{"id":415096,"date":"2026-03-06T17:18:13","date_gmt":"2026-03-06T17:18:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=415096"},"modified":"2026-03-06T17:18:13","modified_gmt":"2026-03-06T17:18:13","slug":"laco-vs-no-o-desafio-da-longevidade-afetiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/laco-vs-no-o-desafio-da-longevidade-afetiva\/","title":{"rendered":"La\u00e7o vs N\u00f3: O desafio da longevidade afetiva"},"content":{"rendered":"<p>Mariana Pires, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mariana-pires1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-415097 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mariana-pires1-280x280.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mariana-pires1-280x280.jpg 280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mariana-pires1-150x150.jpg 150w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mariana-pires1-300x300.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mariana-pires1-500x500.jpg 500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/mariana-pires1.jpg 693w\" sizes=\"(max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><\/a> Temos pressa. Pressa de viver, pressa de sentir e, sobretudo, pressa de colecionar instantes que fiquem bem no feed do Instagram ou do Facebook.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Saramago dizia: \u201cN\u00e3o tenhamos pressa, mas n\u00e3o percamos tempo\u201d. No entanto, vivemos exatamente ao contr\u00e1rio. Temos uma pressa louca de consumir instantes, mas perdemos um tempo precioso a saltar de superficialidade em superficialidade. Relembro as JMJ e olho para a passagem b\u00edblica de Maria, que &#8220;partiu apressadamente&#8221; para encontrar a sua prima Isabel, e percebo que a pressa dela n\u00e3o era o nervosismo de quem quer chegar primeiro, mas a urg\u00eancia de quem sabe que o amor n\u00e3o pode esperar. Maria n\u00e3o ia para uma vitrine; ia para um encontro que ia durar.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que surge o meu dilema: estamos a construir la\u00e7os ou a apertar n\u00f3s?<\/p>\n<p>O <strong>la\u00e7o<\/strong> \u00e9 a est\u00e9tica do encontro. Mas o problema do la\u00e7o \u00e9 a sua pr\u00f3pria natureza: \u00e9 feito para ser f\u00e1cil de desatar. Basta um pux\u00e3o mais forte, um cansa\u00e7o ou uma mudan\u00e7a de moda, e ele solta-se num instantinho. Mas o <strong>n\u00f3<\/strong>\u2026 o n\u00f3 n\u00e3o serve para enfeitar nada. Ele n\u00e3o nasce do entusiasmo passageiro, mas da paci\u00eancia de quem escolhe ficar quando o inverno chega e a luz escurece. Leva tempo a apertar, exige conviv\u00eancia e, por vezes, \u00e9 dif\u00edcil de lidar, mas \u00e9 ele que segura as coisas quando as tempestades da vida apertam.<\/p>\n<p>Vivemos na era do descarte. Trocamos de telem\u00f3vel a cada dois anos e, quase sem querer, come\u00e7\u00e1mos a aplicar a mesma l\u00f3gica \u00e0s pessoas. A Igreja, que deveria ser o ant\u00eddoto para isto, cai muitas vezes na tenta\u00e7\u00e3o do &#8220;marketing espiritual&#8221;. Focamo-nos tanto no que \u00e9 \u201cex\u00f3tico\u201d, na novidade que atrai likes ou no pr\u00f3ximo projeto mission\u00e1rio que pare\u00e7a inovador, que acabamos por ignorar quem j\u00e1 l\u00e1 est\u00e1. \u00c9 a \u201cmiss\u00e3o vitrine\u201d: \u00e9 fac\u00edlimo sorrir para um desconhecido num evento pontual, e n\u00e3o digo que n\u00e3o seja importante faz\u00ea-lo, mas \u00e9 uma prova de fogo ser paciente e constante com quem nos conhece os defeitos h\u00e1 anos. \u00c0s vezes, por tr\u00e1s do entusiasmo da novidade, esconde-se apenas uma busca por gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea. Esquecemo-nos de que a santidade n\u00e3o \u00e9 um evento pontual, \u00e9 a teimosia de permanecer. E quando penso nisto agrade\u00e7o por ser teimosa.<\/p>\n<p>Olho para Jesus e vejo a novidade que n\u00e3o descarta. Jesus n\u00e3o fazia um \u201cupdate\u201d aos amigos s\u00f3 porque aparecia algu\u00e9m mais interessante ou \u201cinfluente\u201d. Ele chamava gente nova, sim, mas n\u00e3o dava \u201cghost\u201d nos disc\u00edpulos que j\u00e1 O seguiam h\u00e1 meses, com todas as suas teimosias e perguntas, por vezes, chatas. Para Jesus, ningu\u00e9m era descart\u00e1vel. Ele n\u00e3o trocava a ovelha que j\u00e1 conhecia o Seu passo por uma \u201cvers\u00e3o melhorada\u201d. Ele ensinou-nos que o novo e o antigo podem comer juntos \u00e0 mesa. No fundo, Jesus n\u00e3o andava \u00e0 procura de \u201cseguidores\u201d de um dia; Ele andava a apertar n\u00f3s que durassem uma vida inteira.<\/p>\n<p>Uma comunidade que s\u00f3 se deixa levar pelo brilho do que acabou de chegar sofre de, se me permitem, \u201camn\u00e9sia espiritual\u201d. A f\u00e9 deveria ensinar-nos a lidar com as chatices e os cansa\u00e7os, em vez de nos dar permiss\u00e3o para ignorar ou apagar algu\u00e9m s\u00f3 porque a rela\u00e7\u00e3o se tornou exigente. Como estudante de enfermagem veterin\u00e1ria sei que num corpo vivo, e a Igreja \u00e9 esse Corpo, um membro n\u00e3o ignora o outro s\u00f3 porque apareceu uma parte mais chamativa. \u00a0Na biologia, se um \u00f3rg\u00e3o falha ou se isola, todo o sistema sofre. N\u00e3o se \u201ctroca\u201d uma parte do corpo por est\u00e9tica; cuida-se, cura-se e mant\u00e9m-se a liga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A verdadeira longevidade do carinho \u00e9 honrar quem cresceu connosco, quem nos viu nos nossos piores dias e n\u00e3o se foi embora. A Igreja tem de ser o lugar onde o tempo que passamos juntos \u00e9 um tesouro, e n\u00e3o uma raz\u00e3o para estarmos aborrecidos.<\/p>\n<p>Para que a nossa presen\u00e7a no mundo valha a pena, precisamos de oferecer o que ningu\u00e9m oferece: o porto seguro de saber que n\u00e3o estamos sozinhos. O papel decisivo da Igreja deve ser o de garantir que ningu\u00e9m, especialmente n\u00f3s, os jovens que estamos a tentar perceber onde \u00e9 o nosso lugar, se sinta uma pe\u00e7a que se troca quando se estraga, a Igreja precisa de ser mais do que um lugar de festas bonitas; tem de ser um s\u00edtio onde se aprende a ficar. A minha gera\u00e7\u00e3o vive pressionada para deitar fora o que n\u00e3o brilha, mas a Igreja tem o dever de nos ensinar a n\u00e3o desistir uns dos outros. Como dizia Miguel Torga, \u201co que \u00e9 preciso \u00e9 ser-se o que se \u00e9, com toda a for\u00e7a e toda a verdade\u201d (Miguel Torga, in Di\u00e1rio I). E a verdade \u00e9 que ningu\u00e9m cresce sozinho.<\/p>\n<p>A for\u00e7a do amor n\u00e3o se v\u00ea na perfei\u00e7\u00e3o de um la\u00e7o de fita, mas na resist\u00eancia de um n\u00f3 que o tempo n\u00e3o conseguiu desatar. No fundo, a f\u00e9 \u00e9 esta teimosia boa: a de acreditar, como Maria, que vale a pena correr, n\u00e3o para colecionar momentos r\u00e1pidos, mas para sermos \u201cSobreiros\u201d, gente que cria ra\u00edzes eternas e as aperta bem fundo na terra.<\/p>\n<p><em>Mariana Pires, Juventude Eucar\u00edstica Franciscana.<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina, e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariana Pires, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":415098,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-415096","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/415096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=415096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/415096\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/415098"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=415096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=415096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=415096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}