{"id":41386,"date":"2009-10-19T10:09:57","date_gmt":"2009-10-19T10:09:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/19\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-dedicacao-da-catedral-do-funchal\/"},"modified":"2009-10-19T10:09:57","modified_gmt":"2009-10-19T10:09:57","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-dedicacao-da-catedral-do-funchal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-dedicacao-da-catedral-do-funchal\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Funchal na Dedica\u00e7\u00e3o da Catedral do Funchal"},"content":{"rendered":"<p>A Catedral, Centro da Unidade e Comunh&atilde;o Diocesana&nbsp;<\/p>\n<p>Celebra a nossa Igreja Diocesana o anivers&aacute;rio da solene Dedica&ccedil;&atilde;o da sua Catedral, a 18 de Outubro de 1517, pelo bispo D. Duarte, delegado do Bispo titular, D. Diogo Pinheiro. Ela constitui o espa&ccedil;o privilegiado para a celebra&ccedil;&atilde;o da Palavra e da Eucaristia, a c&aacute;tedra onde o bispo exerce o seu minist&eacute;rio de ensinar, transmitir a f&eacute; da Igreja e celebrar os sacramentos.<\/p>\n<p>Nesta solenidade lit&uacute;rgica se evoca e promove, de forma simb&oacute;lica, a unidade de todas as par&oacute;quias da nossa Diocese com a Igreja M&atilde;e &ndash; a S&eacute; do Funchal, lembrando, hoje, tamb&eacute;m, com a Igreja Universal, o Dia Mundial das Miss&otilde;es e a important&iacute;ssima miss&atilde;o da Igreja no an&uacute;ncio do Evangelho.<\/p>\n<p>E para n&oacute;s, aqui reunidos, &eacute; ainda a celebra&ccedil;&atilde;o de despedida da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de F&aacute;tima, que ap&oacute;s seis dias de perman&ecirc;ncia nesta igreja Catedral, parte para a Faj&atilde; do Penedo, iniciando a&iacute; a sua visita &agrave;s comunidades crist&atilde;s do Arciprestado de S. Vicente e Porto Moniz. A S&eacute; foi a primeira par&oacute;quia que a recebeu, agora parte em peregrina&ccedil;&atilde;o por todas as outras comunidades paroquiais da Diocese.<\/p>\n<p>&nbsp;A Igreja, Corpo M&iacute;stico de Cristo<\/p>\n<p>A primeira leitura relata-nos uma grandiosa vis&atilde;o do profeta Ezequiel, no ex&iacute;lio de Babil&oacute;nia (cf. Ez 47,1-12). Sendo sacerdote, manifesta uma profunda preocupa&ccedil;&atilde;o pela dignidade do templo, o lugar por excel&ecirc;ncia de ora&ccedil;&atilde;o e do encontro com Deus. O Rio de &Aacute;gua Viva que jorra do altar do templo do Senhor (Ez 47,1) simboliza a riqueza e a abund&acirc;ncia das b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os de Deus para com o Seu Povo, que, nos tempos do Messias, atingir&aacute; a sua plenitude, com a gra&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo e a superabund&acirc;ncia de Vida eterna, oferecida por Cristo &agrave; Humanidade: a &Aacute;gua que Eu der &ndash; disse Jesus &agrave; Samaritana &ndash; tornar-se-&aacute; uma fonte de &Aacute;gua a jorrar para a Vida eterna (cf. Jo 4, 14). Desde ent&atilde;o, a sede de Infinito do homem e da mulher ser&aacute; n&rsquo;Ele plenamente saciada.<\/p>\n<p>Na segunda leitura, S. Pedro recomenda &agrave; comunidade que se aproxime de Jesus Cristo, &ldquo;pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus&rdquo;(1Ped 2, 4).&nbsp; A f&eacute; &eacute; a chave de leitura deste texto paradoxal. S&oacute; o Esp&iacute;rito Santo nos faz descobrir o mist&eacute;rio do amor de Deus, na rejei&ccedil;&atilde;o e morte do Filho Amado, e a poderosa interven&ccedil;&atilde;o do Ressuscitado, no dinamismo da vida da Igreja e do mundo. As &ldquo;pedras vivas&rdquo; simbolizam os membros do Povo de Deus, unidos a Cristo e comprometidos com Cristo, &ldquo;Pedra angular&rdquo;. As &ldquo;pedras vivas&rdquo; da Igreja do Senhor somos todos n&oacute;s, se partilhamos a corresponsabilidade, a vida e a ac&ccedil;&atilde;o pastoral da Diocese, nas diferentes comunidades crist&atilde;s, institui&ccedil;&otilde;es e grupos apost&oacute;licos.<\/p>\n<p>A confiss&atilde;o de Pedro<\/p>\n<p>No relato evang&eacute;lico (cf. Mt 16, 13-19), em Cesareia de Filipe, Jesus interroga os disc&iacute;pulos sobre a Sua pr&oacute;pria identidade: &ldquo;E v&oacute;s, quem dizeis que Eu sou?&rdquo; &ndash; Esta pergunta provoca uma resposta de grande densidade teol&oacute;gica, inspirada pelo Esp&iacute;rito Santo: &ldquo;Tu &eacute;s o Messias, Filho de Deus vivo&rdquo;(Mt 16, 13), respondeu Pedro.&nbsp; A pergunta tem como finalidade reafirmar a miss&atilde;o de Jesus e a sua origem divina, e confirmar os disc&iacute;pulos na fidelidade do seguimento. N&atilde;o basta reconhecer Jesus como o Messias, o Enviado do Pai, mas, sobretudo, como Filho de Deus. E n&oacute;s, que dizemos sobre Ele? Quem &eacute; Jesus Cristo para n&oacute;s, em termos de f&eacute;, rela&ccedil;&atilde;o pessoal e seguimento, como ideal de vida?<\/p>\n<p>A dimens&atilde;o mission&aacute;ria da Igreja<\/p>\n<p>Neste Dia Mundial das Miss&otilde;es, lembro que pertence &agrave; Igreja revelar o verdadeiro Rosto de Cristo, com alegria, entusiasmo e esperan&ccedil;a. Como servidora da Palavra, a Igreja deve anunciar a Boa Nova a todos os povos, num mundo fragmentado por uma certa ang&uacute;stia existencial, mas com sede de Amor, Verdade, Justi&ccedil;a, Paz e Unidade.<\/p>\n<p>Esta &eacute; a miss&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; dos bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, catequistas, professores de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa Cat&oacute;lica (EMRC), mas de todos os baptizados, com especial responsabilidade para as fam&iacute;lias crist&atilde;s: levar as crian&ccedil;as, adolescentes, jovens e adultos ao conhecimento de Jesus Cristo, &agrave; comunh&atilde;o e intimidade com Ele.<\/p>\n<p>No in&iacute;cio do Ano Pastoral, pe&ccedil;o a Deus que aben&ccedil;oe a generosidade, sacrif&iacute;cio, empenho e disponibilidade dos nossos catequistas, professores de EMRC e outros educadores da f&eacute;, aqui presentes em grande n&uacute;mero. &ldquo;Evangelizar todos os homens constitui a miss&atilde;o essencial da Igreja&#8221; (Evangelii Nuntiandi, 14). Todos os crist&atilde;os s&atilde;o chamados a viver em corresponsabilidade esta mesma miss&atilde;o evangelizadora: anunciar a todos os povos a riqueza insond&aacute;vel, os tesouros de sabedoria e de ci&ecirc;ncia de Cristo Jesus (cf. 1Col 24,3).<\/p>\n<p>Bento XVI recorda-nos na sua habitual mensagem para este Dia, que &ldquo;a miss&atilde;o da Igreja &eacute; contagiar de esperan&ccedil;a todos os povos. Est&aacute; em quest&atilde;o a salva&ccedil;&atilde;o eterna das pessoas, o fim e a plenitude da hist&oacute;ria humana e do universo&rdquo;. Evangelizar e contagiar com esta esperan&ccedil;a viva, que &eacute; Cristo Jesus Ressuscitado, ser&aacute; para todos um dom e uma gra&ccedil;a, mas tamb&eacute;m uma responsabilidade, servi&ccedil;o e compromisso.<\/p>\n<p>Dou gra&ccedil;as a Deus pela generosidade de numerosos mission&aacute;rios e mission&aacute;rias da nossa Diocese do Funchal que, atrav&eacute;s dos s&eacute;culos, ousaram e ousam, actualmente, anunciar com alegria o Evangelho, arriscando, muitas vezes, a pr&oacute;pria vida.&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo no meio de persegui&ccedil;&otilde;es e apesar de reconhecermos na Igreja os limites pr&oacute;prios da fragilidade humana, todos somos convidados a amar a Igreja, nossa M&atilde;e. Mergulhada na complexidade do mundo actual, onde Deus parece ser dispensado, a Igreja est&aacute; vigilante e atenta aos novos desafios, que lhe s&atilde;o propostos pela sociedade actual e pela pr&oacute;pria Igreja.<\/p>\n<p>Despedida da Imagem Peregrina<\/p>\n<p>Neste momento, em que a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de F&aacute;tima est&aacute; prestes a deixar a nossa Catedral, n&atilde;o posso deixar de dar gra&ccedil;as a Deus por tudo quanto j&aacute; vivemos com a sua vinda &agrave; nossa querida Diocese do Funchal. Fa&ccedil;o-o com muita emo&ccedil;&atilde;o e o maior reconhecimento a todos quantos contribu&iacute;ram, com a sua ora&ccedil;&atilde;o, trabalho e testemunho, para momentos t&atilde;o extraordin&aacute;rios de f&eacute; e comunh&atilde;o eclesial.<\/p>\n<p>Quem poder&aacute; esquecer o acolhimento t&atilde;o caloroso e expressivo, prestado a Nossa Senhora, por tantos milhares de pessoas que se congregaram no aeroporto e ao longo de todo o percurso at&eacute; ao Funchal? &ndash; Um aceno, um sorriso, um olhar humedecido por alguma l&aacute;grima, uma vela acesa, um c&acirc;ntico, uma prece no cora&ccedil;&atilde;o de tanta gente, que acorreu para saudar Nossa Senhora, contemplando-a na sua imagem irradiante de luz, serenidade e paz! Cruzaram-se os olhares: que disse Nossa Senhora ao cora&ccedil;&atilde;o e &agrave; consci&ecirc;ncia de cada um?<\/p>\n<p>Quem poder&aacute; esquecer a linda noite de 12 de Outubro, no cora&ccedil;&atilde;o da nossa cidade, onde, com a luz das velas, brilhou uma luz diferente, a luz da f&eacute; de uma multid&atilde;o agradecida e suplicante, olhos postos na Imagem luminosa da Virgem Maria, rezando o Ros&aacute;rio na Pra&ccedil;a do Munic&iacute;pio e caminhando, em prociss&atilde;o, at&eacute; &agrave; Catedral? Cruzaram-se os olhares: que disse Nossa Senhora ao cora&ccedil;&atilde;o e &agrave; consci&ecirc;ncia de cada um?<\/p>\n<p>Quem poder&aacute; esquecer os momentos de ora&ccedil;&atilde;o silenciosa ou a participa&ccedil;&atilde;o nas celebra&ccedil;&otilde;es da S&eacute;, durante toda a semana, na adora&ccedil;&atilde;o do Sant&iacute;ssimo Sacramento ou em louvor de Nossa Senhora, abrindo o cora&ccedil;&atilde;o a Deus e acolhendo no &iacute;ntimo os apelos e interpela&ccedil;&otilde;es de Maria-M&atilde;e? Que sentimos e pensamos, perante a passagem por aqui de tantos milhares de pessoas, mantendo a S&eacute; repleta de fi&eacute;is ao longo de quase todo o dia?<\/p>\n<p>O objectivo da vinda da Imagem Peregrina est&aacute; bem patente no lema escolhido para a Visita: &ldquo;Com Maria, ser Igreja no mundo actual&rdquo;. N&atilde;o se trata, pois, de expressar uma simples devo&ccedil;&atilde;o, sem consequ&ecirc;ncias na vida e na ac&ccedil;&atilde;o das pessoas e das comunidades crist&atilde;s, mas propor e ajudar a acolher, de forma mais aprofundada e esclarecida, o Evangelho de Jesus, como refer&ecirc;ncia para uma vida nova e um maior compromisso na&nbsp;Igreja e na Sociedade.<\/p>\n<p>No fim desta celebra&ccedil;&atilde;o, a Imagem Peregrina sai da Catedral e faz o seu primeiro percurso para a igreja do Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria, na Faj&atilde; do Penedo, iniciando, assim, a sua visita &agrave;s nossas comunidades paroquiais. A primitiva capela, que ali existia, foi mandada construir por Maria Margarida dos Anjos Ribeiro, natural de Boaventura, e benzida a 23 de Agosto de 1919, por D. Ant&oacute;nio Manuel Pereira Ribeiro. Foi a primeira dedicada ao Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria, conforme desejo de Nossa Senhora, expresso numa revela&ccedil;&atilde;o particular &agrave; Madre Virg&iacute;nia Brites da Paix&atilde;o, Religiosa Clarissa, madeirense, privilegiada com extraordin&aacute;rias gra&ccedil;as m&iacute;sticas.<\/p>\n<p>&Agrave; M&atilde;e da Igreja<\/p>\n<p>Unidos &agrave; M&atilde;e da Igreja, &ldquo;Estrela da Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; e Rainha das Miss&otilde;es, vivamos o dinamismo da f&eacute;, animados pelo Esp&iacute;rito de Deus. Sejamos testemunhas aut&ecirc;nticas e templos transparentes da Sua presen&ccedil;a, neste mundo, que deseja encontrar na Igreja a beleza do Evangelho e a resposta &agrave;s suas justas inquieta&ccedil;&otilde;es e esperan&ccedil;as. Maria, M&atilde;e da Igreja, rogai por n&oacute;s! Nossa Senhora do Ros&aacute;rio de F&aacute;tima, aben&ccedil;oai-nos!<\/p>\n<p>Funchal, 18 de Outubro de 2009<\/p>\n<p>&dagger; Ant&oacute;nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Catedral, Centro da Unidade e Comunh&atilde;o Diocesana&nbsp; Celebra a nossa Igreja Diocesana o anivers&aacute;rio da solene Dedica&ccedil;&atilde;o da sua Catedral, a 18 de Outubro de 1517, pelo bispo D. Duarte, delegado do Bispo titular, D. Diogo Pinheiro. 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