{"id":413943,"date":"2026-02-24T10:35:23","date_gmt":"2026-02-24T10:35:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=413943"},"modified":"2026-02-24T10:35:23","modified_gmt":"2026-02-24T10:35:23","slug":"sinodalidade-e-jovens-estamos-realmente-a-escuta-los","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sinodalidade-e-jovens-estamos-realmente-a-escuta-los\/","title":{"rendered":"Sinodalidade e Jovens: estamos realmente a escut\u00e1-los?"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266299 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Hugo-Goncalves-Beja.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Fala-se muito de sinodalidade. Multiplicam-se documentos, assembleias, encontros e processos de escuta. A palavra entrou definitivamente no vocabul\u00e1rio corrente da Igreja. Caminhar juntos, discernir juntos, escutar o Povo de Deus \u2014 eis o horizonte que nos \u00e9 proposto.<\/p>\n<p>Mas, no meio deste entusiasmo, imp\u00f5e-se uma pergunta inc\u00f3moda: estamos realmente a escutar os jovens?<\/p>\n<p>H\u00e1 uma narrativa impl\u00edcita, por vezes subtil, segundo a qual os jovens ainda \u201cn\u00e3o t\u00eam maturidade\u201d suficiente para opinar sobre a vida da Igreja, para participar nas decis\u00f5es, para propor caminhos. S\u00e3o convidados a colaborar, sim \u2014 mas frequentemente dentro de molduras j\u00e1 definidas por outros. S\u00e3o chamados a executar, mas nem sempre a discernir. A participar, mas n\u00e3o plenamente a corresponsabilizar-se.<\/p>\n<p>Contudo, a experi\u00eancia concreta no contacto pr\u00f3ximo com jovens \u2014 particularmente universit\u00e1rios \u2014 revela um cen\u00e1rio bem diferente. Encontramo-los empenhados, interessados, informados, desejosos de compreender a f\u00e9 e de a viver com coer\u00eancia. Encontramo-los com ideias, com criatividade, com coragem apost\u00f3lica. Encontramo-los com sede de Deus e com vontade real de contribuir para o an\u00fancio do Reino.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o est\u00e1 na falta de maturidade dos jovens. Muitas vezes est\u00e1 na dificuldade dos adultos em confiar.<\/p>\n<p>Acompanhar n\u00e3o \u00e9 controlar. Escutar n\u00e3o \u00e9 tolerar com condescend\u00eancia. Sinodalidade n\u00e3o \u00e9 apenas abrir um espa\u00e7o para que falem; \u00e9 estar disposto a deixar-se interpelar por aquilo que dizem. E aqui reside um dos bloqueios mais frequentes: os adultos querem constantemente intervir no espa\u00e7o de decis\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o dos jovens. Em vez de caminhar ao lado, caminham \u00e0 frente; em vez de orientar, substituem; em vez de ajudar a discernir, decidem.<\/p>\n<p>H\u00e1 que os acompanhar, sim \u2014 mas acompanhar \u00e9 estar presente, ajudar na reflex\u00e3o, oferecer crit\u00e9rios, iluminar com a experi\u00eancia e com a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. N\u00e3o \u00e9 retirar-lhes a responsabilidade. N\u00e3o \u00e9 ocupar o seu lugar.<\/p>\n<p>Por outro lado, verifica-se algo igualmente grave: muitas vezes n\u00e3o lhes s\u00e3o dados os meios concretos para crescer e fazer acontecer. Faltam recursos, faltam espa\u00e7os, falta confian\u00e7a institucional. E, ainda assim, eles n\u00e3o desistem.<\/p>\n<p>Basta olhar para a vitalidade de iniciativas como a Miss\u00e3o Pa\u00eds, que nas \u00faltimas semanas voltou a mobilizar milhares de jovens universit\u00e1rios por todo o pa\u00eds. Ali n\u00e3o encontramos uma juventude indiferente ou superficial. Encontramos jovens que rezam, que celebram, que visitam crian\u00e7as e idosos, que escutam hist\u00f3rias de vida, que reparam casas degradadas, que se deixam tocar pela fragilidade humana. E fazem-no n\u00e3o como mero voluntariado social, mas porque reconhecem, no rosto concreto de cada pessoa, o rosto de Cristo.<\/p>\n<p>H\u00e1, por toda a Europa, sinais claros de uma redescoberta e de uma ades\u00e3o renovada \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica por parte de muitos jovens. Aumentam as convers\u00f5es, os baptismos, a procura de acompanhamento espiritual. Num tempo tantas vezes descrito como p\u00f3s-crist\u00e3o, algo de novo est\u00e1 a germinar. E talvez estejamos distra\u00eddos.<\/p>\n<p>Quanto mais convivo de perto com jovens, quanto mais conhe\u00e7o os seus cora\u00e7\u00f5es e as suas inquieta\u00e7\u00f5es, mais me surpreende a sua generosidade \u2014 e mais me incomoda a passividade de muitos adultos e at\u00e9 de algum clero. N\u00e3o podemos exigir que sejam o futuro da Igreja se n\u00e3o lhes permitimos ser o presente. N\u00e3o podemos pedir-lhes compromisso se n\u00e3o lhes damos espa\u00e7o real de corresponsabilidade.<\/p>\n<p>A sinodalidade, se quiser ser aut\u00eantica, tem de passar por aqui. Tem de confiar verdadeiramente nos jovens. Tem de lhes dar meios, forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida, acompanhamento espiritual exigente \u2014 e tamb\u00e9m espa\u00e7o para errar, aprender e amadurecer. Tem de os integrar n\u00e3o como adorno rejuvenescido das estruturas existentes, mas como sujeitos activos da miss\u00e3o.<\/p>\n<p>A Igreja sempre cresceu quando confiou nos seus jovens. Muitos dos grandes santos come\u00e7aram cedo a transformar a realidade que os rodeava. Hoje n\u00e3o \u00e9 diferente. O Esp\u00edrito Santo n\u00e3o tem idade.<\/p>\n<p>Talvez esteja na hora de acordar. De deixar de falar tanto sobre escuta e come\u00e7ar efectivamente a escutar. De deixar de temer a ousadia juvenil e aprender com ela. De reconhecer que estes jovens \u2014 com as suas fragilidades e com a sua for\u00e7a \u2014 n\u00e3o s\u00e3o um problema a gerir, mas um dom a acolher.<\/p>\n<p>Se a sinodalidade \u00e9 caminhar juntos, ent\u00e3o caminhemos verdadeiramente com eles. N\u00e3o atr\u00e1s, desconfiados. N\u00e3o \u00e0 frente, controladores. Mas ao lado, como irm\u00e3os na mesma f\u00e9, disc\u00edpulos do mesmo Senhor, servidores da mesma miss\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Pe. Hugo Gon\u00e7alves, <\/em><em>Diocese de Beja<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Hugo Gon\u00e7alves, Diocese de Beja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":266299,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-413943","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=413943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413943\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=413943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=413943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=413943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}