{"id":4130,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/verdade-para-2004\/"},"modified":"2019-02-14T14:35:04","modified_gmt":"2019-02-14T14:35:04","slug":"verdade-para-2004","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/verdade-para-2004\/","title":{"rendered":"Verdade para 2004"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Braga, Bispo de Angra <!--more--> Despedimo-nos h\u00e1 pouco de 2003, ano considerado dif\u00edcil. Algu\u00e9m diz que \u00e9 para esquecer. Em perspectiva crist\u00e3 nada \u00e9 para esquecer.<\/p>\n<p>\u00c9 para celebrar e \u201cfazer mem\u00f3ria\u201d apesar de tudo, da presen\u00e7a salvadora de Deus na hist\u00f3ria da humanidade. Desafia a nossa f\u00e9 o aparente sil\u00eancio de Deus, a forma t\u00e3o discreta, com que encarna nas entranhas da hist\u00f3ria. Mas Ele \u00e9 sempre o Emanuel: \u201cDeus connosco\u201d. Este \u00e9 o fundamento da esperan\u00e7a, com que o crist\u00e3o come\u00e7a o novo ano, que se afigura tamb\u00e9m dif\u00edcil. H\u00e1 quem diga que, em Portugal, come\u00e7ou mal. Ser\u00e1? Verbalizar os problema n\u00e3o \u00e9 cri\u00e1-los. \u00c9 tomar consci\u00eancia deles, para encontrar caminhos de solu\u00e7\u00e3o. O facto de hoje se falar de tudo, de se comunicar, em tempo real, as reac\u00e7\u00f5es a quest\u00f5es candentes do momento presente pode criar uma sensa\u00e7\u00e3o de mal-estar e, por vezes, desorientar as pessoas. Mas \u00e9 melhor conhecer, do que andar anestesiados, relativamente aos problemas complexos da nossa sociedade. A vida crist\u00e3 tem de se encarnar na realidade, para a iluminar e temperar com a luz e o sal do Evangelho da Esperan\u00e7a. N\u00e3o podemos entrar em p\u00e2nico. H\u00e1 falhas no Estado de Direito, mas ele funciona. Conhecer as avarias \u00e9 j\u00e1 o primeiro passo para as reparar. Este ano come\u00e7a com alertas s\u00e9rios sobre o funcionamento da Justi\u00e7a e da comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>H\u00e1 cont\u00ednuas viola\u00e7\u00f5es do segredo de Justi\u00e7a. \u00c9 manifesto o empobrecimento medi\u00e1tico do esc\u00e2ndalo de pedofilia. Mas isso pode ajudar a sociedade a fazer um s\u00e9rio exame de consci\u00eancia sobre um crime, tantas vezes coberto pelo manto do sil\u00eancio, o que criou uma certa presun\u00e7\u00e3o de impunidade. Para a Igreja, a pedofilia \u00e9 uma desordem moral e grav\u00edssima, que apela \u00e0 transpar\u00eancia da verdade e da justi\u00e7a, bem como \u00e0 exig\u00eancia inadi\u00e1vel da protec\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas e da defesa das crian\u00e7as. \u00c9 verdade que todo o pecado tem perd\u00e3o. Mas isso comporta arrependimento &#8211; quer dizer, o reconhecimento da pr\u00f3pria culpa &#8211; e penit\u00eancia, isto \u00e9, caminhada de convers\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o dos danos. Nunca em Portugal se falou tanto de justi\u00e7a e nunca como agora, os leigos na mat\u00e9ria tiveram a possibilidade de entrar nos seus meandros.<\/p>\n<p>Apesar de todos os solavancos e para al\u00e9m das tentativas de descredibilizar a investiga\u00e7\u00e3o, este in\u00edcio do novo ano faz-nos vislumbrar uma luz no fundo do t\u00fanel, que nos d\u00e1 fundada esperan\u00e7a de que ser\u00e1 feita justi\u00e7a. Pelo menos \u00e9 o que sentimos, no caso dos A\u00e7ores. Muito antes de a comunica\u00e7\u00e3o social do Continente fazer eco do esc\u00e2ndalo de pedofilia nos A\u00e7ores, a investiga\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava em curso. E, neste in\u00edcio do ano, j\u00e1 est\u00e1 a dar os primeiros frutos, com vista ao apuramento dos factos. Isso \u00e9 importante para tomar consci\u00eancia do alcance do fen\u00f3meno e ultrapassar o ambiente de suspei\u00e7\u00e3o que se criou.<\/p>\n<p>Os a\u00e7oreanos est\u00e3o interessados no apuramento objectivo da verdade, para que os culpados sejam punidos e os inocentes absolvidos, para que as v\u00edtimas sejam assistidas e as crian\u00e7as protegidas. S\u00f3 a verdade \u00e9 que liberta. Nesse sentido, confiamos plenamente na Justi\u00e7a que est\u00e1 actuando com intelig\u00eancia e discri\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m dos boatos e das atoardas jornal\u00edsticas. D. Ant\u00f3nio Braga, Bispo de Angra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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