{"id":413956,"date":"2026-02-24T11:45:58","date_gmt":"2026-02-24T11:45:58","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=413956"},"modified":"2026-02-24T11:47:05","modified_gmt":"2026-02-24T11:47:05","slug":"convertida-a-forca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/convertida-a-forca\/","title":{"rendered":"Convertida \u00e0 for\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>Pais procuram libertar menina crist\u00e3 de 13 anos raptada no Paquist\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ACN_Paquistao.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-413960 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ACN_Paquistao-1024x670.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"670\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ACN_Paquistao-1024x670.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ACN_Paquistao-400x262.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ACN_Paquistao-768x503.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ACN_Paquistao.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>\u201cEsta \u00e9 uma trag\u00e9dia que se repete\u201d, denuncia Joel Amir Sahotra perante a decis\u00e3o de um tribunal que rejeitou, no passado dia 3, a liberta\u00e7\u00e3o de uma menina crist\u00e3 de 13 anos, raptada em Julho do ano passado no Punjab, e for\u00e7ada a converter-se ao Isl\u00e3o e a casar com o pr\u00f3prio raptor, um homem mu\u00e7ulmano. Para o dirigente crist\u00e3o, que recentemente esteve em Portugal, este caso revela a inseguran\u00e7a em que vive esta comunidade religiosa no Paquist\u00e3o. \u201cOs nossos filhos n\u00e3o est\u00e3o seguros, as nossas fam\u00edlias vivem com medo e as nossas vozes n\u00e3o s\u00e3o ouvidas\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p>Os pais de Maria Shabhaz, uma menina crist\u00e3 de 13 anos raptada em Julho do ano passado, \u201cficaram devastados\u201d quando souberam da decis\u00e3o do tribunal, que rejeitou no passado dia 3 de Fevereiro a certid\u00e3o de nascimento da filha, que comprova que ela \u00e9 ainda uma crian\u00e7a menor de idade. O tribunal aceitou, no entanto, como v\u00e1lida, a declara\u00e7\u00e3o da jovem de que se tinha convertido e casado de livre vontade, vers\u00e3o que a fam\u00edlia rejeita, garantindo que esse documento foi assinado sob coac\u00e7\u00e3o. Este caso mostra, com toda a sua dramaticidade, a \u201cdolorosa realidade\u201d em que se encontra a comunidade crist\u00e3 no Paquist\u00e3o, segundo Joel Amir Sahotra, antigo deputado no parlamento provincial do Punjab. Para este destacado dirigente crist\u00e3o, que ainda recentemente esteve em Portugal, tendo reunido com diversos deputados na Assembleia da Rep\u00fablica, \u201cos nossos filhos n\u00e3o est\u00e3o seguros, as nossas fam\u00edlias vivem com medo e as nossas vozes muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o ouvidas\u2026\u201d E o pior \u00e9 que \u201ceste n\u00e3o \u00e9 um caso isolado, mas sim uma trag\u00e9dia que se repete\u201d. Num comunicado enviado para a Funda\u00e7\u00e3o AIS em Lisboa, Joel Sahotra recorda que, no seu pa\u00eds, \u201cmuitas jovens crist\u00e3s foram [j\u00e1] raptadas, convertidas \u00e0 for\u00e7a e obrigadas a casar antes mesmo de entenderem o que \u00e9 a inf\u00e2ncia de verdade\u201d. E diz ainda que, por tr\u00e1s de cada not\u00edcia relacionada com estes casos, \u201ch\u00e1 uma fam\u00edlia que chora, pais que imploram por justi\u00e7a e uma crian\u00e7a a quem foi roubada a inoc\u00eancia e o futuro\u201d.<\/p>\n<p><strong>Proteger as crian\u00e7as \u00e9 um dever moral<\/strong><\/p>\n<p>Independentemente da evolu\u00e7\u00e3o deste caso \u2013 a fam\u00edlia de Maria Shahbaz diz que n\u00e3o vai desistir da liberta\u00e7\u00e3o da menina \u2013, para Joel Amir Sahotra \u00e9 preciso denunciar a forma como a comunidade crist\u00e3 vive no Paquist\u00e3o, os constantes atropelos \u00e0 sua liberdade e dignidade. \u201cComo crist\u00e3os no Paquist\u00e3o, j\u00e1 enfrentamos dificuldades di\u00e1rias \u2014 como a pobreza, a discrimina\u00e7\u00e3o, a falta de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e a protec\u00e7\u00e3o limitada perante a lei. Limpamos as ruas, trabalhamos em f\u00e1bricas e servimos a sociedade com dignidade, mas quando os nossos filhos mais precisam de protec\u00e7\u00e3o, a justi\u00e7a muitas vezes parece distante e demorada\u201d, lamenta. Joel Amir Sahotra recorda que \u201cproteger as crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o religiosa, mas sim uma responsabilidade moral, um dever humano\u201d. Face a tudo isto, e perante mais um rev\u00e9s judicial a atingir a comunidade crist\u00e3, o antigo deputado provincial do Punjab apela, na nota enviada \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS, ao Governo do Paquist\u00e3o, ao poder judicial e \u00e0s autoridades policiais \u201cpara que escutem os apelos das fam\u00edlias pertencentes \u00e0s minorias\u201d, e que \u201crespeitem a lei, respeitem os registos de nascimento, protejam, sem preconceitos, os menores\u201d. E lan\u00e7a tamb\u00e9m um apelo \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social e \u00e0 comunidade internacional para \u201cn\u00e3o desviarem o olhar\u201d. \u201cO sil\u00eancio s\u00f3 fortalece a injusti\u00e7a\u201d. E conclui, dizendo que os Crist\u00e3os pedem justi\u00e7a e dignidade. \u201cOs nossos filhos merecem salas de aula, n\u00e3o tribunais. Merecem seguran\u00e7a, n\u00e3o medo. Merecem inf\u00e2ncia, n\u00e3o cativeiro. Que o Paquist\u00e3o se torne um lugar onde todas as crian\u00e7as \u2013 crist\u00e3s, mu\u00e7ulmanas ou de qualquer outra f\u00e9 \u2013 possam viver sem medo. Continuaremos a levantar as nossas vozes at\u00e9 que as nossas crian\u00e7as estejam seguras\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Uma hist\u00f3ria com final feliz\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do caso de Maria Shahbaz, tem havido, no entanto, situa\u00e7\u00f5es em que o poder judicial atende \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es da comunidade crist\u00e3. Ainda recentemente, a Funda\u00e7\u00e3o AIS divulgou a hist\u00f3ria de duas enfermeiras que foram absolvidas da acusa\u00e7\u00e3o de blasf\u00e9mia, numa decis\u00e3o que colocou um ponto final num calv\u00e1rio de mais de quatro anos. A defesa de Mariam Lal e Newosh Arooj, as duas enfermeiras, foi conduzida pela Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz (CNJP) institui\u00e7\u00e3o que \u00e9 apoiada pela Funda\u00e7\u00e3o AIS. O resultado judicial representou, neste caso, um desfecho \u201cpositivo e raro\u201d, uma vez que os tribunais de primeira inst\u00e2ncia normalmente n\u00e3o absolvem os acusados de blasf\u00e9mia por causa da press\u00e3o social que estes casos provocam no Paquist\u00e3o, remetendo as decis\u00f5es para os tribunais superiores. \u201cA decis\u00e3o independente e corajosa de um tribunal distrital neste caso, marca uma mudan\u00e7a positiva e rara na pr\u00e1tica judicial\u201d, explicou, \u00e0 AIS, o director da CNJP de Faisalabad, padre Khalid Rashid Ali.<\/p>\n<p><strong>AR discute persegui\u00e7\u00e3o aos Crist\u00e3os<\/strong><\/p>\n<p>Durante a recente visita a Portugal, Joel Amir Sahotra reuniu com <strong>membros de alguns partidos pol\u00edticos representados na Assembleia da Rep\u00fablica<\/strong>, nomeadamente com elementos do CDS-PP, do Partido Socialista e ainda do Chega.\u00a0Reuni\u00f5es que classificou como positivas porque todos os parlamentares se mostraram\u00a0<em>\u201cmuito preocupados\u201d<\/em><em>\u00a0e dispostos a\u00a0\u201cfazer ouvir a voz da comunidade mais perseguida e desfavorecida do Paquist\u00e3o\u201d<\/em>, seja no Parlamento nacional, seja em f\u00f3runs internacionais. Resultado desse encontro, deu entrada no Parlamento, no passado dia 3 de Fevereiro, a proposta de um \u201cvoto de condena\u00e7\u00e3o pela persegui\u00e7\u00e3o aos Crist\u00e3os no Paquist\u00e3o. No documento, subscrito pelos deputados do CDS-PP, e que a Funda\u00e7\u00e3o AIS consultou, referem-se diversas situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o que atingem a comunidade crist\u00e3, nomeadamente ao n\u00edvel da precariedade laboral e marginaliza\u00e7\u00e3o social. \u201c\u00c9 particularmente grave a pr\u00e1tica discriminat\u00f3ria, ainda hoje existente, de an\u00fancios de emprego que reservam determinadas fun\u00e7\u00f5es exclusivamente a \u2018n\u00e3o-mu\u00e7ulmanos\u2019, institucionalizando a exclus\u00e3o e refor\u00e7ando a marginaliza\u00e7\u00e3o de comunidades inteiras\u201d, refere o documento. O objectivo \u00e9 que a Assembleia da Rep\u00fablica condene, em sess\u00e3o plen\u00e1ria, \u201ctodas as formas de persegui\u00e7\u00e3o religiosa, discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia dirigidas contra a comunidade crist\u00e3 no Paquist\u00e3o\u201d, manifeste a sua solidariedade para com as v\u00edtimas e apele \u00e0s autoridades paquistanesas para que \u201cgarantam o respeito efectivo pelos direitos humanos, pela liberdade religiosa e pela igualdade perante a lei, revendo pr\u00e1ticas e legisla\u00e7\u00e3o discriminat\u00f3rias, nomeadamente no que respeita \u00e0s leis da blasf\u00e9mia\u201d.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | Departamento de Informa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o AIS | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pais procuram libertar menina crist\u00e3 de 13 anos raptada no 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