{"id":413423,"date":"2026-02-20T10:25:05","date_gmt":"2026-02-20T10:25:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=413423"},"modified":"2026-02-20T10:33:32","modified_gmt":"2026-02-20T10:33:32","slug":"ciberhumanitas-omd-um-itinerario-quaresmal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ciberhumanitas-omd-um-itinerario-quaresmal\/","title":{"rendered":"CIBERHUMANITAS &#8211; OMD: um itiner\u00e1rio quaresmal"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>\u00ab<strong>O<\/strong>h, <strong>M<\/strong>eu <strong>D<\/strong>eus!\u00bb<\/em> \u2014 A express\u00e3o do espanto que pode ter m\u00faltiplos significados. Ao entrar num per\u00edodo de caminho quaresmal, as iniciais cont\u00eam escondidas in\u00fameras outras palavras. In\u00fameros itiner\u00e1rios. A premissa do meu livro \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.eu\/d\/0j6kl6MY\">Palavras<\/a>\u201d \u00e9 a de que essas mudam fisicamente o nosso c\u00e9rebro. Por isso, as palavras com que na vida nos cruzamos afectam a vida que levamos. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o Papa Le\u00e3o XIV na sua <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/messages\/lent\/documents\/20260205-messaggio-quaresima.html\">Mensagem<\/a> Quaresmal de 2026 apela ao jejum das palavras que ferem.<\/p>\n<p>Um dos criadores da realidade virtual, Jaron Lanier, no seu livro \u201c\u201dDez Argumentos para Apagar j\u00e1 as Contas nas Redes Sociais, escreve que deixou de escrever coment\u00e1rios por experimentar a tend\u00eancia crescente de usar palavras cada vez mais agressivas. O ambiente que existe nas redes sociais atrav\u00e9s dos coment\u00e1rios tem-se revelado este espa\u00e7o que desumaniza as pessoas atrav\u00e9s das palavras que utilizam.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de convers\u00e3o contida em OMD deveria ser a da descoberta do itiner\u00e1rio das palavras que humanizam. Palavras que constroem uma ciberhumanitas que nos mant\u00e9m numa (re)evolu\u00e7\u00e3o de amor. Nesse sentido, quando penso em OMD, penso em tr\u00eas palavras simples e evidentes:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>O<\/strong>ra\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li><strong>M<\/strong>edita\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li><strong>D<\/strong>esapego<\/li>\n<\/ul>\n<h4>ORA\u00c7\u00c3O<\/h4>\n<p>Podemos pronunciar ora\u00e7\u00f5es que conhecemos, ou podemos rezar espontaneamente com as palavras que ecoam a partir da nossa interioridade, mas talvez pud\u00e9ssemos colher um estilo de rezar que se chama <em>ora\u00e7\u00e3o vital<\/em>: a ora\u00e7\u00e3o que nasce da vida quotidiana. Na ora\u00e7\u00e3o vital, todo o acto pode tornar-se ora\u00e7\u00e3o, mas refiro-me \u00e0 ac\u00e7\u00e3o contemplativa, que, no dizer de Simone Weil ganha uma express\u00e3o concreta \u2014 <em>\u00abA aten\u00e7\u00e3o, no seu mais alto grau, \u00e9 o mesmo que ora\u00e7\u00e3o.\u00bb<\/em> (\u201cA Gravidade e Gra\u00e7a\u201d, Rel\u00f3gio D\u2019\u00c1gua) \u2014 Prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e9 rezar? Sim, e pode tornar-se numa ac\u00e7\u00e3o contemplativa, pois, como disse S\u00e3o Francisco de Sales no seu \u201cTratado do Amor de Deus\u201d \u2014 <em>\u00abA contempla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 outra coisa mais que uma amorosa, simples e permanente aten\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito \u00e0s coisas divinas.\u00bb<\/em> (Livro VI, cap. III) \u2014 E haver\u00e1 coisa mais divina do que procurar escutar o outro estando consciente da presen\u00e7a de Deus nele? Amando-o com a nossa aten\u00e7\u00e3o a tal ponto que Deus se manifesta nele? A aten\u00e7\u00e3o orante que suscita a ac\u00e7\u00e3o contemplativa pode levar-nos \u00e0 medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>MEDITA\u00c7\u00c3O<\/h4>\n<p>O Papa Jo\u00e3o XXIII no \u201cDec\u00e1logo da Serenidade\u201d, ponto 5, diz<\/p>\n<blockquote><p><em>\u00abS\u00f3 por hoje dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, lembrando-me que assim como \u00e9 preciso comer para sustentar o meu corpo, assim tamb\u00e9m a leitura \u00e9 necess\u00e1ria para alimentar a vida da minha alma.\u00bb<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Meditar atrav\u00e9s da leitura \u00e9 uma das formas mais simples que n\u00e3o requer gosto ou jeito, mas treino. Meditar \u00e9 preparar a nossa mente e o esp\u00edrito para abrir todas as portas interiores que conhecermos e convidar Deus a entrar do modo como Ele quiser. Quando Ele entra, tudo se renova. E existe um livro muito especial que nos pode ajudar e que encontramos, por exemplo, na experi\u00eancia de Santo Agostinho quando partilhava,<\/p>\n<blockquote><p><em>\u00abAssim falava e chorava, oprimido pela mais amarga dor do cora\u00e7\u00e3o. Eis que, de s\u00fabito, oi\u00e7o uma voz vinda da casa pr\u00f3xima. N\u00e3o sei se era de menino, ou se de menina. Cantava e repetia frequentes vezes: \u2014 \u201cToma e l\u00ea. Toma e l\u00ea.\u201d\u2014Imediatamente, mudando de semblante, comecei com a m\u00e1xima aten\u00e7\u00e3o a considerar se as crian\u00e7as tinham ou n\u00e3o o costume de trautear essa can\u00e7\u00e3o em alguns jogos. Vendo que em parte nenhuma a tinha ouvido, reprimi o \u00edmpeto das l\u00e1grimas e levantei-me, persuadindo-me que Deus s\u00f3 me mandava uma coisa: abrir o C\u00f3dice e ler o primeiro cap\u00edtulo que encontrasse.\u00bb<\/em> (Livro VIII, cap. 12)<\/p><\/blockquote>\n<p>O c\u00f3dice correspondia \u00e0s Ep\u00edstolas de S. Paulo, ou seja, no sentido mais geral, ao Evangelho. E se l\u00eassemos o Evangelho usando a imagina\u00e7\u00e3o para preencher com o quotidiano da vida cada momento da vida de Jesus? Uma vida que possui um momento crucial de desapego.<\/p>\n<h4>DESAPEGO<\/h4>\n<blockquote><p><em>\u00abPai, se quiseres, afasta de mim este c\u00e1lice; contudo, n\u00e3o se fa\u00e7a a minha vontade, mas a tua.\u00bb<\/em> (Lc 22, 42)<\/p><\/blockquote>\n<p>Se Jesus o fez, tamb\u00e9m n\u00f3s podemos-nos desapegar da nossa vontade para abrirmos o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 Vontade de Deus. Muitas vezes, essa Vontade manifesta-se em momentos de ora\u00e7\u00e3o vital quando somos chamados a fazer bem aquilo que temos para fazer no momento presente. E se tivermos dificuldade em desapegarmo-nos da nossa vontade, podemos abra\u00e7ar o esp\u00edrito hesicasta que repete a Ora\u00e7\u00e3o de Jesus at\u00e9 ao desapego\u2014<em>\u00abSenhor Jesus Cristo, tem piedade de mim.\u00bb<\/em><\/p>\n<p>O facto de comunicarmos, usando palavras, e num mundo onde \u00e9 cada vez mais f\u00e1cil comunicar, \u00e9 l\u00edcito pensar que vivemos num excesso de palavras que diminuem o valor de algumas como as tr\u00eas que referi. Mas n\u00e3o disse Jesus que \u2014 <em>\u00abNem s\u00f3 de p\u00e3o vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.\u00bb<\/em> (Mt 4, 4)? N\u00e3o quer isso dizer que toda a palavra orante transformada em vida vale, e vale bem, porque atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o Deus fala?<\/p>\n<p>N\u00e3o nos poupemos \u00e0s palavras que nos inspiram a rezar, \u00e0s palavras que nos impelem a meditar, ou \u00e0s palavras que nos ajudam a desapegar. E nesse sentido, penso que a mesma express\u00e3o para \u00abOh, Meu Deus\u00bb em ingl\u00eas seria &#8220;<em>Oh, My God<\/em>&#8220;, com o acr\u00f3nimo conhecido OMG, e isso significa que teria aqui uma oportunidade de acrescentar uma quarta palavra \u00e0s anteriores tr\u00eas, e que vale a pena: &#8220;GRATID\u00c3O&#8221;. No final de cada dia, podemos sempre pensar em Jesus e dizer-Lhe, em esp\u00edrito de ora\u00e7\u00e3o vital \u2014<em>\u00abEstou-Te grato.\u00bb<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> neste <a href=\"https:\/\/miguelpanao.us21.list-manage.com\/subscribe?u=79afec46a9b51d4f2fd96b42b&amp;id=de0124808e\">LINK<\/a> &#8211; &#8220;<a href=\"https:\/\/cordeldeprata.pt\/produto\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo\/\">Tempo 3.0 &#8211; Uma vis\u00e3o revolucion\u00e1ria da experi\u00eancia mais transformativa do mundo<\/a>&#8221; (<a href=\"https:\/\/www.bertrand.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Bertrand<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Wook<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.fnac.pt\/Tempo-3-0-Uma-Visao-Revolucionaria-da-Experiencia-Mais-Transformativa-do-Mundo-Miguel-Panao\/a11534362\">FNAC<\/a> )<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>\u00a0(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o 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