{"id":414719,"date":"2026-03-03T10:56:01","date_gmt":"2026-03-03T10:56:01","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=414719"},"modified":"2026-03-03T10:56:01","modified_gmt":"2026-03-03T10:56:01","slug":"ninguem-merece-isto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ninguem-merece-isto\/","title":{"rendered":"\u201cNingu\u00e9m merece isto\u2026\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Nas planta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1 do Bangladesh, a Igreja \u00e9 sinal de esperan\u00e7a<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_414720\" aria-describedby=\"caption-attachment-414720\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Maristas_4_cConor-ASleigh.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-414720 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Maristas_4_cConor-ASleigh-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Maristas_4_cConor-ASleigh-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Maristas_4_cConor-ASleigh-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Maristas_4_cConor-ASleigh-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Maristas_4_cConor-ASleigh-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Maristas_4_cConor-ASleigh-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Maristas_4_cConor-ASleigh.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-414720\" class=\"wp-caption-text\">Foto: ACN<\/figcaption><\/figure>\n<p>A beleza da regi\u00e3o, exuberante de verde, esconde a trag\u00e9dia da pobreza dos que trabalham nas planta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1 no Bangladesh. Formalmente, s\u00e3o pessoas livres, mas na verdade s\u00e3o aut\u00eanticos escravos que recebem uma mis\u00e9ria por cada dia extenuante de trabalho. Para o Irm\u00e3o Eugenio Sanchez, isto \u00e9 inqualific\u00e1vel. \u201cNenhum ser humano merece isto\u201d, diz \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS. A presen\u00e7a de uma pequena comunidade de Irm\u00e3os Maristas nesta esquina no mundo \u00e9 um sinal de que esta popula\u00e7\u00e3o pobre e miser\u00e1vel n\u00e3o foi abandonada\u2026<\/p>\n<p>Tudo por ali parece desmesurado. O verde \u00e9 denso, tem matizes, est\u00e1 presente em todo o lado. Quem chega n\u00e3o compreende logo que por ali vivem pessoas. S\u00e3o trabalhadores do ch\u00e1, um resqu\u00edcio ainda dos tempos coloniais, quando os Brit\u00e2nicos compreenderam que aquelas terras seriam prop\u00edcias para as planta\u00e7\u00f5es que exigem um labor constante, \u00e1rduo e que \u00e9 mal pago. Sempre foi muito mal pago. A tal ponto que os trabalhadores das planta\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais escravos do que homens livres, apesar de terem ordenado, apesar de serem pagos pelo que fazem. Mas o que recebem \u00e9 miser\u00e1vel, n\u00e3o os retira da indig\u00eancia, n\u00e3o lhes oferece nenhum futuro. Est\u00e3o presos a uma realidade que os arrasta para a mais profunda pobreza. Quem chega a Giasnogor n\u00e3o compreende logo que por ali, no meio de todas as trag\u00e9dias que se acumulam desde h\u00e1 quase anos sem fim, h\u00e1 tamb\u00e9m uma semente teimosa de amor que foi plantada por um punhado de religiosos, de Irm\u00e3os Maristas.<\/p>\n<p><strong>Um espanhol enamorado pelo Bangladesh<\/strong><\/p>\n<p>Eugenio Sanz Sanchez \u00e9 espanhol, mas h\u00e1 muito que se deixou enamorar pelas gentes do Bangladesh, em especial os trabalhadores das planta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1. Eugenio n\u00e3o desiste de transformar aquela terra transformando os cora\u00e7\u00f5es. S\u00f3 isso poder\u00e1 ter a for\u00e7a suficiente para mudar d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o, de subservi\u00eancia, de pobreza. \u201cSou um irm\u00e3o marista. Queremos dignificar as pessoas daqui porque todas as pessoas, pelo simples facto de serem seres humanos, t\u00eam direitos. O alvo da nossa ac\u00e7\u00e3o aqui s\u00e3o as pessoas que trabalham nas planta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1, uma minoria muito carenciada no Bangladesh. H\u00e1 150 anos, os Brit\u00e2nicos estabeleceram planta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1 nesta regi\u00e3o. As condi\u00e7\u00f5es em que vivem s\u00e3o muito, muito prec\u00e1rias\u201d, explica \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS. Para se deslocar de povoa\u00e7\u00f5es em povoa\u00e7\u00e3o, o Irm\u00e3o Eugenio vai de Land Rover. S\u00f3 um jipe assim, robusto, \u00e9 capaz de ultrapassar os caminhos de terra batida esburacados por chuvas que por vezes, ali, parecem dil\u00favios. Por ali n\u00e3o se pode andar depressa, mas tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nenhuma urg\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Uma regi\u00e3o que parece ter parado no tempo<\/strong><\/p>\n<p>A vida nas planta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1 parece ter parado no tempo. As fam\u00edlias continuam presas a uma mis\u00e9ria sufocante, que vai passando de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o como se fosse uma inevitabilidade. \u201cN\u00e3o t\u00eam dinheiro para mandar os seus filhos para a escola\u201d, explica, num evidente desalento, o Irm\u00e3o Eugenio Sanchez. \u201cN\u00e3o t\u00eam dinheiro para pagar medicamentos adequados. Por isso, ficam aqui, presos \u00e0 sua terra. Nenhum ser humano merece isso. Nenhum ser humano merece isso.\u201d, diz, uma e outra vez, a sublinhar o drama que tem em m\u00e3os e que ainda n\u00e3o conseguiu resolver. N\u00e3o conseguiu resolver, mas n\u00e3o desiste de o fazer. Todos os dias, quando sai da casa onde os Maristas vivem em Giasnogor, Eugenio sabe que transporta consigo uma luz de esperan\u00e7a. A esperan\u00e7a que vem de Deus. A vida ali nas planta\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. H\u00e1 por ali milhares de trabalhadores que vivem em condi\u00e7\u00f5es de extrema pobreza e que recebem miseravelmente a troco de um trabalho \u00e1rduo e di\u00e1rio de 10 a 12 horas. S\u00e3o milhares que vivem assim. As casas onde moram s\u00e3o constru\u00eddas sob estacas, t\u00eam paredes de barro e telhados de palha, quase n\u00e3o t\u00eam mob\u00edlia, quase n\u00e3o t\u00eam nada. No entanto, estas planta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1, que s\u00e3o o centro da vida em toda a regi\u00e3o, alimentam o neg\u00f3cio bem lucrativo de algumas empresas multinacionais.<\/p>\n<p><strong>Transformar esta terra num peda\u00e7o de C\u00e9u<\/strong><\/p>\n<p>Mas, para os Irm\u00e3os Maristas, esta hist\u00f3ria ainda n\u00e3o chegou ao fim. \u00c9 preciso mudar este paradigma. \u00c9 poss\u00edvel mudar esta pris\u00e3o a c\u00e9u aberto em que vivem estas popula\u00e7\u00f5es. E o caminho mais curto para essa mudan\u00e7a \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. \u201cQueremos dar a nossa pequena contribui\u00e7\u00e3o e ajud\u00e1-los a sair desse ciclo de mis\u00e9ria\u201d, diz o Irm\u00e3o Eugenio, lembrando os projectos que lhe alimentam esse sonho. \u201cHaver\u00e1 uma escola secund\u00e1ria, uma escola preparat\u00f3ria e tamb\u00e9m albergues para meninas e meninos. Eles poder\u00e3o sair, poder\u00e3o ampliar a sua vis\u00e3o. Poder\u00e3o ver o que h\u00e1 por tr\u00e1s das paredes da planta\u00e7\u00e3o de ch\u00e1. E, talvez um dia, quem sabe\u2026\u201d Talvez um dia, aquela terra seja mesmo um peda\u00e7o de C\u00e9u. Beleza n\u00e3o falta por ali. \u00c9 s\u00f3 preciso acabar com o sofrimento dos que trabalham nas planta\u00e7\u00f5es. O exemplo destes Irm\u00e3os Maristas \u00e9 extraordin\u00e1rio. A presen\u00e7a de uma pequena comunidade de Irm\u00e3os Maristas nesta esquina do mundo no Bangladesh \u00e9 um sinal de que esta popula\u00e7\u00e3o pobre e miser\u00e1vel n\u00e3o foi abandonada\u2026<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas planta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1 do Bangladesh, a Igreja \u00e9 sinal de esperan\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-414719","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/414719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=414719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/414719\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=414719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=414719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=414719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}