{"id":413253,"date":"2026-02-20T09:29:28","date_gmt":"2026-02-20T09:29:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=413253"},"modified":"2026-02-19T12:31:55","modified_gmt":"2026-02-19T12:31:55","slug":"o-tempo-favoravel-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-tempo-favoravel-da-quaresma\/","title":{"rendered":"O Tempo Favor\u00e1vel da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268285\" aria-describedby=\"caption-attachment-268285\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268285\" class=\"wp-caption-text\">Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>Valer\u00e1 a pena propor a quaresma ao mundo de hoje? A quaresma \u00e9 uma gra\u00e7a, um dom cheio de dons para que a vida seja mais vida e se viva mais em Cristo e para os outros. Para muitos crist\u00e3os, em cuja vida Deus est\u00e1 muito ausente, a quaresma, erradamente, evoca um tempo de tristeza, de sacrif\u00edcios sem grande sentido, pr\u00e1ticas f\u00fanebres e sombrias, inc\u00f3modos dispens\u00e1veis, precisamente numa sociedade que se sacrifica pelas dietas e outras coisas mais. Vivemos numa sociedade que sacralizou dois valores: o prazer e o divertimento sem limites. Propor alguma disciplina, simplicidade, austeridade e emancipa\u00e7\u00e3o deles \u00e9 quase ser considerado um herege ou um desmiolado contempor\u00e2neo. Felicidade rima com euforia, cora\u00e7\u00f5es excitados e acelerados, experi\u00eancias atr\u00e1s de experi\u00eancias, sensa\u00e7\u00f5es atr\u00e1s de sensa\u00e7\u00f5es, ru\u00eddo, vol\u00fapia e frui\u00e7\u00e3o de toda a esp\u00e9cie. E n\u00e3o h\u00e1 tempo a perder nesta ditadura de estar \u201csempre plenamente satisfeito\u201d em que vivemos. Tem l\u00e1 algum sentido escolher o oposto disto? Quem procura ser mesmo crist\u00e3o e viver a s\u00e9rio como crist\u00e3o, aceita a quaresma e sente a sua necessidade. Composta de ora\u00e7\u00e3o, escuta e medita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, convers\u00e3o e penit\u00eancia, jejum e abstin\u00eancia, partilha e caridade, \u00e9 liberta\u00e7\u00e3o, matura\u00e7\u00e3o, renova\u00e7\u00e3o, \u00e9 um recome\u00e7ar de novo, \u00e9 progredir, \u00e9 refletir e rever para ser mais, \u00e9 um ir beber de novo \u00e0 fonte para continuar a caminhar e ser mais, \u00e9 morrer para o que tem de se morrer para se cantar com toda a for\u00e7a a vit\u00f3ria do amor e da vida no dia de P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias dificuldades que se apresentam diante de n\u00f3s. Vivemos num tempo de grande confus\u00e3o, por for\u00e7a da \u00abditadura do relativismo\u00bb, e promove-se a despreocupa\u00e7\u00e3o moral. Sou livre de fazer o que fa\u00e7o, ningu\u00e9m manda em mim, n\u00e3o tenho de prestar contas a ningu\u00e9m. Depois, socialmente, h\u00e1 todo um discurso de desresponsabiliza\u00e7\u00e3o e de adormecimento da consci\u00eancia: tudo acontece porque foram as circunst\u00e2ncias que o proporcionaram. As pessoas s\u00e3o boas. Est\u00e3o \u00e9 na hora errada, no lugar errado. As pessoas s\u00e3o santas. O mundo \u00e0 sua volta \u00e9 que as corrompe e deforma. Se n\u00e3o fossem estas m\u00e1s influ\u00eancias e o caldo ca\u00f3tico do mundo, como todos ser\u00edamos t\u00e3o bons\u2026Todos sabemos que n\u00e3o \u00e9 bem assim. \u00c9 preciso despertar e quebrar a crosta da nossa consci\u00eancia, j\u00e1 dura como a terra dos caminhos, que n\u00e3o nos deixa chegar \u00e0 verdade de n\u00f3s mesmos e \u00e0 verdade da nossa vida e de enfrent\u00e1-la sem rodeios, tamb\u00e9m feita de infidelidades, incoer\u00eancias, hipocrisias, escurid\u00e3o e sombras. Cada um de n\u00f3s, neste deserto quaresmal, \u00e9 chamado a encontrar-se com a verdade da sua vida, sem medo de a questionar e de se questionar a si mesmo, diante da verdade do ser homem, que Deus nos d\u00e1 a conhecer em Jesus Cristo. Num deserto n\u00e3o h\u00e1 mais ningu\u00e9m, s\u00f3 n\u00f3s. \u00c9 para si e s\u00f3 para si que cada um deve olhar, deixando cair todas as m\u00e1scaras, todos os subterf\u00fagios, todos os condicionalismos. O mal existe e s\u00e3o pessoas que o fazem, mas que n\u00e3o deviam faz\u00ea-lo. H\u00e1 que crescer e melhorar. Somos levados por Deus ao deserto para reorientar a vida e recuperar o essencial: a nossa identidade de filhos de Deus, que devemos procurar aprofundar. \u00c9 preciso estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida e profunda com Deus, com a Igreja e com os outros. Viver a Quaresma \u00e9 empreender um caminho de busca de liberdade interior, para nos centrarmos no essencial da vida, para crescermos em humanidade e santidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um tempo triste. A f\u00e9 crist\u00e3 no seu calend\u00e1rio lit\u00fargico n\u00e3o tem tempos tristes. Viver em Cristo \u00e9 sempre um acontecimento de alegria e salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 um tempo de austeridade e ascese, mas iluminado sempre com a luz da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, que no dia de P\u00e1scoa celebraremos.<\/p>\n<p>Por fim, seria bom que nesta quaresma muitos crist\u00e3os cat\u00f3licos questionassem o seu \u00abnem roubo, nem mato\u00bb, que se ouve com muita facilidade na boca de muitos crist\u00e3os, s\u00famula que diz tudo e n\u00e3o diz nada e nos faz atores de um filme de fic\u00e7\u00e3o. Quem se lembrou de inventar tamanho disparate? A afirma\u00e7\u00e3o, que se ajusta muito \u00e0 hipocrisia que gostamos de cultivar, encerra v\u00e1rios erros: reduz a viv\u00eancia da f\u00e9 ao legalismo minimalista; v\u00ea a vida pelo negativo e por aquilo que n\u00e3o se deve fazer e n\u00e3o pelo positivo e que se deve fazer; trata-se Deus como um juiz e n\u00e3o como um Pai que ama; promove um amor calculista e mesquinho com Deus e com os outros. Mente-se descaradamente, recorre-se \u00e0 vingan\u00e7a, comete-se adult\u00e9rio, vive-se egoisticamente e indiferente \u00e0s necessidades dos outros, difama-se e calunia-se com requinte e malvadez, \u00e9-se invejoso, cultivam-se \u00f3dios e rancores, recorre-se \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, abusa-se do \u00e1lcool e de drogas, \u00e9-se trapaceiro e explorador nos neg\u00f3cios, praticam-se falcatruas, desprezam-se os pais, aninham-se e alimentam-se maus desejos, n\u00e3o se tem civismo na rua e na estrada, falta-se ao trabalho e ao cumprimento do dever, traficam-se influ\u00eancias, exploram-se trabalhadores, serve-se a gan\u00e2ncia e a avareza, despreza-se Deus e a Igreja, perseguem-se pessoas, projetam-se planos diab\u00f3licos, faz-se pouco dos outros e ainda temos a inconsci\u00eancia e a leviandade para nos pormos de joelhos diante de Deus e dizer \u00abnem roubo, nem mato\u00bb? Bem, um dia algu\u00e9m sempre foi sincero: \u00abSenhor padre, nem roubo, nem mato, de resto tenho-os todos\u00bb.<\/p>\n<p>Boa Quaresma.<\/p>\n<p><em>Padre V\u00edtor Pereira<\/em><br \/>\n<em>Diocese de Vila Real<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>\u00a0(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-413253","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=413253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413253\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=413253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=413253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=413253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}