{"id":414461,"date":"2026-03-01T09:30:57","date_gmt":"2026-03-01T09:30:57","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=414461"},"modified":"2026-02-27T22:00:15","modified_gmt":"2026-02-27T22:00:15","slug":"caritas-pessoas-sem-morada-nao-existem-para-as-estatisticas-da-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/caritas-pessoas-sem-morada-nao-existem-para-as-estatisticas-da-pobreza\/","title":{"rendered":"C\u00e1ritas: Pessoas sem morada \u00abn\u00e3o existem\u00bb para as estat\u00edsticas da pobreza"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Na Semana Nacional C\u00e1ritas, Rita Valadas afirma que \u00e9 necess\u00e1rio ver na proximidade a situa\u00e7\u00e3o real das pessoas porque nem sempre os n\u00fameros \u00abcorrespondem \u00e0 realidade do territ\u00f3rio\u00bb e analisa na entrevista Renascen\u00e7a\/Ecclesia o trabalho das c\u00e1ritas diocesanas nas respostas de emerg\u00eancia ao longo do \u00faltimo m\u00eas<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_348844\" aria-describedby=\"caption-attachment-348844\" style=\"width: 840px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/rita-valadas-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-348844 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/rita-valadas-1.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"471\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/rita-valadas-1.jpg 840w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/rita-valadas-1-400x224.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/rita-valadas-1-768x431.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-348844\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Paulo Rocha (Ag\u00eancia Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A C\u00e1ritas Portuguesa vai apresentar a meio desta semana, no dia 4, um estudo em que atualiza os indicadores da pobreza e exclus\u00e3o social em Portugal, resultado do trabalho do Observat\u00f3rio C\u00e1ritas. Permanecem as tend\u00eancias do \u00faltimo relat\u00f3rio, apresentado no ano passado, onde se destacava negativamente a preval\u00eancia estruturalmente elevada de situa\u00e7\u00f5es extremas de exclus\u00e3o social?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 pequenas altera\u00e7\u00f5es. De facto, o resultado do estudo deste ano n\u00e3o nos descansa, porque nem sempre as percentagens, que os n\u00fameros oficiais nos apresentam, correspondem \u00e0 realidade do territ\u00f3rio. Isto \u00e9 uma coisa que n\u00f3s temos vindo a perseguir e a tentar perceber quais s\u00e3o, de facto, os mais vulner\u00e1veis, os mais fr\u00e1geis, dentro das situa\u00e7\u00f5es sociais na proximidade, porque o pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 igual, o pa\u00eds \u00e9 muito diferente e n\u00e3o recebe as influ\u00eancias todas da mesma maneira.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, realmente a nossa preocupa\u00e7\u00e3o permanece em continuar a olhar para os n\u00fameros e para a realidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Uma outra realidade, para al\u00e9m dos estudos?<br \/>\n<\/em>A realidade que os nossos olhos veem e que na nossa proximidade, que \u00e9 \u00fanica, v\u00ea muito melhor. De facto, a C\u00e1ritas tem este benef\u00edcio de estar nos territ\u00f3rios, como eu costumo dizer, perto da igreja e do bairro e n\u00e3o h\u00e1 quem veja melhor que isso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nem todos os dados s\u00e3o cient\u00edficos, mas conjugar a realidade que se v\u00ea com os n\u00fameros que nos chegam \u00e9 absolutamente indispens\u00e1vel para perceber o que est\u00e1 acontecendo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Potencia ainda mais o risco?<br \/>\n<\/em>Sim, claramente, n\u00e3o s\u00f3 pot\u00eancia o risco, como cansa o estudo sobre esta realidade, porque \u00e9 uma realidade conhecida que desconhecemos. N\u00f3s conhecemos os n\u00fameros, existem muitos estudos, as coisas oscilam entre percentagens, mas as percentagens n\u00e3o s\u00e3o pessoas, e a vida das pessoas n\u00e3o tem mudado tanto assim.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E \u00e9 mais negativa do que os indicadores num\u00e9ricos?<br \/>\n<\/em>Eu diria que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o positiva como os indicadores num\u00e9ricos. N\u00f3s por vezes temos umas melhorias e depois\u00a0temos umas perdas. \u00c9 assim.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<em>A habita\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um tema que, pelo menos a perce\u00e7\u00e3o que se tem, na opini\u00e3o p\u00fablica, \u00e9 de que \u00e9 dif\u00edcil o acesso e \u00e9 causador tamb\u00e9m de situa\u00e7\u00f5es de pobreza extrema. Esse n\u00famero j\u00e1 era mau o ano passado, \u00e9 pior este ano?<br \/>\n<\/em>O problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. \u00c9 que, para muitos estudos, as pessoas que n\u00e3o moram n\u00e3o existem.\u00a0\u00a0E isto \u00e9 dif\u00edcil se calhar de perceber, porque n\u00f3s gostamos de ver os estudos e os n\u00fameros e tudo isso, e depois ficamos muito contentes quando h\u00e1 menos gente abaixo do n\u00edvel da pobreza, e depois h\u00e1 alguns fatores que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o f\u00e1ceis assim. Se n\u00e3o se conta com as pessoas que n\u00e3o t\u00eam morada, claro que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 melhor, sobretudo numa altura em que h\u00e1 muita gente sem morada; legais e ilegais, portuguesas, estrangeiros, e essa leitura que nos \u00e9 dada na proximidade n\u00e3o condiz muito com a melhoria dos valores da pobreza.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<em>Onde \u00e9 que vive essa gente sem morada?<br \/>\n<\/em>Na rua&#8230; Ou em bocadinhos de rua.\u00a0Estou-me a lembrar, por exemplo, que h\u00e1 espa\u00e7os no Parque das Na\u00e7\u00f5es, onde mora gente debaixo de tampas de sa\u00edda de ar-condicionado, porque \u00e9 quente, \u00e9 extraordinariamente mais confort\u00e1vel que a rua. E vivem em esta\u00e7\u00f5es de comboio, a tempo parcial, v\u00e3o fugindo de uns s\u00edtios para os outros. E depois vivem em camas quentes, que \u00e9 uma realidade que eu acho que n\u00f3s n\u00e3o temos muita consci\u00eancia porque n\u00e3o vemos. E tamb\u00e9m assistimos a tempos em que n\u00f3s preferimos n\u00e3o ver. Saber que h\u00e1 zonas do pa\u00eds em que as pessoas utilizam a mesma cama para dormir, em hor\u00e1rios diferentes, \u00e9 extraordinariamente violento. E n\u00f3s dev\u00edamos olhar para isto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em><br \/>\nTem alertado para essa realidade. \u00c9 uma realidade que tem aumentado?<br \/>\n<\/em>Ningu\u00e9m sabe.\u00a0Se algu\u00e9m lhe der esse n\u00famero, eu gostava de o ter. S\u00e3o pessoas, algumas delas ilegais, outras em algumas situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o propriamente ilegais&#8230; H\u00e1 aqui dois n\u00edveis de pessoas: h\u00e1 pessoas que s\u00e3o ilegais porque ningu\u00e9m as conheceu, e h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es de pessoas ilegais h\u00e1 muito tempo porque chegaram em situa\u00e7\u00f5es especiais e depois nunca se legalizaram. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es bastante diferentes. E depois h\u00e1 muitos estrangeiros que n\u00e3o tencionam ficar, e h\u00e1 muitos estrangeiros que querem ficar. Estas realidades n\u00e3o s\u00e3o iguais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas, nomeadamente, o n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00f5es sem abrigo \u00e9 mais conhecido, \u00e9 mais quantific\u00e1vel, pelo menos.\u00a0\u00a0O estudo do ano passado apontava para uma duplica\u00e7\u00e3o entre 2019 e 2023. E agora, com a demiss\u00e3o do gestor dessa estrat\u00e9gia, o problema vai agravar-se ainda mais ou vai ficar mais esquecido?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Infelizmente, o gestor n\u00e3o ser\u00e1 a pessoa que vai influenciar este n\u00famero. A falta de prop\u00f3sito no combate a esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 um bocadinho independente dos nomes.\u00a0Eu tenho um respeito enorme pelas pessoas que t\u00eam trabalhado nesta \u00e1rea, que s\u00e3o muito importantes, mas nunca conseguiram fazer tudo quanto tinham inten\u00e7\u00e3o e projeto. Portanto, n\u00e3o podemos dizer que&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>O horizonte para acabar com as situa\u00e7\u00f5es de sem-abrigo era 2025\u2026<br \/>\n<\/em>Mas nunca houve o cumprimento da estrat\u00e9gia, e n\u00e3o tiveram os recursos, e vieram muito mais pessoas, e foram-se embora muito menos, e vieram mais pessoas da Ucr\u00e2nia, e vieram mais pessoas da \u00cdndia. Cada pessoa dedica-se a escutar um destes problemas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<em>Significa que o n\u00famero da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo vai continuar a aumentar?<br \/>\n<\/em>Eu n\u00e3o gosto de ser pessimista, e acho que n\u00f3s temos condi\u00e7\u00f5es para ter uma atitude em rela\u00e7\u00e3o a isto.\u00a0\u00a0N\u00f3s precisamos de pessoas, de estrangeiros. N\u00f3s temos um problema com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, temos um problema com algumas \u00e1reas de trabalho, e agora com esta situa\u00e7\u00e3o de cat\u00e1strofe que tivemos, ainda precisaremos de mais, mas n\u00e3o podemos fazer isto uma coisa de bochechos, sem estrat\u00e9gia. Temos de pensar o que \u00e9 que n\u00f3s queremos para Portugal, quem \u00e9 que n\u00f3s precisamos e quem \u00e9 que estamos dispon\u00edveis para acolher.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Temos aqui uma duplicidade entre alguns que nos procuram a fugir, e outros alguns que nos procuram para saltar para o s\u00edtio qualquer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<em>Uma estrat\u00e9gia a definir no terreno ou nos gabinetes ministeriais?<br \/>\n<\/em>Nos dois. Para j\u00e1 tem de haver concord\u00e2ncia entre as duas coisas.<br \/>\nEu diria que o que n\u00f3s precisamos \u00e9 de uma leitura muito pr\u00f3xima do que se passa e dos interesses que n\u00f3s temos a caminho de Portugal, ou de pessoas que sejam interessadas em vir, mas saber exatamente o que \u00e9 que temos para oferecer, porque sen\u00e3o isso \u00e9 publicidade enganosa. N\u00f3s dizemos, venham, e depois n\u00e3o temos coisas para lhes dar. \u00c9 preciso dizer, n\u00f3s precisamos de pessoas nesta \u00e1rea, naquela \u00e1rea, damos estas condi\u00e7\u00f5es e aquelas condi\u00e7\u00f5es, para poder permitir que as pessoas tamb\u00e9m fiquem. Para resolver problemas agudos, com certeza, podem vir e ir, mas se n\u00f3s queremos uma resposta de constru\u00e7\u00e3o, precisamos de pessoas que venham e que fiquem, e que queiram ficar em Portugal com prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Podemos olhar tamb\u00e9m a outra estrat\u00e9gia, a Estrat\u00e9gia Nacional de Combate \u00e0 Pobreza. Tamb\u00e9m a\u00ed vai ser necess\u00e1rio rever metas, at\u00e9 pelos indicadores j\u00e1 dispon\u00edveis, que apontavam para, por exemplo, o risco de pobreza dos trabalhadores de 5% quando o ano passado era \u00e0 volta de 9%. Este ano vamos ver como \u00e9 que ser\u00e1? <\/em><br \/>\nEu tamb\u00e9m n\u00e3o tenho uma capacidade de desenhar esse quadro\u2026<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas esta revis\u00e3o ser\u00e1 razo\u00e1vel?<br \/>\n<\/em>Os indicadores de medi\u00e7\u00e3o do risco de pobreza tem a ver com as pol\u00edticas e com aquilo que n\u00f3s pretendemos atingir. Aquilo que n\u00f3s temos de cuidar \u00e9 de que as pessoas t\u00eam condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de perman\u00eancia em Portugal. Portanto, n\u00e3o vale a pena dizer que n\u00f3s estamos abertos a receber pessoas, quando n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es para lhes dar. E as pessoas precisam de ter oportunidade de trabalho e de ter alguma estabilidade. Se \u00e9 para ficar, t\u00eam de ter capacidade de constituir fam\u00edlia e mant\u00ea-la, e habita\u00e7\u00e3o. Um conjunto de coisas algumas \u00e1reas t\u00eam respondido melhor que outras. Eu tenho visto imensas reportagens, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escola.\u00a0E eu acho verdadeiramente fant\u00e1stico o que as escolas conseguem fazer com a literacia de estrangeiros em Portugal. \u00c9 incr\u00edvel! Mas tamb\u00e9m precisam de outros recursos, porque n\u00e3o chega s\u00f3 saber pedir o p\u00e3o ou a \u00e1gua. Assim cria-se uma ilus\u00e3o. Se n\u00f3s queremos que eles fiquem, temos que os cativar com interesses que tamb\u00e9m sejam deles, que sejam comuns. Sejam interessantes para Portugal e sejam interessantes para quem chega.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Que rela\u00e7\u00e3o existe entre o agravamento da situa\u00e7\u00e3o social do pa\u00eds e o aumento da imigra\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<\/em>Nunca me passou pela cabe\u00e7a que houvesse alguma rela\u00e7\u00e3o entre as duas coisas. Assim, nessa perspetiva. N\u00f3s temos v\u00e1rias rela\u00e7\u00f5es no que diz respeito a estrangeiros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s precisamos de estrangeiros, porque temos um envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o muito aguda, o que significa que precisamos de pessoas que venham enriquecer o nosso mercado de trabalho, at\u00e9 em \u00e1reas que n\u00f3s temos pouca oferta em Portugal, e tamb\u00e9m pessoas que queiram ocupar zonas do pa\u00eds que precisavam de ser povoadas&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<em>Mas com base naquilo que nos tem dito at\u00e9 agora, h\u00e1 uma certa press\u00e3o no aumento do n\u00famero da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza decorrente do fator imigra\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sei se existe essa liga\u00e7\u00e3o assim muito direta. De facto, n\u00f3s temos fatores de pobreza entre estrangeiros.\u00a0N\u00f3s temos muitos estrangeiros com situa\u00e7\u00f5es em que nem sequer podemos falar de pobreza, \u00e9 mesmo incapacidade de subsist\u00eancia.\u00a0As pessoas v\u00eam de muito negativo e, portanto, aceitam muitas coisas que n\u00e3o seria natural no n\u00edvel de vida que n\u00f3s queremos para Portugal.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois, o que temos tamb\u00e9m \u00e9 alguma incapacidade de organizar o nosso pensamento para poder receber as pessoas em condi\u00e7\u00f5es, com um projeto de vida que as alimente, que as ajude a c\u00e1 ficar e que corresponda tamb\u00e9m \u00e0s nossas lacunas, porque n\u00f3s temos muitas lacunas de pessoas, apesar de termos uma suposta taxa de empregabilidade muito equilibrada. Agora, por exemplo, com estes problemas que houve das tempestades, estamos aflitos com gente da \u00e1rea da Constitui\u00e7\u00e3o Civil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Portanto, h\u00e1 aqui alguma coisa que nos deve ensinar em rela\u00e7\u00e3o a ser verdadeiros com quem nos procura sobre aquilo que n\u00f3s temos para oferecer e identificar exatamente quais s\u00e3o as \u00e1reas.\u00a0 H\u00e1 um grupo de pessoas que vem dispon\u00edvel para trabalhar nessas \u00e1reas. E depois temos algumas pessoas que s\u00e3o fugidas e a\u00ed o problema \u00e9 uma vulnerabilidade pessoal e que n\u00f3s, naturalmente, Igreja, temos alguma obriga\u00e7\u00e3o de cuidar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Uma outra rela\u00e7\u00e3o, a ver se \u00e9 poss\u00edvel estabelecer, entre o aumento do trabalho dos imigrantes e a capacidade de resposta social atrav\u00e9s da Seguran\u00e7a Social que existe em Portugal?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A capacidade dos imigrantes, naturalmente, resolve-nos muitos problemas, porque n\u00f3s temos muita falta de m\u00e3o de obra em algumas coisas. Se eles forem recebidos em situa\u00e7\u00e3o legal, naturalmente, v\u00e3o tamb\u00e9m contribuir para a sustentabilidade da Seguran\u00e7a Social.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<em>Isso est\u00e1 a acontecer?<br \/>\n<\/em>Dizem os n\u00fameros que sim.\u00a0Os \u00faltimos n\u00fameros que eu ouvi diziam que, de facto, n\u00f3s t\u00ednhamos uma taxa de sustentabilidade superior \u00e0 conta dos descontos que pessoas, imigrantes, fazem.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<em>O pa\u00eds est\u00e1 em estado de reconstru\u00e7\u00e3o, sobretudo nas regi\u00f5es do centro de Portugal e tamb\u00e9m na regi\u00e3o de \u00c9vora. Que resposta est\u00e1 a dar a C\u00e1ritas e as v\u00e1rias c\u00e1ritas de diocesanas na emerg\u00eancia que se seguiu \u00e0s tempestades e \u00e0s cheias?<br \/>\n<\/em>A C\u00e1ritas est\u00e1 perto e, de facto, ningu\u00e9m estava preparado para o que aconteceu e a forma como, nos v\u00e1rios territ\u00f3rios, se fez o acolhimento desta situa\u00e7\u00e3o foi muito, muito bom. N\u00f3s temos \u00e1reas que s\u00f3 ontem \u00e9 que eu ouvi dizer que tinham ficado com acessibilidades.\u00a0\u00a0Nessas n\u00e3o h\u00e1 quase possibilidade de ainda ajudar, apesar de ter havido uma colabora\u00e7\u00e3o da Marinha e do Ex\u00e9rcito para poder chegar a determinados territ\u00f3rios, mas n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos preparados para isto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na situa\u00e7\u00e3o em que estivemos &#8211; e espero estar a usar bem o passado nisto, porque j\u00e1 h\u00e1 muita gente a trabalhar para esta situa\u00e7\u00e3o &#8211; ningu\u00e9m estaria preparado para isto, ningu\u00e9m estaria preparado para que em Portugal acontecesse uma coisa com a dimens\u00e3o como aconteceu. Houve muita gente que ficou em situa\u00e7\u00e3o de enorme vulnerabilidade e que n\u00e3o tem para j\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o desanuviada, at\u00e9 porque estiveram debaixo de \u00e1gua durante imenso tempo (n\u00e3o as pessoas, mas as suas casas). E ainda h\u00e1 gente que est\u00e1 nos s\u00edtios prec\u00e1rios onde foi acolhida, nos gin\u00e1sios&#8230; N\u00e3o \u00e9 uma coisa que se consiga resolver de um momento para o outro, \u00e9 imposs\u00edvel. Mas de facto houve uma interven\u00e7\u00e3o cruzada de vontades e de zonas do pa\u00eds que eu acho que n\u00f3s dev\u00edamos olhar para isso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas foram respostas muito reativas \u00e0 emerg\u00eancia criada? Houve uma estrat\u00e9gia da C\u00e1ritas, at\u00e9 no seu todo, no seu nacional, para que a resposta atendesse \u00e0s v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es?<br \/>\n<\/em>A resposta foi, como todas as respostas de emerg\u00eancia, foi \u00e0 medida da emerg\u00eancia. Eu gosto de separar as duas coisas. N\u00f3s dev\u00edamos j\u00e1 estar em situa\u00e7\u00e3o de reconstru\u00e7\u00e3o, n\u00e3o na perspetiva da casa, mas na perspetiva da reconstru\u00e7\u00e3o da vida das pessoas que foram atacadas com esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Aquilo que eu assisti foi um movimento de zonas do pa\u00eds, no que diz respeito \u00e0 C\u00e1ritas, a circular de zonas para zonas, conforme iam sabendo das dificuldades que estavam a acontecer em determinados territ\u00f3rios. Se \u00e9 suficiente, n\u00e3o! Mas tamb\u00e9m n\u00e3o tenho ideia, se algu\u00e9m tem a ilus\u00e3o de que haja uma institui\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 uma \u00e1rea governamental, que possa acudir a isto.\u00a0Acho que o movimento \u00e9 muito positivo e acho que nos preparou para o pr\u00f3ximo caminho. O pr\u00f3ximo passo \u00e9, de facto, encontrar solu\u00e7\u00f5es de vida para as pessoas. N\u00f3s ainda temos a Costa da Caparica a perder areia pelos montes abaixo.\u00a0Nem sabemos o que \u00e9 que vai acontecer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Qualquer ilus\u00e3o de que algu\u00e9m tenha a resolu\u00e7\u00e3o ou a verdade, eu acho que n\u00e3o. Isto ainda \u00e9 uma emerg\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Como \u00e9 que analisa as consequ\u00eancias sociais dos pr\u00f3ximos meses, ou at\u00e9 anos, na sequ\u00eancia da paragem de muitas empresas e, em alguns casos, do seu encerramento?<br \/>\n<\/em>Se eu tivesse a pintura desse quadro, poderia ajudar a responder.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Mas \u00e9 previs\u00edvel&#8230;?<br \/>\n<\/em>H\u00e1 uma coisa que \u00e9 clara.\u00a0\u00c9 muito mais f\u00e1cil destruir do que reconstruir. E h\u00e1 coisas que dificilmente ser\u00e3o reconstru\u00eddas. Depois ainda n\u00e3o temos sequer os dados sobre o que \u00e9 que est\u00e1 a coberto de seguros e o que \u00e9 que ter\u00e1 de ter interven\u00e7\u00e3o de alguma maneira.\u00a0\u00a0E ainda nem sequer temos clareza sobre o que \u00e9 que pode ser reconstru\u00eddo e o que \u00e9 que n\u00e3o pode.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<em>Temos a certeza que a C\u00e1ritas vai acompanhar?<br \/>\n<\/em>Ah, isso certamente, \u00e0 medida das nossas possibilidades, mas nunca sozinhos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<em>Acompanhamento tamb\u00e9m daquelas situa\u00e7\u00f5es do desemprego, porque \u00e9 muito, nomeadamente na regi\u00e3o centro?<br \/>\n<\/em>Tamb\u00e9m n\u00e3o temos a clareza disso. Isto \u00e9 terr\u00edvel, nesta altura, dizer isto, mas a verdade \u00e9 que se h\u00e1 alguns empregos que podem vir a ser retomados como interven\u00e7\u00e3o nos postos de trabalho, na reconstru\u00e7\u00e3o, na compra de materiais, etc; tamb\u00e9m n\u00e3o temos a certeza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade no seu todo. Repare que n\u00f3s estamos a falar numa altura em que ainda n\u00e3o temos telhas para cobrir as casas. E ainda h\u00e1 muita gente que n\u00e3o conseguiu fazer isso. N\u00f3s temos condi\u00e7\u00f5es para fazer a diferen\u00e7a, mas temos que ter a certeza do que \u00e9 que deve ser reabilitado e de que n\u00e3o vai existir esse risco na pr\u00f3xima chuvada.\u00a0Temos mesmo de ter a certeza se precisamos de realojar pessoas ou de reabilitar as casas para realojar pessoas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Como dizia, \u00e9 importante a colabora\u00e7\u00e3o de todos. E para que ningu\u00e9m fique para tr\u00e1s, tamb\u00e9m \u00e9 importante que o Estado n\u00e3o se negue \u00e0s suas responsabilidades?<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pois, ningu\u00e9m! Nem o Estado, nem os privados, nem a solidariedade. \u00c9 tudo junto.\u00a0\u00a0Porque eu acho que com a situa\u00e7\u00e3o e a dimens\u00e3o que n\u00f3s tivemos, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que sozinho consiga chegar e resolver.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E o risco de algu\u00e9m ficar para tr\u00e1s existe?<br \/>\n<\/em>Existe e essa ser\u00e1 uma desinquieta\u00e7\u00e3o \u00f3bvia e permanente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Essa \u00e9 a \u00fanica coisa que eu sinto que n\u00f3s temos de animar. A desinquieta\u00e7\u00e3o tem de ser animada por todos para que estas situa\u00e7\u00f5es sejam resolvidas, mas para que tamb\u00e9m algumas destas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o voltem a acontecer. Porque se n\u00f3s temos a certeza de que isto vai voltar a acontecer, ser\u00e1 tolo que a solu\u00e7\u00e3o de vida destas pessoas seja dar-lhe uma situa\u00e7\u00e3o id\u00eantica que n\u00e3o lhes d\u00e1 seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>A semana C\u00e1ritas apresenta-se como uma ocasi\u00e3o para promover atividades de reflex\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e de anima\u00e7\u00e3o pastoral em torno deste setor, do setor social. Perguntava-lhe por algumas sugest\u00f5es para que as pessoas, as comunidades, se possam comprometer com este projeto da C\u00e1ritas Portuguesa.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Bem, sugest\u00f5es teria muitas, mas o que eu acho que \u00e9 muito, muito importante, \u00e9 que o que aconteceu est\u00e1 muito perto, portanto ningu\u00e9m pode dizer que se esqueceu ou que n\u00e3o reparou.\u00a0Eu acredito na proximidade, e eu acho que na proximidade n\u00f3s podemos fazer muita diferen\u00e7a. Desde ajudar as pessoas que est\u00e3o desalentadas porque ficaram sem nada e nem sequer sabem o que \u00e9 que v\u00e3o fazer, sobretudo os mais fr\u00e1geis, os mais vulner\u00e1veis, os que foram v\u00edtimas desta calamidade, e que s\u00e3o os mais velhos ou as crian\u00e7as, ou as pessoas que est\u00e3o sozinhas; essas situa\u00e7\u00f5es n\u00f3s temos a obriga\u00e7\u00e3o de olhar para elas e tentar ajudar. Depois \u00e9 perceber quais s\u00e3o os projetos que n\u00f3s podemos facilitar e colaborar e participar nisso, porque de facto n\u00e3o h\u00e1 nenhuma institui\u00e7\u00e3o sozinha, nem sequer o governo, nem o Or\u00e7amento de Estado, sem uma coer\u00eancia de interven\u00e7\u00e3o, v\u00e3o resolver a situa\u00e7\u00e3o. Temos muita gente desalojada ou precariamente alojada e temos muita gente com pessoas muito fr\u00e1geis, quer por pouca idade, quer por muita idade, e n\u00f3s n\u00e3o podemos confortar-nos com isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>E quem quiser colaborar nesta Semana C\u00e1ritas pode faz\u00ea-lo de diferentes formas?<br \/>\n<\/em>Pode. Neste ano \u00e9 ter quais \u201cobriga\u00e7\u00e3o&#8221;, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 poder. N\u00f3s temos uma Semana C\u00e1ritas a acontecer neste momento e vamos poder fazer-nos pr\u00f3ximos. Aquilo que eu sugiro \u00e9 que atrav\u00e9s do site da C\u00e1ritas se identifiquem as formas com que se pode colaborar e relembro que quando estou a falar nisto n\u00e3o estou a falar apenas em dinheiro. Estou a falar em dinheiro porque para corresponder \u00e0s dificuldades que h\u00e1 na proximidade n\u00f3s n\u00e3o temos um bem comum. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com tijolos que n\u00f3s vamos resolver a situa\u00e7\u00e3o de vida das pessoas que at\u00e9 podem ter resolvido o problema do tijolo, mas depois n\u00e3o t\u00eam pratos, n\u00e3o t\u00eam len\u00e7\u00f3is, n\u00e3o t\u00eam roupa, n\u00e3o t\u00eam nada. E depois, como dizia, temos a vantagem da proximidade. \u00a0\u00c9 mais f\u00e1cil a quem est\u00e1 perto adquirir verificar o que verdadeiramente faz falta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu acho que n\u00f3s temos de olhar para a proximidade e perceber o que \u00e9 que em cada proximidade existe de necessidade premente e vis\u00edvel, porque cada um de n\u00f3s, estando perto pode viver muito mais do que qualquer estudo que se fa\u00e7a e isto \u00e9 um dos desafios maiores deste tempo. N\u00f3s o que iremos tentar fazer \u00e9 exatamente usar todos os recursos que houver. \u00c0s vezes tendemos a achar que sabemos quais s\u00e3o os recursos que s\u00e3o precisos.\u00a0N\u00e3o sabemos. Uma colabora\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes muito baixa pode fazer muito mais diferen\u00e7a do que uma coisa muito chique. E, portanto, o desafio \u00e9 olhar e ver.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Semana Nacional C\u00e1ritas, Rita Valadas afirma que \u00e9 necess\u00e1rio ver na proximidade a situa\u00e7\u00e3o real das pessoas porque nem sempre os n\u00fameros \u00abcorrespondem \u00e0 realidade do territ\u00f3rio\u00bb e analisa na entrevista Renascen\u00e7a\/Ecclesia o trabalho das c\u00e1ritas diocesanas nas respostas de emerg\u00eancia ao longo do \u00faltimo m\u00eas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":348844,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[125,314],"class_list":["post-414461","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-caritas","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/414461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=414461"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/414461\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/348844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=414461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=414461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=414461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}