{"id":41543,"date":"2009-10-25T21:55:37","date_gmt":"2009-10-25T21:55:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/25\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-solenidade-da-dedicacao-da-se-de-lisboa\/"},"modified":"2009-10-25T21:55:37","modified_gmt":"2009-10-25T21:55:37","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-na-solenidade-da-dedicacao-da-se-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-solenidade-da-dedicacao-da-se-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-Patriarca na Solenidade da Dedica\u00e7\u00e3o da S\u00e9 de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;A Catedral &eacute; sinal vis&iacute;vel da Igreja Particular como Povo Sacerdotal&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. Nesta celebra&ccedil;&atilde;o da Dedica&ccedil;&atilde;o da nossa Catedral, a Palavra de Deus proclamada apresenta-nos a Igreja, na beleza do seu mist&eacute;rio, cidade nova, ou seja, nova experi&ecirc;ncia de humanidade, fruto fecundo da P&aacute;scoa de Jesus. Ela tem a dignidade de Cristo ressuscitado, &eacute; apresentada como a &ldquo;esposa do Cordeiro&rdquo;, na sua beleza brilha a gl&oacute;ria do pr&oacute;prio Deus. A Igreja n&atilde;o &eacute; s&oacute; um Povo que louva o Senhor; na sua realidade humana resplandece a pr&oacute;pria gl&oacute;ria de Deus.<\/p>\n<p>A Igreja &eacute;-nos apresentada como cidade fortificada. Jesus tinha prometido a Pedro: &ldquo;as portas do inferno nunca prevalecer&atilde;o contra ela (Mt. 16,18). A garantia dessa solidez s&atilde;o os seus fundamentos: Cristo como pedra angular, os Ap&oacute;stolos de Jesus como colunas: &ldquo;Vou p&ocirc;r em Si&atilde;o uma pedra angular, escolhida e preciosa e quem nela puser a sua confian&ccedil;a n&atilde;o ser&aacute; confundido&rdquo; (1Pet. 2,6); &ldquo;A muralha da cidade tinha na base doze refor&ccedil;os salientes e neles doze nomes: os dos doze Ap&oacute;stolos do Cordeiro&rdquo; (Apoc. 21,14). Estes dois textos dizem-nos que a solidez da Igreja assenta na perenidade da P&aacute;scoa de Cristo e na sucess&atilde;o apost&oacute;lica. Ali&aacute;s, a apostolicidade da Igreja &eacute; a primeira express&atilde;o de Cristo morto e ressuscitado. &Eacute; por isso que a verdadeira Igreja de Jesus Cristo ser&aacute; sempre a Igreja apost&oacute;lica.<\/p>\n<p>A Catedral &eacute; um sinal vivo da apostolicidade da Igreja diocesana, assente na solidez do minist&eacute;rio do Bispo, sucessor dos Ap&oacute;stolos do Cordeiro. Durante este Ano Pastoral, teremos a gra&ccedil;a de sentir ao vivo e de um modo mais forte, esta apostolicidade da Igreja com a visita pastoral do Sucessor de Pedro, Sua Santidade Bento XVI, &agrave; Igreja de Lisboa. S&oacute; na comunh&atilde;o com Pedro, o vosso Bispo &eacute; garantia dessa solidez da Igreja diocesana, que, por isso mesmo se afirma e define como comunh&atilde;o universal com todas as Igrejas cat&oacute;licas do mundo. O Santo Padre reavivar&aacute; em n&oacute;s o que procuramos e desejamos todos os dias: a unidade na verdade, a universalidade da caridade, a urg&ecirc;ncia da miss&atilde;o. O an&uacute;ncio do Evangelho aos nossos concidad&atilde;os, com o ardor dos ap&oacute;stolos de Jesus, &eacute; uma urg&ecirc;ncia e uma exig&ecirc;ncia da miss&atilde;o da Igreja no tempo presente.<\/p>\n<p>2. A Catedral evoca, para n&oacute;s, o mist&eacute;rio do templo, n&atilde;o apenas, nem sobretudo, do templo material, ali&aacute;s cheio de hist&oacute;ria e carregado de mensagem em cada uma das suas pedras, mas do templo como experi&ecirc;ncia de encontro e de comunh&atilde;o com Deus, presente no meio do Seu Povo, na pessoa do seu Filho Jesus Cristo, nosso Bom Pastor. A Igreja &eacute; o lugar do encontro e da intimidade com Deus, porque &eacute; o lugar de encontro com Jesus Cristo, onde, com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito, se renasce para a vida. E &eacute; essa experi&ecirc;ncia de encontro que o templo significa e anuncia. A&iacute; se pode encontrar o Senhor, escutar sempre de novo a Sua Palavra, deixar que nos transforme o cora&ccedil;&atilde;o, aprender a desejar a plenitude da comunh&atilde;o. A fecundidade da Igreja &eacute; sacramental. A Catedral &eacute; o lugar da afirma&ccedil;&atilde;o mais pujante da riqueza sacramental da Igreja; evoc&aacute;-la &eacute; escutar o desafio lan&ccedil;ado a toda a Igreja, pelo Santo Padre, com o Ano Sacerdotal.<\/p>\n<p>A Igreja &eacute; sacerdotal na profundidade do seu existir, da sua voca&ccedil;&atilde;o e da sua miss&atilde;o. Nela, exprime-se continuamente o amor infinito de Deus pelos homens, manifestado radical e definitivamente em Jesus Cristo. A Igreja &eacute; fruto cont&iacute;nuo da fecundidade renovadora da P&aacute;scoa de Cristo, atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o criadora do Esp&iacute;rito Santo. Em toda a fecundidade da sua Palavra e da sua P&aacute;scoa, Cristo &eacute; Sacerdote, o &uacute;nico sacerdote. Todos os que se unem a Ele na consagra&ccedil;&atilde;o baptismal ou na consagra&ccedil;&atilde;o para o minist&eacute;rio sacerdotal, participam do seu sacerd&oacute;cio. A igreja &eacute; o fruto precioso dessa fecundidade sacerdotal. &Eacute; bom recordar a maneira como o Conc&iacute;lio define a Diocese ou Igreja Particular (cf. C.D. n&ordm;11): &eacute; uma por&ccedil;&atilde;o do Povo de Deus, quer dizer, n&atilde;o &eacute; a Igreja toda, mas &eacute; o todo da Igreja, pois nela acontece a plenitude da Igreja. E isto porque &eacute; confiada a um Bispo, sucessor dos Ap&oacute;stolos, para que seja o seu Pastor, e que exerce esse sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico em comunh&atilde;o com os presb&iacute;teros a quem imp&ocirc;s as m&atilde;os. S&atilde;o muitos os sacerdotes, mas &eacute; s&oacute; um o minist&eacute;rio pastoral, como sacramento de Cristo Bom Pastor. Pontos centrais desse minist&eacute;rio pastoral s&atilde;o a constru&ccedil;&atilde;o da Igreja comunh&atilde;o, porque reunida no Esp&iacute;rito Santo, o an&uacute;ncio do Evangelho e a celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia. A Catedral &eacute; o an&uacute;ncio e desafio desse minist&eacute;rio pastoral do Bispo, com o seu presbit&eacute;rio, pois ela sublinha a prioridade do Evangelho, a centralidade da Eucaristia, a beleza de uma Igreja unida em comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>3. Cristo exerce continuamente o seu poder sacerdotal atrav&eacute;s do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, para que toda a Igreja seja Povo Sacerdotal. O Ap&oacute;stolo Pedro lembra-o aos crist&atilde;os da primeira gera&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Aproximai-vos do Senhor, que &eacute; a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. E v&oacute;s mesmos, como pedras vivas, entrai na constru&ccedil;&atilde;o deste templo espiritual, para constituirdes um sacerd&oacute;cio santo, destinado a oferecer sacrif&iacute;cios espirituais, agrad&aacute;veis a Deus, por Jesus Cristo&rdquo; (1Pet. 2,4-5). Jesus j&aacute; anunciara &agrave; samaritana que esse culto espiritual, liturgia discreta nos sinais f&iacute;sicos e densa da atitude interior dos crentes, &eacute; o que agrada a Deus e &eacute; o culto do futuro (cf. Jo. 4,23-24). Para que toda a Igreja, Povo Sacerdotal, possa oferecer esse culto a Deus, precisa do sacerd&oacute;cio ministerial, que actualiza, em cada momento, o pr&oacute;prio sacerd&oacute;cio de Jesus Cristo. Nem o Povo de Deus, Igreja do Senhor, pode oferecer esse culto novo sem a media&ccedil;&atilde;o sacramental do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, nem este tem raz&atilde;o de ser, se n&atilde;o for a edifica&ccedil;&atilde;o permanente do Povo Sacerdotal, tornando-o capaz de oferecer a Deus esse culto espiritual. Ao convidar a Igreja para uma descoberta mais profunda do sacerd&oacute;cio ministerial, o Papa convida a Igreja para uma medita&ccedil;&atilde;o sobre o seu pr&oacute;prio mist&eacute;rio de identifica&ccedil;&atilde;o total com Jesus Cristo, sacerdote perfeito e pont&iacute;fice da Nova Alian&ccedil;a.<\/p>\n<p>A Catedral, como Igreja M&atilde;e, sinal vis&iacute;vel da comunh&atilde;o da Igreja diocesana, desafia-nos a todos a encarnar a urg&ecirc;ncia do an&uacute;ncio do Evangelho e a fazer da Eucaristia o centro do ser e da miss&atilde;o da Igreja. &Eacute; nesta Igreja que est&aacute; a c&aacute;tedra do Bispo, sucessor dos Ap&oacute;stolos, e o altar maior, que se prolonga em todos os altares onde as nossas comunidades oferecem a Deus o culto espiritual, que &eacute; louvor digno da santidade de Deus e sacrif&iacute;cio redentor para todos n&oacute;s, peregrinos da P&aacute;tria Celeste, que precisamos de merecer a gra&ccedil;a da reden&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 25 de Outubro de 2009<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;A Catedral &eacute; sinal vis&iacute;vel da Igreja Particular como Povo Sacerdotal&rdquo; 1. 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