{"id":41658,"date":"2009-10-30T14:49:51","date_gmt":"2009-10-30T14:49:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/30\/um-arauto-da-mensagem-de-fatima\/"},"modified":"2009-10-30T14:49:51","modified_gmt":"2009-10-30T14:49:51","slug":"um-arauto-da-mensagem-de-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-arauto-da-mensagem-de-fatima\/","title":{"rendered":"Um arauto da Mensagem de F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Marto nas celebra\u00e7\u00e3o das ex\u00e9quias do Pe. Luis Kondor <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos aqui recolhidos para celebrar a Santa Missa de sufr&aacute;gio e despedida pelo nosso querido irm&atilde;o P. Lu&iacute;s Kondor, sacerdote da Congrega&ccedil;&atilde;o do Verbo Divino, radicado em F&aacute;tima h&aacute; cinquenta e cinco anos, conhecido em toda a parte como Vice-Postulador da Causa da Canoniza&ccedil;&atilde;o dos Pastorinhos.<\/p>\n<p>Somos muitos hoje a viver este momento e esta experi&ecirc;ncia de f&eacute;. N&oacute;s, aqui presentes, e muitos outros de longe manifestaram as suas condol&ecirc;ncias &agrave; Congrega&ccedil;&atilde;o e &agrave; Diocese, declararam a sua estima, asseguraram a sua ora&ccedil;&atilde;o. Quero deixar aqui expresso o meu agradecimento &agrave; Congrega&ccedil;&atilde;o do Verbo Divino, aos m&eacute;dicos e a toda a equipa do secretariado da Vice-Postula&ccedil;&atilde;o, que o assistiram com tanta dedica&ccedil;&atilde;o na fase do seu sofrimento.<\/p>\n<p>No sacramento do Corpo e Sangue do Senhor, que celebramos, est&aacute; presente e unida a Cristo Sacerdote toda a vida e toda a miss&atilde;o do P. Kondor. Queremos assim confi&aacute;-lo ao Senhor, em grande ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as pelo dom do seu sacerd&oacute;cio exercido ao longo de cinquenta e seis anos, deixando-nos iluminar pela Palavra de Deus.<\/p>\n<p><strong>1. Arauto da Mensagem de Gra&ccedil;a e Miseric&oacute;rdia atrav&eacute;s do mundo<br \/><\/strong>No Evangelho ouvimos o grande poema do Magnificat, que brotou dos l&aacute;bios e do cora&ccedil;&atilde;o de Maria, inspirada pelo Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p>Come&ccedil;a&nbsp; com a palavra Magnificat: a minha alma &ldquo;engrandece&rdquo; o Senhor, isto &eacute;, proclama a grandeza do Senhor. Maria deseja que Deus seja grande no mundo, grande na sua vida, presente e grande no meio de todos n&oacute;s. Ela sabe que se Deus &eacute; grande, tamb&eacute;m n&oacute;s somos grandes; Ele faz em n&oacute;s maravilhas de gra&ccedil;a. A nossa vida n&atilde;o &eacute; oprimida, mas antes elevada e dilatada: torna-se grande na beleza e grandeza do Amor, da Bondade e da Miseric&oacute;rdia de Deus. S&oacute; se Deus &eacute; grande, tamb&eacute;m o homem &eacute; grande!<\/p>\n<p>Mas quando Deus &eacute; esquecido ou marginalizado, o homem n&atilde;o se torna mais grande. Ao contr&aacute;rio, perde o sentido da sua pr&oacute;pria dignidade divina, perde o esplendor de Deus sobre o seu rosto e pode ser marginalizado, usado e abusado, ferido e oprimido na sua dignidade, como nos confirmam os mais tr&aacute;gicos acontecimentos do s&eacute;culo XX e outros deste nosso tempo.<\/p>\n<p>No poema do Magnificat, Maria, guardando e meditando os acontecimentos da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia, descobre neles, de modo cada vez mais profundo, o misterioso des&iacute;gnio de Deus para a salva&ccedil;&atilde;o do mundo. Proclama a Sua grande Miseric&oacute;rdia que se estende de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nas Apari&ccedil;&otilde;es em F&aacute;tima, Nossa Senhora fez ecoar, de novo, precisamente esta mensagem do Magnificat para a humanidade do s&eacute;culo XX, em risco de afundar-se no abismo infernal da autodestrui&ccedil;&atilde;o, e para a Igreja ferozmente perseguida para ser aniquilada.<\/p>\n<p>Foi esta beleza e grandeza da gra&ccedil;a e da miseric&oacute;rdia de Deus que fascinou os pequenos videntes, os pastorinhos, e os atraiu para o caminho da santidade.<\/p>\n<p>Foi esta mensagem que o P. Kondor, vindo do Leste, percebeu, com particular acuidade, na sua relev&acirc;ncia e urg&ecirc;ncia para a Igreja, para o mundo e para a vida crist&atilde;. Por isso se tornou um dos grandes arautos da Mensagem, com uma &iacute;ntima, profunda e total dedica&ccedil;&atilde;o. Promoveu a sua difus&atilde;o universal com a publica&ccedil;&atilde;o das &ldquo;Mem&oacute;rias da Irm&atilde; L&uacute;cia&rdquo; e do &ldquo;Boletim dos Pastorinhos&rdquo; em v&aacute;rias l&iacute;nguas e atrav&eacute;s das suas viagens a v&aacute;rios pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>Aos pastorinhos dedicou especial afecto, tomando a peito a causa da sua beatifica&ccedil;&atilde;o e canoniza&ccedil;&atilde;o e difundindo a sua espiritualidade. Considerava a&nbsp; santidade dos pastorinhos como &ldquo;um dos mais belos frutos da Mensagem de F&aacute;tima&rdquo;.<\/p>\n<p>O nosso caro P. Kondor fica indelevelmente ligado &agrave; hist&oacute;ria de F&aacute;tima. E F&aacute;tima, pela voz do seu bispo e pela vossa presen&ccedil;a, exprime-lhe hoje, de modo particular, toda a sua imensa gratid&atilde;o, na hora da despedida.<\/p>\n<p><strong>2. O Amor ao Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado de Maria e &agrave; Igreja<br \/><\/strong>A p&aacute;gina do Apocalipse, que escut&aacute;mos na primeira leitura, ilumina um outro aspecto da Mensagem de F&aacute;tima.<\/p>\n<p>O vidente do livro do Apocalipse oferece &agrave; nossa medita&ccedil;&atilde;o o drama da hist&oacute;ria, sob a figura simb&oacute;lica da luta entre o drag&atilde;o sanguin&aacute;rio e a mulher indefesa.<\/p>\n<p>O drag&atilde;o &eacute; a representa&ccedil;&atilde;o impressionante e inquietante de todos os poderes da viol&ecirc;ncia do mundo. Parecem invenc&iacute;veis! Mas a figura da &ldquo;mulher vestida de sol e coroada de doze estrelas&rdquo;, indefesa e vulner&aacute;vel, que &eacute; a Igreja e que &eacute; Maria rodeada por toda a Igreja (simbolizada nas doze estrelas), diz-nos que esses poderes n&atilde;o s&atilde;o invenc&iacute;veis. Porque a miseric&oacute;rdia de Deus &eacute; mais forte que o poder do mal, vence o amor e n&atilde;o o &oacute;dio; e por fim vence a paz. O que parece imposs&iacute;vel aos homens &eacute; poss&iacute;vel a Deus.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m em F&aacute;tima, Nossa Senhora trouxe &agrave; humanidade em guerra e &agrave; Igreja esta mesma mensagem de conforto, de consola&ccedil;&atilde;o e de esperan&ccedil;a, com a linguagem do seu Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado de M&atilde;e que sente as dores dos filhos: &ldquo;Por fim, o meu Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o triunfar&aacute;&rdquo;! Como quem diz:&nbsp; tende coragem,&nbsp; tende confian&ccedil;a; no fim vencer&atilde;o o Amor e a Paz!<\/p>\n<p>Mas, ao mesmo tempo convida-nos a colaborar nesta tarefa atrav&eacute;s da &ldquo;repara&ccedil;&atilde;o&rdquo; pelo(s) pecado(s) do mundo, atrav&eacute;s da ora&ccedil;&atilde;o, da adora&ccedil;&atilde;o, da penit&ecirc;ncia. &Egrave; um convite a entrar no Oceano do Amor divino como resist&ecirc;ncia e n&atilde;o capitula&ccedil;&atilde;o &agrave; banalidade e fatalidade do mal; a assumir a nossa responsabilidade no servi&ccedil;o &agrave; vit&oacute;ria do amor, do bem e da paz; a transformar o mundo come&ccedil;ando por n&oacute;s mesmos.<\/p>\n<p>Assim o entendeu o nosso caro P. Kondor, devoto profundo do Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado de Maria. Para ele, a &ldquo;repara&ccedil;&atilde;o&rdquo; constitu&iacute;a o n&uacute;cleo da Mensagem da Senhora. Deixou pronto um livro sobre o tema, para publica&ccedil;&atilde;o p&oacute;stuma, onde escreve: &ldquo;Consagra&ccedil;&atilde;o (ao Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado de Maria), repara&ccedil;&atilde;o e santifica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o express&otilde;es que significam a mesma coisa e devem ser realizadas, necessariamente, em profunda comunh&atilde;o e harmonia com a totalidade da pessoa humana&rdquo;.<\/p>\n<p>Era algo que ele mesmo vivia. Numa visita que lhe fiz na fase final da doen&ccedil;a confidenciou-me: &ldquo;Quero viver este sofrimento como oferta de repara&ccedil;&atilde;o tal como os pastorinhos&rdquo;. E numa outra vez perguntou-me: &ldquo;que posso ainda fazer, assim, pela Diocese&rdquo;? Ao que eu lhe respondi: &ldquo;Ofere&ccedil;a o seu sofrimento pelo dom das voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais de que a Diocese tanto precisa&rdquo;. &ldquo;Sim, sim&rdquo;, foi a sua resposta serena, como quem se sente em paz.<\/p>\n<p>At&eacute; ao fim, manifestou o seu profundo amor pela Igreja. Neste momento, &eacute; nosso dever reconhec&ecirc;-lo como um grande benfeitor da Diocese de Leiria-F&aacute;tima e da Igreja em Portugal. Com os seus vastos contactos internacionais conseguiu grandes ajudas para muitas dioceses, par&oacute;quias, semin&aacute;rios, mosteiros e causas sociais. A Igreja em Portugal fica-lhe muito grata e n&atilde;o o esquecer&aacute;.<\/p>\n<p><strong>3.Na companhia gozosa de Nossa Senhora e dos Pastorinhos<br \/><\/strong>Finalmente, no texto da primeira Carta aos Cor&iacute;ntios, um grande mist&eacute;rio de amor &eacute; proposto &agrave; nossa contempla&ccedil;&atilde;o: Cristo vence a morte com o seu amor! S&oacute; o amor nos faz entrar no Reino da Vida definitiva e plena. Recorda-nos que quem vive e morre no amor de Deus e do pr&oacute;ximo ser&aacute; transfigurado &agrave; imagem do Corpo glorioso de Cristo ressuscitado.<\/p>\n<p>Compreendemos que o nosso morrer n&atilde;o &eacute; o fim, mas o ingresso na Vida que n&atilde;o conhece mais a morte, nem o luto, nem a dor.<\/p>\n<p>Com este olhar de f&eacute; e de esperan&ccedil;a vemos agora o nosso P. Kondor: vivo para sempre no cora&ccedil;&atilde;o beatificante de Deus, na plena comunh&atilde;o dos santos, contemplando e saboreando, na companhia gozosa de Nossa Senhora e dos pastorinhos, toda a beleza do Rosto e toda a riqueza do Amor misericordioso de Deus, Pai, Filho e Esp&iacute;rito Santo!<\/p>\n<p><em>D. Ant&oacute;nio Marto, Bispo de Leiria-F&aacute;tima; 30 de Outubro de 2009<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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