{"id":41523,"date":"2009-10-23T15:31:19","date_gmt":"2009-10-23T15:31:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/23\/mensagem-final-do-ii-sinodo-dos-bispos-para-a-africa\/"},"modified":"2009-10-23T15:31:19","modified_gmt":"2009-10-23T15:31:19","slug":"mensagem-final-do-ii-sinodo-dos-bispos-para-a-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-final-do-ii-sinodo-dos-bispos-para-a-africa\/","title":{"rendered":"Mensagem final do II S\u00ednodo dos Bispos para  a \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mensagem ao Povo de Deus<\/strong><\/p>\n<p>Na D&eacute;cima Oitava Congrega&ccedil;&atilde;o Geral, Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009, os Padres Sinodais aprovaram o <em>Nuntius<\/em> (Mensagem) no final da II Assembleia Especial para a &Aacute;frica do S&iacute;nodo dos Bispos.<\/p>\n<p><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>1. Foi um dom especial da gra&ccedil;a e como que uma &uacute;ltima vontade pessoal e testamento para a &Aacute;frica, que o Servo de Deus, o Papa Jo&atilde;o Paulo II, j&aacute; perto do termo da sua vida, no dia 13 de Novembro de 2004, anunciou a sua inten&ccedil;&atilde;o de convocar a Segunda Assembleia Especial do S&iacute;nodo dos Bispos para a &Aacute;frica. Esta inten&ccedil;&atilde;o foi confirmada pelo seu sucessor, o Santo Padre Papa Bento XVI, no dia 22 de Junho de 2005, numa das primeiras grandes decis&otilde;es do seu pontificado. Reunidos aqui neste S&iacute;nodo, vindos de todos os pa&iacute;ses de &Aacute;frica, do Madag&aacute;scar e das Ilhas adjacentes, com os nossos Irm&atilde;os Bispos e colegas vindos de todos os continentes, com e sob a cabe&ccedil;a do Col&eacute;gio Episcopal, com a participa&ccedil;&atilde;o de delega&ccedil;&otilde;es fraternas doutras tradi&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s, damos gra&ccedil;as a Deus por esta oportunidade providencial para celebrar as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os de Deus sobre o nosso continente, para avaliar o nosso servi&ccedil;o como pastores do rebanho do Senhor e para buscar uma nova inspira&ccedil;&atilde;o e encorajamento para as tarefas e desafios que nos esperam. J&aacute; passaram quinze anos desde a primeira assembleia, em 1994. Os ensinamentos e orienta&ccedil;&otilde;es da Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica P&oacute;s-sinodal Ecclesia in &Aacute;frica n&atilde;o deixaram de ser um guia ainda v&aacute;lido para as nossas lides pastorais. Mas na actual assembleia, o S&iacute;nodo foi capaz de se concentrar num tema de grande urg&ecirc;ncia para a &Aacute;frica: o nosso servi&ccedil;o &agrave; reconcilia&ccedil;&atilde;o, &agrave; justi&ccedil;a e &agrave; paz num continente que tem urgente necessidade destes dons e virtudes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Inici&aacute;mos os nossos trabalhos com uma celebra&ccedil;&atilde;o inaugural da Santa Eucaristia, presidida por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, pedindo ao Esp&iacute;rito Santo para &ldquo;nos conduzir &agrave; plenitude da verdade&rdquo; (Jo 16,13). Nessa ocasi&atilde;o, o Papa recordou-nos que o S&iacute;nodo n&atilde;o &eacute; em primeiro lugar uma sess&atilde;o de estudo. &Eacute; antes uma iniciativa de Deus que nos chama a escutar: a escutar a Deus, uns aos outros e o mundo que nos rodeia, num clima de ora&ccedil;&atilde;o e de reflex&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. No momento em que nos preparamos para regressar com renovado ardor e coragem &agrave;s Igrejas que nos foram confiadas, desejamos dirigir esta mensagem a toda a Igreja, Fam&iacute;lia de Deus em todo o mundo, e, de modo especial, &agrave; Igreja em &Aacute;frica: aos nossos irm&atilde;os Bispos, em cujo nome estamos aqui; aos padres, aos di&aacute;conos, aos religiosos, a todos os fi&eacute;is leigos e a todos aqueles a quem Deus abrir o cora&ccedil;&atilde;o para escutar as nossas palavras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PARTE I<\/strong><\/p>\n<p><em>Olhando para a &Aacute;frica de Hoje<\/em><\/p>\n<p>4. Vivemos num mundo cheio de contradi&ccedil;&otilde;es e profundas crises; a ci&ecirc;ncia e a t&eacute;cnica d&atilde;o passos gigantescos em todos os aspectos da vida, dotando a humanidade com tudo o que seria necess&aacute;rio para fazer do nosso planeta um lugar mais belo para todos n&oacute;s. No entanto, a situa&ccedil;&atilde;o tr&aacute;gica dos refugiados, uma pobreza escandalosa, as doen&ccedil;as e a fome continuam a matar diariamente milhares de pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. A &Aacute;frica &eacute; a mais atingida por estes males. &Eacute; rica em recursos humanos e naturais, mas grande parte do nosso povo continua a arrastar-se no meio da pobreza e de mis&eacute;rias, de guerras e conflitos, de crises e desordens. Estas raramente s&atilde;o consequ&ecirc;ncia de desastres naturais, mas devem-se em grande parte a decis&otilde;es e ac&ccedil;&otilde;es humanas levadas a cabo por pessoas que n&atilde;o se interessam pelo bem comum e muitas vezes numa tr&aacute;gica e criminosa cumplicidade de dirigentes locais com interesses estrangeiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. No entanto, a &Aacute;frica n&atilde;o deve cair no desespero. As gra&ccedil;as de Deus continuam a derramar-se abundantemente, &agrave; espera de ser recta e prudentemente aproveitadas para bem dos seus filhos. Onde as condi&ccedil;&otilde;es sociais s&atilde;o prop&iacute;cias, os seus filhos t&ecirc;m provado que s&atilde;o capazes de atingir &ndash; e de facto, atingiram &ndash; um elevado grau de empenho e compet&ecirc;ncia. H&aacute; muitas boas not&iacute;cias que chegam de muitas partes da &Aacute;frica. Mas os actuais meios de comunica&ccedil;&atilde;o social com a sua predilec&ccedil;&atilde;o por m&aacute;s not&iacute;cias, parecem interessar-se mais pelas nossas desgra&ccedil;as e defici&ecirc;ncias do que pelos nossos esfor&ccedil;os positivos. H&aacute; na&ccedil;&otilde;es que tendo sa&iacute;do de longos anos de guerra, est&atilde;o a progredir gradualmente pelos caminhos da paz e da prosperidade. Uma boa ac&ccedil;&atilde;o governativa est&aacute; a criar um impacto bastante positivo em algumas na&ccedil;&otilde;es africanas, desafiando outras a rever os maus h&aacute;bitos do passado e do presente. H&aacute; numerosos sinais de m&uacute;ltiplas que buscam solu&ccedil;&otilde;es eficazes para os nossos problemas. Este S&iacute;nodo, exactamente por causa do seu tema, espera fazer parte dessas iniciativas positivas. Por isso, apelamos a todos e a cada um para darem as m&atilde;os e enfrentarem os desafios da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz em &Aacute;frica. S&atilde;o muitos os que sofrem e morrem, n&atilde;o h&aacute; tempo a perder!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PARTE II<\/strong><\/p>\n<p><em>&Agrave; luz da f&eacute;<\/em><\/p>\n<p>7.O nosso m&uacute;nus episcopal leva-nos a considerar tudo &agrave; luz da f&eacute;. Pouco depois da publica&ccedil;&atilde;o da <em>Ecclesia in Africa<\/em>, os bispos de &Aacute;frica, atrav&eacute;s do Simp&oacute;sio das Confer&ecirc;ncias Episcopais de &Aacute;frica e do Madag&aacute;scar (SCEAM), publicaram uma carta pastoral intitulada: &ldquo;Cristo, nossa Paz&rdquo; (cf. a Declara&ccedil;&atilde;o da Assembleia Plen&aacute;ria do SCEAM em Rocca di Papa, 1-8 de Outubro de 2000, publicada em Accra, 2001). Ao longo desta assembleia, recordamos com frequ&ecirc;ncia que toda a iniciativa de reconcilia&ccedil;&atilde;o e de paz vem de Deus. Como diz o ap&oacute;stolo S. Paulo: &ldquo;Era Deus que reconciliava o mundo consigo em Cristo&rdquo;. Isto acontece gra&ccedil;as ao dom gratuito e incondicional do seu perd&atilde;o, &ldquo;sem levar em conta as nossa faltas&rdquo;, fazendo-nos assim entrar na sua paz (cf. 2 Cor 5, 17-20). De igual modo a justi&ccedil;a tamb&eacute;m &eacute; obra de Deus, por meio da sua gra&ccedil;a justificadora em Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>8. Na mesma passagem, S. Paulo continua, afirmando que Deus &ldquo;nos confiou a mensagem da reconcilia&ccedil;&atilde;o e nos escolheu como embaixadores de Cristo, exortando por nosso interm&eacute;dio&rdquo;. Tal &eacute; o sublime mandato que recebemos do nosso Deus misericordioso e compassivo. A Igreja em &Aacute;frica, quer enquanto Fam&iacute;lia de Deus, quer ao n&iacute;vel individual dos seus membros crentes, tem o dever de ser instrumento de paz e de reconcilia&ccedil;&atilde;o, segundo o cora&ccedil;&atilde;o de Cristo, nossa paz e reconcilia&ccedil;&atilde;o. E ela ser&aacute; capaz de o fazer na mesma medida em que ela pr&oacute;pria se tiver reconciliado com Deus. As suas estrat&eacute;gias de reconcilia&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a e paz na sociedade devem ir mais al&eacute;m e chegar mais fundo do que o modo usual de agir do mundo. Tal como S. Paulo, o S&iacute;nodo apela a todos os povos de &Aacute;frica: &ldquo;n&oacute;s vos exortamos em nome de Cristo: reconciliai&#8211;vos com Deus&rdquo; (2 Cor 5,20). Por outras palavras: apelamos a todos que se deixem reconciliar com Deus. S&oacute; assim se poder&aacute; abrir caminho a uma aut&ecirc;ntica reconcilia&ccedil;&atilde;o entre as pessoas. S&oacute; assim se poder&aacute; quebrar o c&iacute;rculo vicioso da ofensa, vingan&ccedil;a e retalia&ccedil;&atilde;o. Para tal, a virtude do perd&atilde;o &eacute; de crucial import&acirc;ncia, mesmo antes de qualquer reconhecimento da culpa. Aqueles que dizem que o perd&atilde;o nada faz, experimentem optar pela vingan&ccedil;a e vejam o que ela traz consigo. O verdadeiro perd&atilde;o promove a justi&ccedil;a do arrependimento e da repara&ccedil;&atilde;o que conduzem a uma paz verdadeira, tocando a raiz dos conflitos e transformando as v&iacute;timas e os inimigos em amigos, irm&atilde;os e irm&atilde;s. Como &eacute; s&oacute; Deus que torna poss&iacute;vel este tipo de reconcilia&ccedil;&atilde;o, devemos dar um lugar privilegiado &agrave; ora&ccedil;&atilde;o e aos sacramentos no exerc&iacute;cio deste minist&eacute;rio, especialmente ao sacramento da reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PARTE III<\/strong><\/p>\n<p><em>&Agrave; Igreja universal<\/em><\/p>\n<p>9. Este S&iacute;nodo estende o seu interesse e solidariedade a todo o continente africano. Agradecemos ao Santo Padre por acompanhar a &Aacute;frica nas suas lutas e por defender a sua causa com todo peso da sua grande autoridade moral. Tal como os seus predecessores, tamb&eacute;m ele demonstra ser um verdadeiro amigo de &Aacute;frica e dos africanos. Confrontados com os nossos desafios, fomos enriquecidos e guiados pelos tesouros de sabedoria do magist&eacute;rio pontif&iacute;cio em quest&otilde;es sociopol&iacute;ticas. A este respeito, o Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social Igreja &eacute; um <em>vademecum<\/em> e um recurso material que vivamente recomendamos a todos os nossos fi&eacute;is leigos, especialmente &agrave;queles que desempenham altos cargos nas nossas comunidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>10. A Santa S&eacute; levou a cabo muitas iniciativas directamente relacionadas com o bem e o desenvolvimento de &Aacute;frica. Um exemplo concreto &eacute; a Funda&ccedil;&atilde;o do Sahel, que luta contra a desertifica&ccedil;&atilde;o das regi&otilde;es do Sahel. Tamb&eacute;m n&atilde;o podemos desvalorizar o grande servi&ccedil;o que os representantes pontif&iacute;cios prestam &agrave;s nossas Igrejas locais. Actualmente a Santa S&eacute; tem N&uacute;ncios em 50 dos 53 Pa&iacute;ses da &Aacute;frica. Isto indica claramente o grande empenho da Santa S&eacute; ao servi&ccedil;o deste continente. O S&iacute;nodo exprime por isso o seu profundo reconhecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>11. Saudamos com afecto fraterno a Igreja que est&aacute; para al&eacute;m da costa africana, membros como n&oacute;s da mesma Fam&iacute;lia de Deus espalhada pelo mundo inteiro. A presen&ccedil;a e a participa&ccedil;&atilde;o activa nesta assembleia dos delegados oriundos dos outros continentes, confirmam o nosso v&iacute;nculo de colegialidade afectiva e efectiva. Um sincero agradecimento a todas as Igrejas locais que, estendendo a m&atilde;o, prestam servi&ccedil;os em &Aacute;frica e &agrave; &Aacute;frica, tanto no campo espiritual como no material. No que se refere &agrave; reconcilia&ccedil;&atilde;o, &agrave; justi&ccedil;a e &agrave; paz, a Igreja em &Aacute;frica continua a contar com a solidariedade dos respons&aacute;veis da Igreja nos pa&iacute;ses ricos e poderosos, cuja pol&iacute;tica, ac&ccedil;&otilde;es ou omiss&otilde;es, ajudam ou podem causar e mesmo agravar a dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica. A este respeito, recordamos que entre a Europa e a &Aacute;frica h&aacute; uma peculiar rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica. Por isso deve-se fortalecer e aprofundar a rela&ccedil;&atilde;o actualmente existente entre os dois &oacute;rg&atilde;os episcopais continentais, o Conselho das Confer&ecirc;ncias Episcopais da Europa (CCEE) e o SCEAM. Apre&ccedil;amos tamb&eacute;m com agrado as rela&ccedil;&otilde;es fraternas que se come&ccedil;am a instituir entre a Igreja de &Aacute;frica e a Igreja do continente americano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>12. Muitos filhos e filhas de &Aacute;frica deixaram a sua casa em busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida noutros continentes. Muitos deles sa&iacute;ram-se bem, tendo contribu&iacute;-do positivamente para o desenvolvimento dos pa&iacute;ses para aonde emigraram, mas outros ainda se debatem na luta pela sua pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia. Recomendamos ambos ao atento cuidado pastoral da Igreja-Fam&iacute;lia de Deus, seja qual for o lugar onde se encontrem. &ldquo;Era estrangeiro e v&oacute;s me acolhestes&rdquo; n&atilde;o &eacute; apenas uma par&aacute;bola sobre o fim do mundo, mas tamb&eacute;m um dever a cumprir hoje. A Igreja em &Aacute;frica agradece a Deus por muitos dos seus filhos e filhas que s&atilde;o mission&aacute;rios noutros continentes. Nesta prof&iacute;cua partilha de dons &eacute; importante que todos os seus benefici&aacute;rios continuem a trabalhar por um relacionamento crist&atilde;o transparente, justo e digno. Durante as sess&otilde;es do S&iacute;nodo, a Igreja em &Aacute;frica aceitou o desafio de se interessar pelos descendentes de africanos que vivem noutros continentes, especialmente nas Am&eacute;ricas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>13.A este prop&oacute;sito, este S&iacute;nodo sente o dever de exprimir um profundo reconhecimento aos muitos mission&aacute;rios, cl&eacute;rigos, religiosos e fi&eacute;is leigos de outros continentes que semearam a f&eacute; na maior parte dos pa&iacute;ses de &Aacute;frica. S&atilde;o muitos os que ainda hoje a&iacute; trabalham, com uma dedica&ccedil;&atilde;o e zelo her&oacute;icos. Um agradecimento muito especial &agrave;queles que permaneceram junto do seu povo, mesmo em tempos de guerra e de graves crises. Alguns chegaram mesmo a pagar com a vida a sua fidelidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PARTE IV<\/strong><\/p>\n<p><em>A Igreja em &Aacute;frica<\/em><\/p>\n<p>14. Recordamos, com justificado orgulho, que o cristianismo se encontra em &Aacute;frica desde os seus prim&oacute;rdios. Primeiro no Egipto e na Eti&oacute;pia estendendo-se, pouco depois, a outras regi&otilde;es do norte de &Aacute;frica. Esta Igreja antiga enriqueceu a Igreja universal com prestigiosas tradi&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas, lit&uacute;rgicas e espirituais, com ilustres santos e m&aacute;rtires, tal como o Papa Jo&atilde;o Paulo II sublinhou t&atilde;o eloquentemente na <em>Ecclesia in Africa<\/em>, 31. As Igrejas do Egipto e da Eti&oacute;pia, que sobreviveram a numerosas persegui&ccedil;&otilde;es e dificuldades merecem uma alta considera&ccedil;&atilde;o e uma estreita colabora&ccedil;&atilde;o com as Igrejas muito mais jovens do resto do continente. Tal colabora&ccedil;&atilde;o &eacute; particularmente importante se considerarmos os milhares de emigrantes e jovens estudantes do sul de Saara que fazem os seus estudos superiores no Magrebe. Muitos deles s&atilde;o cat&oacute;licos que trazem consigo o seu apego &agrave; f&eacute;, o que muito tem contribu&iacute;do para fortalecer a Igreja local do seu lugar de resid&ecirc;ncia. A Igreja destes e doutros lugares, constitu&iacute;da principalmente por estrangeiros, conta com a solidariedade das Igrejas-irm&atilde;s de &Aacute;frica para o envio de sacerdotes <em>Fidei Donum<\/em> e doutros mission&aacute;rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>15.A Igreja continuar&aacute; a fazer o seu caminho em todo o continente, solid&aacute;ria com o seu povo. As alegrias e tristezas, as esperan&ccedil;as e aspira&ccedil;&otilde;es do nosso povo, s&atilde;o tamb&eacute;m as nossas (cf. GS 1). Enquanto Igreja, estamos convencidos que o nosso primeiro e mais espec&iacute;fico contributo ao povo africano &eacute; a proclama&ccedil;&atilde;o do Evangelho de Cristo. Por isso comprometemo-nos a continuar a proclamar com vigor o Evangelho ao povo africano, j&aacute; que, tal como diz o Papa Bento XVI na <em>Caritas in veritate<\/em>, &ldquo;a vida em Cristo &eacute; o primeiro factor e o principal factor de desenvolvimento&rdquo; (n. 8). De facto, a dedica&ccedil;&atilde;o ao servi&ccedil;o do desenvolvimento procede da transforma&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o e a transforma&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o s&oacute; pode vir da convers&atilde;o ao Evangelho. Neste sentido, aceitamos a nossa responsabilidade de ser instrumentos de reconcilia&ccedil;&atilde;o, de justi&ccedil;a e de paz nas nossas comunidades, &ldquo;embaixadores de Cristo&rdquo; (2 Cor 5,20), nossa paz e reconcilia&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, todos os membros da Igreja cl&eacute;rigos, religiosos e fi&eacute;is leigos devem-se mobilizar para trabalhar juntos. A uni&atilde;o faz a for&ccedil;a! Somos interpelados e animados pelo prov&eacute;rbio africano que diz: &ldquo;um ex&eacute;rcito de formigas bem organizado &eacute; capaz de abater um elefante&rdquo;. N&atilde;o nos devemos intimidar, nem desanimar perante a magnitude dos problemas do nosso continente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>16. A Igreja em &Aacute;frica acolhe com alegria o apelo lan&ccedil;ado na aula sinodal para uma colabora&ccedil;&atilde;o efectiva &ldquo;Sul-Sul&rdquo;. Muitos problemas e tens&otilde;es existentes em &Aacute;frica tamb&eacute;m se podem encontrar na &Aacute;sia e na Am&eacute;rica Latina. Cremos que temos muito a ganhar n&atilde;o s&oacute; com a troca de impress&otilde;es, mas tamb&eacute;m dando-nos as m&atilde;os. Queira Deus mostrar-nos o caminho a seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>17. O SCEAM &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o de solidariedade pastoral org&acirc;nica da hierarquia da Igreja em &Aacute;frica (EIA, 16). Infelizmente este &oacute;rg&atilde;o insubstitu&iacute;vel n&atilde;o recebeu o apoio que deveria, mesmo por parte dos Bispos de &Aacute;frica. Agradecemos a Deus porque este S&iacute;nodo foi uma feliz oportunidade para destacar a import&acirc;ncia do SCEAM. Temos todos os motivos para acreditar que o apelo lan&ccedil;ado por muitos Padres sinodais em ordem a um maior compromisso com o SCEAM n&atilde;o tenha soado &agrave; porta de ouvidos surdos. Enquanto nos preparamos para regressar a casa, comprometemo-nos a dar ao SCEAM o m&iacute;nimo de que precisa para levar a cabo a sua miss&atilde;o. Estabelecida por iniciativa do SCEAM e trabalhando lealmente em comunh&atilde;o com ele, a Confedera&ccedil;&atilde;o dos Superiores Maiores da &Aacute;frica e do Madag&aacute;scar (COSMAM) est&aacute; a crescer e a tornar-se a n&iacute;vel continental num instrumento eficaz de promo&ccedil;&atilde;o de uma solidariedade pastoral na vida e do apostolado dos religiosos em &Aacute;frica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>18. Como bispos, assumimos o desafio de trabalhar em comunh&atilde;o nas nossas Confer&ecirc;ncias episcopais e assembleias, oferecendo aos nossos pa&iacute;ses um modelo de uma institui&ccedil;&atilde;o nacional justa e reconciliada e disponibilizando-nos para sermos agentes de paz e de reconcilia&ccedil;&atilde;o, em qualquer situa&ccedil;&atilde;o e lugar. Felicitamos aqueles bispos que desempenharam este papel, sobretudo no campo do di&aacute;logo ecum&eacute;nico e inter-religioso, tal como presenci&aacute;mos em lugares tais como o Mali, na Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, no Burquina-Faso, o Senegal, o N&iacute;ger e outros. A uni&atilde;o do episcopado &eacute; fonte de uma grande for&ccedil;a, enquanto a sua aus&ecirc;ncia faz desperdi&ccedil;ar energias, frustra os esfor&ccedil;os e oferece ocasi&atilde;o a que os inimigos da Igreja possam neutralizar o nosso testemunho. Uma &aacute;rea importante onde esta coopera&ccedil;&atilde;o nacional e coes&atilde;o &eacute; muito &uacute;til &eacute; nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social. Desde que a <em>Ecclesia in Africa<\/em> foi publicada, houve uma verdadeira explos&atilde;o de r&aacute;dios cat&oacute;licas em &Aacute;frica: de apenas 15 r&aacute;dios em 1994, contamos agora com mais de 163 em 32 na&ccedil;&otilde;es africanas. Louvamos as na&ccedil;&otilde;es que estimularam o seu desenvolvimento. Apelamos &agrave;s na&ccedil;&otilde;es que ainda t&ecirc;m reservas nesta mat&eacute;ria a rever a sua posi&ccedil;&atilde;o para o bem da sua pr&oacute;pria na&ccedil;&atilde;o e do seu povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>19. Cada bispo deve p&ocirc;r os assuntos relacionados com a reconcilia&ccedil;&atilde;o, a justi&ccedil;a e a paz num lugar priorit&aacute;rio da agenda pastoral da sua diocese. Ele deve garantir que se criem Comiss&otilde;es Justi&ccedil;a e Paz a todos os n&iacute;veis. Devemos continuar a trabalhar dedicadamente na forma&ccedil;&atilde;o das consci&ecirc;ncias e transforma&ccedil;&atilde;o dos cora&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s duma catequese eficaz a todos os n&iacute;veis. Isto deve ir al&eacute;m dum &ldquo;simples catecismo&rdquo; de prepara&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e dos catec&uacute;menos para os sacramentos. Precisamos de organizar programas de forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua para todos os nossos fi&eacute;is, especialmente para aqueles que desempenham altos cargos de responsabilidade. As nossas dioceses devem ser modelos de bom governo, transpar&ecirc;ncia e boa gest&atilde;o financeira. Temos de continuar a fazer o nosso melhor para combater a pobreza, que &eacute; o maior obst&aacute;culo no caminho da paz e da reconcilia&ccedil;&atilde;o. A este respeito devem considerar-se com particular aten&ccedil;&atilde;o as propostas de microcr&eacute;dito. Finalmente, o bispo, enquanto cabe&ccedil;a da sua Igreja local, tem o dever de mobilizar os seus fi&eacute;is e, de acordo com a sua miss&atilde;o, de os implicar na planifica&ccedil;&atilde;o, formula&ccedil;&atilde;o, implementa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o das orienta&ccedil;&otilde;es diocesanas e dos programas em favor da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>20. O padre &eacute; o &ldquo;colaborador necess&aacute;rio e mais pr&oacute;ximo do bispo&rdquo;. Neste Ano do Sacerd&oacute;cio, caros irm&atilde;os no sacerd&oacute;cio, dirigimo-nos a v&oacute;s que ocupais uma posi&ccedil;&atilde;o chave no apostolado da diocese. V&oacute;s representais a face do clero mais vis&iacute;vel ao povo, em ambos os lados, dentro e fora Igreja. O vosso exemplo de viver uns com os outros em paz, ultrapassando as fronteiras tribais e raciais, pode ser um exemplo particularmente forte para os outros. Isto verifica-se, por exemplo, no modo como acolheis com alegria aqueles que a Santa S&eacute; escolhe como vossos Bispos, sejam eles quem forem, independentemente do lugar do seu nascimento. A implementa&ccedil;&atilde;o dos planos pastorais diocesanos em favor da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz depende muito de v&oacute;s. A catequese, a forma&ccedil;&atilde;o dos leigos, a cura pastoral de pessoas com altos cargos de responsabilidade, n&atilde;o ir&atilde;o avante sem um empenho total nas vossas par&oacute;quias e nos diversos lugares que vos foram confiados. O S&iacute;nodo exorta-vos a n&atilde;o negligenciar o vosso dever neste campo. Tereis mais sucesso se apostardes numa pastoral de comunh&atilde;o, envolvendo todas as pessoas e sectores da par&oacute;quia: di&aacute;conos, religiosos, catequistas, leigos, homens e mulheres, e os jovens. Em muitos casos, o padre conta-se entre as pessoas mais instru&iacute;das da comunidade local e, por vezes, espera-se que desempenhe um certo papel de chefia nos assuntos da comunidade. Devereis estar atentos para prestardes os vossos servi&ccedil;os de maneira imparcial, animados de esp&iacute;rito pastoral e evang&eacute;lico. A vossa fidelidade &agrave;s promessas sacerdotais, em especial &agrave; vida celibat&aacute;ria em castidade, assim como ao desapego das coisas materiais &eacute; um testemunho eloquente para o povo de Deus. Muitos de v&oacute;s deixaram a &Aacute;frica para partirem em miss&atilde;o para outros continentes. Quando trabalhais com respeito e ordem, projectais uma boa imagem de &Aacute;frica. O S&iacute;nodo elogia o vosso compromisso com a tarefa mission&aacute;ria da Igreja. Que possais receber a recompensa prometida a todos os &ldquo;que deixaram a casa&#8230; por amor do Reino&rdquo; (Lc 18,28).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>21. Em anos recentes, a &Aacute;frica transformou-se num campo muito f&eacute;rtil para as voca&ccedil;&otilde;es de especial consagra&ccedil;&atilde;o: sacerdotais e religiosas, masculinas e femininas. Damos gra&ccedil;as a Deus por t&atilde;o grandes b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os. Felicitamos-vos, caros irm&atilde;os consagrados, homens e mulheres, pelo testemunho da vossa vida religiosa na pr&aacute;tica dos conselhos evang&eacute;licos da castidade, pobreza e obedi&ecirc;ncia, os quais n&atilde;o raro fazem de v&oacute;s profetas e modelos de reconcilia&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a e paz em situa&ccedil;&otilde;es de extrema tens&atilde;o. O S&iacute;nodo exorta-vos a chegar &agrave; maior efic&aacute;cia poss&iacute;vel do vosso apostolado atrav&eacute;s duma comunh&atilde;o leal e comprometida com a hierarquia local. O S&iacute;nodo congratula-se de modo particular convosco, religiosas, pela vossa dedica&ccedil;&atilde;o e zelo apost&oacute;lico nos campos da sa&uacute;de, da educa&ccedil;&atilde;o e em outras &aacute;reas do desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>22. Este S&iacute;nodo volta-se agora com profundo afecto para os fi&eacute;is leigos de &Aacute;frica. V&oacute;s sois a Igreja de Deus nos lugares p&uacute;blicos da sociedade. &Eacute; em v&oacute;s e por vosso interm&eacute;dio que a vida e o testemunho da Igreja se fazem vis&iacute;veis no meio do mundo. Por essa raz&atilde;o participais do mandato da Igreja enquanto &ldquo;embaixadores de Cristo&rdquo;, trabalhando em prol da reconcilia&ccedil;&atilde;o do povo com Deus e entre si. Isto implica que deixeis que a vossa f&eacute; crist&atilde; impregne todos os aspectos e facetas da vossa vida: a fam&iacute;lia, o trabalho, o exerc&iacute;cio das mais variadas profiss&otilde;es, a pol&iacute;tica e a vida p&uacute;blica. N&atilde;o se trata de uma miss&atilde;o f&aacute;cil. Por isso deveis frequentar assiduamente os meios da gra&ccedil;a atrav&eacute;s da ora&ccedil;&atilde;o e dos sacramentos. A passagem b&iacute;blica do tema do nosso S&iacute;nodo, dirigida a todos os disc&iacute;pulos de Cristo, refere-se em especial a v&oacute;s: &ldquo;V&oacute;s sois o sal da terra&#8230; V&oacute;s sois a luz do mundo&rdquo; (Mt 5,13.14). Neste sentido, gostar&iacute;amos de renovar a recomenda&ccedil;&atilde;o da <em>Ecclesia in Africa<\/em> sobre a import&acirc;ncia das Pequenas Comunidades Crist&atilde;s (n. 93). Para al&eacute;m da ora&ccedil;&atilde;o, deveis munir-vos de um conhecimento suficiente da f&eacute; crist&atilde; a fim de poderdes &ldquo;dar provas da esperan&ccedil;a que tendes em v&oacute;s&rdquo; (1 Ped 3,15) nos lugares de interc&acirc;mbio de ideias. Aqueles que ocupam lugares de relevo entre v&oacute;s, t&ecirc;m o dever de obter um n&iacute;vel proporcional de cultura religiosa. Recomendamos-vos com insist&ecirc;ncia as fontes b&aacute;sicas da f&eacute; cat&oacute;lica, a Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica e, como relevante para o tema do S&iacute;nodo, o Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social da Igreja. Todos estes livros est&atilde;o dispon&iacute;veis a um pre&ccedil;o acess&iacute;vel. Por isso, n&atilde;o h&aacute; desculpa para continuar a ser ignorantes no campo da f&eacute;. A este respeito, a <em>Ecclesia in Africa<\/em> recomenda calorosamente a cria&ccedil;&atilde;o de Universidades cat&oacute;licas. Damos gra&ccedil;as a Deus por terem surgido muitas destas institui&ccedil;&otilde;es nos &uacute;ltimos 15 anos, estando muitas outras a caminho. Este &eacute; um projecto de capital import&acirc;ncia, que implica um grande investimento. Mas &eacute; necess&aacute;rio investir no futuro de um laicado cat&oacute;lico bem formado, especialmente de intelectuais, preparado e capaz de se levantar para testemunhar a f&eacute; no meio do mundo de hoje. Esta &eacute; um campo onde certamente &eacute; muito necess&aacute;ria a solidariedade universal da Igreja como Fam&iacute;lia de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>23. O S&iacute;nodo tem uma mensagem muito importante e especial para v&oacute;s, caros africanos cat&oacute;licos que desempenhais cargos na vida p&uacute;blica. Louvamos muitos de v&oacute;s que, n&atilde;o se deixando dissuadir pelos perigos e incertezas da pol&iacute;tica em &Aacute;frica, se entregaram generosamente ao servi&ccedil;o p&uacute;blico do vosso povo, como sendo um apostolado para promover o bem comum e o reino de Deus de justi&ccedil;a, de amor e de paz na linha dos ensinamentos da Igreja (<em>Gaudium et spes<\/em>, 75). Podeis contar sempre com o alento e apoio da Igreja. A <em>Ecclesia in Africa<\/em> manifestou a esperan&ccedil;a de que apare&ccedil;am pol&iacute;ticos e chefes de Estado santos em &Aacute;frica. Este n&atilde;o &eacute; um desejo f&uacute;til. &Eacute; muito animador saber que a causa de beatifica&ccedil;&atilde;o de J&uacute;lio Nyerere da Tanz&acirc;nia j&aacute; est&aacute; em andamento. A &Aacute;frica precisa de santos nos altos cargos da pol&iacute;tica: pol&iacute;ticos santos que limpem o continente da corrup&ccedil;&atilde;o, trabalhem para o bem do povo e galvanizem outros homens e mulheres de boa vontade, que est&atilde;o fora da Igreja, a fim de que todos d&ecirc;em as m&atilde;os na luta comum contra os males que assolam as nossas na&ccedil;&otilde;es. O S&iacute;nodo recomendou vivamente que as Igrejas locais intensifiquem o seu apostolado no cuidado espiritual das pessoas que exercem cargos p&uacute;blicos, criando capelanias espec&iacute;ficas para eles e organizando centros de coordena&ccedil;&atilde;o de alto n&iacute;vel para evangelizar as c&acirc;maras parlamentares. N&oacute;s vos exortamos, a todos v&oacute;s, fi&eacute;is leigos que estais na pol&iacute;tica, a tirar pleno partido de tais instrumentos onde eles existirem. Muitos cat&oacute;licos que ocupam altos cargos infelizmente n&atilde;o souberam desempenhar correctamente o seu servi&ccedil;o. O S&iacute;nodo exorta-os a arrependerem-se ou a deixar a pra&ccedil;a p&uacute;blica, deixando de escandalizar o povo e denegrir a imagem da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>24. Queremos voltar agora a nossa aten&ccedil;&atilde;o para as nossas queridas fam&iacute;lias cat&oacute;licas de &Aacute;frica. Congratulamo-nos convosco pela vossa fidelidade e firme perseveran&ccedil;a na observ&acirc;ncia dos ideais da fam&iacute;lia crist&atilde; e na manuten&ccedil;&atilde;o dos melhores valores da fam&iacute;lia africana. Mantende-vos vigilantes no confronto com algumas ideologias virulentas e venenosas, vinda do exterior e camufladas como &ldquo;cultura moderna&rdquo;. Continuai a receber os filhos como dom de Deus e a educ&aacute;-las no conhecimento e temor de Deus, de modo a que tamb&eacute;m eles sejam, no futuro, agentes de reconcilia&ccedil;&atilde;o, de justi&ccedil;a e paz. Somos conscientes de que muitas das nossas fam&iacute;lias vivem sob uma grande press&atilde;o. A pobreza torna frequentemente os pais incapazes de cuidar dos seus filhos, com consequ&ecirc;ncias desastrosas. Queremos recordar aos governos e &agrave;s autoridades civis que um pa&iacute;s que destr&oacute;i com as suas leis as suas pr&oacute;prias fam&iacute;lias, hipoteca o futuro da pr&oacute;pria na&ccedil;&atilde;o. Muitas fam&iacute;lias pedem apenas o suficiente para sobreviverem. E elas t&ecirc;m direito a viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>25. O S&iacute;nodo tem uma palavra especial para v&oacute;s, mulheres cat&oacute;licas. Muitas vezes v&oacute;s sois os pilares da Igreja local. Em muitos pa&iacute;ses, as Organiza&ccedil;&otilde;es de Mulheres Cat&oacute;licas s&atilde;o uma grande for&ccedil;a de apostolado da Igreja. A <em>Ecclesia in Africa<\/em> recomendou que na Igreja, &ldquo;as mulheres, uma vez convenientemente formadas, participem, a um n&iacute;vel apropriado, da actividade apost&oacute;lica da Igreja&rdquo; (121). Em muitos lugares fizeram-se muitos progressos nesse sentido. Mas ainda h&aacute; muito a fazer. O contributo espec&iacute;fico das mulheres, n&atilde;o s&oacute; em casa, enquanto esposas e m&atilde;es, mas tamb&eacute;m no campo social, deveria ser universalmente reconhecido e promovido. O S&iacute;nodo recomenda &agrave;s nossas Igrejas locais que v&atilde;o al&eacute;m das afirma&ccedil;&otilde;es gerais da <em>Ecclesia in Africa<\/em>, e criem estruturas concretas que assegurem uma real participa&ccedil;&atilde;o da mulher &ldquo;a um n&iacute;vel apropriado&rdquo;. A Santa S&eacute; deu-nos aqui um bom exemplo indigitando mulheres para altos cargos. Fala-se muito em toda a &Aacute;frica dos direitos da mulher, em especial nos planos de ac&ccedil;&atilde;o de algumas ag&ecirc;ncias das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Muito do que dizem est&aacute; certo e na linha do que a Igreja sempre afirmou. Mas tem de se ter cuidado quanto a alguns projectos concretos que tantas vezes prosseguem inten&ccedil;&otilde;es ocultas. Mulheres cat&oacute;licas, n&oacute;s vos exortamos a comprometer-vos de alma e cora&ccedil;&atilde;o nos programas das mulheres das vossas na&ccedil;&otilde;es, embora mantendo sempre bem despertos os olhos da vossa f&eacute;. Munidas de uma boa informa&ccedil;&atilde;o e da Doutrina social da Igreja, deveis procurar evitar que as boas ideias n&atilde;o sejam contaminadas por ideologias estrangeiras, moralmente venenosas, referentes ao g&eacute;nero e &agrave; sexualidade humana. Que Maria, nossa M&atilde;e, Sede de sabedoria, vos guie neste sentido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>26. O S&iacute;nodo apela igualmente a todos v&oacute;s, homens cat&oacute;licos, a que desempenheis o vosso insubstitu&iacute;vel papel de pais respons&aacute;veis e maridos fi&eacute;is. Segui o exemplo de S. Jos&eacute; (cf. Mt 2, 13-23), cuidando da fam&iacute;lia, protegendo a vida desde o primeiro momento da sua concep&ccedil;&atilde;o e cooperando na educa&ccedil;&atilde;o dos filhos. Procurai organizar-vos em associa&ccedil;&otilde;es e grupos de Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica que vos permitir&atilde;o melhorar a qualidade da vida crist&atilde; e do vosso compromisso com a Igreja. Isto p&ocirc;r-vos-&aacute; em melhores condi&ccedil;&otilde;es para desempenhardes fun&ccedil;&otilde;es de chefia na sociedade, para serdes testemunhas cada vez mais eficazes e promotores da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz, como sal da terra e luz do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>27. Dirigimo-nos agora a v&oacute;s, filhos e filhas do nosso continente, jovens das nossas comunidades. V&oacute;s n&atilde;o sois apenas o futuro da Igreja; v&oacute;s j&aacute; pesais no presente com a for&ccedil;a dos n&uacute;meros. Em muitos pa&iacute;ses da &Aacute;frica mais de 60% da popula&ccedil;&atilde;o tem menos de 25 anos de idade. A percentagem no interior da Igreja n&atilde;o ser&aacute; muito diferente. V&oacute;s dev&iacute;eis encontrar-vos na linha da frente das mudan&ccedil;as sociais positivas enquanto instrumentos de paz. Devemos prestar particular aten&ccedil;&atilde;o aos jovens adultos. Muitas vezes s&atilde;o descurados, deixados &agrave; deriva como alvo f&aacute;cil para todo o tipo de ideologias e seitas. S&atilde;o eles que muitas vezes s&atilde;o recrutados e instrumentalizados para a viol&ecirc;ncia. Por isso urgimos junto de todas as Igrejas locais para que d&ecirc;em a m&aacute;xima prioridade ao apostolado dos jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>28.Jesus disse: &ldquo;Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas &eacute; o Reino de Deus&rdquo; (Mt 19,14). Este S&iacute;nodo n&atilde;o esqueceu as nossas queridas crian&ccedil;as. Eles devem ser objecto dos nossos mais ternos cuidados e aten&ccedil;&atilde;o. Mas devemos tamb&eacute;m reconhecer e aproveitar o seu entusiasmo e efic&aacute;cia como agentes activos de evangeliza&ccedil;&atilde;o, especialmente entre os seus companheiros. Deveria ser-lhes dado um espa&ccedil;o adequado, meios e orienta&ccedil;&atilde;o para se organizarem no apostolado, especialmente atrav&eacute;s da Organiza&ccedil;&atilde;o das Sociedades Mission&aacute;rias Pontif&iacute;cias, a Associa&ccedil;&atilde;o da Santa Inf&acirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PARTE V<\/strong><\/p>\n<p><em>Apelo &agrave; comunidade internacional<\/em><\/p>\n<p>29. A fam&iacute;lia de Deus vai al&eacute;m dos limites vis&iacute;veis da Igreja, abrangendo toda a humanidade. Quando se trata dos temas da reconcilia&ccedil;&atilde;o e da paz, todos n&oacute;s nos encontramos no n&iacute;vel muito profundo da nossa humanidade comum. Como tal este projecto diz respeito a todos e requer uma ac&ccedil;&atilde;o conjunta. Por isso erguemos a nossa voz, dirigindo-nos a todos os homens e mulheres de boa vontade, apelando, de forma especial, a todos os que professam a mesma f&eacute; em Jesus Cristo e tamb&eacute;m aos membros que t&ecirc;m outra profiss&atilde;o de f&eacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>30. No seu conjunto, as ag&ecirc;ncias das Na&ccedil;&otilde;es Unidas est&atilde;o a realizar um bom trabalho em &Aacute;frica em favor do desenvolvimento, da manuten&ccedil;&atilde;o da paz, na defesa dos direitos da mulher e da crian&ccedil;a, no combate &agrave; pobreza e &agrave;s doen&ccedil;as, ao HIV\/SIDA, mal&aacute;ria, tuberculose e ainda noutros campos. O S&iacute;nodo aprecia o bel&iacute;ssimo trabalho que est&atilde;o a desenvolver. Contudo, apelamos a que sejam mais coerentes e transparentes na implementa&ccedil;&atilde;o dos seus programas. Instamos junto dos pa&iacute;ses da &Aacute;frica para que avaliem criteriosamente os servi&ccedil;os que s&atilde;o oferecidos ao nosso povo, a fim de se certificarem que s&atilde;o realmente bons. O S&iacute;nodo denuncia em particular todas as tentativas sub-rept&iacute;cias de destruir e minar os preciosos valores africanos da fam&iacute;lia e da vida humana (por exemplo o inaceit&aacute;vel artigo 14 do Protocolo de Maputo e outras propostas do mesmo g&eacute;nero).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>31. A Igreja n&atilde;o se deixa relegar a um segundo plano na luta contra a SIDA e na assist&ecirc;ncia &agrave;s pessoas infectadas e afectadas por esta doen&ccedil;a em &Aacute;frica. O S&iacute;nodo agradece a todos aqueles que se comprometeram generosamente neste dif&iacute;cil apostolado de amor e carinho. Apelamos para que se d&ecirc; uma ajuda continuada que v&aacute; ao encontro da necessidade que tantos t&ecirc;m de assist&ecirc;ncia (EIA, 31). Em uni&atilde;o com o Santo Padre, o Papa Bento XVI, este S&iacute;nodo adverte seriamente que o problema n&atilde;o pode ser resolvido com a distribui&ccedil;&atilde;o dos profil&aacute;ticos. Apelamos a todos os que est&atilde;o sinceramente interessados em travar a transmiss&atilde;o da SIDA por via sexual a que reconhe&ccedil;am o sucesso j&aacute; alcan&ccedil;ado pelos programas que prop&otilde;em a abstin&ecirc;ncia entre os solteiros e a fidelidade nos casais. Tal modo de agir n&atilde;o s&oacute; garante a melhor protec&ccedil;&atilde;o contra a difus&atilde;o desta doen&ccedil;a, mas tamb&eacute;m est&aacute; em plena conson&acirc;ncia com a moral crist&atilde;. Dirigimo-nos em particular a v&oacute;s, jovens. N&atilde;o vos deixeis enganar por aqueles que dizem que n&atilde;o sois capazes de vos controlar. Sim, v&oacute;s podeis faz&ecirc;-lo, com a gra&ccedil;a de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>32. &Agrave;s grandes pot&ecirc;ncias deste mundo apelamos: tratai a &Aacute;frica com respeito e dignidade. A &Aacute;frica tem solicitado uma mudan&ccedil;a da ordem econ&oacute;mica mundial, cujas estruturas injustas continuam a pesar gravemente sobre ela. A recente crise financeira mundial mostrou a necessidade de uma mudan&ccedil;a radical das regras. Mas seria tr&aacute;gico se as correc&ccedil;&otilde;es fossem uma vez mais feitas apenas no interesse dos ricos &agrave; custa dos pobres. Muitos dos conflitos, guerras e pobreza em &Aacute;frica derivam em grande parte destas estruturas injustas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>33. A humanidade tem muito a ganhar se escutar as s&aacute;bias advert&ecirc;ncias do nosso Santo Padre Bento XVI na <em>Caritas in veritate<\/em>. Uma nova ordem mundial justa n&atilde;o s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel, mas tamb&eacute;m necess&aacute;ria, para o bem de toda a humanidade. Uma mudan&ccedil;a &eacute; exigida em rela&ccedil;&atilde;o ao peso da d&iacute;vida das na&ccedil;&otilde;es pobres, matando literalmente as crian&ccedil;as. As multinacionais devem parar com a devasta&ccedil;&atilde;o criminosa do ambiente na explora&ccedil;&atilde;o insaci&aacute;vel dos recursos naturais. &Eacute; uma t&aacute;tica de curta vis&atilde;o fomentar guerras para acumular rapidamente lucros gra&ccedil;as &agrave; desordem provocada, mas &agrave; custa da vida e do sangue humanos. N&atilde;o existir&aacute; ningu&eacute;m que queira e seja capaz de travar tais crimes contra a humanidade?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PARTE VI<\/strong><\/p>\n<p><em>&Aacute;frica, acorda!<\/em><\/p>\n<p>34. Diz-se que o ber&ccedil;o da esp&eacute;cie humana est&aacute; algures em &Aacute;frica. O nosso continente tem uma longa hist&oacute;ria de grandes imp&eacute;rios e ilustres civiliza&ccedil;&otilde;es. A hist&oacute;ria futura do continente ainda est&aacute; por escrever. Deus aben&ccedil;oou-nos com enormes recursos naturais e humanos. Embora nas estat&iacute;sticas internacionais relativas aos &iacute;ndices de materiais e desenvolvimento os pa&iacute;ses africanos ocupem frequentemente o fundo da tabela, ainda n&atilde;o h&aacute; raz&otilde;es para desesperar. Houve actos brutais de injusti&ccedil;as hist&oacute;ricas, tais como o tr&aacute;fico de escravos e o colonialismo, cujas consequ&ecirc;ncias negativas ainda hoje se fazem sentir; mas isto n&atilde;o &eacute; desculpa para n&atilde;o fazermos nada. H&aacute; tantas coisas a acontecer nos nossos dias. Felicitamos o esfor&ccedil;o de todos os que lutam para libertar a &Aacute;frica da aliena&ccedil;&atilde;o cultural e da sujei&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. A &Aacute;frica deve encarar agora o desafio de dar &agrave;s suas crian&ccedil;as um n&iacute;vel mais digno de condi&ccedil;&otilde;es de vida humana. Verificam-se progressos no campo pol&iacute;tico do processo de integra&ccedil;&atilde;o continental, tais como a Organiza&ccedil;&atilde;o de Unidade Africana (OUA) ter evolu&iacute;do para a Uni&atilde;o Africana (UA). A UA e outros grupos regionais, por vezes em colabora&ccedil;&atilde;o com as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, t&ecirc;m tomado diversas iniciativas para resolver conflitos e manter a paz em muitas situa&ccedil;&otilde;es de crise. No plano econ&oacute;mico, a &Aacute;frica tem procurado tra&ccedil;ar um projecto estrat&eacute;gico para o seu pr&oacute;prio desenvolvimento, chamado NEPAD (Nova Parceria Econ&oacute;mica para o Desenvolvimento de &Aacute;frica). Ela tomou certas disposi&ccedil;&otilde;es em ordem a um Mecanismo de Revis&atilde;o Parcer&aacute;ria Africana (APRM), que supervisionasse e medisse a submiss&atilde;o das diversas na&ccedil;&otilde;es. O S&iacute;nodo louva tais esfor&ccedil;os, porque tais programas associam claramente a emancipa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica de &Aacute;frica com a exist&ecirc;ncia de um bom governo. Infelizmente &eacute; aqui que reside o ponto cr&iacute;tico. Infelizmente, na maioria dos pa&iacute;ses africanos, os documentos mais belos da NEPAD ainda s&atilde;o letra morta. N&oacute;s, por&eacute;m, continuamos a esperar uma melhoria geral da governa&ccedil;&atilde;o em &Aacute;frica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>35. O S&iacute;nodo congratula-se com alguns pa&iacute;ses africanos que decidiram enveredar pelo caminho de uma aut&ecirc;ntica democracia. Elas j&aacute; est&atilde;o a testemunhar os dividendos que resultam de uma boa governa&ccedil;&atilde;o. Algumas acabam apenas de sair de muitos anos de guerras e de conflitos, estando gradualmente a reconstruir as suas na&ccedil;&otilde;es devastadas. Esperamos que t&atilde;o bom exemplo possa induzir outras na&ccedil;&otilde;es a alterar os seus maus h&aacute;bitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>36. O S&iacute;nodo nota com tristeza que a situa&ccedil;&atilde;o em muitos pa&iacute;ses &eacute; vergonhosa. Pensamos em particular na triste situa&ccedil;&atilde;o da Som&aacute;lia, envolvida em virulentos conflitos h&aacute; mais de duas d&eacute;cadas, que j&aacute; come&ccedil;am a afectar os pa&iacute;ses vizinhos. Tamb&eacute;m n&atilde;o esquecemos a tr&aacute;gica condi&ccedil;&atilde;o de milh&otilde;es de pessoas na regi&atilde;o dos Grandes Lagos e as crises persistentes no norte do Uganda, no sul do Sud&atilde;o, em Darfur, na Guin&eacute;-Conakry e noutros lugares. Os governantes que controlam o poder nestes lugares devem assumir a plena responsabilidade das suas ac&ccedil;&otilde;es deplor&aacute;veis. A maior parte das vezes encontramo-nos perante uma avidez insaci&aacute;vel de poder e enriquecimento pr&oacute;prio &agrave; custa do povo e do pr&oacute;prio pa&iacute;s. Qualquer que seja a responsabilidade imput&aacute;vel a interesses estrangeiros, tamb&eacute;m h&aacute; sempre um vergonhoso e tr&aacute;gico conluio com os chefes locais: pol&iacute;ticos que traem e vendem as suas na&ccedil;&otilde;es, homens de neg&oacute;cios sujos coniventes com multinacionais vorazes, africanos que vendem e traficam armamento, prosperando com o neg&oacute;cio de pequenas armas que por&eacute;m provocam a destrui&ccedil;&atilde;o de vidas humanas, e alguns agentes locais de algumas organiza&ccedil;&otilde;es internacionais que s&atilde;o pagos para difundir ideologias nocivas em que eles mesmos n&atilde;o acreditam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>37. A consequ&ecirc;ncia negativa de tudo isto est&aacute; a&iacute;, bem patente a todo o mundo: pobreza, mis&eacute;ria e doen&ccedil;as; refugiados dentro e fora do pa&iacute;s e no estrangeiro, a busca de pastagens fresca, a fuga de c&eacute;rebros, as migra&ccedil;&otilde;es clandestinas, tr&aacute;fico de seres humanos, guerras, derramamento de sangue, n&atilde;o raro sob comiss&atilde;o, a barbaridade das crian&ccedil;as-soldado e indiz&iacute;veis viol&ecirc;ncias contra as mulheres. Como &eacute; que algu&eacute;m se pode orgulhar de &ldquo;governar&rdquo; em semelhante situa&ccedil;&atilde;o? Onde p&aacute;ra o nosso sentimento tradicional africano de vergonha? Este S&iacute;nodo proclama-o claramente, alto e bom som: &eacute; tempo de mudar de atitudes para o bem da gera&ccedil;&atilde;o presente e futuras.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>PARTE VII<\/strong><\/p>\n<p><em>Juntando as nossas for&ccedil;as espirituais<\/em><\/p>\n<p>38. Gostar&iacute;amos de recordar novamente o que o Papa Bento XVI disse na homilia da missa inaugural deste S&iacute;nodo: que a &Aacute;frica &eacute; &ldquo;o pulm&atilde;o espiritual&rdquo; da humanidade de hoje. Este &eacute; um bem precioso, muito mais valioso do que os nossos min&eacute;rios e petr&oacute;leo. Mas ele tamb&eacute;m nos advertiu que este pulm&atilde;o corre o risco de ser infectado pelo duplo v&iacute;rus do materialismo e do fanatismo religioso. Na sua determina&ccedil;&atilde;o em proteger o nosso patrim&oacute;nio espiritual contra todos os ataques e infec&ccedil;&otilde;es, o S&iacute;nodo apela aos irm&atilde;os e irm&atilde;s de outras tradi&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s a uma colabora&ccedil;&atilde;o ecum&eacute;nica cada vez maior. Estendemos o nosso apelo ao di&aacute;logo e coopera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m ao Isl&atilde;o, aos membros das religi&otilde;es tradicionais africanas (RTA) e aos adeptos de outras cren&ccedil;as religiosas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>39. O fanatismo religioso alastra por todo o mundo, estando a causar destrui&ccedil;&atilde;o em muitas regi&otilde;es da &Aacute;frica. Pela nossa cultura religiosa tradicional, os africanos, est&atilde;o imbu&iacute;dos de um profundo sentido de Deus Criador. Eles mantiveram-no consigo na sua convers&atilde;o ao Isl&atilde;o e ao Cristianismo. Quando este fervor religioso &eacute; mal orientado por fan&aacute;ticos ou manipulado pelos pol&iacute;ticos, geram-se conflitos que afectam a todos. Mas se for bem orientado, torna-se uma for&ccedil;a poderosa ao servi&ccedil;o do bem, especialmente em prol da paz e da reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>40. O S&iacute;nodo ouviu o testemunho de muitos Padres sinodais que percorreram com sucesso o caminho do di&aacute;logo com os mu&ccedil;ulmanos. Eles s&atilde;o o exemplo de que o di&aacute;logo funciona e a colabora&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, sendo muitas vezes efectiva. Os temas da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz s&atilde;o uma preocupa&ccedil;&atilde;o comum a todas as comunidades, independentemente do credo que professam. Partindo dos valores partilhados por ambos os credos, os mu&ccedil;ulmanos e os crist&atilde;os podem contribuir muito para a restaura&ccedil;&atilde;o da paz e da reconcilia&ccedil;&atilde;o nas nossas na&ccedil;&otilde;es. Foi o que aconteceu em muitos casos. O S&iacute;nodo louva estes esfor&ccedil;os, recomendando-os tamb&eacute;m aos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>41. O di&aacute;logo e a colabora&ccedil;&atilde;o aumentar&atilde;o sempre que houver respeito m&uacute;tuo. Como Bispos cat&oacute;licos, recebemos da nossa Igreja orienta&ccedil;&otilde;es claras para o di&aacute;logo, permanecer firmes na nossa f&eacute;, mas deixando ao outro a liberdade de escolha. O S&iacute;nodo recebeu boas not&iacute;cias de comunidades isl&acirc;micas que permitem a liberdade da Igreja e do culto, tendo beneficiado com a obra social da Igreja que acolheram com alegria. Enquanto louvamos este facto, insistimos na afirma&ccedil;&atilde;o de que s&oacute; isso n&atilde;o basta. A liberdade de religi&atilde;o inclui a liberdade de propagar a pr&oacute;pria f&eacute; pessoal, de a propor e n&atilde;o de a impor, de aceitar e acolher os convertidos. As na&ccedil;&otilde;es que por lei pro&iacute;bem os seus cidad&atilde;os de abra&ccedil;arem a f&eacute; crist&atilde;, est&atilde;o a negar aos seus pr&oacute;prios cidad&atilde;os o direito humano fundamental de decidir livremente sobre o credo a que querem aderir. Apesar de a realidade ter sido esta por muito tempo, chegou a hora de rever a situa&ccedil;&atilde;o &agrave; luz do respeito pelos direitos humanos fundamentais. O S&iacute;nodo adverte que tal restri&ccedil;&atilde;o de liberdade subverte o di&aacute;logo sincero, frustrando igualmente uma aut&ecirc;ntica colabora&ccedil;&atilde;o. Uma vez o mundo mu&ccedil;ulmano acolhe com prazer os crist&atilde;os que decidem mudar de religi&atilde;o, tamb&eacute;m deveriam salvaguardar a reciprocidade neste campo. No mundo que est&aacute; a surgir, o respeito m&uacute;tuo &eacute; o caminho a seguir, sendo necess&aacute;rio que cada um de n&oacute;s d&ecirc; espa&ccedil;o a que cada uma das confiss&otilde;es religiosas contribua plenamente para o bem da humanidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conclus&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>42. Car&iacute;ssimos irm&atilde;os no Episcopado, queridos filhos e filhas da Igreja-Fam&iacute;lia de Deus em &Aacute;frica, homens e mulheres de boa vontade em e fora de &Aacute;frica: partilh&aacute;mos convosco a convic&ccedil;&atilde;o mais forte deste S&iacute;nodo: a &Aacute;frica n&atilde;o est&aacute; abandonada ao fracasso. O nosso destino continua a estar nas nossas m&atilde;os. A &Aacute;frica apenas pede espa&ccedil;o para respirar e para se desenvolver. A &Aacute;frica j&aacute; se p&ocirc;s em movimento e a Igreja acompanha-a com a luz do Evangelho. Pode ser que as &aacute;guas sejam turbulentas. Mas tendo fixado o nosso olhar em Cristo Senhor (cf. Mt 14,28-32), atracaremos s&atilde;os e salvos ao porto da reconcilia&ccedil;&atilde;o, da justi&ccedil;a e da paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>43.Confiamos esta mensagem e todos os nossos compromissos &agrave; intercess&atilde;o materna da Sant&iacute;ssima Virgem Maria, Rainha da Paz e Nossa Senhora de &Aacute;frica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&Aacute;frica, levanta-te, pega na tua enxerga<\/em><\/p>\n<p><em>e anda! (Jo 5,8)<\/em><\/p>\n<p><em>&ldquo;De resto, irm&atilde;os, alegrai-vos.<\/em><\/p>\n<p><em>Procurai crescer na perfei&ccedil;&atilde;o,<\/em><\/p>\n<p><em>animai-vos uns aos outros.<\/em><\/p>\n<p><em>Permanecei unidos, vivei em paz <\/em><\/p>\n<p><em>e o Deus do amor <\/em><\/p>\n<p><em>e da paz estar&aacute; convosco&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>(2 Cor 13,11).<\/p>\n<p>&Aacute;men.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>(Vers&atilde;o em portugu&ecirc;s divulgada pelo Vaticano. Texto n&atilde;o definitivo)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem ao Povo de Deus Na D&eacute;cima Oitava Congrega&ccedil;&atilde;o Geral, Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009, os Padres Sinodais aprovaram o Nuntius (Mensagem) no final da II Assembleia Especial para a &Aacute;frica do S&iacute;nodo dos Bispos. Introdu&ccedil;&atilde;o 1. 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