{"id":41546,"date":"2009-10-26T11:36:38","date_gmt":"2009-10-26T11:36:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/26\/lista-final-das-proposicoes-do-sinodo-dos-bispos\/"},"modified":"2009-10-26T11:36:38","modified_gmt":"2009-10-26T11:36:38","slug":"lista-final-das-proposicoes-do-sinodo-dos-bispos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lista-final-das-proposicoes-do-sinodo-dos-bispos\/","title":{"rendered":"Lista final das proposi\u00e7\u00f5es do S\u00ednodo dos Bispos"},"content":{"rendered":"<p><strong>INTRODUCTIO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Propositio 1<\/strong><\/p>\n<p><em>Documentos a apresentar ao Sumo Pont&iacute;fice<\/em><\/p>\n<p>Os Padres sinodais apresentam &agrave; considera&ccedil;&atilde;o do Sumo Pont&iacute;fice a documenta&ccedil;&atilde;o sobre &laquo;A Igreja em &Aacute;frica ao servi&ccedil;o da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz. &ldquo;V&oacute;s sois o sal da terra&hellip; v&oacute;s sois a luz do mundo&rdquo; (Mt 5,13.14)&raquo;, relativa a este S&iacute;nodo. Tal documenta&ccedil;&atilde;o inclui os &ldquo;Lineamenta&rdquo;, o &ldquo;Instrumentum laboris&rdquo;, as Rela&ccedil;&otilde;es &ldquo;ante&rdquo; e &ldquo;post disceptationem&rdquo; e os textos das interven&ccedil;&otilde;es, quer os apresentados em aula, quer &ldquo;in-scriptis&rdquo;, as Rela&ccedil;&otilde;es dos C&iacute;rculos Menores e as suas discuss&otilde;es e algumas propostas espec&iacute;ficas, que os Padres consideraram de capital import&acirc;ncia.<\/p>\n<p>Os mesmos Padres pedem humildemente ao Santo Padre que disponha sobre a oportunidade de oferecer um documento sobre a Igreja em &Aacute;frica ao servi&ccedil;o da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>I &#8211; ECCLESIA IN SYNODO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Propositio 2<\/strong><\/p>\n<p><em>O S&iacute;nodo como um Novo Pentecostes<\/em><\/p>\n<p>Se a Primeira Assembleia Especial para a &Aacute;frica do S&iacute;nodo dos Bispos foi declarada &ldquo;S&iacute;nodo da Ressurrei&ccedil;&atilde;o e da Esperan&ccedil;a&rdquo; (EIA, 13), os Padres Sinodais, em comunh&atilde;o com o Santo Padre, o Papa Bento XVI, v&ecirc;em esta Segunda Assembleia Especial como o S&iacute;nodo de um &ldquo;Novo Pentecostes&rdquo;.<\/p>\n<p>Com gratid&atilde;o a Deus, agradecem ao Santo Padre pela auspiciosa iniciativa em convocar este s&iacute;nodo.<\/p>\n<p>Os Padres Sinodais sentem-se felizes por testemunhar o car&aacute;cter universal da assembleia sinodal na presen&ccedil;a do Santo Padre, dos seus colaboradores mais pr&oacute;ximos e dos representantes da Igreja vindos de outros continentes.<\/p>\n<p>Rezam para que o Esp&iacute;rito do Pentecostes renove o nosso compromisso apost&oacute;lico em fazer com que a reconcilia&ccedil;&atilde;o, a justi&ccedil;a e a paz prevale&ccedil;am em &Aacute;frica e em todo o mundo. Que Ele n&atilde;o permita que os imensos problemas que pesam sobre &Aacute;frica nos ven&ccedil;am e para que sejamos &ldquo;sal da terra&rdquo; e &ldquo;luz do mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>Que este exerc&iacute;cio de comunh&atilde;o eclesial e de responsabilidade colegial inspire outras estruturas e formas de colabora&ccedil;&atilde;o ministerial na Igreja &ndash; Fam&iacute;lia de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 3<\/strong><\/p>\n<p><em>Comunh&atilde;o eclesial<\/em><\/p>\n<p>Pela sua pr&oacute;pria natureza a Igreja &eacute; uma comunh&atilde;o que sup&otilde;e a solidariedade pastoral org&acirc;nica. Os Bispos, em comunh&atilde;o com o Bispo de Roma, s&atilde;o os principais promotores da comunh&atilde;o e da colabora&ccedil;&atilde;o no apostolado da Igreja, de que participam os padres, os di&aacute;conos, as pessoas consagradas e os fi&eacute;is leigos. Esta comunh&atilde;o da Igreja &eacute; particularmente vis&iacute;vel na colegialidade efectiva e afectiva com os outros Bispos na Prov&iacute;ncia Eclesi&aacute;stica e a n&iacute;vel nacional, regional, continental e internacional. Por isso, o S&iacute;nodo recomenda que os Bispos, os sacerdotes, os di&aacute;conos e os religiosos continuem a estreitar a sua colabora&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel diocesano, nacional, continental e inter-continental. Exorta ainda a que se continue a incrementar uma constante colabora&ccedil;&atilde;o entre o &ldquo;Simp&oacute;sio das Confer&ecirc;ncias Episcopais de &Aacute;frica e do Madag&aacute;scar&rdquo; (SECAM) e a &ldquo;Confedera&ccedil;&atilde;o das Confer&ecirc;ncias dos Superiores Maiores de &Aacute;frica e do Madag&aacute;scar&rdquo; (COSMAM).<\/p>\n<p>Desta maneira, a Igreja &eacute; torna-se um sinal mais eficaz e promotora da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 4<\/strong><\/p>\n<p><em>Comunh&atilde;o Eclesial a n&iacute;vel Regional e Continental<\/em><\/p>\n<p>Os Padres Sinodais d&atilde;o gra&ccedil;as a Deus pelo trabalho desenvolvido pelo SECAM\/SCEAM (Simp&oacute;sio das Confer&ecirc;ncias Episcopais de &Aacute;frica e Madag&aacute;scar), a primeira inst&acirc;ncia de comunh&atilde;o eclesial a n&iacute;vel continental, durante os &uacute;ltimos quarenta anos da sua exist&ecirc;ncia (1969-2009).<\/p>\n<p>Eles desejam que, mantendo o Esp&iacute;rito do Pentecostes, as Confer&ecirc;ncias Episcopais nacionais e a Assembleia da Hierarquia Cat&oacute;lica renove os seus compromissos com a SECAM, de modo a que se desenvolva um minist&eacute;rio pastoral mais frutuoso em &Aacute;frica, especialmente no que se refere &agrave; reconcilia&ccedil;&atilde;o, &agrave; justi&ccedil;a e &agrave; paz.<\/p>\n<p>Consequentemente, apelam aos Bispos em &Aacute;frica a reavivarem as estruturas de comunh&atilde;o eclesial existentes, especialmente a COMSAM (Confedera&ccedil;&atilde;o das Confer&ecirc;ncias dos Superiores Maiores de &Aacute;frica e do Madag&aacute;scar) e a promover outras, tais como:<\/p>\n<p>&#8211; um conselho continental para o clero;<\/p>\n<p>&#8211; um conselho continental para o laicado;<\/p>\n<p>&#8211; um conselho continental para as mulheres cat&oacute;licas.<\/p>\n<p>Pedem ao SECAM\/SCEAM que procure e elabore os modos e os meios pass&iacute;veis para se assegurar uma colabora&ccedil;&atilde;o frutuosa entre as ditas estruturas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>II &#8211; SYNODALIA THEMATA<\/strong><\/p>\n<p><em>A) Reconciliatio<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 5<\/strong><\/p>\n<p><em>O sacramento da reconcilia&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>&Eacute; a gra&ccedil;a de Deus que nos d&aacute; um cora&ccedil;&atilde;o novo e nos reconcilia com Ele e com os outros. Um elemento essencial da &ldquo;reconcilia&ccedil;&atilde;o&rdquo; &eacute; o sacramento da reconcilia&ccedil;&atilde;o, o qual se deve celebrar de acordo com as normas can&oacute;nicas e o esp&iacute;rito da exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica p&oacute;s-sinodal &ldquo;Reconciliatio et poenitentiae&rdquo;. D&ecirc;-se novamente toda a import&acirc;ncia &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o do sacramento da reconcilia&ccedil;&atilde;o na sua d&uacute;plice dimens&atilde;o: pessoal e comunit&aacute;ria.<\/p>\n<p>A reconcilia&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel social contribui para a paz. Ap&oacute;s um conflito, a reconcilia&ccedil;&atilde;o restabelece a uni&atilde;o dos cora&ccedil;&otilde;es e a vida em comum. Gra&ccedil;as &agrave; reconcilia&ccedil;&atilde;o, as na&ccedil;&otilde;es que se encontravam j&aacute; h&aacute; muito tempo em guerra reencontraram a paz e os cidad&atilde;os arruinados pela guerra civil reconstru&iacute;ram a unidade; as pessoas ou comunidades que pediram e deram o perd&atilde;o curaram a sua mem&oacute;ria, as fam&iacute;lias divididas puderam conviver novamente em harmonia. A reconcilia&ccedil;&atilde;o ultrapassa a crise, restabelece a dignidade pessoal e abre o caminho ao desenvolvimento e &agrave; paz duradoira entre as pessoas a todos os n&iacute;veis.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais querem dirigir agora um cordial apelo a todos os pa&iacute;ses que se encontram em guerra em &Aacute;frica, fazendo sofrer tanto o seu pr&oacute;prio povo: &ldquo;Parai com as hostilidades e reconciliai-vos!&rdquo;.<\/p>\n<p>Pedem a todos os cidad&atilde;os e governos africanos que reconhe&ccedil;am os valores da fraternidade e promovam todo o tipo de iniciativas de todo o tipo que contribuam para a reconcilia&ccedil;&atilde;o e a incrementem de forma est&aacute;vel e permanente em todos os n&iacute;veis da sociedade.<\/p>\n<p>Convidam a comunidade internacional a apoiar firmemente o combate &agrave;s manobras que desestabilizam o continente, causando nele de forma persistente conflitos.<\/p>\n<p>Prop&otilde;em que os pa&iacute;ses africanos celebrem um Dia anual da Reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 6<\/strong><\/p>\n<p><em>Forma n&atilde;o-sacramental da celebra&ccedil;&atilde;o da reconcilia&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>Deve favorecer-se prudentemente a forma n&atilde;o-sacramental da celebra&ccedil;&atilde;o da penit&ecirc;ncia de tal modo que revele o car&aacute;cter eclesial da penit&ecirc;ncia e da reconcilia&ccedil;&atilde;o. Ela tamb&eacute;m &eacute; importante para os crist&atilde;os cuja situa&ccedil;&atilde;o pessoal os priva dos sacramentos, de forma a inseri-los num processo penitencial no interior da Igreja. No in&iacute;cio dos tempos lit&uacute;rgicos penitenciais, tal como o Advento e a Quaresma, mesmo para as comunidades que disp&otilde;em de padre, como uma etapa em ordem a uma recep&ccedil;&atilde;o mais frutuosa do sacramento (cf. Reconciliatio et poenitentia, 37).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 7<\/strong><\/p>\n<p><em>Incultura&ccedil;&atilde;o do sacramento da reconcilia&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>Grande n&uacute;mero de crist&atilde;os africanos adopta uma atitude amb&iacute;gua em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; administra&ccedil;&atilde;o da reconcilia&ccedil;&atilde;o. Se, por um lado, t&ecirc;m um respeito escrupuloso pelos rituais ancestrais de reconcilia&ccedil;&atilde;o, por outro d&atilde;o pouco cr&eacute;dito ao sacramento da penit&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&Eacute; assim necess&aacute;rio levar a cabo um estudo s&eacute;rio e aprofundado sobre as cerim&oacute;nias tradicionais africanas de reconcilia&ccedil;&atilde;o, tais como a &ldquo;palaver&rdquo; (onde um grupo de s&aacute;bios arbitra publicamente os casos) e a arbitragem dos conflitos por um &ldquo;grupo de mediadores&rdquo;. &Oacute;rg&atilde;os semelhantes poderiam ser institu&iacute;dos nas Comiss&otilde;es Justi&ccedil;a e Paz, a fim de ajudar os fi&eacute;is cat&oacute;licos a entrar num processo s&eacute;rio de convers&atilde;o atrav&eacute;s da celebra&ccedil;&atilde;o do sacramento da reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A gra&ccedil;a do sacramento da penit&ecirc;ncia celebrado com f&eacute; &eacute; suficiente para nos reconciliar com Deus e com o pr&oacute;ximo, n&atilde;o requerendo mais nenhum rito tradicional de reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 8<\/strong><\/p>\n<p><em>Pr&aacute;ticas Pastorais de Reconcilia&ccedil;&atilde;o <\/em><\/p>\n<p>Para promover o desenvolvimento da cultura da reconcilia&ccedil;&atilde;o, as Igrejas locais poder&atilde;o levar a cabo iniciativas pastorais tais como:<\/p>\n<p>1. Um Dia ou Semana de Reconcilia&ccedil;&atilde;o anual, especialmente no Advento e na Quaresma, um Ano da Reconcilia&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel do continente, para pedir perd&atilde;o a Deus, em especial por todas as les&otilde;es e feridas infligidas aos outros e reconciliar as pessoas e grupos ofendidas dentro da Igreja e da comunidade mais alargada. Poderiam ser organizados actos comuns de reconcilia&ccedil;&atilde;o e de perd&atilde;o; e<\/p>\n<p>2. Um Ano Jubilar Extraordin&aacute;rio no qual a Igreja em &Aacute;frica e nas suas Ilhas d&ecirc; gra&ccedil;as a Deus juntamente com a Igreja universal e reze a pedir os dons do Esp&iacute;rito Santo. Este per&iacute;odo de reconcilia&ccedil;&atilde;o seja assinalado por uma:<\/p>\n<p>a. convers&atilde;o pessoal e a confiss&atilde;o sacramental individual com absolvi&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>b. um Congresso Eucar&iacute;stico continental;<\/p>\n<p>c. celebra&ccedil;&atilde;o de ritos de reconcilia&ccedil;&atilde;o na qual as pessoas se perdoem uns aos outros;<\/p>\n<p>d. renova&ccedil;&atilde;o das promessas baptismais na qual o car&aacute;cter de disc&iacute;pulos de Jesus suplante todas as outras formas de sujei&ccedil;&atilde;o ao cl&atilde; ou a um partido pol&iacute;tico;<\/p>\n<p>e. vida eucar&iacute;stica renovada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 9<\/strong><\/p>\n<p><em>Espiritualidade da reconcilia&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Foi Deus quem reconciliou o mundo consigo, em Cristo, n&atilde;o imputando aos homens os seus pecados, e pondo em n&oacute;s a palavra da reconcilia&ccedil;&atilde;o&#8230; Exercemos portanto as fun&ccedil;&otilde;es de embaixadores&#8221; (2 Cor 5,19.20). A reconcilia&ccedil;&atilde;o implica uma atitude de vida (espiritualidade) e uma miss&atilde;o. Para levar &agrave; pr&aacute;tica a espiritualidade da reconcilia&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a e paz, a Igreja tem necessidade de testemunhas profundamente enraizadas em Cristo, alimentadas pela sua Palavra e sacramentos. Assim, progredindo na santidade, gra&ccedil;as a uma cont&iacute;nua convers&atilde;o e a uma intensa vida de ora&ccedil;&atilde;o, elas dedicam-se &agrave; obra de reconcilia&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a e paz no mundo, podendo mesmo chegar ao mart&iacute;rio, seguindo o exemplo de Cristo. Pela sua corajosa ades&atilde;o &agrave; verdade, pela sua abnega&ccedil;&atilde;o e a alegria, elas d&atilde;o testemunho prof&eacute;tico de um estilo de vida coerente com a pr&oacute;pria f&eacute;. Maria, M&atilde;e da Igreja-Fam&iacute;lia de Deus, que soube acolher a Palavra de Deus, escutar as necessidades dos homens e, na sua compaix&atilde;o, ser mediadora, ser&aacute; o seu modelo.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais recomendam:<\/p>\n<p>&#8211; que a mem&oacute;ria das grandes testemunhas que deram a sua vida ao servi&ccedil;o do Evangelho, que promoveram o bem comum e defenderam a verdade e os direitos humanos, seja preservada e fielmente recordada;<\/p>\n<p>&#8211; que os membros da Igreja desenvolvem o sentido de responsabilidade nas suas ac&ccedil;&otilde;es e uma cont&iacute;nua &ldquo;metan&oacute;ia&rdquo;, que pode ser regularmente celebrada no sacramento da reconcilia&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211; que a Igreja, Fam&iacute;lia de Deus, se enra&iacute;ze profundamente no Senhor atrav&eacute;s da celebra&ccedil;&atilde;o da celebra&ccedil;&atilde;o e adora&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, da ora&ccedil;&atilde;o e da medita&ccedil;&atilde;o da Palavra de Deus, para assim poder ser &ldquo;sal da terra&rdquo; e &ldquo;luz do mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 10<\/strong><\/p>\n<p><em>Di&aacute;logo Ecum&eacute;nico<\/em><\/p>\n<p>No servi&ccedil;o da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz no continente, e em uni&atilde;o com a Igreja universal, a Igreja em &Aacute;frica compromete-se, mais uma vez, ao servi&ccedil;o do di&aacute;logo ecum&eacute;nico e da coopera&ccedil;&atilde;o. Um Cristianismo dividido continua a ser um esc&acirc;ndalo, porque &eacute; contr&aacute;rio aos desejos do Mestre Divino, que pediu para que os seus disc&iacute;pulos fossem um (cf. Jn 17, 21). O objectivo do di&aacute;logo ecum&eacute;nico &eacute;, portanto, dar testemunho do seguimento de Cristo e, simultaneamente, ir ao encontro da unidade crist&atilde; com aqueles com quem partilhamos a mesma f&eacute;, atrav&eacute;s da escuta da Palavra de Deus e na colabora&ccedil;&atilde;o no servi&ccedil;o dos irm&atilde;os e das irm&atilde;s &ldquo;num s&oacute; Senhor&hellip; num s&oacute; Baptismo, num s&oacute; Deus e Pai de todos&rdquo; (Ef 4, 5-6). Consequentemente, o S&iacute;nodo louva os esfor&ccedil;os feitos pelo Conselho Pontif&iacute;cio para a Promo&ccedil;&atilde;o da Unidade dos Crist&atilde;os em iniciar e manter o di&aacute;logo com outras Igrejas e comunidades eclesiais.<\/p>\n<p>O S&iacute;nodo sabe que, embora a unidade dos Crist&atilde;os ainda n&atilde;o seja uma realidade, os Crist&atilde;os em v&aacute;rios pa&iacute;ses africanos juntaram-se em v&aacute;rias associa&ccedil;&otilde;es (como a Associa&ccedil;&atilde;o Crist&atilde; da Nig&eacute;ria, o Conselho Crist&atilde;o da Lib&eacute;ria, etc.) para realizarem obra se caridade em comum e salvaguardarem os interesses dos crist&atilde;os num estado pluralista moderno. O S&iacute;nodo louva tais esfor&ccedil;os e recomenda que se fa&ccedil;a o mesmo noutros pa&iacute;ses, onde semelhantes associa&ccedil;&otilde;es poderiam trabalhar pela paz e pela reconcilia&ccedil;&atilde;o. Do mesmo modo, o S&iacute;nodo convida a Igreja em cada Diocese ou regi&atilde;o a assegurar que a semana dedicada &agrave; ora&ccedil;&atilde;o pela unidade dos crist&atilde;os seja assinala pela ora&ccedil;&atilde;o e por actividades comuns que promovam a unidade dos crist&atilde;os, &ldquo;para que todos sejam um&rdquo; (Jn 17, 21).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 11<\/strong><\/p>\n<p><em>Di&aacute;logo inter-religioso<\/em><\/p>\n<p>A paz em &Aacute;frica e noutras partes do mundo depende muito das rela&ccedil;&otilde;es entre as religi&otilde;es. Por isso &eacute; t&atilde;o importante promover o valor do di&aacute;logo, de modo que os crentes trabalhem juntos em associa&ccedil;&otilde;es dedicadas &agrave; paz e &agrave; justi&ccedil;a, num clima de confian&ccedil;a e apoio m&uacute;tuos, e as fam&iacute;lias sejam educadas para os valores da escuta paciente e do respeito m&uacute;tuo.<\/p>\n<p>O di&aacute;logo com as outras religi&otilde;es, especialmente com o Isl&atilde;o e a religi&atilde;o tradicional africana, &eacute; uma parte integrante da proclama&ccedil;&atilde;o do Evangelho e da ac&ccedil;&atilde;o pastoral da Igreja em nome da reconcilia&ccedil;&atilde;o e da paz. Em conformidade com a iniciativa do Pontif&iacute;cio Conselho para o Di&aacute;logo Inter-religioso, &eacute; altamente recomendado que se estabele&ccedil;a di&aacute;logo com as diferentes religi&otilde;es n&atilde;o-crist&atilde;s.<\/p>\n<p>No entanto, porque a religi&atilde;o &eacute; frequentemente politizada, tornando-se causa de conflitos, &eacute; necess&aacute;rio e urgente um di&aacute;logo inter-religioso com o Isl&atilde;o e as religi&otilde;es tradicional africana a todos os n&iacute;veis. Este di&aacute;logo ser&aacute; aut&ecirc;ntico e fecundo na medida em que cada religi&atilde;o partir da profundidade da sua pr&oacute;pria f&eacute; e v&aacute; ao encontro do outro com verdade e abertura.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais rezam para que a intoler&acirc;ncia religiosa e a viol&ecirc;ncia sejam minimizadas e eliminadas por meio do di&aacute;logo inter-religioso. O importante encontro ecum&eacute;nico e inter-religioso de Assis (1986) apresenta-nos um modelo a seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 12<\/strong><\/p>\n<p><em>Isl&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>Com o Conc&iacute;lio Vaticano II a Igreja-Fam&iacute;lia de Deus &ldquo;olha tamb&eacute;m com estima para os mu&ccedil;ulmano, que adoram o Deus &uacute;nico, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, Criador do c&eacute;u e da terra, que falou aos homens&rdquo; (&ldquo;Nostra aetate&rdquo;, 3).<\/p>\n<p>Para o servi&ccedil;o da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz todas as formas de discrimina&ccedil;&atilde;o, intoler&acirc;ncia e fundamentalismo religioso devem ser ultrapassadas. Sempre que se toca na liberdade religiosa, o direito de culto deve ser sublinhada.<\/p>\n<p>Na rela&ccedil;&atilde;o com os mu&ccedil;ulmanos devemos:<\/p>\n<p>&#8211; dar prioridade a um di&aacute;logo de vida e &agrave; parceria em quest&otilde;es sociais e de reconcilia&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211; considerar a variedade de situa&ccedil;&otilde;es e de experi&ecirc;ncias;<\/p>\n<p>-confrontar honestamente os nossos mal-entendidos e dificuldades;<\/p>\n<p>&#8211; favorecer um melhor conhecimento do Isl&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o dos padres, dos consagrados e consagradas e dos fi&eacute;is leigos; e<\/p>\n<p>&#8211; tomar iniciativas que promovam o respeito, a amizade, a colabora&ccedil;&atilde;o e a reciprocidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 13<\/strong><\/p>\n<p><em>Religi&atilde;o Tradicional Africana (RTA)<\/em><\/p>\n<p>Uma vez que a Igreja-Fam&iacute;lia de Deus em &Aacute;frica continua a conviver com adeptos da Religi&atilde;o Tradicional Africana, os Padres sinodais recordaram o s&aacute;bio conselho do Vaticano II que trata da Religi&atilde;o Tradicional Africana e das outras religi&otilde;es do seguinte modo: &ldquo;Desde os tempos mais remotos at&eacute; aos nossos dias, encontra-se nos diversos povos uma certa percep&ccedil;&atilde;o daquela for&ccedil;a oculta presente no curso das coisas e nos acontecimentos humanos&hellip;&rdquo; (&ldquo;Nostra Aetate&rdquo;, 2)<\/p>\n<p>Reconhecidas pessoas convertidas de Religi&atilde;o Tradicional Africana podem guiar a Igreja para um maior e mais preciso conhecimento das culturas e das religi&otilde;es africanas, tornando, assim, mais f&aacute;cil o discernimento sobre os verdadeiros pontos de oposi&ccedil;&atilde;o. Isto ajudar&aacute; na necess&aacute;ria distin&ccedil;&atilde;o a fazer entre o cultural e o religioso e especialmente entre o cultural e aqueles programas mal&eacute;volos de feiti&ccedil;aria que provocam rupturas e arru&iacute;nam as nossas fam&iacute;lias e as nossas sociedades.<\/p>\n<p>Por isso, com o Conc&iacute;lio Vaticano II, os Padres Sinodais n&atilde;o rejeitam nada &ldquo;do que nessas religi&otilde;es existe de verdadeiro e santo&hellip;. A Igreja exorta, por isso, os seus filhos a que, com prud&ecirc;ncia e caridade, pelo di&aacute;logo e colabora&ccedil;&atilde;o com os seguidores doutras religi&otilde;es, dando testemunho da vida e f&eacute; crist&atilde;s, reconhe&ccedil;am, conservem e promovam os bens espirituais e morais e os valores s&oacute;cio culturais que entre eles se encontram&rdquo; (ivi).<\/p>\n<p>Por isso, este S&iacute;nodo prop&otilde;e:<\/p>\n<p>&#8211; que a Religi&atilde;o Tradicional e as culturas africanas sejam objecto de pesquisa cient&iacute;fica qualificada e consistente nas universidades cat&oacute;licas de &Aacute;frica e nas faculdades das Universidades Pontif&iacute;cias de Roma;<\/p>\n<p>&#8211; que um respeitoso di&aacute;logo seja conduzido com as Religi&otilde;es Tradicionais Africanas, que devem tamb&eacute;m ser estudadas nas nossas faculdades de teologia e comparadas com a Palavra de Deus;<\/p>\n<p>&#8211; que os Bispos nas suas dioceses tomem ac&ccedil;&otilde;es pastorais en&eacute;rgicas contra todos os que estiverem envolvidos na bruxaria e decidam sobre as meninas disciplinares necess&aacute;rias;<\/p>\n<p>&#8211; que cada Bispo nomeie um exorcista onde n&atilde;o haja nenhum.<\/p>\n<p>No que se refere &agrave; bruxaria e aos cultos,<\/p>\n<p>&#8211; que a Igreja local possa contar com uma abordagem equilibrada que estude este fen&oacute;meno &agrave; luz da f&eacute; e da raz&atilde;o, de maneira a libertar os africanos deste flagelo; e<\/p>\n<p>&#8211; uma equipa diocesana multidisciplinar deve tra&ccedil;ar um programa pastoral que se baseie na racionalidade, liberta&ccedil;&atilde;o e reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>B) Iustitia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Propositio 14<\/strong><\/p>\n<p><em>Justi&ccedil;a<\/em><\/p>\n<p>&ldquo;A Igreja&#8230; d&aacute; testemunho ao homem, em nome de Cristo, da sua dignidade e voca&ccedil;&atilde;o &agrave; comunh&atilde;o entre as pessoas. Ela ensina-lhe as exig&ecirc;ncias da justi&ccedil;a e da paz em conformidade com a sabedoria divina&rdquo; (&ldquo;Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica&rdquo;, 2419).<\/p>\n<p>No estado presente de pecaminosidade da humanidade, ferida no seu cora&ccedil;&atilde;o, o Antigo Testamento &eacute; pertinente ao considerar que a justi&ccedil;a n&atilde;o pode ser alcan&ccedil;ada pelas meras for&ccedil;as humanas, mas &eacute; um dom de Deus. O Novo Testamento desenvolve mais plenamente esta perspectiva ao considerar a justi&ccedil;a como a suprema revela&ccedil;&atilde;o da gra&ccedil;a salv&iacute;fica de Deus. Assim, a justi&ccedil;a &eacute; antes de mais e em primeiro lugar um dom de Deus. De facto, &eacute; Deus quem nos justifica atrav&eacute;s de Cristo. Isto quer dizer que s&oacute; Deus &ldquo;torna o pecador digno da rela&ccedil;&atilde;o de comunh&atilde;o e de alian&ccedil;a com Ele&rdquo; e o torna capaz de praticar a justi&ccedil;a (cf. &ldquo;Relatio post disceptationem&rdquo;, pp. 12-13).<\/p>\n<p>Na realidade, o fruto da reconcilia&ccedil;&atilde;o entre Deus e o g&eacute;nero humano e no seio da pr&oacute;pria fam&iacute;lia humana, &eacute; a restaura&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a e a exig&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es humanas justas. &Eacute; Deus quem justifica o pecador, n&atilde;o levando em conta os seus pecados. E tamb&eacute;m s&oacute; justificamos quem nos tenha ofendido, perdoando as suas faltas. Foi porque Deus nos justificou, perdoando os nossos pecados a fim de nos reconciliar com ele, que tamb&eacute;m podemos criar rela&ccedil;&otilde;es e estruturas justas entre n&oacute;s e nas nossas sociedades, perdoando e n&atilde;o levando em conta as faltas dos outros por um acto de amor e de miseric&oacute;rdia. Sen&atilde;o como poder&iacute;amos n&oacute;s viver em comunidade e em comunh&atilde;o uns com os outros?<\/p>\n<p>A esta luz, os Bispos da Igreja-Fam&iacute;lia de Deus em &Aacute;frica reunidos em S&iacute;nodo, em uni&atilde;o com os sacerdotes, di&aacute;conos, consagrados e fi&eacute;is leigos, comprometem-se a:<\/p>\n<p>&#8211; buscar em ora&ccedil;&atilde;o a justi&ccedil;a\/justifica&ccedil;&atilde;o de Deus, gra&ccedil;as &agrave; qual somos capazes de justificar e perdoar os outros com amor e miseric&oacute;rdia; e<\/p>\n<p>&#8211; ser arquitectos de estruturas justas nas nossas sociedades, &agrave; luz da justi&ccedil;a que vem de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 15<\/strong><\/p>\n<p><em>Seguran&ccedil;a em sociedade<\/em><\/p>\n<p>O S&iacute;nodo apela a todos os membros da Igreja em &Aacute;frica a promoverem a justi&ccedil;a para todos e o respeito dos direitos humanos atrav&eacute;s da educa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica e da constru&ccedil;&atilde;o de uma cultura de justi&ccedil;a e de paz. Para tal, as Dioceses e as Par&oacute;quias deveriam estabelecer Comiss&otilde;es de Justi&ccedil;a e Paz, em colabora&ccedil;&atilde;o com l&iacute;deres comunit&aacute;rios locais, que poderiam agir como intermedi&aacute;rios.<\/p>\n<p>A presente mobiliza&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses africanos para a redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e a busca de uma paz definitiva abre a porta a grandes esperan&ccedil;as. Por isso, em prol da justi&ccedil;a, o S&iacute;nodo advoga o bem comum e o bem-estar dos povos. O S&iacute;nodo apela aos governos a oferecerem seguran&ccedil;a aos seus cidad&atilde;os e meios de vida b&aacute;sicos para os mais vulner&aacute;veis, partindo de uma justa distribui&ccedil;&atilde;o dos frutos do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Este S&iacute;nodo relembra os nossos governantes africanos deste facto e apela a que assegurem a vida e os direito de propriedade. A vida &eacute; sagrada e deve ser protegida e assegurada. Os governos deveriam criar mecanismos que acabassem com as mortes, os raptos, etc., no continente. A falta de seguran&ccedil;a, inclusive para a propriedade, e a falta de uma boa ordem aumentam a migra&ccedil;&atilde;o e a fuga de c&eacute;rebros, o que resulta num aumento da pobreza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 16<\/strong><\/p>\n<p><em>Fuga de c&eacute;rebros<\/em><\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses e as fam&iacute;lias africanos investem grandes somas de dinheiro na forma&ccedil;&atilde;o de profissionais que venham a contribuir para a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida dos seus povos. Infelizmente, muitos deles partem logo depois de formados na esperan&ccedil;a de encontrarem melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e melhores sal&aacute;rios.<\/p>\n<p>O S&iacute;nodo prop&otilde;e:<\/p>\n<p>&#8211; que os pa&iacute;ses africanos tomem medidas urgentes para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida e de trabalho no continente de modo a contrastar a &ldquo;fuga de c&eacute;rebros&rdquo; e de pessoas que venham a ser absorvidas pelos pa&iacute;ses desenvolvidos;<\/p>\n<p>&#8211; que os profissionais demonstrem um sentido de sacrif&iacute;cio e de servi&ccedil;o para com os seus povos, com os recursos de quem foram formados; e<\/p>\n<p>&#8211; que os pa&iacute;ses desenvolvidos apoiem a &Aacute;frica a enfrentar esta quest&atilde;o atrav&eacute;s do desenvolvimento de centros de excel&ecirc;ncia acad&eacute;mica que correspondam &agrave;s necessidades reais de desenvolvimento integral das sociedades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 17<\/strong><\/p>\n<p><em>Justi&ccedil;a social e Erradica&ccedil;&atilde;o da Pobreza<\/em><\/p>\n<p>Os Padres sinodais advogam a favor de uma economia ao servi&ccedil;o dos pobres e denunciaram fortemente a ordem econ&oacute;mica injusta que levou &agrave; perpetua&ccedil;&atilde;o da pobreza.<\/p>\n<p>Por isso propomos que:<\/p>\n<p>1. a Igreja, Fam&iacute;lia de Deus em &Aacute;frica, renove o seu compromisso ao servi&ccedil;o dos pobres, dos &oacute;rf&atilde;os e dos marginalizados imitando a Igreja dos prim&oacute;rdios;<\/p>\n<p>2. como na Igreja primitiva, a Igreja em &Aacute;frica e ilhas adjacentes deve desenvolver um sistema interno para cuidar das suas necessidades. Em situa&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia (cat&aacute;strofes), &eacute; imperativo desenvolver rela&ccedil;&otilde;es de solidariedade entre as diferentes dioceses diferentes e no seio das pr&oacute;prias Confer&ecirc;ncia episcopais. Por isso, h&aacute; urgente necessidade de estabelecer um fundo de solidariedade a n&iacute;vel continental por meio da rede da CARITAS. Ao mesmo tempo, a Igreja deveria promover e inculcar uma vis&atilde;o hol&iacute;stica do trabalho como uma express&atilde;o de gratuidade e de solidariedade. Deste modo, o talento humano ser&aacute; reconhecido e empregado como &eacute; necess&aacute;rio para o bem de todos.<\/p>\n<p>3. os chefes tomem medidas adequadas (acesso &agrave; terra, acesso &agrave; &aacute;gua, infra-estruturas, etc.), para resolver o problema da pobreza e fomentar pol&iacute;ticas que garantam a auto-sufici&ecirc;ncia da produ&ccedil;&atilde;o alimentar e programas de educa&ccedil;&atilde;o orientados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>4. advogue-se o ulterior cancelamento das d&iacute;vidas em condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis e a elimina&ccedil;&atilde;o do pr&aacute;tica da usura;<\/p>\n<p>5. os governos africanos sejam mais prudentes quando recorrem a ajudas e empr&eacute;stimos, de forma a n&atilde;o comprometer o seu pr&oacute;prio povo com ulteriores d&iacute;vidas. Os pobres e os marginalizados procurem ganhar autonomia gra&ccedil;as a iniciativas tais como o microcr&eacute;dito, programas agr&aacute;rios e outros semelhantes como sinal concreto da solidariedade da Igreja com os pobres e os marginalizado;<\/p>\n<p>6. a &Aacute;frica participe activamente como importante accionista nos processos decis&oacute;rios do com&eacute;rcio internacional e nos itens socioecon&oacute;micos que a afectam; e<\/p>\n<p>7. os supracitados esfor&ccedil;os se inspirem e sejam governados pela promo&ccedil;&atilde;o de um desenvolvimento humano integral e por aut&ecirc;nticos valores humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 18<\/strong><\/p>\n<p><em>Doutrina Social da Igreja<\/em><\/p>\n<p>A miss&atilde;o evangelizadora da Igreja-Fam&iacute;lia de Deus em &Aacute;frica bebe de diversas fontes, entre as quais sobressai em primeiro lugar a Sagrada Escritura. Mas, tal como foi observado no S&iacute;nodo (&ldquo;Relatio ante disceptationem&rdquo;, p. 6), a ac&ccedil;&atilde;o e o car&aacute;cter do minist&eacute;rio eclesial s&atilde;o tamb&eacute;m ajudados por diversos &ldquo;programas e materiais de apoio&rdquo;, &ldquo;subsidia fidei&rdquo;, tais como o &ldquo;Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social da Igreja&rdquo;, uma guia muito completo da miss&atilde;o da Igreja e da sua express&atilde;o no mundo e sua ordem social enquanto &ldquo;mestra&rdquo; e &ldquo;fermento&rdquo;.<\/p>\n<p>Por conseguinte, os Padres sinodais, reconhecendo a utilidade do &ldquo;Comp&ecirc;ndio&rdquo; na obra de evangeliza&ccedil;&atilde;o do continente e ilhas adjacentes, prop&otilde;e que cada Confer&ecirc;ncia Episcopal nacional e regional:<\/p>\n<p>&#8211; reveja todos os materiais catequ&eacute;ticos a todos os n&iacute;veis (crian&ccedil;as, jovens, casais jovens, fam&iacute;lias) de forma a incluir elementos da Doutrina Social da Igreja e traduza o &ldquo;Comp&ecirc;ndio&rdquo; nas l&iacute;nguas locais;<\/p>\n<p>&#8211; requeira que a Doutrina Social da Igreja seja obrigat&oacute;ria na forma&ccedil;&atilde;o dos semin&aacute;rios e nos programas de forma&ccedil;&atilde;o permanente para padres, consagrados e consagradas e tamb&eacute;m na forma&ccedil;&atilde;o e actividades dos leigos ao servi&ccedil;o da Igreja e da sociedade;<\/p>\n<p>&#8211; re&uacute;na em colec&ccedil;&otilde;es, onde elas ainda n&atilde;o existam, com as mensagens e as cartas pastorais do seu pr&oacute;prio ensino social;<\/p>\n<p>&#8211; crie uma equipa de investigadores que esbocem um resumo para o ensino e para dar a conhecer os valores sociais e crist&atilde;os. Tal resumo, assim concebido, deveria ser ensinado desde o ensino prim&aacute;rio at&eacute; ao universit&aacute;rio; e<\/p>\n<p>&#8211; d&ecirc; a conhecer e induza a amar o Evangelho e os valores africanos de solidariedade, generosidade e bem comum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 19<\/strong><\/p>\n<p><em>A Educa&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>Os Padres sinodais rev&ecirc;em-se na preocupa&ccedil;&atilde;o expressa muitas vezes pelo Santo Padre acerca da educa&ccedil;&atilde;o. Em &Aacute;frica, como em todo o mundo, h&aacute; uma crise da educa&ccedil;&atilde;o. Precisamos de uma educa&ccedil;&atilde;o integral onde haja uma estreita uni&atilde;o entre a f&eacute; e a raz&atilde;o, de modo que os fi&eacute;is estejam adequadamente preparados para enfrentarem todas as circunst&acirc;ncias da vida, evitando orientar-se por crit&eacute;rios dualistas e relativistas nas suas escolhas quotidianas. De facto, a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser reduzida apenas a um percurso formal escol&aacute;stico, mas deve iniciar os jovens no sentido profundo da vida. Deve-se reconhecer &agrave; fam&iacute;lia o primado da educa&ccedil;&atilde;o e ajud&aacute;-la nesta miss&atilde;o. Os Padres sinodais reafirmaram tamb&eacute;m a prioridade e a defesa da liberdade de educa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode nem deve ser unicamente monop&oacute;lio do Estado.<\/p>\n<p>Onde as Igrejas tiverem escolas que queiram entrar em parceria com o Estado para assegurar a educa&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio que seja respeitado o direito de a Igreja dirigir essas escolas. Tamb&eacute;m seria desej&aacute;vel que o Estado manifestasse a sua parceria com a Igreja na educa&ccedil;&atilde;o apoiando as Escolas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 20<\/strong><\/p>\n<p><em>Protocolo de Maputo<\/em><\/p>\n<p>Os Padres Sinodais consideraram os efeitos problem&aacute;ticos do Protocolo de Maputo sobre as mulheres e sobre a vida humana, por exemplo, no que respeita &agrave; sa&uacute;de reprodutiva das mulheres. Acima de tudo, acham que &eacute; inaceit&aacute;vel a sua promo&ccedil;&atilde;o do aborto no artigo 14.2.c: &ldquo;Proteger os direitos reprodutivos das mulheres, autorizando o aborto clinicamente assistido nos casos de viola&ccedil;&atilde;o e incesto e sempre que a continua&ccedil;&atilde;o da gravidez ponha em risco a sa&uacute;de mental e f&iacute;sica da m&atilde;e ou a vida da m&atilde;e ou a do feto&rdquo;.<\/p>\n<p>De acordo com o ensinamento da Igreja, o aborto &eacute; contr&aacute;rio &agrave; vontade de Deus. Al&eacute;m disso, o mesmo artigo est&aacute; em contradi&ccedil;&atilde;o com os direitos humanos e com o direito &agrave; vida. Ele banaliza a gravidade do crime do aborto, desvalorizando o valor da procria&ccedil;&atilde;o humana. A Igreja condena esta posi&ccedil;&atilde;o sobre o aborto e proclama que o valor e a dignidade da vida humana devem ser protegidos desde o momento da concep&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; morte natural.<\/p>\n<p>Os Padre sinodais apelam &agrave; Igreja em &Aacute;frica e ilhas adjacentes a comprometer-se, usando todos os meios e estruturas necess&aacute;rias para ajudar e acompanhar as mulheres e os casais tentados &agrave; pr&aacute;tica do aborto. Al&eacute;m disso, louvam a coragem dos governos cuja legisla&ccedil;&atilde;o combate o aborto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C) Pax<\/strong><\/p>\n<p><strong>Propositio 21<\/strong><\/p>\n<p><em>Paz<\/em><\/p>\n<p>A paz &eacute; em primeiro lugar um dom de Deus e s&oacute; depois fruto dos nossos esfor&ccedil;os. &Eacute; por isso que a paz deve come&ccedil;ar no cora&ccedil;&atilde;o do homem como uma gra&ccedil;a que lhe &eacute; concedida (cf. Jo 14,1). &ldquo;Dou-vos a minha paz&rdquo;, disse Jesus (Jo 14,27). Sendo a paz um bem universal e dependendo do respeito pelos direitos humanos e de toda a cria&ccedil;&atilde;o, devemos por todas as nossas for&ccedil;as ao seu servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>Por isso, o S&iacute;nodo prop&otilde;e que:<\/p>\n<p>&#8211; se constitua uma Iniciativa Africana para a Paz e a Solidariedade que intervenha com ac&ccedil;&otilde;es de solidariedade e assista a Igreja local na resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos e na constru&ccedil;&atilde;o da paz em todo o continente com a seu conselho s&aacute;bio nos campos da justi&ccedil;a, paz e reconcilia&ccedil;&atilde;o. Esta iniciativa deve ser composta por pessoas da nossa Igreja que tenham experi&ecirc;ncia, sejam &iacute;ntegros e gozem do respeito dos outros. Pe&ccedil;a-se ao Conselho Pontif&iacute;cio para a Justi&ccedil;a e a Paz para se manter em contacto com a SECAM para promover esta iniciativa;<\/p>\n<p>&#8211; se criem conselhos diocesanos, nacionais e regionais para a promo&ccedil;&atilde;o da paz na Comiss&atilde;o Justi&ccedil;a e Paz, com uma estrutura an&aacute;loga a n&iacute;vel continental, institu&iacute;da para estar em contacto com a &ldquo;Iniciativa Africana para a Paz e a Solidariedade&rdquo; na SECAM;- tais conselhos para a promo&ccedil;&atilde;o da paz sejam dotados de recursos pessoais e materiais suficientes para poderem formar (train) o clero e os leigos na pr&aacute;tica da promo&ccedil;&atilde;o da paz, do di&aacute;logo e da media&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211; as Comiss&otilde;es Justi&ccedil;a e Paz constituam a n&iacute;vel nacional e regional um observat&oacute;rio para a preven&ccedil;&atilde;o e resolu&ccedil;&atilde;o dos conflitos;<\/p>\n<p>&#8211; fomentem-se pequenos grupos e programas formativos adaptados a todos os n&iacute;veis de forma&ccedil;&atilde;o (prim&aacute;rio, secund&aacute;rio, superior e universit&aacute;rio) a fim de difundir uma real cultura da paz;<\/p>\n<p>&#8211; os formadores dos semin&aacute;rios sigam um curso que inclua estudos sobre a paz e a resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos;<\/p>\n<p>&#8211; haja uma organiza&ccedil;&atilde;o permanente para o di&aacute;logo inter-&eacute;tnico em prol de uma paz dur&aacute;vel;<\/p>\n<p>-se reze pela paz e as elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>D) Argumenta adnexa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Propositio 22<\/strong><\/p>\n<p><em>Protec&ccedil;&atilde;o do meio ambiente e reconcilia&ccedil;&atilde;o com a cria&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>A nossa f&eacute; crist&atilde; diz-nos que Deus Criador fez todas as coisas boas (cf. Gn 1), tendo-nos dado a terra, a n&oacute;s, seres humanos, para que a cultiv&aacute;ssemos e dela cuid&aacute;ssemos enquanto bons administradores (cf. Gn 2,15). Notamos que muitos seres humanos continuaram a abusar da natureza e a destruir este mundo t&atilde;o belo que &eacute; de Deus, explorando os seus recursos naturais muito al&eacute;m do que &eacute; sustent&aacute;vel e &uacute;til. Est&aacute; em curso uma degrada&ccedil;&atilde;o irrespons&aacute;vel e uma destrui&ccedil;&atilde;o insensata da terra que &eacute; &ldquo;nossa m&atilde;e&rdquo;.<\/p>\n<p>Em cumplicidade com os que det&ecirc;m a chefia pol&iacute;tica e econ&oacute;mica em &Aacute;frica, alguns negociantes, governos, grupos de multinacionais e companhias transnacionais recorrem a opera&ccedil;&otilde;es que poluem o meio ambiente, destroem a flora e a fauna, a natureza e as florestas, incluindo mam&iacute;feros, causando uma eros&atilde;o at&eacute; agora inaudita e a desertifica&ccedil;&atilde;o de grandes superf&iacute;cies de terra ar&aacute;vel. Tudo isto amea&ccedil;a a sobreviv&ecirc;ncia do g&eacute;nero humano e o ecossistema global. Isto suscitou nos cientistas e accionistas a consci&ecirc;ncia dos efeitos prejudiciais das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, do aquecimento global e das cat&aacute;strofes naturais (tais como terramotos, maremotos e suas consequ&ecirc;ncias, como os tsunamis).<\/p>\n<p>Para fazer com que a terra possa ser habit&aacute;vel para al&eacute;m da actual gera&ccedil;&atilde;o e para garantir uma protec&ccedil;&atilde;o da natureza que seja sustent&aacute;vel e respons&aacute;vel, apelamos que as Igrejas particulares<\/p>\n<p>&#8211; promovam uma educa&ccedil;&atilde;o e consci&ecirc;ncia ambientais;<\/p>\n<p>&#8211; persuadam os governos local e nacional a actuar pol&iacute;ticas ambientais, a criar disposi&ccedil;&otilde;es legais destinadas &agrave; protec&ccedil;&atilde;o do ambiente e a promover fontes alternativas e recicl&aacute;veis de energia; e<\/p>\n<p>&#8211; encorajem todos a plantar &aacute;rvores e a lidar com a natureza e os seus recursos em respeito pela sua sacralidade e pelo bem comum, com transpar&ecirc;ncia e respeito pela dignidade humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 23<\/strong><\/p>\n<p><em>Com&eacute;rcio de armas<\/em><\/p>\n<p>Em virtude do predom&iacute;nio de armamento e minas anti-pessoais no Continente e ilhas adjacentes, a Igreja em &Aacute;frica, reunida em S&iacute;nodo, associa-se &agrave; Santa S&eacute; e acolhe com alegria as iniciativas da ONU, da Uni&atilde;o Africana e das organiza&ccedil;&otilde;es regionais inter-governamentais, tais como a ECOWAS- Embargo de armas ligeiras, para p&ocirc;r fim ao tr&aacute;fico ilegal de armas e tornar transparente e completamente legal o com&eacute;rcio de armas. O S&iacute;nodo recomenda que o Pontif&iacute;cio Conselho &ldquo;Justi&ccedil;a e Paz&rdquo; actualize o seu documento sobre o com&eacute;rcio de armas.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais exortam os governos nacionais a apoiar o estudo que est&aacute; a ser feito e a prepara&ccedil;&atilde;o do Tratado de Com&eacute;rcio de Armas (ATT) no &acirc;mbito da ONU, com padr&otilde;es universais obrigat&oacute;rios para o com&eacute;rcio global de armas convencionais que devem respeitar os direitos humanos e o direito humanit&aacute;rio internacional.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais, fazendo seu o apelo do profeta Isa&iacute;as ao amor de Deus e do pr&oacute;ximo, a &ldquo;converter as suas espadas em enxadas e as suas lan&ccedil;as em foices&rdquo; (cf. Is 2,4), prop&otilde;em que a cria&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de todos os tipos de armas sejam drasticamente reduzidas em benef&iacute;cio da educa&ccedil;&atilde;o e de um desenvolvimento agr&iacute;cola que respeite o meio ambiente.<\/p>\n<p>Mais ainda: os Padres condenam em absoluta a produ&ccedil;&atilde;o de armas nucleares, biol&oacute;gicas, minas anti-pessoais e todo o tipo de armas de destrui&ccedil;&atilde;o de massa. Pedem que tais armas sejam completamente banidas da face da terra.<\/p>\n<p>As Confer&ecirc;ncias Episcopais dos pa&iacute;ses produtores de armas s&atilde;o convidadas a intervir junto dos seus governos para que aprovem leis que limitem a produ&ccedil;&atilde;o e a distribui&ccedil;&atilde;o de armas em preju&iacute;zo dos povos e na&ccedil;&otilde;es africanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 24<\/strong><\/p>\n<p><em>Boa governa&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>O bem comum dever&aacute; encontrar uma express&atilde;o legal na Constitui&ccedil;&atilde;o e requerer o exerc&iacute;cio de uma boa governa&ccedil;&atilde;o. A sua pr&aacute;tica exige que se respeitem os princ&iacute;pios da democracia: a igualdade entre todos os seres humanos, soberania do povo, e o respeito pela lei; caso contr&aacute;rio, e a democracia perde a sua vitalidade, acabando por morrer.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais apelam aos nossos chefes para que administrem a na&ccedil;&atilde;o de forma consciente, apoiando o bem comum acima dos interesses de fam&iacute;lia, cl&atilde;, grupo &eacute;tnico ou partido pol&iacute;tico, protegendo e promovendo os direitos sociais, econ&oacute;micos, pol&iacute;ticos e religiosos de todos os cidad&atilde;os, tal como est&atilde;o consagrados na Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos humanos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais insistem com as Confer&ecirc;ncias episcopais a todos os n&iacute;veis para que estabele&ccedil;am corpos de advogados que possam influenciar os membros do parlamento, dos governos e das institui&ccedil;&otilde;es internacionais, de forma que a Igreja contribua de forma eficaz na elabora&ccedil;&atilde;o de leis justas e de pol&iacute;ticas favor&aacute;veis ao bem das pessoas.<\/p>\n<p>Em ordem a desempenhar plenamente a sua miss&atilde;o e a contribuir para uma cultura da paz e dos direitos humanos, a Igreja em &Aacute;frica pede para poder estar presente nas institui&ccedil;&otilde;es nacionais, regionais e continentais em &Aacute;frica. O S&iacute;nodo exorta as Confer&ecirc;ncias episcopais a apoiar o Mecanismo de Revis&atilde;o Entre Pares da NEPAD no seio da Uni&atilde;o Africana (AU). O S&iacute;nodo exorta ainda os pa&iacute;ses africano a submeterem-se ao Mecanismo de Revis&atilde;o Entre Pares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 25<\/strong><\/p>\n<p><em>Pol&iacute;tica<\/em><\/p>\n<p>Os Padres sinodais reconhecem o desenvolvimento positivo no campo pol&iacute;tico e socioecon&oacute;mico daqueles pa&iacute;ses africanos onde se defendem os direitos humanos, a paz e a justi&ccedil;a e existe um governo constitucional. Os Padre sinodais apreciam a maturidade cada vez maior da sociedade civil em alguns pa&iacute;ses africanos, a qual come&ccedil;a a afirmar-se e a influenciar as decis&otilde;es que dizem respeito ao futuro da na&ccedil;&atilde;o. Eles felicitam e encorajam os agentes pol&iacute;ticos que se dedicam ao servi&ccedil;o do seu povo.<\/p>\n<p>No entanto, o S&iacute;nodo tamb&eacute;m notou o triste facto de que em muitos pa&iacute;ses de &Aacute;frica h&aacute; flagrantes viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos, injusti&ccedil;as, corrup&ccedil;&atilde;o e impunidade, as quais acabam por atear golpes de estado, conflitos violentos e guerras. Nestes lugares, os princ&iacute;pios da democracia est&atilde;o viciados nas suas pr&oacute;prias ra&iacute;zes &#8211; igualdade entre todos os seres humanos, soberania do povo e respeito universal pela lei.<\/p>\n<p>Nestes casos, o processo democr&aacute;tico &eacute; cada vez mais desvirtuado, uma situa&ccedil;&atilde;o que acaba por comprometer a paz, o desenvolvimento e a estabilidade destas na&ccedil;&otilde;es. Os sistemas anti-democr&aacute;ticos como o despotismo, regimes de partido &uacute;nico e governos militares est&atilde;o em expans&atilde;o e p&otilde;e-se a gerir os estados como se de saque de guerra se tratasse. Estes pa&iacute;ses est&atilde;o endividados, s&atilde;o saqueados e super-explorados.<\/p>\n<p>Face a tudo isto, a Igreja tem a miss&atilde;o de promover uma cultura que se preocupe com o primado da lei e o respeito universal pelos direitos humanos. Por isso, os Padres sinodais convidam todos os pastores a emprenharem-se por assegurar aos agentes pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos de hoje e do amanh&atilde; uma forma&ccedil;&atilde;o doutrinal, pastoral e pr&aacute;tica e uma assist&ecirc;ncia espiritual (erec&ccedil;&atilde;o de capelanias). Eles pedem a cria&ccedil;&atilde;o de faculdades de ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas nas Universidades Cat&oacute;licas. A doutrina social da Igreja &eacute; um instrumento precioso que merece uma difus&atilde;o t&atilde;o grande quanto poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>Pedimos a todas as Confer&ecirc;ncias episcopais para promover programas multidimensionais de educa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica; implementar programas que fomentem a forma&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia social a todos os n&iacute;veis; encorajar a participa&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os competentes e honestos nos partidos pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 26<\/strong><\/p>\n<p><em>Elei&ccedil;&otilde;es<\/em><\/p>\n<p>&Eacute; votando que os cidad&atilde;os exprimem livremente a sua op&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Assim, as elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas s&atilde;o a garantia de legitimidade no exerc&iacute;cio do poder em &Aacute;frica. Em nenhum caso pode aceitar-se uma falta de respeito pela Constitui&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s e pelo veredicto ou resultados de elei&ccedil;&otilde;es livres, equitativas e transparentes.<\/p>\n<p>Assim, os Padres sinodais convidam as Igrejas locais a sensibilizar os candidatos aos diferentes escrut&iacute;nios eleitorais para o respeito pelas regras do jogo (transpar&ecirc;ncia das elei&ccedil;&otilde;es, neutralidade dos diversos observadores, respeito pelos advers&aacute;rios pol&iacute;ticos, a Constitui&ccedil;&atilde;o, o resultado eleitoral, assim como a aceita&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica da derrota eleitoral) e a contribuir atrav&eacute;s da Comiss&atilde;o de Justi&ccedil;a e Paz para a fiscaliza&ccedil;&atilde;o (monitoring) das elei&ccedil;&otilde;es livres, transparentes, equitativas e pac&iacute;ficas. Os Padres sinodais animam todos os crist&atilde;os a participar na vida pol&iacute;tica, enquanto que a Igreja continuar&aacute;, na sua miss&atilde;o prof&eacute;tica, a denunciar os abusos e todas as formas de chantagem no processo eleitoral.<\/p>\n<p>Os chefes religiosos tamb&eacute;m s&atilde;o convidados a manter a sua imparcialidade. Em nenhum caso devem assumir uma posi&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria. Eles dever&atilde;o ser a voz cr&iacute;tica, objectiva e realista dos que n&atilde;o t&ecirc;m voz, sem comprometer a sua imparcialidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 27<\/strong><\/p>\n<p><em>Liberdade religiosa<\/em><\/p>\n<p>A liberdade religiosa (que pressup&otilde;e a possibilidade de professar a pr&oacute;pria f&eacute; em privado e publicamente) e a liberdade da busca pessoal de Deus como Criador e Salvador s&atilde;o direitos humanos fundamentais.<\/p>\n<p>Consequentemente, os Padres Sinodais urgem que todos os pa&iacute;ses de &Aacute;frica reconhe&ccedil;am e protejam a liberdade religiosa e a liberdade de culto e erradiquem todas as formas de intoler&acirc;ncia, persegui&ccedil;&atilde;o e fundamentalismo religioso. Tamb&eacute;m pedem a devolu&ccedil;&atilde;o das Igrejas e das suas propriedades, assim como das propriedades de outras institui&ccedil;&otilde;es religiosas, que lhes foram confiscadas em alguns pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 28<\/strong><\/p>\n<p><em>Migrantes e refugiados<\/em><\/p>\n<p>O continente africano tem cerca de 15 milh&otilde;es de migrantes em busca de uma p&aacute;tria e de um lugar pac&iacute;ficos. O fen&oacute;meno deste &ecirc;xodo revela a face de injusti&ccedil;as sociais e pol&iacute;ticas e as crises de algumas zonas de &Aacute;frica. Milhares tentaram, e ainda continuam a tentar, atravessar desertos e mares para alcan&ccedil;ar &ldquo;pastagens verdejantes&rdquo;, onde cr&ecirc;em que v&atilde;o obter melhor educa&ccedil;&atilde;o, ganhar mais dinheiro e, em alguns casos, gozar de mais liberdade. Infelizmente este fen&oacute;meno aflige muitos pa&iacute;ses do continente. Mesmo agora muitos refugiados est&atilde;o a definhar nas cadeias e centenas entretanto j&aacute; morreram.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria de tantos estrangeiros deveria despertar a solidariedade de todos; mas, ao inv&eacute;s, provoca medo e ansiedade. Muitos consideram os imigrantes um fardo, olham-nos com suspeita e consideram-nos, de facto, como um perigo e uma amea&ccedil;a, o que d&aacute; muitas vezes lugar a express&otilde;es de intoler&acirc;ncia, xenofobia e racismo.<\/p>\n<p>Entre alguns desenvolvimentos recentes preocupantes contam-se: leis que penalizam todas as entradas clandestinas em pa&iacute;ses estrangeiros, consulados e autoridades policiais migrat&oacute;rias que discriminam nos aeroportos os passageiros vindos de &Aacute;frica.<\/p>\n<p>N&atilde;o haja d&uacute;vidas de que as migra&ccedil;&otilde;es dentro e fora do continente s&atilde;o um drama multi-dimensional, que afecta todos os pa&iacute;ses, causa desestabiliza&ccedil;&atilde;o, destrui&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias e desperd&iacute;cio do capital humano de &Aacute;frica.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais cr&ecirc;em, antes de mais, que o princ&iacute;pio do destino universal dos bens criados e o ensino da Igreja sobre os direitos humanos, a liberdade de movimento e os direitos dos trabalhadores migrantes s&atilde;o cada vez mais violados pelas pol&iacute;ticas migrat&oacute;rias mundiais restritivas e as leis contra os africanos.<\/p>\n<p>Por isso, o S&iacute;nodo est&aacute; convencido de que &eacute; necess&aacute;rio e urgente:<\/p>\n<p>&#8211; pedir que os governos apliquem as leis migrat&oacute;rias internacionais de forma correcta e imparcial, sem discriminar os passageiros africanos;<\/p>\n<p>&#8211; um cuidado pastoral especial para os sectores vulner&aacute;veis da popula&ccedil;&atilde;o africana, num esfor&ccedil;o conjunto entre as Igrejas-de-origem e as Igrejas-de-acolhimento para estender o cuidado pastoral aos migrantes;<\/p>\n<p>&#8211; advogar um tratamento justo dos refugiados, em colabora&ccedil;&atilde;o com o Conselho Pontif&iacute;cio das Migra&ccedil;&otilde;es e dos Povos Itinerantes, a Comiss&atilde;o Cat&oacute;lica Internacional das Migra&ccedil;&otilde;es e as Comiss&otilde;es de Justi&ccedil;a e Paz em todos n&iacute;veis da Igreja;<\/p>\n<p>&#8211; estabelecer &ldquo;Comiss&otilde;es&rdquo; para a movimenta&ccedil;&atilde;o das pessoas nos secretariados das Confer&ecirc;ncias Episcopais, encarregues de trabalhar em conjunto com o Pontif&iacute;cio Conselho das Migra&ccedil;&otilde;es e Povos Itinerantes;<\/p>\n<p>&#8211; desenvolver programas de cuidado pastoral para os migrantes e suas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>O S&iacute;nodo apela tamb&eacute;m aos governos africanos a criarem um clima de seguran&ccedil;a e de liberdade; a implementar programas de desenvolvimento e cria&ccedil;&atilde;o de lugares de trabalho; a dissuadir os seus cidad&atilde;os de deixarem os seus pa&iacute;ses, fazendo-se passar por refugiados; a tomar iniciativas para encorajar os refugiados a regressar, tendo programas para os acolher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 29<\/strong><\/p>\n<p><em>Os recursos naturais<\/em><\/p>\n<p>A terra &eacute; um dom precioso de Deus &agrave; humanidade. Os Padres sinodais d&atilde;o gra&ccedil;as a Deus pelas abundantes riquezas e recursos naturais de &Aacute;frica.<\/p>\n<p>Mas estes tamb&eacute;m permitiram que os povos de &Aacute;frica, em vez de os poder desfrutar como uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o e fonte de real desenvolvimento, sejam v&iacute;timas de m&aacute; administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, por parte das autoridades locais, e de explora&ccedil;&atilde;o, por parte de for&ccedil;as estrangeiros.<\/p>\n<p>Existe actualmente uma liga&ccedil;&atilde;o directa entre a explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais, o tr&aacute;fico de armas e a inseguran&ccedil;a mantida artificialmente.<\/p>\n<p>Algumas corpora&ccedil;&otilde;es multinacionais exploram os recursos naturais dos pa&iacute;ses africanos frequentemente sem qualquer preocupa&ccedil;&atilde;o pelas popula&ccedil;&otilde;es ou respeito pelo meio ambiente, com a cumplicidade de muitos habitantes privilegiados desses locais.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais condenam a cultura do consumismo, que &eacute; esbanjadoura e advogam por uma cultura da modera&ccedil;&atilde;o. O S&iacute;nodo apela &agrave; comunidade internacional que incite &agrave; redac&ccedil;&atilde;o de uma legisla&ccedil;&atilde;o nacional e internacional a favor de uma justa distribui&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios gerados atrav&eacute;s dos recursos naturais em benef&iacute;cio das popula&ccedil;&otilde;es locais e para assegurar legalmente a sua administra&ccedil;&atilde;o em favor dos pa&iacute;ses que possuem tais recursos, impedindo simultaneamente a explora&ccedil;&atilde;o ilegal. O S&iacute;nodo tamb&eacute;m pretende dirigir-se ao sistema econ&oacute;mico global que continua a marginalizar a &Aacute;frica.<\/p>\n<p>Recomendamos fortemente &agrave; Igreja &#8211; Fam&iacute;lia de Deus em &Aacute;frica que fa&ccedil;a press&atilde;o junto dos nossos governos para que se adoptar um quadro jur&iacute;dico satisfat&oacute;rio que leve em conta os interesses dos nossos pa&iacute;ses e das suas popula&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Pedimos &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es da Igreja presentes nestas sociedades que fa&ccedil;am press&atilde;o para que se permita &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es desfrutar da administra&ccedil;&atilde;o dos seus recursos naturais.<\/p>\n<p>Para sua parte, a Igreja procurar&aacute; estabelecer departamentos em v&aacute;rios pa&iacute;ses do continente para supervisionar a administra&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 30<\/strong><\/p>\n<p><em>A Terra e a &aacute;gua<\/em><\/p>\n<p>Tendo em conta que grandes extens&otilde;es de terras f&eacute;rteis e de recursos h&iacute;dricos em muitos pa&iacute;ses de &Aacute;frica s&atilde;o ocupados por investidores sem escr&uacute;pulos, tanto estrangeiros como locais, provocando o deslocamento e a expropria&ccedil;&atilde;o de pessoas pobres e das suas comunidades, tantas vezes incapazes de resistir a estes &ldquo;assaltos&rdquo;, o S&iacute;nodo apela urgentemente a todos os governos a garantirem que os seus cidad&atilde;os sejam protegidos contra a aliena&ccedil;&atilde;o injusta das suas terras e o acesso &agrave; &agrave;gua, bens essenciais para a pessoa humana.<\/p>\n<p>Os Padres Sinodais pedem que:- a Igreja em &Aacute;frica se informe e forme nas quest&otilde;es da terras e da &aacute;gua de modo a educar o Povo de Deus e a capacit&aacute;-lo para contrastar as decis&otilde;es tomadas sobre estas quest&otilde;es;<\/p>\n<p>&#8211; todas as negocia&ccedil;&otilde;es sobre quest&otilde;es de terras sejam conduzidas com total transpar&ecirc;ncia e com a participa&ccedil;&atilde;o das comunidades locais que possam vir a ser afectadas;<\/p>\n<p>&#8211; a aliena&ccedil;&atilde;o das terras n&atilde;o seja contratada nem firmada sem o pr&eacute;vio consentimento livre e informado das comunidades locais afectadas, nem o povo deve dispensar as suas terras sem uma adequada compensa&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211; aos trabalhadores agr&iacute;colas sejam pagos sal&aacute;rios;<\/p>\n<p>&#8211; se promova a forma&ccedil;&atilde;o profissional dos jovens no dom&iacute;nio agro-pecu&aacute;rio como forma de evitar a fuga descontrolada do campo;<\/p>\n<p>&#8211; os modelos de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola respeitem o meio ambiente e n&atilde;o contribuam para a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, o empobrecimento dos solos e a exaust&atilde;o das reservas de &aacute;gua natural;<\/p>\n<p>&#8211; a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos para exporta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o perigue a seguran&ccedil;a alimentar nem as necessidades das futuras gera&ccedil;&otilde;es;<\/p>\n<p>&#8211; os direitos consuetudin&aacute;rios (tradicionais) sobre as terras sejam respeitados e reconhecidos pela lei; e<\/p>\n<p>&#8211; a &aacute;gua n&atilde;o seja tratada como um bem econ&oacute;mico sem a devida aten&ccedil;&atilde;o aos direitos da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 31<\/strong><\/p>\n<p><em>Globaliza&ccedil;&atilde;o e ajuda internacional<\/em><\/p>\n<p>A Igreja em &Aacute;frica deveria estar consciente da ambiguidade da globaliza&ccedil;&atilde;o e das suas consequ&ecirc;ncias. Ela deve estar pronta para responder aos desafios que a globaliza&ccedil;&atilde;o acarreta e para confront&aacute;-los responsavelmente. A melhor globaliza&ccedil;&atilde;o deve ser a globaliza&ccedil;&atilde;o da solidariedade.<\/p>\n<p>A globaliza&ccedil;&atilde;o da solidariedade algumas vezes toma a forma de ajuda internacional por partes de ag&ecirc;ncias internacionais. Infelizmente, tais ajudas nem sempre chegam &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es para as quais foram pensadas e, muitas vezes, elas chegam em condi&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o correspondem &agrave;s necessidades reais da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os Padres Sinodais apelam os governos africanos e as ag&ecirc;ncias intermedi&aacute;rias para uma administra&ccedil;&atilde;o mais respons&aacute;vel e mais transparente desta solidariedade internacional em aten&ccedil;&atilde;o ao bem comum. Os Padres Sinodais insistem em que estes valores sejam apreciados e que as Igrejas locais sejam reconhecidas como parceiras no desenvolvimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 32<\/strong><\/p>\n<p><em>Respeito pela diversidade &eacute;tnica<\/em><\/p>\n<p>A Igreja, enquanto serva da reconcilia&ccedil;&atilde;o, tem a miss&atilde;o de reconciliar todas as coisas em Cristo (2 Cor 5,19) para que todos possam ser um (Jo 17,11). Levando a cabo esta miss&atilde;o, a Igreja reconhece e respeita a rica diversidade &eacute;tnica, cultural, pol&iacute;tica e religiosa dos povos africanos, buscando antes a unidade na diversidade do que na uniformidade, insistindo mais no que os une do que no que separa e os considerando os valores positivos desta diversidade como uma fonte de for&ccedil;a para criar harmonia social, paz e progresso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 33<\/strong><\/p>\n<p><em>Incultura&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>&Eacute; preciso fazer um estudo completo sobre as tradi&ccedil;&otilde;es e culturas africanas &agrave; luz do Evangelho, para enriquecer a vida crist&atilde;, p&ocirc;r de lado os aspectos contr&aacute;rios &agrave; doutrina crist&atilde;, animar e sustentar o trabalho de evangeliza&ccedil;&atilde;o dos povos africanos e das suas culturas.<\/p>\n<p>A Igreja em &Aacute;frica est&aacute; a ver crescer constantemente o n&uacute;mero dos seus membros e dos que servem no minist&eacute;rio clerical. N&atilde;o obstante, h&aacute; uma inconsist&ecirc;ncia entre algumas pr&aacute;ticas tradicionais culturais africanas e as exig&ecirc;ncias do Evangelho.<\/p>\n<p>Para ser pertinente e cred&iacute;vel, a Igreja tem de empenhar num discernimento profundo para identificar esses aspectos culturais que promovem e aqueles que impedem a incultura&ccedil;&atilde;o dos valores do Evangelho. Por isso o S&iacute;nodo prop&otilde;e que:<\/p>\n<p>&#8211; os valores culturais positivos sejam promovidos e inculcados por todas as institui&ccedil;&otilde;es escolares e formativas;<\/p>\n<p>&#8211; se estimule e promova o trabalho de verdadeiros te&oacute;logos africanos;<\/p>\n<p>&#8211; as escolas cat&oacute;licas existentes, prim&aacute;ria e secund&aacute;rias, as faculdades e universidades, os semin&aacute;rios, noviciados e institutos de teologia em &Aacute;frica sejam fortalecidas para aprofundar e coordenar os estudos e o modo pr&aacute;tico de incultura&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211; elementos positivos das culturas tradicionais africanas sejam incorporados nos ritos da Igreja;<\/p>\n<p>&#8211; os agentes de pastoral aprendam as l&iacute;nguas locais e as culturas, de forma que os valores do Evangelho possam tocar o cora&ccedil;&atilde;o das pessoas, ajudando-as a chegar a uma aut&ecirc;ntica reconcilia&ccedil;&atilde;o que conduza a uma paz duradoura;<\/p>\n<p>&#8211; os documentos do Magist&eacute;rio sejam traduzidos nas l&iacute;nguas locais;<\/p>\n<p>&#8211; a troca de documentos entre as Confer&ecirc;ncias episcopais seja facilitado;<\/p>\n<p>&#8211; as disposi&ccedil;&otilde;es can&oacute;nicas e lit&uacute;rgicas relativas ao minist&eacute;rio dos exorcismos sejam usados num minist&eacute;rio de compaix&atilde;o, justi&ccedil;a e caridade; e<\/p>\n<p>&#8211; a simonia seja denunciada entre um certo n&uacute;mero de padres que abusam dos sacramentais a fim de contentar os pedidos de crentes apegados a s&iacute;mbolos religiosos tais como o incenso, a &aacute;gua benta, o azeite, o sal, as velas, etc.<\/p>\n<p>A transmiss&atilde;o da cultura condiciona o desenvolvimento integral dos indiv&iacute;duos e dos grupos. Por isso, os africanos deveriam promover a heran&ccedil;a cultural da sua regi&atilde;o. Eles deveriam apreciar certos valores e, ao mesmo tempo, abrir-se a um encontro com outras culturas e valores, tais como o respeito pelos anci&atilde;os e pelas mulheres como m&atilde;es; respeito para solidariedade, ajuda m&uacute;tua e hospitalidade; unidade; respeito pela vida; honestidade, verdade e a palavra de honra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>III &#8211; PROMOTORES<\/strong><\/p>\n<p><strong>A) Ecclesia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 34<\/strong><\/p>\n<p><em>Evangeliza&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>Os Padres sinodais sublinharam a urg&ecirc;ncia e necessidade de evangeliza&ccedil;&atilde;o, a qual &eacute; a miss&atilde;o e a identidade pr&oacute;pria da Igreja (EN, 14).<\/p>\n<p>Os Padres Sinodais enfatizam que esta evangeliza&ccedil;&atilde;o consiste essencialmente em dar testemunho de Cristo na for&ccedil;a do Esp&iacute;rito, primeiro, pela vida e, depois, pela palavra (cf. &ldquo;Evangelii Nuntiandi&rdquo;, 21), num esp&iacute;rito de abertura aos outros, de respeito e de di&aacute;logo com eles sobre os valores do Evangelho.<\/p>\n<p>Este S&iacute;nodo apela a Igreja &ndash; Fam&iacute;lia de Deus em &Aacute;frica a ser testemunha no servi&ccedil;o da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz, como &ldquo;sal da terra&rdquo; e &ldquo;luz do mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 35<\/strong><\/p>\n<p><em>Pequenas Comunidades Crist&atilde;s<\/em><\/p>\n<p>O S&iacute;nodo renova o seu apoio &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de Pequenas Comunidades Crist&atilde;s (PCC), que edificam de forma s&oacute;lida a Igreja-Fam&iacute;lia de Deus em &Aacute;frica. As PCC assentam-se na partilha do Evangelho, onde os crist&atilde;os se re&uacute;nem para celebrar a presen&ccedil;a do Senhor nas suas vidas e no meio delas, atrav&eacute;s da celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, a leitura da Palavra de Deus e o testemunho da sua f&eacute; no servi&ccedil;o de amor uns aos outros e nas suas comunidades. Sob a guia dos seus pastores e catequistas, procuram aprofundar a sua f&eacute; e amadurecer no testemunho crist&atilde;o, enquanto vivem concretamente a experi&ecirc;ncia da paternidade, da maternidade, de rela&ccedil;&otilde;es humanas, de franca amizade em que cada um cuide do outro. Esta Fam&iacute;lia de Deus vai para al&eacute;m dos la&ccedil;os de sangue, de etnia, de tribos, de culturas e de ra&ccedil;a. Desta maneira, as PCC abrem caminhos para a reconcilia&ccedil;&atilde;o com fam&iacute;lias mais alargadas que t&ecirc;m a tend&ecirc;ncia de impor &agrave;s fam&iacute;lias crist&atilde;s nucleares os seus h&aacute;bitos e costumes sincr&eacute;ticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 36<\/strong><\/p>\n<p><em>Os desafios lan&ccedil;ados pelos novos movimentos religiosos<\/em><\/p>\n<p>&Agrave; luz dos desafios vindos dos novos movimentos religiosos (cultos, movimentos exot&eacute;ricos, etc.), as Igrejas Locais s&atilde;o chamadas a inventar novas formas de evangeliza&ccedil;&atilde;o que possam ir melhor ao encontro dos problemas concretos dos fi&eacute;is.<\/p>\n<p>As Par&oacute;quias devem promover nas suas Pequenas Comunidades Eclesiais uma vida fraterna de solidariedade. Os agentes da actividade apost&oacute;lica devem tamb&eacute;m desenvolver o minist&eacute;rio da escuta espiritual e do apoio para ajudarem os fi&eacute;is a viverem cada dia mantendo a sua f&eacute;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o S&iacute;nodo recomenda que a catequese conduza a uma genu&iacute;na experi&ecirc;ncia de convers&atilde;o e inclua uma forma&ccedil;&atilde;o para a perseveran&ccedil;a na f&eacute; em tempos de tenta&ccedil;&atilde;o (cf. Rom 5, 3-5), do mesmo modo que a inicia&ccedil;&atilde;o tradicional prepara os jovens a enfrentarem toda e qualquer situa&ccedil;&atilde;o. Os fi&eacute;s devem receber forma&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica e doutrinal profundas. Os grupos de ora&ccedil;&atilde;o, os movimentos eclesiais e as novas comunidades devem tamb&eacute;m tornar esta preocupa&ccedil;&atilde;o parte dos seus programas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 37<\/strong><\/p>\n<p><em>Leigos<\/em><\/p>\n<p>Os crist&atilde;os leigos partilham da tripla miss&atilde;o de Cristo, sacerdote, profeta e rei, porque s&atilde;o membros do Povo de Deus. Por isso, s&atilde;o chamados a viver a sua voca&ccedil;&atilde;o e a sua miss&atilde;o em todos os n&iacute;veis da sociedade, especialmente nas esferas sociopol&iacute;tica, socioecon&oacute;mica e sociocultural. Deste modo, tornam-se o &ldquo;sal da terra&rdquo; e a &ldquo;luz do mundo&rdquo;, servindo a reconcilia&ccedil;&atilde;o, a justi&ccedil;a e a paz nestas esferas da sociedade.<\/p>\n<p>Consequentemente, a Igreja deve-se proporcionar-lhes uma catequese inicial e permanente para a convers&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o, ajudada por uma forma&ccedil;&atilde;o espiritual, b&iacute;blica, doutrinal e moral adequadas.<\/p>\n<p>Neste sentido, talvez um dos instrumentos providenciais para o crescimento nesta experi&ecirc;ncia de convers&atilde;o e de f&eacute; s&atilde;o os novos movimentos eclesiais. Estes movimentos e comunidades de f&eacute; e de comunh&atilde;o existem na Igreja como verdadeiros laborat&oacute;rios de f&eacute;, lugares de forma&ccedil;&atilde;o e de fortalecimento pelo Esp&iacute;rito em ordem a uma vida de testemunho e de miss&atilde;o. Assim equipados como disc&iacute;pulos do Senhor, eles agem no mundo como fermento.<\/p>\n<p>Para com os que est&atilde;o envolvidos em cargos de direc&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e cultural, a Igreja deve ter um cuidado especial preparando um programa de forma&ccedil;&atilde;o baseado na Palavra de Deus na Doutrina Social da Igreja (cf. Comp&ecirc;ndio). Tal programa dever&aacute; incluir forma&ccedil;&atilde;o em lideran&ccedil;a, que transforme a vida pela ac&ccedil;&atilde;o (forma&ccedil;&atilde;o em lideran&ccedil;a para a ac&ccedil;&atilde;o transformadora).<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a Igreja dever&aacute; encorajar a forma&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es de leigos e de sistemas de acompanhamento em diferentes &aacute;reas profissionais (m&eacute;dica, jur&iacute;dica, parlamentar, acad&eacute;mica, etc.) para assisti-los nas suas diferentes actividades apost&oacute;licas na sociedade e na Igreja. Ela dever&aacute; refor&ccedil;ar ainda mais os Conselhos de Leigos e apoi&aacute;-los em todos os n&iacute;veis proporcionando-lhes capel&atilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 38<\/strong><\/p>\n<p><em>A fam&iacute;lia<\/em><\/p>\n<p>Enquanto institui&ccedil;&atilde;o, a fam&iacute;lia &eacute; de origem divina. &Eacute; o &ldquo;santu&aacute;rio da vida&rdquo; e a c&eacute;lula da sociedade e da Igreja. &Eacute; o lugar apropriado para aprender e praticar a cultura do perd&atilde;o, da paz, da reconcilia&ccedil;&atilde;o e da harmonia.<\/p>\n<p>Por causa da sua import&acirc;ncia capital e das amea&ccedil;as que esta institui&ccedil;&atilde;o enfrenta, nomeadamente, a banaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, a desvaloriza&ccedil;&atilde;o da maternidade (procria&ccedil;&atilde;o humana), a distor&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o do casamento e da fam&iacute;lia, a ideologia do div&oacute;rcio e de um novo relativismo &eacute;tico, a vida familiar e humana devem ser protegidas e defendidas.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais convidam as Igrejas locais a adoptar as seguintes medidas:<\/p>\n<p>&#8211; tornar conhecida a Carta da Santa S&eacute; &agrave;s Fam&iacute;lias;<\/p>\n<p>&#8211; proporcionar uma adequada catequese sobre a vis&atilde;o crist&atilde; da fam&iacute;lia;<\/p>\n<p>&#8211; proporcionar programas concretos de pastoral integral, que promovam a vida de ora&ccedil;&atilde;o e a escuta da Palavra de Deus (&ldquo;lectio divina&rdquo;) nas fam&iacute;lias;<\/p>\n<p>&#8211; educar os casais para crescerem no amor conjugal e numa paternidade respons&aacute;vel;<\/p>\n<p>&#8211; oferecer apoio pastoral aos pais para as suas responsabilidades de primeiros educadores;<\/p>\n<p>&#8211; proporcionar acompanhamento espiritual aos casais (por exemplo, as Equipas de Nossa Senhora, a Fraternidade de Can&aacute;, etc.);<\/p>\n<p>&#8211; considerar o servi&ccedil;o dos casais crist&atilde;os como um minist&eacute;rio e fazer desto o fundamento da fam&iacute;lia<\/p>\n<p>&#8211; considerar o servi&ccedil;o dos casais crist&atilde;os como um minist&eacute;rio de ora&ccedil;&atilde;o, evangeliza&ccedil;&atilde;o, caridade, vida;<\/p>\n<p>&#8211; celebra&ccedil;&atilde;o de jubileus (bodas de prata e de ouro) do matrim&oacute;nio, com outorga de certificados de honra;<\/p>\n<p>&#8211; apoiar os casais jovens com casais exemplares bem identificados;<\/p>\n<p>&#8211; proporcionar aconselhamento pastoral (counselling) matrimonial e criar institutos para a fam&iacute;lia;<\/p>\n<p>&#8211; proporcionar educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio e os valores familiares atrav&eacute;s dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social (r&aacute;dio, televis&atilde;o, etc.); e<\/p>\n<p>&#8211; criar e apoiar associa&ccedil;&otilde;es diocesanas e nacionais de fam&iacute;lias a n&iacute;vel continental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 39<\/strong><\/p>\n<p><em>Sacerdotes<\/em><\/p>\n<p>Cada presb&iacute;tero pela ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal &eacute; configurado com Cristo, a Cabe&ccedil;a e o Bom Pastor, &eacute; chamado a ser uma imagem viva e aut&ecirc;ntica de Cristo, que veio para servir, n&atilde;o para ser servido (Mc 10, 45).<\/p>\n<p>Consequentemente, os sacerdotes devem cultivar uma profunda vida espiritual que incluiu fidelidade &agrave; ora&ccedil;&atilde;o, a escuta da Palavra de Deus, celebrando a Eucaristia, na fidelidade &agrave; ora&ccedil;&atilde;o, especialmente da Liturgia das Horas. Devem comprometer-se firmemente com uma vida comunit&aacute;ria evang&eacute;lica e fraterna, protegida das press&otilde;es familiares, numa vida modesta de disciplina e de nega&ccedil;&atilde;o de si mesmos (&ldquo;Apost&oacute;lica vivendi forma&rdquo;), com especial amor pelos pobres. Devem ser exemplos de uma administra&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel, de fiabilidade e transpar&ecirc;ncia. Devem imitar a coragem dos profetas perante as enfermidades sociais. Assim ser&atilde;o &ldquo;sal da terra&rdquo; e &ldquo;luz do mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>A voca&ccedil;&atilde;o presbiteral tamb&eacute;m inclui um compromisso com as virtudes evang&eacute;licas da pobreza, castidade e obedi&ecirc;ncia. Elas s&atilde;o a sua grande profiss&atilde;o de amor a Cristo, &agrave; Igreja e ao pr&oacute;ximo. Desta forma, os Padres sinodais urgem com todos os sacerdotes de Rito Latino a viver generosamente o seu celibato com amor.<\/p>\n<p>De acordo com a exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica Pastores dabo vobis, &ldquo;o celibato &eacute; para ser acolhido&#8230; como um dom inestim&aacute;vel de Deus, como um est&iacute;mulo &agrave; caridade pastoral, como singular participa&ccedil;&atilde;o na paternidade de Deus e na fecundidade da Igreja, e como testemunho do Reino perante o mundo&rdquo;(n. 29).<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, este tempo de gra&ccedil;a que &eacute; o &ldquo;Ano sacerdotal&rdquo; convida todos os sacerdotes a imitar o zelo de S. Jo&atilde;o Maria Vianney pelo minist&eacute;rio do sacramento da penit&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Tendo isto perante os olhos e por causa dos minist&eacute;rios que os sacerdotes exercem em Cristo e em favor dos fi&eacute;is crist&atilde;os, por vezes em condi&ccedil;&otilde;es muito dif&iacute;ceis, os Padres sinodais n&atilde;o deixam de dar gra&ccedil;as a Deus por ele e de os trazer presentes a Deus na ora&ccedil;&atilde;o invocando o seu aux&iacute;lio. Mas os Padres sinodais tamb&eacute;m querem assegurar aos seus sacerdotes uma s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o permanente nas &aacute;reas apropriadas da sua vida e minist&eacute;rio. A fim de sustentar a sua vida e crescimento espiritual, recomendam-lhes:<\/p>\n<p>&#8211; retiros anuais e dias mensais de recolec&ccedil;&atilde;o espiritual;<\/p>\n<p>-vida de ora&ccedil;&atilde;o regular e leitura da Sagrada Escritura;<\/p>\n<p>&#8211; forma&ccedil;&atilde;o permanente, especialmente dos mais jovens, que precisam de ser acompanhados com amor, uma forma&ccedil;&atilde;o que deve incluir a Doutrina Social da Igreja; e<\/p>\n<p>&#8211; plena seguran&ccedil;a e meios que assegurem uma vida honesta aos padres doentes e os idosos.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, para os padres que trabalham fora das suas dioceses, o S&iacute;nodo especifica que se deve estabelecer um acordo (ou contrato) entre a diocese de origem e a diocese que o acolhe, definindo claramente as condi&ccedil;&otilde;es de vida e de trabalho e a dura&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o. Al&eacute;m disso, padres devem ser considerados pastores plenos, com toda a justi&ccedil;a e caridade crist&atilde;s, e como membros de pleno direito no presbiterado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 40<\/strong><\/p>\n<p><em>Seminaristas<\/em><\/p>\n<p>Para a forma&ccedil;&atilde;o dos seminaristas que se preparam para o sacerd&oacute;cio cat&oacute;lico &eacute; necess&aacute;rio que se adopte uma vis&atilde;o hol&iacute;stica. Enquanto a import&acirc;ncia de uma s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o intelectual, moral, espiritual e pastoral deve ser reconhecida, o crescimento humano e psicol&oacute;gico de cada candidato deve ser inclu&iacute;do como uma base para o desenvolvimento de uma aut&ecirc;ntica vida sacerdotal. Os formadores devem assegurar a renova&ccedil;&atilde;o espiritual dos seminaristas, que n&atilde;o se devem conformar com as limita&ccedil;&otilde;es &eacute;tnicas e culturais (cf. Rom 12), mas, ao contr&aacute;rio, tornar-se aqueles &ldquo;novas criaturas em Cristo&rdquo; (2 Cor 5, 17).<\/p>\n<p>Desta maneira, os nossos futuros sacerdotes poder&atilde;o fundamentar-se mehlor no entendimento dos seus valores culturais e das virtudes evang&eacute;licas e refor&ccedil;ar-se no compromisso e lealdade para com a pessoa de Cristo e para com a miss&atilde;o da Igreja de reconcilia&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a e paz.<\/p>\n<p>O pessoal acad&eacute;mico do semin&aacute;rio e a equipa especial de forma&ccedil;&atilde;o devem trabalhar juntos para que seja facilitada esta forma&ccedil;&atilde;o integral. Os seminaristas devem ser preparados para a vida comunit&aacute;ria de modo que a vida fraterna entre eles garanta que no futuro venham a fazer uma verdadeira experi&ecirc;ncia do sacerd&oacute;cio como como &ldquo;fraternidade sacerdotal unida&rdquo;.<\/p>\n<p>Na selec&ccedil;&atilde;o e na forma&ccedil;&atilde;o dos candidatos, os bispos e a equipa de formadores devem discernir cuidadosamente sobre as motiva&ccedil;&otilde;es e atitudes dos seminaristas de modo a assegurar que aqueles que forem eventualmente ordenados sacerdotes venham a ser verdadeiros disc&iacute;pulos de Cristo e servos da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 41<em><\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Diaconado permanente<\/em><\/p>\n<p>Este S&iacute;nodo identificou o servi&ccedil;o &agrave; reconcilia&ccedil;&atilde;o, &agrave; justi&ccedil;a e paz como senda a faceta mais urgente e a forma de miss&atilde;o apost&oacute;lica da Igreja-Fam&iacute;lia de Deus em &Aacute;frica e nas suas Ilhas. Ao faz&ecirc;-lo este S&iacute;nodo tamb&eacute;m apontou diversos agentes desta miss&atilde;o apost&oacute;lica da Igreja, incluindo diversos componentes do laicado, mas incluindo tamb&eacute;m ministros ordenados, entre os quais se contam os di&aacute;conos permanente que &ldquo;servem a reconcilia&ccedil;&atilde;o, a justi&ccedil;a e a paz&rdquo; como ministros dedicados de Deus, do seu amor misericordioso e da sua Palavra. &ldquo;Robustecidos pela gra&ccedil;a sacramental&#8230; eles servem o povo de Deus no diaconado da liturgia, da palavra e da caridade&rdquo; (&ldquo;Lumen gentium&rdquo;, 29).<\/p>\n<p>Por isso, este S&iacute;nodo recomenda que estes servidores de Deus tenham uma forma&ccedil;&atilde;o adequada nas ci&ecirc;ncias sagradas e na doutrina social da Igreja. Uma vez que a finalidade de quaisquer exerc&iacute;cios espirituais &eacute; descobrir uma melhor forma de servir, os Padres sinodais, apelam aos di&aacute;conos que todos os dias procurem contemplar a face do Senhor, para que assim tamb&eacute;m possam encontrar um modo cada vez mais cred&iacute;vel de servir a reconcilia&ccedil;&atilde;o, a justi&ccedil;a e a paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 42<em><\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Vida consagrada<\/em><\/p>\n<p>A Igreja reconhece o valor inestim&aacute;vel da vida consagrada, uma forma peculiar de discipulado de Cristo que desempenha um papel fundamental na vida e na miss&atilde;o da Igreja ao servi&ccedil;o do Reino de Deus.<\/p>\n<p>A Igreja d&aacute; particular valor ao testemunho das pessoas consagradas na vida de ora&ccedil;&atilde;o e na vida comunit&aacute;ria, na educa&ccedil;&atilde;o, na sa&uacute;de, na promo&ccedil;&atilde;o humana e no servi&ccedil;o pastoral.<\/p>\n<p>A miss&atilde;o prof&eacute;tica das pessoas consagradas deve ser sublinhada no processo de reconcilia&ccedil;&atilde;o, de justi&ccedil;a e de paz. De facto, os consagrados est&atilde;o frequentemente muito pr&oacute;ximos das v&iacute;timas da opress&atilde;o, da repress&atilde;o, da discrimina&ccedil;&atilde;o, da viol&ecirc;ncia e de sofrimentos de todo o g&eacute;nero. Colaborando estreitamente com o clero no minist&eacute;rio pastoral, a dignidade da mulher consagrada, a sua identidade religiosa e os seus carismas devem ser protegidos e promovidos. Os Bispos devem assistir as congrega&ccedil;&otilde;es religiosas mais jovens a alcan&ccedil;ar uma auto-sufici&ecirc;ncia econ&oacute;mica.<\/p>\n<p>A Igreja espera muito do testemunho das comunidades religiosas, caracterizadas por uma diversidade racial, regional e &eacute;tnica. Pela sua vida em comum, elas proclamam que Deus n&atilde;o faz distin&ccedil;&atilde;o entre as pessoas e que todos n&oacute;s somos seus filhos, membros da mesma fam&iacute;lia, vivendo em harmonia na diversidade e na paz.<\/p>\n<p>Para apoiar e encorajar as pessoas consagradas, os Padres sinodais recomendam que:<\/p>\n<p>&#8211; se fa&ccedil;a um discernimento criterioso dos candidatos (irm&atilde;os, irm&atilde;s e sacerdotes) ao longo de todo o curso da sua forma&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211; recebam uma s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o humana, espiritual, intelectual (b&iacute;blica, teol&oacute;gica, moral) e profissional;<\/p>\n<p>&#8211; permane&ccedil;am fi&eacute;is &agrave; sua voca&ccedil;&atilde;o e carisma; e<\/p>\n<p>&#8211; a sua forma&ccedil;&atilde;o inicial (postulantado e noviciado) seja normalmente feita na &Aacute;frica.<\/p>\n<p>O S&iacute;nodo sa&uacute;da a cria&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia de Superiores Maiores da &Aacute;frica e Madag&aacute;scar (COMSAM), que &eacute; uma estrutura de apoio para a vida consagrada em &Aacute;frica e um foro para o di&aacute;logo com os Bispos do continente (SECAM).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 43<\/strong><\/p>\n<p><em>Catequese<\/em><\/p>\n<p>O ensino do catecismo tem sido o meio mais habitual para introduzir as pessoas na f&eacute; e para as iniciar na Igreja atrav&eacute;s do baptismo, da Eucaristia e da Confirma&ccedil;&atilde;o. &Eacute; tamb&eacute;m o meio de preparar as pessoas para receber os outros sacramentos. Desta forma &eacute; necess&aacute;rio manter um nexo vital entre o catecismo memorizado e a catequese vivida, de tal modo que aquele possa levar a uma convers&atilde;o de vida profunda e permanente. Por isso, os Padres sinodais exigem que uma aten&ccedil;&atilde;o especial seja prestada &agrave; inicia&ccedil;&atilde;o para o Sacramento da Reconcilia&ccedil;&atilde;o. Trata-se pois de formar para uma vida crist&atilde; adulta que possa fazer frente aos desafios da vida social, pol&iacute;tica, econ&oacute;mica, pol&iacute;tica e cultural.<\/p>\n<p>Deve ser feito um uso adequado do Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica na catequese.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Propositio 44<\/strong><\/p>\n<p><em>Catequistas<\/em><\/p>\n<p>Os catequistas permanentes ou n&atilde;o s&atilde;o os arautos vitais do Evangelho junto das nossas pequenas comunidades crist&atilde;s, onde desempenham o papel de animadores da ora&ccedil;&atilde;o, de conselheiros e de mediadores. T&ecirc;m necessidade de apoio e encorajamento no seu zelo pela miss&atilde;o, sobretudo para a miss&atilde;o de reconcilia&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a e paz, de uma s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m do necess&aacute;rio apoio material que lhes permita assumir efectivamente o seu papel de guias espirituais no seio destas comunidades.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, aos catequistas volunt&aacute;rios deve ser dada uma adequada forma&ccedil;&atilde;o, apoio no seu minist&eacute;rio e materiais de ensino apropriados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>B) In Christo roborati<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Propositio 45<\/strong><\/p>\n<p><em>Eucaristia fonte de Comunh&atilde;o e Reconcilia&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>No in&iacute;cio do terceiro mil&eacute;nio de Cristianismo, o nosso maior desafio n&atilde;o consiste em repisar nas diferen&ccedil;as de origem ou de cultura, mas em construir uma unidade que respeite a diversidade. Homens e mulheres de origem, car&aacute;cter, cultura e religi&otilde;es de origem diferentes podem construir uma intensa e profunda comunh&atilde;o, uma uni&atilde;o ao ponto de chegarem a dar a sua pr&oacute;pria vida uns pelos outros e uns com os outros, pela mesma pessoa, isto &eacute;, o Deus-feito-homem, Jesus Cristo, que viveu entre n&oacute;s, derramou o seu Sangue por n&oacute;s na express&atilde;o mais sublime de solidariedade e que se d&aacute; a si mesmo como alimento na nossa vida quotidiana. O Sangue de Cristo, derramado por n&oacute;s, &eacute; o la&ccedil;o e o fundamento de uma comunidade nova que se op&otilde;e a todos as sugest&otilde;es de tribalismo, racismo, etnocentrismo, nepotismo, fetichismo, etc.<\/p>\n<p>O S&iacute;nodo desaprova vivamente certos desvios na pr&aacute;tica sacramental que v&atilde;o contra os sacramentos do Baptismo e da Eucaristia.<\/p>\n<p>Insistimos que a Eucaristia permanece a fonte e o &aacute;pice da reconcilia&ccedil;&atilde;o e de toda a vida crist&atilde; e que a santidade &eacute; o meio mais eficaz para construir uma sociedade de reconcilia&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a e paz. Participe-se com aten&ccedil;&atilde;o na celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia e organizem-se tempos e lugares para a adora&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica (individual e comunal) em todas as dioceses e par&oacute;quias. Cuide-se para que as Igrejas e as capelas sejam reservadas normalmente para a celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, evitando no m&aacute;ximo poss&iacute;vel que se tornem meros espa&ccedil;os sociais. Os Padres sinodais pedem que, em di&aacute;logo sincero com os bispos locais, as organiza&ccedil;&otilde;es de ajuda apoiem as dioceses na constru&ccedil;&atilde;o de lugares de culto, reconhecendo que estes s&atilde;o essenciais para a visibilidade da Igreja e uma garantia do sentido do sagrado e do desenvolvimento humano aut&ecirc;ntico e integral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 46<em><\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>O poder da Palavra de Deus<\/em><\/p>\n<p>&ldquo;A ignor&acirc;ncia das Escrituras &eacute; ignor&acirc;ncia de Cristo&rdquo; (S. Jer&oacute;nimo). O S&iacute;nodo sobre os Bispos, no esp&iacute;rito do Evangelho&hellip; lembrou os Bispos, os padres e os di&aacute;conos acerca do seu minist&eacute;rio essencial como pregadores do Evangelho para a Igreja &ndash; Fam&iacute;lia de Deus e para o mundo. Ler a Palavra de Deus e medit&aacute;-la enra&iacute;za-nos mais profundamente em Cristo e guia o nosso minist&eacute;rio como servos da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz.<\/p>\n<p>Por isso, este S&iacute;nodo recomenda que o Apostolado B&iacute;blico seja promovido em cada comunidade crist&atilde;, fam&iacute;lia e movimento eclesial. O S&iacute;nodo recomenda tamb&eacute;m que todos os fi&eacute;is crist&atilde;os adoptem a pr&aacute;tica da leitura di&aacute;ria da B&iacute;blia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C) Ecclesia agens<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 47<em><\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>A mulher em &Aacute;frica<\/em><\/p>\n<p>As mulheres em &Aacute;frica, com os seus m&uacute;ltiplos talentos e recursos, prestam um enorme contributo &agrave; fam&iacute;lia, &agrave; sociedade e &agrave; Igreja. No entanto, n&atilde;o s&oacute; a sua dignidade e contributo n&atilde;o foram ainda completamente reconhecidos e apreciados, mas tamb&eacute;m s&atilde;o frequentemente privadas dos seus direitos. Apesar do grande progresso feito na educa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da mulher, em alguns pa&iacute;ses de &Aacute;frica o desenvolvimento das raparigas e das mulheres &eacute; geralmente desproporcionado em rela&ccedil;&atilde;o ao dos rapazes e dos homens; as raparigas e as mulheres s&atilde;o geralmente tratadas injustamente.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais condenam todos os actos de viol&ecirc;ncia contra as mulheres, por exemplo, o maltratamento da esposa, a nega&ccedil;&atilde;o &agrave;s filhas do direito &agrave; heran&ccedil;a, a opress&atilde;o das vi&uacute;vas em nome de tradi&ccedil;&atilde;o, os casamentos for&ccedil;ados, a excis&atilde;o, o tr&aacute;fico de mulheres e tantos outros abusos, tais como a escravid&atilde;o sexual e o turismo sexual. Todos os outros actos desumanos e injustos contra a mulher s&atilde;o igualmente condenados.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais prop&otilde;em:<\/p>\n<p>&#8211; a forma&ccedil;&atilde;o humana integral das meninas e das mulheres (intelectual, profissional, moral, espiritual, teol&oacute;gica, etc.);<\/p>\n<p>&#8211; a cria&ccedil;&atilde;o de &ldquo;casas de abrigo&rdquo; para as meninas abusadas e mulheres que buscam um ref&uacute;gio e desejam ser aconselhadas pastoralmente (&ldquo;counselling&rdquo;);<\/p>\n<p>&#8211; uma estreita colabora&ccedil;&atilde;o entre as Confer&ecirc;ncias episcopais em ordem a parar com o tr&aacute;fico das mulheres;<\/p>\n<p>&#8211; a constitui&ccedil;&atilde;o de comiss&otilde;es a n&iacute;vel diocesano e nacional para tratar dos assuntos das mulheres e para as ajudar a levar melhor a cabo a sua miss&atilde;o e na Igreja;<\/p>\n<p>&#8211; a constitui&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o de estudo sobre as mulheres na Igreja no interior do Conselho Pontif&iacute;cio para a Fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 48<\/strong><\/p>\n<p><em>Os jovens<\/em><\/p>\n<p>Os jovens constituem a maioria da popula&ccedil;&atilde;o de &Aacute;frica hoje. Eles s&atilde;o um dom e um tesouro da parte de Deus de que a &Aacute;frica est&aacute; muito agradecida. Merecem ser amados, apreciados e respeitados. Al&eacute;m disso, os jovens s&atilde;o a for&ccedil;a e a esperan&ccedil;a da Sociedade e da Igreja. Em muitos pa&iacute;ses africanos os jovens enfrentam muitos problemas e muitos desafios que os tornam particularmente vulner&aacute;veis, devido &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o pessoal inadequadas, ao desemprego, &agrave; explora&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, ao abuso das drogas, etc. Isto torna os jovens frustrados e rejeitados.<\/p>\n<p>Os Padres Sinodais est&atilde;o profundamente preocupados com o presente e o futuro dos jovens recomendaram:<\/p>\n<p>&#8211; que sejam providenciados recursos e centros de forma&ccedil;&atilde;o profissional e humana para os jovens por parte das igrejas locais em colabora&ccedil;&atilde;o com outras institui&ccedil;&otilde;es;<\/p>\n<p>&#8211; que seja providenciados aconselhamento vocacional (de carreira) e forma&ccedil;&atilde;o para a cria&ccedil;&atilde;o de empresas, bem como criados empregos para os jovens;<\/p>\n<p>&#8211; forma&ccedil;&atilde;o catequ&eacute;tica e b&iacute;blica permanente dos jovens para que se tornem agentes de reconcilia&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a e paz entre eles e se tornem cr&iacute;ticos em rela&ccedil;&atilde;o aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social;<\/p>\n<p>&#8211; estudo dos problemas e desafios dos jovens atrav&eacute;s dos movimentos juvenis das par&oacute;quias diocesanas;<\/p>\n<p>&#8211; organiza&ccedil;&atilde;o de celebra&ccedil;&otilde;es juvenis diocesanas, nacionais, regionais e continentais;<\/p>\n<p>&#8211; que sejam estabelecidos centros de reabilita&ccedil;&atilde;o para jovens traumatizados (crian&ccedil;as-soldados, abusados, dependentes da droga, etc.), e<\/p>\n<p>&#8211; os sistemas nacionais de educa&ccedil;&atilde;o devem estar mais abertos a pessoas menos dotadas, a fim de providenciar oportunidades para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 49<\/strong><\/p>\n<p><em>As crian&ccedil;as<\/em><\/p>\n<p>As crian&ccedil;as, que s&atilde;o um dom de Deus &agrave; Humanidade, devem merecer um cuidado particular da parte da fam&iacute;lia, da Igreja, da sociedade e dos governos. As crian&ccedil;as s&atilde;o as portadoras da novidade da vida: elas s&atilde;o ap&oacute;stolos nos seus meios e a esperan&ccedil;a das suas fam&iacute;lias, bem como da sociedade e da Igreja.<\/p>\n<p>Infelizmente, as seguintes categorias de crian&ccedil;as est&atilde;o sujeitas a tratamentos intoler&aacute;veis:<\/p>\n<p>&#8211; as crian&ccedil;as &ldquo;n&atilde;o nascidas&rdquo; (&ldquo;abortos&rdquo;)<\/p>\n<p>&#8211; os &oacute;rf&atilde;os<\/p>\n<p>&#8211; os albinos<\/p>\n<p>&#8211; as crian&ccedil;as de rua<\/p>\n<p>&#8211; as crian&ccedil;as abandonadas<\/p>\n<p>&#8211; as crian&ccedil;as-soldados<\/p>\n<p>&#8211; as crian&ccedil;as presas<\/p>\n<p>&#8211; as crian&ccedil;as sujeitas ao trabalho infantil<\/p>\n<p>&#8211; as crian&ccedil;as deficientes (f&iacute;sica e mentalmente)<\/p>\n<p>&#8211; as crian&ccedil;as ditas feiticeiras<\/p>\n<p>&#8211; as crian&ccedil;as vendidas como escravos sexuais;<\/p>\n<p>&#8211; as crian&ccedil;as traumatizadas e sem qualquer orienta&ccedil;&atilde;o crist&atilde;<\/p>\n<p>nem enquadramento humano;<\/p>\n<p>&#8211; etc.<\/p>\n<p>Os Padres sinodais convidam as Igrejas locais a dedicarem, no quadro da &ldquo;Pastoral da crian&ccedil;a&rdquo;, uma aten&ccedil;&atilde;o especial a estas crian&ccedil;as em situa&ccedil;&atilde;o de grande vulnerabilidade e que nas escolas cat&oacute;licas recebam a Palavra de Deus, apoio psicol&oacute;gico, a cultura da justi&ccedil;a e da paz, e aprendam uma profiss&atilde;o de modo que possam vir a ser membros bons e saud&aacute;veis da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 50<em><\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Pessoas portadoras de defici&ecirc;ncia<\/em><\/p>\n<p>Muitas pessoas nas nossas sociedades que s&atilde;o portadoras de defici&ecirc;ncias f&iacute;sicas ou mentais e s&atilde;o, muitas vezes, marginalizadas.<\/p>\n<p>Este S&iacute;nodo, recordando o direito &agrave; vida das pessoas portadoras de alguma defici&ecirc;ncia, prop&otilde;e:<\/p>\n<p>&#8211; que sejam feitos todos os esfor&ccedil;os para a assegurar a sua plena integra&ccedil;&atilde;o na sociedade e nas nossas comunidades eclesiais, para que possam exercer os seus dons, usar o seu potencial e experimentar plenamente a presen&ccedil;a reconciliadora de Cristo na comunidade; e<\/p>\n<p>&#8211; que sejam estabelecidos programas para encorajar a sua integra&ccedil;&atilde;o na planifica&ccedil;&atilde;o pastoral das nossas dioceses e das nossas comunidades eclesiais locais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 51<\/strong><\/p>\n<p><em>VIH\/SIDA<\/em><\/p>\n<p>A SIDA &eacute; uma pandemia que, juntamente com a mal&aacute;ria e a tuberculose, est&aacute; a dizimar as popula&ccedil;&otilde;es africanas, atingindo duramente a sua vida econ&oacute;mica e social. N&atilde;o pode ser encarada como um mero problema m&eacute;dico ou farmac&ecirc;utico, nem apenas como uma mat&eacute;ria de mudan&ccedil;a do comportamento humano. Ela tem realmente a ver com o desenvolvimento integral e a justi&ccedil;a, requerendo uma abordagem e uma resposta integral (hol&iacute;stica) por parte da Igreja.<\/p>\n<p>Os que sofrem de SIDA em &Aacute;frica s&atilde;o v&iacute;timas de injusti&ccedil;as, porque frequentemente n&atilde;o recebem a mesma qualidade de tratamento do que noutras partes do planeta. A Igreja pede que os fundos destinados aos doentes de SIDA sejam realmente usados para esta finalidade e recomenda que os pacientes africanos recebam a mesma qualidade de tratamentos que se recebe na Europa.<\/p>\n<p>A Igreja condena veementemente todas as tentativas deliberadas por parte de indiv&iacute;duos ou grupos de difundir o v&iacute;rus, quer como arma de guerra, quer com o seu pr&oacute;prio estilo de vida pessoal.<\/p>\n<p>O S&iacute;nodo encoraja todas as Institui&ccedil;&otilde;es e movimentos eclesiais que trabalham neste sector sanit&aacute;rio, especialmente no da SIDA e pede &agrave;s ag&ecirc;ncias internacionais que os reconhe&ccedil;am e apoiem, respeitando a sua especificidade. A Igreja recomenda urgentemente que a actual investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de tratamentos possa ser alargada de forma a se poder erradicar esta terr&iacute;vel calamidade.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, este S&iacute;nodo prop&otilde;e:<\/p>\n<p>&#8211; que se evite tudo o que contribui para a difus&atilde;o da doen&ccedil;a, tal como a pobreza, o descalabro da vida familiar, a infidelidade conjugal, a promiscuidade e um estilo de vida desprovido de valores humanos e virtudes evang&eacute;licas;<\/p>\n<p>&#8211; uma cura pastoral que permita que os que vivem com o VIH ou a SIDA possam ter acesso a medicamentos, a alimentos e a um aconselhamento pastoral (counselling) que promova uma mudan&ccedil;a de comportamentos e uma vida sem o estigma da doen&ccedil;a;<\/p>\n<p>&#8211; uma cura pastoral que ofere&ccedil;a &agrave;s crian&ccedil;as &oacute;rf&atilde;s, &agrave;s vi&uacute;vas e vi&uacute;vos uma genu&iacute;na esperan&ccedil;a de vida sem o estigma da doen&ccedil;a e discrimina&ccedil;&atilde;o social; e<\/p>\n<p>&#8211; uma assist&ecirc;ncia pastoral que ajude os c&ocirc;njuges que vivem com um parceiro infectado a informar e formar a sua consci&ecirc;ncia, para que possam optar pelo que &eacute; recto, com plena responsabilidade pelo maior bem de cada um, da sua pr&oacute;pria uni&atilde;o e da sua fam&iacute;lia; e<\/p>\n<p>&#8211; que o SECAM elabore um manual de pastoral da HIV\/SIDA para todos aqueles que trabalham no minist&eacute;rio da SIDA (sacerdotes, consagrados, m&eacute;dicos, enfermeiras, conselheiros, catequistas, professores), aplicando a doutrina moral e social da Igreja nas diversas situa&ccedil;&otilde;es onde o Povo de Deus em &Aacute;frica est&aacute; a enfrentar diversos desafios da pandemia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 52<\/strong><\/p>\n<p><em>Mal&aacute;ria<\/em><\/p>\n<p>A mal&aacute;ria continua a ser a maior causa de morte em &Aacute;frica e ilhas adjacentes, contribuindo grandemente para o agravamento da pobreza. Por isso, apreciamos todas as iniciativas de combate a esta doen&ccedil;a. Todavia, reconhecemos que deve ser feito muito mais se quisermos atingir melhores resultados. Consequentemente, o S&iacute;nodo prop&otilde;e que:<\/p>\n<p>&#8211; a mal&aacute;ria seja tida em conta pela Igreja em todos os seus trabalhos de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de;<\/p>\n<p>&#8211; sejam tomadas iniciativas concertadas para informar as popula&ccedil;&otilde;es sobre a mal&aacute;ria e evitar a ocorr&ecirc;ncia da doen&ccedil;a;<\/p>\n<p>&#8211; os governos sejam levados a desenvolver pol&iacute;ticas e programas mais consistentes e sustentados para a erradica&ccedil;&atilde;o da mal&aacute;ria;<\/p>\n<p>&#8211; as f&aacute;bricas de medicamentos tornem-nos acess&iacute;veis de maneira a salvarem-se mais vidas; e<\/p>\n<p>&#8211; apoiem todos os esfor&ccedil;os para o desenvolvimento de vacinas contra a mal&aacute;ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 53<\/strong><\/p>\n<p><em>Drogas e &aacute;lcool<\/em><\/p>\n<p>A difus&atilde;o e o com&eacute;rcio de drogas s&atilde;o um desperd&iacute;cio do capital humano da &Aacute;frica. Do mesmo modo, o abuso do &aacute;lcool leva a muitos e s&eacute;rios problemas, destrui&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias, deteriora&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, desperd&iacute;cio de recursos de si j&aacute; escassos, conflitos e acelera&ccedil;&atilde;o da propaga&ccedil;&atilde;o do VIH\/SIDA.<\/p>\n<p>A Igreja v&ecirc; isto como uma amea&ccedil;a &agrave;s pessoas, sobretudos aos jovens, e uma causa de crises nas institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o, nas fam&iacute;lias, bem como da moral p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Por isso:- a Igreja deve empenhar-se na luta contra a produ&ccedil;&atilde;o, o com&eacute;rcio, o tr&aacute;fico e o consumo de drogas em &Aacute;frica;<\/p>\n<p>&#8211; a Igreja deve encorajar as institui&ccedil;&otilde;es governamentais e privadas na sua luta contra o abuso da droga nos nossos pa&iacute;ses;<\/p>\n<p>&#8211; na forma&ccedil;&atilde;o dos jovens, a Igreja deve orientar para o uso moderado e consciente do &aacute;lcool, sen&atilde;o mesmo da sua absten&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211; os agentes de pastoral devem proporcionar cuidados aos alco&oacute;latras, aos consumidores de drogas e &agrave;s suas fam&iacute;lias promovendo programas de recupera&ccedil;&atilde;o e reconcilia&ccedil;&atilde;o com as suas fam&iacute;lias;<\/p>\n<p>&#8211; os presb&iacute;teros e os religiosos e religiosas devem estar atentos mostrando exemplos de uso moderado do &aacute;lcool;<\/p>\n<p>&#8211; formar sacerdotes, religiosos e leigos para o aconselhamento; e<\/p>\n<p>&#8211; oferecer cuidados pastorais a consumidores de droga e assist&ecirc;ncia para os libertar da &ldquo;toxicodepend&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 54<em><\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Cuidado para com os presos<\/em><\/p>\n<p>Os Padre Sinodais expressam uma profunda preocupa&ccedil;&atilde;o com o aumento dos crimes e com os efeitos das ac&ccedil;&otilde;es criminais nas sociedades africanas, que afectam cidad&atilde;os inocentes e suas fam&iacute;lias. Louvamos as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a e os &oacute;rg&atilde;os encarregues da aplica&ccedil;&atilde;o da lei que procuram proteger os cidad&atilde;os e garantir a sua seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m expressamos o nosso grande respeito aos sistemas judiciais que procuram manter a lei e a ordem. Consideramos infelizes os v&aacute;rios exemplos de m&aacute; aplica&ccedil;&atilde;o da lei e da justi&ccedil;a, que levam ao aumento da viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos de v&iacute;timas que venham a ser encarceradas.<\/p>\n<p>A Igreja em &Aacute;frica como Fam&iacute;lia de Deus reconhece a sua miss&atilde;o prof&eacute;tica para com todos afectados por crimes e para com as suas necessidades de reconcilia&ccedil;&atilde;o, de justi&ccedil;a e de paz. Todavia, ela denuncia tamb&eacute;m todos os exemplos de m&aacute; aplica&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a e de maltratamento de prisioneiros.<\/p>\n<p>Por isso, recomendamos:<\/p>\n<p>&#8211; os governos e as partes envolvidas procedam a uma revis&atilde;o do direito penal, incrementem a preven&ccedil;&atilde;o do crime e apliquem as normas internacionais para o tratamento dos prisioneiros, inclusive um tratamento mais humano a n&iacute;vel da comida, dos alojamentos, da roupa e do cuidado sanit&aacute;rio, reconhecendo os direitos dos prisioneiros e garantindo-lhe condi&ccedil;&otilde;es decentes de deten&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211; que as leis sejam judiciosamente aplicadas e os direitos humanos respeitados ao m&aacute;ximo;<\/p>\n<p>&#8211; que o cuidado pastoral das pris&otilde;es seja organizado e apoiado pelas Comiss&otilde;es de Justi&ccedil;a e Paz, com um escrit&oacute;rio a n&iacute;vel regional, nacional, diocesano e paroquial, em que as Pequenas Comunidades Crist&atilde;s tomem parte;<\/p>\n<p>&#8211; que um enquadramento hol&iacute;stico seja adoptado do cuidado pastoral dos presos por pessoas bem formadas que trabalhem em equipa;<\/p>\n<p>&#8211; que os que trabalham na pastoral das pris&otilde;es se comprometam a estudar e a praticar a justi&ccedil;a restaurativa como um meio e um processo para o aprofundamento da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz e para a reintegra&ccedil;&atilde;o de ofensores, v&iacute;timas e ex-ofensores no seio das comunidades, e<\/p>\n<p>&#8211; que sejam estabelecidos &ldquo;centros de reabilita&ccedil;&atilde;o&rdquo; para ajudar os presos a reentrar na sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 55<em><\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte<\/em><\/p>\n<p>&laquo;A Igreja v&ecirc; como sinal de esperan&ccedil;a a avers&atilde;o cada vez mais difusa na opini&atilde;o p&uacute;blica &agrave; pena de morte &ndash; mesmo vista s&oacute; como instrumento de &ldquo;leg&iacute;tima defesa&rdquo; social &ndash;, tendo em considera&ccedil;&atilde;o as possibilidades que uma sociedade moderna disp&otilde;e para reprimir eficazmente o crime, de forma que, enquanto torna inofensivo aquele que o cometeu, n&atilde;o lhe tira definitivamente a possibilidade de se redimir&raquo; (&ldquo;Comp&ecirc;ndio de Doutrina Social da Igreja Cat&oacute;lica&rdquo;, 405).<\/p>\n<p>A dignidade da pessoa requer que os seus direitos fundamentais sejam respeitados at&eacute; mesmo quando ela n&atilde;o respeita os direitos dos outros. A pena de morte frustra tal objectivo. &Agrave;s vezes, a pena de morte &eacute; usada para eliminar os pol&iacute;ticos da oposi&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, quase sempre quem a sofre s&atilde;o os pobres que n&atilde;o se podem defender.Este S&iacute;nodo apela a uma plena e universal aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 56<\/strong><\/p>\n<p><em>Meios de comunica&ccedil;&atilde;o social<\/em><\/p>\n<p>Por sua pr&oacute;pria natureza, a pessoa humana &eacute; sempre (e foi criado para ser) um &ldquo;ser-em-comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, com voca&ccedil;&atilde;o para comunh&atilde;o. Assim, a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; uma prioridade em ordem ao desenvolvimento da pessoa humana e da evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, num mundo globalizado, o uso cada vez mais perfeito e a maior disponibilidade dos diversos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social (visual, &aacute;udio, Internet e impressos) &eacute; indispens&aacute;vel para a promo&ccedil;&atilde;o da paz, da justi&ccedil;a e da reconcilia&ccedil;&atilde;o em &Aacute;frica. Por isso este S&iacute;nodo apela a:<\/p>\n<p>&#8211; uma maior presen&ccedil;a da Igreja nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social;<\/p>\n<p>&#8211; a liga&ccedil;&atilde;o em rede das produtoras de audio-visuais, editoras e institui&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o social (Media centers);<\/p>\n<p>&#8211; a forma&ccedil;&atilde;o profissional e &eacute;tica de jornalistas que promovam uma cultura de di&aacute;logo que evite a divis&atilde;o, o sensacionalismo, a desinforma&ccedil;&atilde;o e a banaliza&ccedil;&atilde;o ofensiva do sofrimento humano, que podem prejudicar a harmonia e a paz da sociedade e das comunidades.<\/p>\n<p>&#8211; o uso dos actuais meios de comunica&ccedil;&atilde;o social para uma maior difus&atilde;o do Evangelho e dos frutos do presente S&iacute;nodo, para a educa&ccedil;&atilde;o dos povos africanos na verdade, na reconcilia&ccedil;&atilde;o, na promo&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a e da paz.<\/p>\n<p>&#8211; o desenvolvimento de uma rede satelitar, sob a coordena&ccedil;&atilde;o do CEPACS (o &oacute;rg&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o social do SECAM) para servir a Igreja, Fam&iacute;lia de Deus em &Aacute;frica; e<\/p>\n<p>&#8211; a constitui&ccedil;&atilde;o de Comiss&otilde;es diocesanas, nacionais ou regionais de comunica&ccedil;&atilde;o com pessoal competente para ajudar a exercitar o minist&eacute;rio prof&eacute;tico da Igreja na sociedade.<\/p>\n<p>Em resumo, n&oacute;s dever&iacute;amos assegurar meios de comunica&ccedil;&atilde;o social educativos e formativos que possam transmitir valores culturais moralmente s&atilde;os e os valores evang&eacute;licos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Propositio 57<\/strong><\/p>\n<p><em>Maria, Nossa Senhora de &Aacute;frica<\/em><\/p>\n<p>O S&iacute;nodo confia todos os aspectos do seu trabalho &agrave; sol&iacute;cita intercess&atilde;o da Bem-aventurada Virgem Maria, Nossa Senhora de &Aacute;frica e Rainha da Paz.<\/p>\n<p>Maria &eacute; o nosso modelo no minist&eacute;rio da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz. Pela sua obedi&ecirc;ncia ao Pai e docilidade ao Esp&iacute;rito Santo, ela cooperou na miss&atilde;o do seu Filho at&eacute; &agrave; sua morte na cruz, pela qual toda a humanidade foi definitivamente reconciliada com Deus. Como m&atilde;e compassiva, Maria &eacute;, pela sua miseric&oacute;rdia e amor, um modelo do minist&eacute;rio de reconcilia&ccedil;&atilde;o da Igreja-Fam&iacute;lia de Deus. No c&eacute;u Maria continua a interceder pela Igreja para que leve a cabo a sua permanente miss&atilde;o de transforma&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica e das suas Ilhas.<\/p>\n<p>O S&iacute;nodo urge por isso com os Bispos e todos os agentes pastorais da Igreja em &Aacute;frica e nas suas Ilhas a que confiem o seu minist&eacute;rio &agrave; piedosa intercess&atilde;o da Bem-aventurada Virgem Maria, para que ela lhes alcance a gra&ccedil;a de serem testemunhas cred&iacute;veis do Senhor ressuscitado e para que, pelo seu servi&ccedil;o de reconcilia&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a e paz, possam ser &ldquo;sal da terra&rdquo; e &ldquo;luz do mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>(Vers&atilde;o provis&oacute;ria e n&atilde;o oficial em l&iacute;ngua portuguesa divulgada pelo Vaticano)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INTRODUCTIO Propositio 1 Documentos a apresentar ao Sumo Pont&iacute;fice Os Padres sinodais apresentam &agrave; considera&ccedil;&atilde;o do Sumo Pont&iacute;fice a documenta&ccedil;&atilde;o sobre &laquo;A Igreja em &Aacute;frica ao servi&ccedil;o da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz. &ldquo;V&oacute;s sois o sal da terra&hellip; v&oacute;s sois a luz do mundo&rdquo; (Mt 5,13.14)&raquo;, relativa a este S&iacute;nodo. Tal documenta&ccedil;&atilde;o inclui [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,100,114,120,295,127,168,187,189,191,199,203,246,256,91,291,294,311,314,320,326],"class_list":["post-41546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-advento","tag-ano-sacerdotal","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-liturgia","tag-meio-ambiente","tag-quaresma","tag-refugiados","tag-sacramentos","tag-sinodo-dos-bispos","tag-solidariedade","tag-turismo","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41546"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41546\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}