{"id":41364,"date":"2009-10-16T15:33:13","date_gmt":"2009-10-16T15:33:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/16\/mensagem-da-caritas-para-dia-mundial-da-erradicacao-da-pobreza\/"},"modified":"2009-10-16T15:33:13","modified_gmt":"2009-10-16T15:33:13","slug":"mensagem-da-caritas-para-dia-mundial-da-erradicacao-da-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-da-caritas-para-dia-mundial-da-erradicacao-da-pobreza\/","title":{"rendered":"Mensagem da C\u00e1ritas para Dia Mundial da Erradica\u00e7\u00e3o da Pobreza"},"content":{"rendered":"<p>&Eacute; num contexto de uma crise grav&iacute;ssima que nas suas variadas vertentes &#8211; econ&oacute;mica, financeira, bolsista, social,&#8230; &ndash; est&aacute; a atingir o mundo que assinalamos o Dia Mundial para a Erradica&ccedil;&atilde;o da Pobreza. &Eacute; um dia para (re)flectir sobre t&atilde;o dram&aacute;tico flagelo que, apesar de ser poss&iacute;vel erradicar de facto, teima em persistir, afectando mais de dois ter&ccedil;os da humanidade. Esta jornada serve para recordar algumas das muitas e complexas causas que geram a pobreza, a v&aacute;rios n&iacute;veis, para, a partir desse conhecimento se ouse apontar caminhos que levem &agrave; sua supera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Neste dia, devemos todos, de acordo com as responsabilidades pessoais e sociais de cada um\/a, considerar com preocupa&ccedil;&atilde;o: <\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>O agravamento das desigualdades em termos de distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza gerada por todos\/as &ndash; Portugal est&aacute; em 3&ordm; lugar entre os pa&iacute;ses da UE\/OCDE com maior diferencial;<\/li>\n<li>O desemprego que aflige sobretudo os mais desfavorecidos, com piores forma&ccedil;&otilde;es e\/ou analfabetos;<\/li>\n<li>A precariza&ccedil;&atilde;o cada vez maior do emprego decorrente da demasiada flexibiliza&ccedil;&atilde;o\/liberaliza&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o laboral; <\/li>\n<li>O analfabetismo e\/ou a iliteracia de uma parte substancial dos pobres;<\/li>\n<li>A corrup&ccedil;&atilde;o generalizada em muitos dos pa&iacute;ses do 3&ordm; mundo e tamb&eacute;m com alguma implanta&ccedil;&atilde;o em pa&iacute;ses medianamente desenvolvidos;<\/li>\n<li>O mau uso dos solos de muitos pa&iacute;ses e at&eacute;, por vezes, o seu subaproveitamento;<\/li>\n<li>A explora&ccedil;&atilde;o e consumo desenfreados de produtos energ&eacute;ticos muito poluentes como o carv&atilde;o e o petr&oacute;leo com os problemas ambientais e de sobreaquecimento do planeta que isso acarreta;<\/li>\n<li>Os problemas ambientais relacionados com a produ&ccedil;&atilde;o e o consumo energ&eacute;ticos e com a explora&ccedil;&atilde;o desregrada dos recursos florestais da Amaz&oacute;nia e de muitas regi&otilde;es tropicais de &Aacute;frica;<\/li>\n<li>A inexist&ecirc;ncia total ou quase total de sistemas de protec&ccedil;&atilde;o social em muitos dos pa&iacute;ses em vias de desenvolvimento;<\/li>\n<li>A inexist&ecirc;ncia de subs&iacute;dio de desemprego em muitos pa&iacute;ses e em muitas classes sociais mesmo em pa&iacute;ses onde ele existe;<\/li>\n<li>O n&iacute;vel miser&aacute;vel de algumas pens&otilde;es de velhice e sobreviv&ecirc;ncia &ndash; designadamente dos rurais em Portugal &ndash; quando elas existem;<\/li>\n<li>O acelerar da globaliza&ccedil;&atilde;o que veio encerrar empresas (e empregos) que at&eacute; h&aacute; pouco tempo eram rent&aacute;veis;<\/li>\n<li>O consumo desregrado de &aacute;lcool e drogas ou estupefacientes pela juventude (mas n&atilde;o s&oacute;);<\/li>\n<li>As guerras actuais do Afeganist&atilde;o, M&eacute;dio Oriente e outras e a necessidade do seu financiamento dos dois lados, com o seu cortejo infind&aacute;vel de mortos e feridos;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&#8230;&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Devemos tamb&eacute;m acreditar que h&aacute; caminhos ainda n&atilde;o percorridos que urge trilhar, sob pena de os at&eacute; agora percorridos, nos levarem ao abismo. Que caminhos?<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Defini&ccedil;&atilde;o por parte dos governos nacionais de estrat&eacute;gias concertadas de combate &agrave; pobreza, &agrave; desigualdade e exclus&atilde;o sociais;<\/li>\n<li>Concess&atilde;o de apoio &agrave;s PMEs como forma de intensificar o emprego;<\/li>\n<li>Intensifica&ccedil;&atilde;o do combate ao tr&aacute;fego e ao consumo de droga; <\/li>\n<li>Erradica&ccedil;&atilde;o ou pelo menos intensifica&ccedil;&atilde;o do combate ao analfabetismo e &agrave; iliteracia;<\/li>\n<li>Eleva&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis m&eacute;dios de escolaridade aproximando-o progressivamente do n&uacute;mero de anos praticado nos pa&iacute;ses mais desenvolvidos;<\/li>\n<li>Melhoria dos mecanismos de combate &agrave; precariza&ccedil;&atilde;o do emprego;<\/li>\n<li>Cria&ccedil;&atilde;o e eleva&ccedil;&atilde;o progressiva do sal&aacute;rio m&iacute;nimo praticado nos pa&iacute;ses aproximando-o de um valor que assegure a subsist&ecirc;ncia com um m&iacute;nimo de dignidade das fam&iacute;lias;<\/li>\n<li>Eleva&ccedil;&atilde;o do valor das pens&otilde;es de reforma, de invalidez e outras, designadamente das praticadas para os rurais;<\/li>\n<li>Generaliza&ccedil;&atilde;o do subs&iacute;dio de desemprego e dos sistema de protec&ccedil;&atilde;o social a todos os humanos que dele necessitem;<\/li>\n<li>Reorienta&ccedil;&atilde;o total das despesas destinadas ao investimento na produ&ccedil;&atilde;o de armas por parte das economias mais desenvolvidas para outras actividades geradoras de riqueza e com mais impacto junto das popula&ccedil;&otilde;es mais carenciadas;<\/li>\n<li>Intensifica&ccedil;&atilde;o do combate ao aquecimento global e aos problemas ambientais;<\/li>\n<li>Apoio &agrave; promo&ccedil;&atilde;o e vendas de artesanato produzido pelos mais carenciados;<\/li>\n<li>Distribui&ccedil;&atilde;o de hortas sociais aos mais desfavorecidos;<\/li>\n<li>Fim dos vencimentos exagerados e dos pr&eacute;mios em fun&ccedil;&atilde;o dos resultados aos gestores das maiores empresas &ndash; uma aut&ecirc;ntica afronta aos mais necessitados &ndash; e afecta&ccedil;&atilde;o dos recursos assim poupados pelas empresas a causas sociais com abatimento desses recursos na mat&eacute;ria colect&aacute;vel (sujeita a IRC em Portugal);<\/li>\n<li>Realiza&ccedil;&atilde;o de conversa&ccedil;&otilde;es sinceras com vista a acabar com as guerras no mundo;<\/li>\n<li>&#8230;<\/li>\n<\/ul>\n<p>Por &uacute;ltimo, termos sempre presente que a pobreza &eacute; uma viola&ccedil;&atilde;o do Direitos humanos e, nesse sentido, o seu combate deve ser assumido, co-responsavelmente, por cada Estado e seus cidad&atilde;os como imperativo do progresso humano e social que almejamos e para o qual fomos criados.<\/p>\n<p>Lisboa, 17 de Outubro de 2009<\/p>\n<p>Eug&eacute;nio Fonseca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Eacute; 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