{"id":4133,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/pouco-para-celebrar\/"},"modified":"2019-02-14T14:42:22","modified_gmt":"2019-02-14T14:42:22","slug":"pouco-para-celebrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pouco-para-celebrar\/","title":{"rendered":"Pouco para celebrar"},"content":{"rendered":"<p>Fernando Castro, Presidente da Direc\u00e7\u00e3o APFN <!--more--> Em 2004, celebra-se o X Anivers\u00e1rio do ano Internacional da Fam\u00edlia. Infelizmente, em Portugal n\u00e3o h\u00e1 mesmo nada para celebrar, uma vez que todos os indicadores do estado das fam\u00edlias s\u00e3o bem mais negativos do que j\u00e1 eram em 1994: o n\u00famero de div\u00f3rcios mais do que duplicou, o n\u00famero de casamentos reduziu em 20% e o d\u00e9fice de nascimentos manteve-se em cerca de 50.000 por ano.<\/p>\n<p>Mas, bem pior, ningu\u00e9m se importou com isto! Pelo contr\u00e1rio, algumas vozes t\u00eam aparecido a enaltecer estes dados como \u201csinal de modernidade\u201d embora, de forma no m\u00ednimo curiosa, mostrando preocupa\u00e7\u00e3o pelos seus efeitos: aumento do comportamento de risco entre jovens e de consumo de barbit\u00faricos e envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com efeito, todos os estudos internacionais sobre a mat\u00e9ria mostram aquilo que toda a gente sabe e v\u00ea, mas que, pelos vistos, \u00e9 politicamente incorrecto dizer: a instabilidade conjugal conduz, inevitavelmente, a um aumento de problemas entre a popula\u00e7\u00e3o juvenil e infantil. Um recente estudo publicado na Su\u00e9cia, um dos pa\u00edses que tem maior experi\u00eancia neste assunto e, como tal, melhor est\u00e1 preparado para responder ao elevad\u00edssimo n\u00famero de fam\u00edlias monoparentais e de crian\u00e7as nascidas fora do casamento, mostra que a incid\u00eancia de suic\u00eddios, delinqu\u00eancia, criminalidade, consumo de \u00e1lcool e drogas e gravidez juvenil s\u00e3o mais do dobro entre os \u201c\u00f3rf\u00e3os de pais vivos\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, outros estudos mostram que a estabilidade conjugal est\u00e1 fortemente correlacionada com o casamento: apesar do elevado n\u00famero de div\u00f3rcios, a fam\u00edlia baseada no casamento \u00e9 bastante mais est\u00e1vel do que entre simples coabita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais ainda: casais que tenham iniciado a sua vida conjugal em simples coabita\u00e7\u00e3o e, posteriormente, se tenham casado, t\u00eam maior estabilidade do que os que n\u00e3o se casaram, mas, por outro lado, apresentam maior incid\u00eancia de divorciali-dade do que aqueles que se casaram directamente. Uma simples consulta aos dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estat\u00edstica revela, tamb\u00e9m, que a incid\u00eancia de div\u00f3rcios \u00e9 cerca de tr\u00eas vezes inferior entre casamentos religiosos do que civis, havendo, tamb\u00e9m, uma enorme correla\u00e7\u00e3o com o n\u00famero de filhos: o pico \u00e9 entre casais com um filho, seguindo-se casais sem filhos. A taxa de divorcialidade tende, depois para zero, muito rapidamente, quanto maior o seu n\u00famero. Pelo que se v\u00ea, a realidade \u00e9 totalmente oposta ao propagandeado.<\/p>\n<p>Pior ainda, esta propaganda com que cada casal \u00e9 bombardeado diariamente at\u00e9 pelos seus mais pr\u00f3ximos (pais e amigos) \u00e9 fortemente apoiada pelo Estado: vimos, recentemente, a coabita\u00e7\u00e3o ser equiparada ao casamento (pomposamente apelidada de \u201cuni\u00e3o de facto\u201d), ser bastante simplificado o processo de div\u00f3rcio e, por outro lado, temos uma fiscalidade fortemente penalizadora das fam\u00edlias legalmente constitu\u00eddas e, sobretudo, das mais numerosas. Perante isto, o que fazer? Ou, por outras palavras, que pol\u00edtica adoptar? A resposta \u00e9 muito simples: se queremos obter resultados opostos, basta, simplesmente, fazer-se o oposto! Em primeiro lugar, h\u00e1 que tomar consci\u00eancia que \u201cfam\u00edlia\u201d n\u00e3o \u00e9 qualquer grupo humano!<\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 o \u201celemento base da sociedade\u201d \u00fanica e exclusivamente porque \u00e9 ela que tem a capacidade \u00fanica de fazer com que a sociedade resista \u00e0 natural eros\u00e3o pelo tempo, \u201cproduzindo\u201d os novos elementos dessa sociedade, em quantidade e qualidade. Como vimos atr\u00e1s, toda a evid\u00eancia cient\u00edfica mostra que \u00e9 a fam\u00edlia baseada no casamento que melhor satisfaz esta necessidade b\u00e1sica da sociedade, sem a qual a sociedade n\u00e3o sobrevive.<\/p>\n<p>\u00c9, portanto, necess\u00e1rio que esta verdade seja assumida e proclamada pelo Governo, o que implicar\u00e1, necessariamente e no m\u00ednimo, retirar todas as penaliza\u00e7\u00f5es a que os casais legalmente constitu\u00eddos s\u00e3o sujeitos, assim como pr\u00e9mios em caso de div\u00f3rcio. Implica, tamb\u00e9m, que o Estado demonstre um especial carinho pelos casais, incentivando a cria\u00e7\u00e3o de estruturas de apoio conjugal e associa\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia. Em segundo lugar, deve promover a divulga\u00e7\u00e3o de estudos sobre \u201cfam\u00edlia\u201d, de modo a mostrar qual o modelo mais adequado.<\/p>\n<p>Deste modo, as pessoas s\u00e3o livres de optar, em vez de andarem a ser empurradas para comportamentos de que ser\u00e3o as principais v\u00edtimas (mas n\u00e3o as \u00fanicas, nem as mais inocentes).<\/p>\n<p>Mas isto n\u00e3o \u00e9, apenas, um trabalho do Governo, mas sim de todos n\u00f3s, principalmente dos casais crist\u00e3os. \u00c9 necess\u00e1rio que nos cultivemos, que estudemos, informemo-nos e n\u00e3o tenhamos medo de dar a cara e \u201cperder\u201d algum do \u201cnosso\u201d tempo a ir ter com as outras fam\u00edlias, ajudando-as nas suas dificuldades de rela\u00e7\u00e3o, enquadrando-as em grupos de apoio m\u00fatuo (equipas de casais), colaborando na sua forma\u00e7\u00e3o, na forma\u00e7\u00e3o de jovens e noivos, intervindo na comunica\u00e7\u00e3o social e nos \u00f3rg\u00e3os pol\u00edticos. No fundo, em 2004, as fam\u00edlias crist\u00e3s s\u00e3o sobremaneira interpeladas pelo apelo de Jo\u00e3o Paulo II (\u201cN\u00e3o temais! Tornem-se naquilo que s\u00e3o!\u201d) por forma a que o X Anivers\u00e1rio do Ano Internacional da Fam\u00edlia seja o ano de viragem da pol\u00edtica familiar em Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Castro, Presidente da Direc\u00e7\u00e3o APFN<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[116,154,187,206,237],"class_list":["post-4133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-apfn","tag-crianca","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-joao-paulo-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4133"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4133\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}