{"id":41571,"date":"2009-10-27T10:42:56","date_gmt":"2009-10-27T10:42:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/27\/um-governo-para-ganhar-eleicoes\/"},"modified":"2009-10-27T10:42:56","modified_gmt":"2009-10-27T10:42:56","slug":"um-governo-para-ganhar-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-governo-para-ganhar-eleicoes\/","title":{"rendered":"Um governo para ganhar elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral <!--more--> <\/p>\n<p>O novo governo minorit&aacute;rio do PS &eacute; um prolongamento do anterior. At&eacute; grande parte do discurso de S&oacute;crates na tomada de posse parecia feita h&aacute; um ano: elogio das energias renov&aacute;veis, justi&ccedil;a social, combate &agrave; crise econ&oacute;mica com investimentos p&uacute;blicos&hellip; Nada de novo.<\/p>\n<p>A novidade &eacute; S&oacute;crates j&aacute; n&atilde;o ter maioria absoluta no Parlamento, o que o leva a uma grande prud&ecirc;ncia nas afirma&ccedil;&otilde;es. J&aacute; n&atilde;o est&aacute; seguro, como estava no governo anterior, de fazer passar na Assembleia as medidas que entender.<\/p>\n<p>O trunfo de S&oacute;crates &eacute; que nenhum partido da oposi&ccedil;&atilde;o se arrisca a elei&ccedil;&otilde;es antecipadas, pelo menos nos tempos mais pr&oacute;ximos. N&atilde;o s&oacute; ficariam com o odioso de derrubarem um executivo em fun&ccedil;&otilde;es, como se arriscariam a que o PS obtivesse maioria absoluta. Por isso n&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel que o governo dure quatro anos.<\/p>\n<p><strong>N&atilde;o fazer ondas<\/strong><\/p>\n<p>Resta saber como governar&aacute; durante esse tempo. S&oacute;crates prometeu prosseguir as reformas &ndash; mas aparentemente sem grande convic&ccedil;&atilde;o. Ora a grande tenta&ccedil;&atilde;o do novo executivo ser&aacute; governar com vista &agrave;s pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es. Que at&eacute; podem ser mais cedo do que se espera, se algum partido da oposi&ccedil;&atilde;o cair na asneira em que ca&iacute;ram em 1987 o PRD e o PS, aprovando na Assembleia da Rep&uacute;blica uma mo&ccedil;&atilde;o de censura ao governo minorit&aacute;rio de Cavaco Silva, que assim foi derrubado. Seguiram-se duas maiorias absolutas do PSD.<\/p>\n<p>O actual governo tem o n&uacute;cleo duro do anterior, um n&uacute;cleo ministerial essencialmente pol&iacute;tico; e uma s&eacute;rie de ministros desconhecidos da opini&atilde;o p&uacute;blica e sem peso pol&iacute;tico (independentemente do seu eventual valor profissional e pessoal). Esta constitui&ccedil;&atilde;o governamental n&atilde;o indicia s&oacute; que S&oacute;crates vai concentrar em si, ainda mais do que antes, o poder pol&iacute;tico. Tamb&eacute;m sugere que nas v&aacute;rias pastas impropriamente classificadas de t&eacute;cnicas a ideia ser&aacute; fazer poucas ondas, pacificando o respectivo sector ainda que, porventura, &agrave; custa de antigos intuitos reformistas.<\/p>\n<p>O eleitoralismo n&atilde;o &eacute; uma amea&ccedil;a que venha apenas do lado do governo. As v&aacute;rias oposi&ccedil;&otilde;es v&atilde;o reclamar medidas que as tornem simp&aacute;ticas aos olhos do eleitorado, medidas que implicam aumento de gastos do Estado. E o PS algumas vezes l&aacute; ter&aacute; que ceder, em troca do apoio de um ou v&aacute;rios desses partidos na aprova&ccedil;&atilde;o parlamentar de propostas socialistas.<\/p>\n<p><strong>Viva o di&aacute;logo<\/strong><\/p>\n<p>Governo minorit&aacute;rio, o novo executivo ter&aacute; de negociar &agrave; esquerda e &agrave; direita. Mas o PS n&atilde;o &eacute; equidistante desses dois p&oacute;los. Basta lembrar 1975 para concluir que dificilmente o governo poder&aacute; fazer acordos de subst&acirc;ncia sobre pol&iacute;tica econ&oacute;mica com o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda. &Eacute; que estas for&ccedil;as pol&iacute;ticas s&atilde;o contra a economia de mercado, visando o fim do capitalismo. Ali&aacute;s, se o PC ou o Bloco se aproximassem das pol&iacute;ticas econ&oacute;micas de S&oacute;crates logo perderiam o seu capital de queixa e protesto, que afinal os sustenta.<\/p>\n<p>Assim, o di&aacute;logo do governo &agrave; sua esquerda ser&aacute; sobre as chamadas &ldquo;quest&otilde;es fracturantes&rdquo; (que fracturam sobretudo a sociedade portuguesa&#8230;). O &ldquo;casamento&rdquo; homossexual ser&aacute; entusiasticamente apoiado pelo Bloco, permitindo ao PS agitar a bandeira &ldquo;de esquerda&rdquo;. E certamente ser&aacute; recusado o pedido, vindo do interior do pr&oacute;prio PS, de um referendo sobre a mat&eacute;ria, que faria todo o sentido.<\/p>\n<p>Se o anterior governo do PS, com maioria absoluta, fez poucas reformas, o presente governo minorit&aacute;rio ainda far&aacute; menos. O resultado ser&aacute; ficar mais uma vez adiado o combate &agrave; crise estrutural da economia portuguesa, de que ali&aacute;s o PS quase n&atilde;o fala, pois parece s&oacute; conhecer a crise internacional.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Sarsfield Cabral<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[191],"class_list":["post-41571","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41571","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41571"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41571\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}