{"id":415034,"date":"2026-03-08T09:31:14","date_gmt":"2026-03-08T09:31:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=415034"},"modified":"2026-03-06T11:46:59","modified_gmt":"2026-03-06T11:46:59","slug":"dia-da-mulher-luta-pela-igualdade-e-um-trabalho-constante-das-sociedades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dia-da-mulher-luta-pela-igualdade-e-um-trabalho-constante-das-sociedades\/","title":{"rendered":"Dia da Mulher: Luta pela igualdade \u00e9 \u00abum trabalho constante das sociedades\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>A 8 de mar\u00e7o celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Num tempo marcado por polariza\u00e7\u00f5es e onde muitas vezes se multiplicam os muros em vez das pontes, a ECCLESIA e a Renascen\u00e7a recebem In\u00eas Espada Vieira, professora universit\u00e1ria, investigadora e presidente da Dire\u00e7\u00e3o do Centro de Reflex\u00e3o Crist\u00e3 (CRC)<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_415039\" aria-describedby=\"caption-attachment-415039\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-415039 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ines-espada-foto-fabio-oliveira-rr-33271ebd8.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ines-espada-foto-fabio-oliveira-rr-33271ebd8.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ines-espada-foto-fabio-oliveira-rr-33271ebd8-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ines-espada-foto-fabio-oliveira-rr-33271ebd8-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ines-espada-foto-fabio-oliveira-rr-33271ebd8-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ines-espada-foto-fabio-oliveira-rr-33271ebd8-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/ines-espada-foto-fabio-oliveira-rr-33271ebd8-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-415039\" class=\"wp-caption-text\">Foto: F\u00e1bio Oliveira\/Renascen\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<p><em>Com a evolu\u00e7\u00e3o social das \u00faltimas d\u00e9cadas, h\u00e1 quem defenda que a exist\u00eancia desta data tende a tornar-se irrelevante. Mas quando olhamos para a realidade, sobretudo em Portugal, a subsist\u00eancia de desigualdades salariais e as dificuldades no acesso a cargos de chefia provam o contr\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p>Celebrar o Dia da Mulher continua a fazer sentido e faz sentido em todos os lugares do mundo. Em Portugal, felizmente, a nossa Constitui\u00e7\u00e3o, que celebra este ano 50 anos, &#8211; tamb\u00e9m estamos em festa por isso &#8211; e os \u00faltimos 51, 52 anos de constru\u00e7\u00e3o da democracia trouxeram para a legisla\u00e7\u00e3o a igualdade entre os homens e as mulheres. Creio que temos estes dois n\u00edveis. do ponto de vista institucional, do ponto de vista do reconhecimento dos direitos, das necessidades e dos deveres de cada um, os homens e as mulheres s\u00e3o iguais em Portugal. Mas depois, na pr\u00e1tica\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda n\u00e3o conseguiu concretizar-se plenamente\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, e acho que \u00e9, na verdade, um trabalho constante das sociedades. Na democracia, nesse jogo entre os poderes pol\u00edticos, os poderes institucionais, entre as comunidades, os pr\u00f3prios e aquilo que, enfim, a sociedade, que \u00e9 essa coisa muito plural, n\u00f3s continuamos a ter de fazer trabalho. O Dia Internacional da Mulher \u00e9 um dia para voltar a falar, falar insistentemente dessas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Num artigo publicado no ponto SJ, refletia sobre o espa\u00e7o que as mulheres ocupam. A verdade \u00e9 que, ao lado dessas desigualdades estruturais, vemos agora crescer narrativas, \u00e0s vezes profundamente mis\u00f3ginas, como o movimento \u201cred pill\u201d, que ganha cada vez mais atra\u00e7\u00e3o entre os rapazes mais novos. Como \u00e9 que explica este retrocesso geracional e o que \u00e9 que podemos fazer para travar este tipo de extremismo?<\/em><\/p>\n<p>Oxal\u00e1 eu pudesse explicar uma coisa t\u00e3o complexa. De facto, o que eu posso dizer \u00e9 que \u00e9 uma surpresa, que \u00e9 um espanto. De facto, eu n\u00e3o tenho uma explica\u00e7\u00e3o, tenho um espanto e um alerta para todos n\u00f3s: pais, educadores, cidad\u00e3os ativos do nosso espa\u00e7o p\u00fablico. Temos de procurar resolver ou mudar a dire\u00e7\u00e3o que algumas quest\u00f5es est\u00e3o a levar. Os homens e as mulheres, os rapazes e as raparigas, os meninos e as meninas, em todos os momentos da vida, t\u00eam de ser considerados e vividos, t\u00eam de ter uma experi\u00eancia da felicidade, uma experi\u00eancia da vida em comum, da vida familiar, da vida consigo mesmo, t\u00eam de ter uma experi\u00eancia feliz, t\u00eam de ter uma experi\u00eancia digna e que os possa formar como pessoas, que depois ter\u00e3o essas vidas mais justas.<\/p>\n<p>Agora, isto \u00e9 muito dif\u00edcil e temos de colocar muito peso em cima da import\u00e2ncia da escola. N\u00e3o \u00e9 uma responsabilidade \u00fanica, mas a escola p\u00fablica, no caso, o Estado tem a obriga\u00e7\u00e3o de conceder aos cidad\u00e3os, tem de debater estas quest\u00f5es. N\u00e3o podemos ter diretores de escolas a dizer \u201cn\u00e3o podemos controlar tudo, eles tamb\u00e9m em casa ouvem\u201d. Primeiro, se calhar alguns n\u00e3o ouvem em casa e depois isso \u00e9 a desculpa dos pais, \u201celes tamb\u00e9m ouvem na escola, n\u00e3o posso controlar tudo\u201d, \u00e9 muito, muito assustador. Temos de olhar tamb\u00e9m para o que est\u00e1 a correr bem e quais s\u00e3o essas institui\u00e7\u00f5es, essas comunidades, essas estrat\u00e9gias, esses encontros que est\u00e3o a correr bem e que transformam a maneira dos rapazes e das raparigas pensarem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O grau de atra\u00e7\u00e3o e de efic\u00e1cia deste discurso extremista que est\u00e1 agora, contra as mulheres, que est\u00e1 a entrar de novo em voga no nosso mundo &#8211; noutras partes nunca saiu &#8211; tamb\u00e9m pode ser contraposto por discursos que sejam igualmente eficazes na perce\u00e7\u00e3o de que a igualdade n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a a nenhuma?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o constante, ou seja, n\u00f3s n\u00e3o vamos resolver isto com um workshop, ou com um curso de forma\u00e7\u00e3o. Agora, \u00e9 preciso n\u00e3o fingir que est\u00e1 tudo j\u00e1 bem e que as mulheres s\u00f3 andam a reclamar, ou que j\u00e1 h\u00e1 muitas mulheres. N\u00e3o h\u00e1: vamos tirar fotografias ao governo, vamos tirar fotografias \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A quest\u00e3o \u00e9 sobretudo neste sentido: h\u00e1 um tipo de trabalho que \u00e9 eficaz, neste caso para um resultado que n\u00e3o \u00e9 o que se pretende, mas \u00e9 eficaz. Tamb\u00e9m podemos perceber que \u00e9 preciso insistir muito para chegar a resultados, com o algoritmo, com as bolhas\u2026<\/em><\/p>\n<p>Quando estamos a analisar esta quest\u00e3o das redes, estamos a analisar tamb\u00e9m uma parte do mundo, n\u00e3o \u00e9? N\u00e3o \u00e9 verdade que sejam todos assim, felizmente, mas de facto todos somos respons\u00e1veis, todos somos respons\u00e1veis, cada um. Entendendo-nos como cidad\u00e3os, n\u00e3o precisamos todos de lutar pelas mesmas causas, ou de termos as mesmas preocupa\u00e7\u00f5es, porque na verdade depois ser\u00edamos todos iguais, mas esta dimens\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o para uma sociedade de fraternidade, de igualdade, de liberdade e de fraternidade\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 uma causa comum a todos, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Sim, tem de ser, porque \u00e9 isso que exige a dignidade do ser humano, sen\u00e3o ficamos um bocadinho sem destino aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando olhamos para as margens da sociedade, o cen\u00e1rio vai-se agravando, porque a imagem da mulher em defesa \u00e9 hoje frequentemente usada como combust\u00edvel para justificar a xenofobia contra, por exemplo, migrantes. Ao mesmo tempo sabemos que as mulheres s\u00e3o as principais v\u00edtimas das redes de tr\u00e1fico humano. Como \u00e9 que podemos desmontar este discurso que instrumentaliza as mulheres para promover o \u00f3dio e passar a proteg\u00ea-las de uma forma eficaz?<\/em><\/p>\n<p>Primeiro, perdendo um bocadinho o paternalismo de que, mesmo sem querer, \u00e0s vezes padecemos. Na verdade, eu penso que \u00e9 um discurso que tem de estar constantemente a ser desmontado. N\u00e3o sei como fazer, n\u00e3o quero aqui dar uma solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tenho, mas para a qual estou disposta a contribuir: pensarmos de que maneira o Estado, as organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, o jornalismo pode estar constantemente, da mesma forma que h\u00e1 um discurso extremista e muitas vezes falso e enviesado e deturpado &#8211; a fazer o contr\u00e1rio, a insistir, persistir, a cansar os outros tamb\u00e9m, dizer que n\u00e3o \u00e9 verdade. A popula\u00e7\u00e3o migrante tem muitos problemas, eu costumo evitar dizer a palavra desafios, porque na verdade o que tem s\u00e3o problemas, mas estamos a falar dos imigrantes pobres. Ningu\u00e9m anda preocupado com a viol\u00eancia que pode haver contra as mulheres migrantes que t\u00eam vistos gold, embora tamb\u00e9m possa haver.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia que eu tenho com pessoas migrantes surpreendeu-me tamb\u00e9m nesses estere\u00f3tipos, porque eu vejo casamentos e vejo fam\u00edlias completamente funcionais e t\u00e3o parit\u00e1rias ou igualit\u00e1rias como as nossas, ou seja, sempre um bocadinho mais a pesar as coisas em cima do lado feminino, portanto igualzinho aos portugueses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O seu trabalho tamb\u00e9m passa por acolher mulheres refugiadas. Sabemos que a migra\u00e7\u00e3o, em particular, tem sempre um peso maior sobre as mulheres, sobre as meninas, sobre as jovens\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, os imigrantes n\u00e3o s\u00e3o uma coisa, s\u00e3o muitas coisas, e cada pessoa, cada experi\u00eancia de fam\u00edlia ou de vida individual traz a sua hist\u00f3ria. O que eu vejo e queria salientar, apesar das diferen\u00e7as, \u00e9 sobretudo a converg\u00eancia, nas meninas migrantes, que venham do M\u00e9dio Oriente, que venham da \u00c1frica. S\u00e3o as que eu conhe\u00e7o melhor na minha experi\u00eancia, que \u00e9 casu\u00edstica, n\u00e3o estou a fazer ci\u00eancia, estou a partilhar uma experi\u00eancia, e t\u00eam exatamente as mesmas ambi\u00e7\u00f5es, os mesmos medos que as jovens crescidas em Portugal: querem estudar, querem sair, querem ter amigos, querem saber quem s\u00e3o no crescimento, o que constitui a pr\u00f3pria adolesc\u00eancia, querem ouvir m\u00fasica e querem passar nos testes. \u00c9 exatamente a mesma coisa, e provavelmente apaixonarem-se, n\u00e3o \u00e9? Agora, h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es que t\u00eam a ver com a vulnerabilidade da pobreza, pelo menos de uma pobreza que \u00e9 contextual. Muitas das pessoas, nomeadamente pessoas refugiadas que v\u00eam para Portugal, n\u00e3o eram pobres, n\u00e3o tinham uma experi\u00eancia de pobreza nos seus pa\u00edses de origem, portanto v\u00eam experimentar tudo novo, e t\u00eam um desafio que n\u00f3s n\u00e3o temos, a quest\u00e3o de viverem numa outra l\u00edngua &#8211; e eu digo mesmo viver numa outra l\u00edngua, a l\u00edngua como um espa\u00e7o onde a pessoa tem de se procurar e encontrar, isso \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Passando agora para dentro de portas, como \u00e9 que classifica os passos que t\u00eam sido dados na Igreja Cat\u00f3lica, olhando para estes primeiros dez meses de pontificado do Papa Le\u00e3o XIV? Sente que h\u00e1 uma continuidade do que foi iniciado, ou estamos perante uma abordagem diferente \u00e0 quest\u00e3o feminina?<\/em><\/p>\n<p>Penso que h\u00e1 uma continuidade, eu diria que os passos s\u00e3o devagar, devagarinho, quase parados. Saiu a not\u00edcia deque h\u00e1 uma sugest\u00e3o que as mulheres passem a integrar a forma\u00e7\u00e3o do clero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sim, \u00e9 o relat\u00f3rio final do grupo de estudo sobre a forma\u00e7\u00e3o dos sacerdotes.<\/em><\/p>\n<p>Eu fico surpresa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Verdade seja dita, isso j\u00e1 estava no&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Claro, j\u00e1 existe, eu conhe\u00e7o algumas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a falar sempre do ponto de vista portugu\u00eas, para o resto do mundo pode ser importante.<\/em><\/p>\n<p>Claro, \u00e9 importante para todo o mundo, mas ainda \u00e9 s\u00f3 um relat\u00f3rio, estamos em 2026. E n\u00f3s, Igreja, temos de perceber como aqueles que est\u00e3o de fora da Igreja olham c\u00e1 para dentro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda olham para uma estrutura muito patriarcal?<\/em><\/p>\n<p>E \u00e9, \u00e9 muito patriarcal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o S\u00ednodo pode ajudar, na mudan\u00e7a desse olhar?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que pode ajudar, mas parece que estamos todos a fazer favores. Vai ajudar e tem de se fazer este caminho. Mas s\u00e3o passos devagar, devagarinho, quase parados. Desculpem dizer assim.<\/p>\n<p>As mulheres n\u00e3o precisam de favores, nem precisam de um espa\u00e7o agora para as consolar ou para dizer que temos igualdade. Vamos p\u00f4r uma mulher agora em cada semin\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 isto.<\/p>\n<p>A Igreja tem de reconhecer, assumir, promover a necessidade de uma Igreja que seja de homens e de mulheres. Eu n\u00e3o estou a falar de coisas radicais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o estamos a falar de ordena\u00e7\u00f5es&#8230;<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, embora tamb\u00e9m pudesse ser falado, n\u00e3o \u00e9? E tem sido discutido. Mas tem sido sempre discutido para dizer que n\u00e3o h\u00e1 discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, eu acho que se a Igreja quer estar no seu tempo, que \u00e9 sempre um tempo mais lento, mais pensado, mais pausado, isso \u00e9 bom. Mas inspirado, porque \u00e9 preciso dar tempo \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, eu acredito nisso.<\/p>\n<p>N\u00e3o venho aqui, que era um atrevimento demasiado, propor coisas. Mas quero dizer que eu, e agora sim, como mulher, e outras mulheres, e outros homens, pensamos que \u00e9 preciso mais, mais r\u00e1pido, menos hesita\u00e7\u00f5es. Estamos no s\u00e9culo XXI. Metade da sociedade s\u00e3o mulheres e na Igreja n\u00e3o s\u00e3o metade. Ah, sim, as mulheres s\u00e3o muito importantes, dizem que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas na Igreja s\u00e3o mais do que os homens, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Sim, mas n\u00e3o contam. S\u00e3o mais do que os homens, mas n\u00e3o contam para aquilo que importa. E h\u00e1 um esfor\u00e7o extraordin\u00e1rio da realidade, e de algumas realidades paroquiais, pelo menos em Portugal, e a\u00ed as mulheres s\u00e3o ouvidas, claro que sim. Ouvidas, tidas em conta, participam, mas noutras n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para isso. E, portanto, as mulheres s\u00e3o mais para arranjar as flores, passar a ferro os paramentos, ser zeladoras, a catequese, claro, a pastoral, a mission\u00e1ria, as benefic\u00eancias. Mas quem \u00e9 que est\u00e1 no altar? Desculpem o atrevimento. N\u00e3o \u00e9 que eu queira agora a Igreja tomada pelas mulheres, eu gostava era que n\u00e3o houvesse tanta hesita\u00e7\u00e3o em discutir isto, em abrir verdadeiramente a mulheres que querem dar o seu ponto de vista, que \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o feminino assim, \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de pluralidade.<\/p>\n<p>Eu tenho falado sempre nesta palavra, a pluralidade \u00e9 fundamental. Mesmo para fazermos asneiras juntos, j\u00e1 agora, para acabar com esse argumento que aquilo \u00e9 s\u00f3 homens, n\u00e3o. Portanto, acho que \u00e9 muito importante estarmos juntos. E essa experi\u00eancia, que \u00e9 uma experi\u00eancia que depois se torna f\u00edsica tamb\u00e9m. N\u00f3s precisamos dessa experi\u00eancia f\u00edsica, do conv\u00edvio, da discuss\u00e3o, da pausa para caf\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que desafio pr\u00e1tico, que lugar \u00e9 que gostaria de propor que as mulheres possam reivindicar na sociedade, como forma de assinar este dia ao longo do pr\u00f3ximo ano todo?<\/em><\/p>\n<p>Isto \u00e9 muito dif\u00edcil. O desafio pr\u00e1tico: cada uma a decidir com aud\u00e1cia, com coragem, que \u00e9 preciso, \u00e0s vezes, para se expor no sentido da reivindica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma reivindica\u00e7\u00e3o de gritos na rua, embora tamb\u00e9m haja lugares em que isso faz sentido, mas que nos seus espa\u00e7os comunit\u00e1rios de trabalho, na fam\u00edlia, exigir com firmeza e do\u00e7ura, mas exigir um pouco mais de igualdade.<\/p>\n<p>E os homens tamb\u00e9m, porque, felizmente, o feminismo n\u00e3o \u00e9 exclusivo das mulheres. Ali\u00e1s, o feminismo n\u00e3o \u00e9 o contr\u00e1rio do machismo. O feminismo \u00e9 a igualdade. E \u00e9 essa reivindica\u00e7\u00e3o, talvez, essa voz, essa voz vis\u00edvel que seja necess\u00e1ria trazer para continuar, como dizia h\u00e1 bocado, a brincar, a fazer asneiras juntos, mas, sobretudo, a prosseguir um caminho para mais justi\u00e7a, para mais paz, mais fraternidade e mais riqueza tamb\u00e9m para o nosso pa\u00eds, para podermos enfrentar tanta desigualdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 8 de mar\u00e7o celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Num tempo marcado por polariza\u00e7\u00f5es e onde muitas vezes se multiplicam os muros em vez das pontes, a ECCLESIA e a Renascen\u00e7a recebem In\u00eas Espada Vieira, professora universit\u00e1ria, investigadora e presidente da Dire\u00e7\u00e3o do Centro de Reflex\u00e3o Crist\u00e3 (CRC)<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":415039,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[340],"class_list":["post-415034","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-mulher"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/415034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=415034"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/415034\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/415039"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=415034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=415034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=415034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}