universal como um imperativo moral. Em Portugal, sente que estamos a caminhar para uma medicina a duas velocidades, onde quem pode paga, e quem n\u00e3o pode desespera \u00e0 espera do SNS? \u00c9 preciso trabalhar para que a sa\u00fade n\u00e3o se torne, digamos, um bem de luxo? <\/em><\/p>\n<p>Temos de ter a consci\u00eancia de que ao longo destes 50 anos, depois do 25 de Abril, houve sempre uma medicina a duas velocidades. Todos sabem isso. O que aconteceu foi que a velocidade mais baixinha assumiu muito a sua velocidade, porque o SNS de facto fez um trabalho fant\u00e1stico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas tem-se acentuado essa assimetria?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, eu acho que n\u00e3o. O que eu acho \u00e9 que os hospitais p\u00fablicos hoje t\u00eam uma qualidade brutal, sobretudo alguns. As pessoas podem confiar no SNS, mas tamb\u00e9m podem confiar nos hospitais que cooperam com o SNS. Naturalmente, nos hospitais privados melhorou, se quiser, muito mais o lado hoteleiro da coisa. S\u00e3o mais bonitos, t\u00eam mais vidro, t\u00eam mais organiza\u00e7\u00e3o&#8230; os olhos tamb\u00e9m comem, n\u00e3o \u00e9? Mas muitas vezes, como sabe, os m\u00e9dicos s\u00e3o os mesmos e os m\u00e9dicos n\u00e3o perdem nem ganham compet\u00eancias quando v\u00e3o num sentido ou noutro dentro do carro.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o exorcizo nada o setor privado, acho que o setor privado tem o seu papel, acho que o setor privado pode tamb\u00e9m ele assumir uma determinada parte. N\u00f3s, no caso das Miseric\u00f3rdias, e da\u00ed a coopera\u00e7\u00e3o com o Estado, temos de olhar para os mais desfavorecidos. Hoje voc\u00ea entra num hospital de Miseric\u00f3rdia, como por exemplo o caso de Vila Verde, ou de Riba D&#8217;Ave, de Felgueiras ou da P\u00f3voa de Lanhoso, e tem o n\u00edvel de um hospital privado; e as pessoas que l\u00e1 v\u00e3o, sejam pobres, sejam ricas, s\u00e3o tratadas da mesma maneira.<\/p>\n<p>Houve aqui <em>upgrades<\/em> sucessivos. N\u00f3s falamos muito sobre a sa\u00fade, o que est\u00e1 mal, porque se transformou num campo de batalha pol\u00edtico, mas n\u00f3s vivemos momentos atr\u00e1s muito mais complicados do que vivemos hoje. E \u00e9 for\u00e7oso reconhecer, eu sei que o que vou dizer \u00e9 politicamente incorreto, mas \u00e9 aquilo em que eu acredito: que o trabalho da professora Ana Paula Martins vai dar frutos evidentes dentro de algum tempo. Agora, o problema vem de l\u00e1 para tr\u00e1s. E eu percebo que, quando se est\u00e1 doente, a pessoa quer ser tratada logo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa tamb\u00e9m falou do papel da Igreja tamb\u00e9m no combate \u00e0s desigualdades nos cuidados de sa\u00fade, sobretudo na ideia de que o setor social deve trabalhar em conjunto com o Estado e com as outras institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em favor do que disse mesmo, das popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis. \u00c9 preciso que em Portugal o Estado olhe verdadeiramente para as miseric\u00f3rdias como parceiras solid\u00e1rias nessa miss\u00e3o de cuidar de cada um? <\/em><\/p>\n<p>Claro que sim. H\u00e1 a\u00ed um trabalho todo por fazer. Eu diria que da parte do governo, com certeza que h\u00e1. Algumas for\u00e7as pol\u00edticas da oposi\u00e7\u00e3o neste momento tamb\u00e9m t\u00eam esse olhar, mas a m\u00e1quina est\u00e1 muito emperrada. H\u00e1 bocado perguntou-me porque \u00e9 que havia uma t\u00e3o grande lista de espera no interior do pa\u00eds. Porque a m\u00e1quina tem medo de perder poder, tem medo de ser comparada, tem medo que se diga que o setor social tamb\u00e9m faz bem. E ent\u00e3o, como n\u00e3o s\u00e3o eles que est\u00e3o doentes, s\u00e3o outros; a m\u00e1quina como um todo, n\u00e3o \u00e9 o Sr. A, nem o Sr. B, nem a Sra. C&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas essa m\u00e1quina \u00e9 o centralismo?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o. S\u00e3o muitos anos de pressupostos ideol\u00f3gicos que hoje n\u00e3o fazem sentido nenhum em cima do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade. Muitos anos de pressupostos ideol\u00f3gicos em cima disso. E eu gostava de dizer aqui uma coisa que me parece importante: \u00e9 que esta posi\u00e7\u00e3o dos Srs. Bispos europeus \u00e9 muit\u00edssimo importante. E eu gostava muito que os Bispos Portugueses divulgassem muito esta posi\u00e7\u00e3o. Porque \u00e0s vezes existe a ideia de que n\u00f3s, os cat\u00f3licos, estamos alheados disto. N\u00f3s temos de ser, de alguma maneira, os l\u00edderes, porque est\u00e1 no nosso cerne, na nossa natureza de ser, na nossa forma de ser e de estar, de ajudar quem sofre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Defende um verdadeiro envolvimento da Igreja Cat\u00f3lica Portuguesa no combate \u00e0s desigualdades no acesso \u00e0 sa\u00fade? <\/em><\/p>\n<p>Claro que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E acha que estamos aqu\u00e9m?<\/em><\/p>\n<p>Acho que podemos sempre fazer um bocadinho mais. Mas eu conhe\u00e7o a maioria dos senhores bispos e conhe\u00e7o, digamos, o empenhamento deles nestas quest\u00f5es. Mas parece-me important\u00edssima esta posi\u00e7\u00e3o do Papa, porque s\u00e3o estas posi\u00e7\u00f5es que de facto tocam. N\u00f3s todos temos uma imagem do Papa Francisco porque ele sabia tocar as pessoas. E porque \u00e9 que ele as tocava? Porque lhes falava daquilo que elas sabiam e sentiam. Eu lembro-me de que no jubileu da Miseric\u00f3rdia, ele at\u00e9 esfregou os dedos uns com os outros e falou na <em>&#8220;concretezza della Misericordia&#8221; <\/em>[a concretude da Miseric\u00f3rdia]. Aquilo tocou-me muito, porque ele estava a falar era da Miseric\u00f3rdia no terreno, da Miseric\u00f3rdia que chega \u00e0 pessoa. E isso hoje \u00e9 fundamental, repito, na prote\u00e7\u00e3o social e na sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana em que em Roma foi divulgado o 2\u00ba relat\u00f3rio europeu sobre o Estado da Equidade na Sa\u00fade, Manuel Lemos, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":416696,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[277,323],"class_list":["post-416694","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-pastoral-da-saude","tag-uniao-das-misericordias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=416694"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416694\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/416696"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=416694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=416694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=416694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}