{"id":41599,"date":"2009-10-27T16:23:59","date_gmt":"2009-10-27T16:23:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/27\/carta-de-d-antonio-vitalino-bispo-de-beja-aos-seus-sacerdotes\/"},"modified":"2009-10-27T16:23:59","modified_gmt":"2009-10-27T16:23:59","slug":"carta-de-d-antonio-vitalino-bispo-de-beja-aos-seus-sacerdotes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-de-d-antonio-vitalino-bispo-de-beja-aos-seus-sacerdotes\/","title":{"rendered":"Carta de D. Ant\u00f3nio Vitalino, Bispo de Beja, aos seus sacerdotes"},"content":{"rendered":"<p><em>J&aacute; n&atilde;o vos chamo servos, mas amigos: <\/em>permiti que comece esta carta com estas palavras do nosso Mestre Jesus Cristo aos seus ap&oacute;stolos, durante a &uacute;ltima ceia, em que lhes deu a conhecer o &iacute;ntimo do seu cora&ccedil;&atilde;o e lhes confiou o memorial da sua vida e da sua alian&ccedil;a com a humanidade, o sacramento do amor levado ao extremo, no dom da vida para que n&oacute;s tenhamos a verdadeira vida.<\/p>\n<p>Car&iacute;ssimos sacerdotes, colaboradores na perpetua&ccedil;&atilde;o do <em>amor do Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, <\/em>como costumava dizer o Santo Cura de Ars, padroeiro de todos os p&aacute;rocos do mundo, o maior desejo do vosso irm&atilde;o bispo &eacute; pedir-vos para nos unirmos em comunh&atilde;o de ora&ccedil;&atilde;o e de vontades, para que este ano seja um grande sinal para esta Igreja particular de Beja. Este &eacute; o mesmo desejo tornado ora&ccedil;&atilde;o sacerdotal no cora&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo na &uacute;ltima ceia:<em> N&atilde;o rogo s&oacute; por eles, mas tamb&eacute;m por aqueles que h&atilde;o-de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um s&oacute;, como Tu, Pai, est&aacute;s em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em N&oacute;s e o mundo creia que Tu me enviaste (Jo 17, 21-22)<\/em>.<strong><sup> <\/sup><\/strong>Foi tamb&eacute;m por n&oacute;s que Cristo orou, para que sejamos e vivamos unidos e assim o mundo acredite.<\/p>\n<p>A comunidade de Jerusal&eacute;m p&ocirc;s em pr&aacute;tica esta vontade de Jesus: <em>Eram ass&iacute;duos ao ensino dos Ap&oacute;stolos, &agrave; uni&atilde;o fraterna, &agrave; frac&ccedil;&atilde;o do p&atilde;o e &agrave;s ora&ccedil;&otilde;es (Act 2, 42). <\/em>Porque eram um s&oacute; cora&ccedil;&atilde;o e uma s&oacute; alma no seguimento de Cristo, todos os dias o seu n&uacute;mero aumentava.<\/p>\n<p>Neste ano sacerdotal proponho para nossa medita&ccedil;&atilde;o estes dois bel&iacute;ssimos textos. Se no fim do ano eles se tornarem um reflexo da nossa ora&ccedil;&atilde;o e das nossas atitudes, ter&aacute; valido a pena todo o nosso esfor&ccedil;o. E, de certeza, surgir&atilde;o as voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais e aumentar&aacute; o n&uacute;mero dos crentes, ou, pelo menos, o fermento ser&aacute; mais actuante, a luz mais brilhante e o sal ser&aacute; o necess&aacute;rio para tornar os alimentos da f&eacute; mais saborosos e condimentados, como os Evangelhos definem a miss&atilde;o dos ap&oacute;stolos.<\/p>\n<p>Foi a minha pobre pessoa que a Igreja, na sucess&atilde;o dos ap&oacute;stolos, colocou nesta diocese. Sei e conhe&ccedil;o as minhas debilidades, mas confio no poder de Deus, que vem em aux&iacute;lio da nossa fraqueza e que usa os simples e as crian&ccedil;as para construir o seu Reino. Por isso fa&ccedil;o minha a ora&ccedil;&atilde;o de Jesus na &uacute;ltima ceia. Pe&ccedil;o a Deus e a v&oacute;s que, apesar das nossas fragilidades, confiemos no poder de Deus e na boa vontade uns dos outros.<\/p>\n<p>Se tivermos alguma raz&atilde;o de queixa contra um irm&atilde;o, n&atilde;o ponhamos na pra&ccedil;a p&uacute;blica as suas fraquezas, mas usemos a recomenda&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica da ora&ccedil;&atilde;o, do perd&atilde;o e da correc&ccedil;&atilde;o fraterna. O vosso bispo est&aacute; &agrave; vossa disposi&ccedil;&atilde;o, para escutar, intermediar junto de cada um pessoalmente e unir a todos na constru&ccedil;&atilde;o desta nossa Igreja diocesana. Tenhamos todos bem presente a admoni&ccedil;&atilde;o de Jesus: <em>Todo o reino, dividido contra si mesmo, ser&aacute; devastado e cair&aacute; casa sobre casa (Lc 11, 17).<\/em><\/p>\n<p>Todos sabemos que ningu&eacute;m vive para si mesmo e muito menos o disc&iacute;pulo e ap&oacute;stolo de Cristo. Fomos chamados para o servi&ccedil;o, para conhecermos melhor o Mestre e sermos enviados em miss&atilde;o. A Igreja que somos chamados a construir e fortalecer &eacute; essencialmente mission&aacute;ria, mas sempre ligada a Cristo, Cabe&ccedil;a da Igreja e impregnada da sua vida e do seu amor por todos e cada um. Esta dimens&atilde;o do nosso minist&eacute;rio precisa de ser revista e continuamente rectificada na nossa actua&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel pessoal e comunit&aacute;rio. Temos de fazer uma profunda revis&atilde;o de vida &agrave;s nossas atitudes pessoais e dos nossos colaboradores, dos nossos servi&ccedil;os, estruturas e institui&ccedil;&otilde;es. O fermento n&atilde;o pode ficar isolado da massa ou assumir uma atitude de agress&atilde;o e de rep&uacute;dio. Um perfeccionismo individualista e isolacionista n&atilde;o &eacute; evang&eacute;lico, mas farisaico. Aqui surgem muitas das nossas dificuldades ministeriais. Precisamos de conhecer as verdades da nossa f&eacute;, mas tamb&eacute;m de crescermos numa s&atilde; pedagogia da f&eacute;. Todos somos aprendizes e todos nos podemos ajudar mutuamente. S&oacute; unidos na f&eacute;, na ora&ccedil;&atilde;o, na comunh&atilde;o com Cristo e a Igreja poderemos desenvolver a melhor pastoral para o nosso tempo.<\/p>\n<p>A Igreja portuguesa, desafiada pelo Santo Padre, est&aacute; a repensar a sua ac&ccedil;&atilde;o pastoral, o que vai ter reflexos nos nossos modos de actuar e nas nossas estruturas. O Pe. Ant&oacute;no Novais Pereira, como Director do SCAP, faz parte do grupo a n&iacute;vel nacional, convidado para ajudar nessa reflex&atilde;o. Em esp&iacute;rito de entre-ajuda fraterna troquemos impress&otilde;es uns com os outros e partilhemo-las com este nosso representante e com os nossos &oacute;rg&atilde;os colegiais. &Eacute; este um &uacute;ltimo pedido que vos fa&ccedil;o. Mostremos interesse uns pelos outros e pelos nossos &oacute;rg&atilde;os colegiais, fazendo-lhes chegar as nossas reflex&otilde;es e experi&ecirc;ncias e tomando conhecimento das suas decis&otilde;es. Que neste ano sacerdotal saia refor&ccedil;ada a comunh&atilde;o, a partilha fraterna e a colabora&ccedil;&atilde;o entre os membros do clero e o laicado. Sei que andamos todos sobrecarregados com a multiplicidade de tarefas e a dispers&atilde;o. Mas s&oacute; a uni&atilde;o de esfor&ccedil;os, a forma&ccedil;&atilde;o em ordem &agrave; defini&ccedil;&atilde;o das prioridades do nosso minist&eacute;rio nos far&atilde;o sentir a verdade do convite de Jesus: <em>Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos (Mt. 11, 28). <\/em><\/p>\n<p>Agrade&ccedil;o &agrave; comiss&atilde;o escolhida na reuni&atilde;o do Conselho Presbiteral de Setembro, formada pelos Padres Jos&eacute; Manuel Fachadas Guerreiro, Rui Manuel Mendes Carri&ccedil;o e pelo C&oacute;nego Ant&oacute;nio Mendes Apar&iacute;cio, o servi&ccedil;o de anima&ccedil;&atilde;o deste ano sacerdotal, em ordem a alcan&ccedil;ar os melhores objectivos, para fortalecimento da nossa comunh&atilde;o presbiteral e miss&atilde;o eclesial.<\/p>\n<p><em>7 de Outubro de 2009<\/em><\/p>\n<p>&dagger; Ant&oacute;nio Vitalino, Bispo de Beja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J&aacute; n&atilde;o vos chamo servos, mas amigos: permiti que 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