{"id":41240,"date":"2009-10-09T17:24:35","date_gmt":"2009-10-09T17:24:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/09\/padre-damiao-de-veuster\/"},"modified":"2009-10-09T17:24:35","modified_gmt":"2009-10-09T17:24:35","slug":"padre-damiao-de-veuster","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/padre-damiao-de-veuster\/","title":{"rendered":"Padre Dami\u00e3o de Veuster"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">O Padre Dami&atilde;o de Veuster, SS.CC., mais conhecido como Dami&atilde;o de Molokai, vai ser declarado Santo pelo Papa Bento XVI no pr&oacute;ximo dia 11 de Outubro, na pra&ccedil;a de S&atilde;o Pedro, no Vaticano.<\/p>\n<p>O Padre Dami&atilde;o, nascido na B&eacute;lgica em1840,&nbsp; foi viver como mission&aacute;rio junto aos leprosos da ilha de Molokai (Hawai) aos 33 anos de idade.&nbsp; Ap&oacute;s 16 anos a atender heroicamente os leprosos,&nbsp; morreu tamb&eacute;m leproso em 1889. Tinha 49 anos.&nbsp; Seguindo o exemplo de Jesus, &ldquo;amou-os at&eacute; ao fim&rdquo;, dando a vida por eles.<\/p>\n<p>Dami&atilde;o nasceu no seio de uma fam&iacute;lia numerosa da regi&atilde;o flamenga, a norte da B&eacute;lgica. Eram pequenos propriet&aacute;rios de fazenda agr&iacute;cola e pecu&aacute;ria, e os pais, de f&eacute; cat&oacute;lica profunda, pensaram em dedicar o pequeno dos filhos para continuar o trabalho da casa. Contava Dami&atilde;o 18 anos e j&aacute; duas das irm&atilde;s tinham se tornado religiosas e o irm&atilde;o mais velho, P&acirc;nfilo, era para j&aacute; religioso dos Sagrados Cora&ccedil;&otilde;es, na altura uma pequena Congrega&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria de origem francesa.&nbsp; Dami&atilde;o sentiu a voca&ccedil;&atilde;o, foi dif&iacute;cil comunic&aacute;-la aos pais. Entretanto, professou como irm&atilde;o dos ss.cc. e, ap&oacute;s luta apurada com o latim&nbsp; e o franc&ecirc;s, conseguiu dos superiores encetar a Teologia. O seu sonho era ser mission&aacute;rio em terras long&iacute;nquas, queria ser como S&atilde;o Francisco Xavier: a ocasi&atilde;o pintou quando o seu irm&atilde;o ficou doente pouco antes do barco partir para o Pac&iacute;fico Sul. Dami&atilde;o, em arrebatado entusiasmo, pediu para substitu&iacute;-lo.<\/p>\n<p>N&atilde;o d&aacute; para narrar a viagem dos mission&aacute;rios por aqueles oceanos, do Atl&acirc;ntico Norte ao Sul, a passagem pelo Cabo de Hornos, a entrada no Pac&iacute;fico&hellip; Cinco meses de navega&ccedil;&atilde;o!&nbsp;<\/p>\n<p>Dami&atilde;o formava parte da equipa mission&aacute;ria de padres e irm&atilde;s dos SS.CC. que tinham recebido da Congrega&ccedil;&atilde;o para Propaga&ccedil;&atilde;o da F&eacute; a miss&atilde;o das Ilhas Sandwich, assim chamado ent&atilde;o o arquip&eacute;lago hawaiano. Aprender a l&iacute;ngua kanaka, adaptar-se ao clima, aos costumes&hellip; Dami&atilde;o encarou isso tudo com a proverbial fogosidade do seu temperamento.&nbsp;<\/p>\n<p>Estala uma epidemia de lepra no arquip&eacute;lago: o&nbsp; governo das Ilhas, naquela altura uma monarquia aut&oacute;ctone,&nbsp; resolve internar os leprosos num c&aacute;rcere natural, a cara norte da ilha de Molokai, entre o mar e a montanha.<\/p>\n<p>A lepra, uma doen&ccedil;a da pele, incur&aacute;vel&nbsp; na altura, provocava ent&atilde;o muito mais terror do que hoje. Alguns suspeitavam ela ser pr&oacute;pria de povos subdesenvolvidos, ligada com costumes licenciosos, relacionada com a s&iacute;filis e outras doen&ccedil;as ven&eacute;reas. O estigma do leproso era total: para al&eacute;m da desintegra&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, a exclus&atilde;o social, a maldi&ccedil;&atilde;o&nbsp; divina.<\/p>\n<p>&Eacute; neste contexto que se compreende a ang&uacute;stia do padre provincial ao pedir volunt&aacute;rios para atender os leprosos. &ldquo;Sem toc&aacute;-los, sem conviver com eles&hellip;&rdquo;, disse. Mas, &ldquo;algu&eacute;m poderia ir &agrave; Molokai durante um tempo?&rdquo; Levantam-se alguns sacerdotes, entre eles Dami&atilde;o. &Eacute; ele o escolhido para l&aacute; ir.<\/p>\n<p>Consta que Dami&atilde;o, aos 33 anos, nunca imaginara o que ia acontecer com ele: simplesmente tomou uma decis&atilde;o coerente com a sua profiss&atilde;o perp&eacute;tua em baixo do manto mortu&aacute;rio. &nbsp;Ele era assim: entusiasta, lan&ccedil;ado, convencido de que o Senhor precisava dele&nbsp; para ir &agrave; Molokai naquele momento.<\/p>\n<p>O que aconteceu depois ultrapassou as expectativas: Dami&atilde;o chegou &agrave; ilha e encontrou uma esp&eacute;cie de semi-caos. Kalawao era uma aldeia mais para dep&oacute;sito de doentes n&atilde;o atendidos, destinados a morrer, sem fam&iacute;lia, nem hospital nem cuidados, do que um assentamento humano digno desse nome. Prostitui&ccedil;&atilde;o, droga, assass&iacute;nios.., normal entre&nbsp; pessoas abandonadas a si pr&oacute;prias.&nbsp; Foi precisa muita paci&ecirc;ncia, muita dedica&ccedil;&atilde;o, muita ora&ccedil;&atilde;o.., para conseguir formar um povo daquela massa de moribundos.<\/p>\n<p>Sempre &eacute; citada a frase de Mahatma Ghandi &ldquo;&eacute; preciso saber de onde tirou este homem a for&ccedil;a para tal hero&iacute;smo&rdquo;, e todos nos perguntamos onde esteve o segredo de Dami&atilde;o para levar a cabo uma tal empresa. A resposta est&aacute; no sacr&aacute;rio, certamente, na presen&ccedil;a constante do Jesus &nbsp;Eucar&iacute;stico , nas adora&ccedil;&otilde;es e celebra&ccedil;&otilde;es&hellip; Jesus foi o Amigo que Dami&atilde;o teve nas idas a cavalo a visitar as aldeias, nas curas dos leprosos, na forma de encarar aos inimigos &ndash; que n&atilde;o foram poucos, dentro e fora da ilha &#8211; , na presen&ccedil;a de &acirc;nimo para n&atilde;o se deprimir nos momentos piores de solid&atilde;o.&nbsp; Quando contraiu a doen&ccedil;a &ndash; nunca obedeceu a quem lhe dissera que &ldquo;n&atilde;o tocara os leprosos&rdquo; &ndash; houve m&eacute;dicos a suspeitar dele ter tido rela&ccedil;&otilde;es com leprosas.&nbsp; Logo se demonstrou o contr&aacute;rio&hellip;<\/p>\n<p>Dami&atilde;o amou em excesso.&nbsp; Entrou naquilo que Paulo disse na 1Cor<em>: a loucura da Cruz<\/em>. &nbsp;Li h&aacute; pouco:&nbsp; &ldquo;O Reino faz-se presente n&atilde;o pelas institui&ccedil;&otilde;es de direito, mas pela ac&ccedil;&atilde;o dos homens justos. O Reino adv&eacute;m l&aacute; onde o poder do bem faz que recue o mal, sempre fascinante. Por isso, a met&aacute;fora da &lsquo;clareira na floresta&rsquo; parece-me razo&aacute;vel.&nbsp; Assim percebido, o Reino &eacute; uma&nbsp; clareira no cora&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria perversa ou amb&iacute;gua..&rdquo;p.270.&nbsp; E mais adiante (p.272) &ldquo;Os justos n&atilde;o se contentam com seguir&nbsp; uma conduta razo&aacute;vel; excedem-se no desempenho, porque o mal&nbsp; que o mundo gera &eacute; tamb&eacute;m excessivo, da&iacute; a reclamar&nbsp; um excesso de bem&rdquo;. (Christian Duquoc,&nbsp; <span style=\"text-decoration: underline;\">&ldquo;Creo en la Iglesia&rdquo;, Precariedad institucional y Reino de Dios<\/span>, Sal Terrae, Santander, 2001).<\/p>\n<p>Dami&atilde;o &eacute; uma &ldquo;clareira no cora&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria&rdquo;,&nbsp; uma testemunha&nbsp; de que&nbsp; o Reino&nbsp; est&aacute;&nbsp; a&iacute; a fazer o seu trabalho. As sementes de miseric&oacute;rdia, compaix&atilde;o e solidariedade que se manifestam na sua vida t&ecirc;m dado fruto no Senhor.&nbsp; Ele morreu, segundo consta, feliz.&nbsp; Caindo aos peda&ccedil;os, com seus membros desfigurados, por&eacute;m feliz.&nbsp; Disse: &ldquo;Como &eacute;&nbsp; doce morrer&nbsp; filho dos Sagrados Cora&ccedil;&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p>S&atilde;o Dami&atilde;o, rogai por n&oacute;s.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Lu&iacute;s Manuel Alvarez Garcia, ss.cc<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Padre Dami&atilde;o de Veuster, SS.CC., mais conhecido como Dami&atilde;o de Molokai, vai ser declarado Santo pelo Papa Bento XVI no pr&oacute;ximo dia 11 de Outubro, na pra&ccedil;a de S&atilde;o Pedro, no Vaticano. 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