{"id":41238,"date":"2009-10-09T17:05:01","date_gmt":"2009-10-09T17:05:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/09\/a-igreja-perante-os-desafios-da-saude-mental\/"},"modified":"2009-10-09T17:05:01","modified_gmt":"2009-10-09T17:05:01","slug":"a-igreja-perante-os-desafios-da-saude-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-igreja-perante-os-desafios-da-saude-mental\/","title":{"rendered":"A Igreja perante os desafios da Sa\u00fade Mental"},"content":{"rendered":"<p>Apraz-me estar aqui convosco, pela oportunidade que tenho de me dirigir a cada um de v&oacute;s, que sa&uacute;do, expressando a minha estima e o meu contentamento pela participa&ccedil;&atilde;o t&atilde;o numerosa de pessoas, neste evento de grande import&acirc;ncia, na &aacute;rea da Sa&uacute;de Mental.<\/p>\n<p>Dentro de dias, mais concretamente no dia 10 de Outubro, celebra-se o Dia Mundial da Sa&uacute;de Mental. Neste contexto, surgem as 4as Jornadas de Enfermagem, promovidas pela Casa de Sa&uacute;de S. Jo&atilde;o de Deus.<\/p>\n<p>&Eacute; de louvar que Organismos Internacionais, Nacionais e outras Institui&ccedil;&otilde;es, p&uacute;blicas e privadas, promovam e dediquem tempo, estudo e reflex&atilde;o a tem&aacute;ticas, que preocupam e afectam as sociedades e os cidad&atilde;os, procurando poss&iacute;veis respostas coordenadas para os problemas gerais, j&aacute; existentes na realidade ou que possam surgir, e para outros mais espec&iacute;ficos, como &eacute; a &ldquo;Sa&uacute;de Mental&rdquo;.<\/p>\n<p>O Programa das Jornadas consta de um bom conjunto de temas desta &aacute;rea da Sa&uacute;de Mental, que os especialistas ir&atilde;o desenvolver e propor &agrave; reflex&atilde;o dos participantes, nos dias a isso destinados. Todos eles importantes, neste di&aacute;logo interdisciplinar de saberes complementares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A exclus&atilde;o social<\/strong><\/p>\n<p>Do Programa despertou a minha especial aten&ccedil;&atilde;o um aspecto, que considero deveras pertinente, e que &eacute; um dos temas a abordar. Refiro-me, concretamente, &agrave; &ldquo;Exclus&atilde;o e Vulnerabilidade Social,&rdquo; por ser um processo de rejei&ccedil;&atilde;o, que facilita o desencadeamento de perturba&ccedil;&otilde;es mentais, e ser caminho que leva a muitas pobrezas, causadoras de sofrimento, desagrega&ccedil;&atilde;o pessoal a v&aacute;rios n&iacute;veis, desagrega&ccedil;&atilde;o e disfuncionalidade familiar e social, com custos de v&aacute;ria ordem.<\/p>\n<p>A exclus&atilde;o gera pobreza humana, pobreza econ&oacute;mica, pobreza individual, pobreza social e c&iacute;vica, no que se refere a responsabilidades, a deveres&nbsp; e a direitos de cidadania. Em muitos aspectos, com&nbsp; riscos mais ou menos imprevis&iacute;veis e com reflexos na conviv&ecirc;ncia c&iacute;vica, pondo at&eacute; em causa a salvaguarda dos Direitos Humanos e a&nbsp; Dignidade Humana de cada pessoa, &uacute;nica e irrepet&iacute;vel. A exclus&atilde;o, seja ela de que g&eacute;nero for, leva&nbsp; &agrave; pobreza;&nbsp; esta, por sua vez, leva &agrave; exclus&atilde;o e ambas reduzem&nbsp; a qualidade de sa&uacute;de mental e criam terreno para o surgimento de morbidades e problem&aacute;ticas sociais.<\/p>\n<p>A Igreja, com o seu magist&eacute;rio, n&atilde;o &eacute; alheia e muito menos indiferente ao acontecer social e a outras quest&otilde;es de grande import&acirc;ncia, para o desenvolvimento integral do homem e da sociedade; como tamb&eacute;m n&atilde;o se alheia das estruturas de suporte, garantia desse desenvolvimento intr&iacute;nseco e extr&iacute;nseco, que se reflecte na realiza&ccedil;&atilde;o pessoal de cada cidad&atilde;o e no bem-estar individual e social, em sentido lato.<\/p>\n<p>A exclus&atilde;o social, e outras, todas elas estigmatizantes, merecem, pois, a aten&ccedil;&atilde;o da Igreja, procurando, atrav&eacute;s das suas institui&ccedil;&otilde;es, as respostas poss&iacute;veis, umas mais como processo de autonomiza&ccedil;&atilde;o individual, outras mais como processo de suporte, sempre de modo a favorecer e assegurar uma vida com dignidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A figura de S. Jo&atilde;o de Deus<\/strong><\/p>\n<p>No decurso dos tempos, houve sempre quem tomasse a dianteira e o protagonismo da inconformidade da sua &eacute;poca, relativamente &agrave; pobreza e &agrave; exclus&atilde;o social, abrindo horizontes, apresentando alternativas e mobilizando vontades, procurando, deste modo, ser an&uacute;ncio e resposta, provocante ou denunciante, mas n&atilde;o ficando a apontar o dedo numa atitude farisaica, antes sendo parte colaborante, com outras estruturas existentes, p&uacute;blicas e privadas.<\/p>\n<p>Como ilustra&ccedil;&atilde;o do que acabo de dizer, permitam-me que traga &agrave; mem&oacute;ria, uma personagem do s&eacute;culo XVI, S. Jo&atilde;o de Deus, o &ldquo;Louco de Granada, o exclu&iacute;do, porque &ldquo;louco&rdquo;, assim considerado por alguns. Ele foi mentor da sa&uacute;de integral e, por isso, tamb&eacute;m, da sa&uacute;de mental e das quest&otilde;es da exclus&atilde;o social; teve interven&ccedil;&otilde;es inovadoras, favor&aacute;veis &agrave; integra&ccedil;&atilde;o social, com respostas personalizadas, abrangentes e em rede. &Eacute; que ele estava convencido do valor de cada pessoa: &ldquo;Vale mais uma alma (pessoa) do que todas as coisas do Mundo!&rdquo; &ndash; dizia convicto.<\/p>\n<p>Talvez por isso, nas suas rela&ccedil;&otilde;es pessoais e sociais, ousou adoptar uma grande proximidade com toda a gente, tomando a todos como irm&atilde;os, a ponto de se emocionar, profundamente, ao ver as pessoas com maiores necessidades. Para elas procurava as respostas poss&iacute;veis, progressivas, adaptadas a cada uma e a cada circunst&acirc;ncia, em consequ&ecirc;ncia do seu cora&ccedil;&atilde;o &ldquo;humanizado&rdquo; e de uma intelig&ecirc;ncia iluminada: ele sabia fazer um bom &ldquo;diagn&oacute;stico&rdquo;, n&atilde;o confundindo a pessoa com a patologia e a problem&aacute;tica social, embora as tivesse na devida conta para o plano interventivo.<\/p>\n<p>A sua interven&ccedil;&atilde;o de acolher e tratar os mais fr&aacute;geis consistia, tamb&eacute;m, na profilaxia da exclus&atilde;o e na integra&ccedil;&atilde;o do exclu&iacute;do na Fam&iacute;lia e na Sociedade, tendo em conta a realiza&ccedil;&atilde;o da pessoa, quanto a valores e projectos. Ele bem sabia conjugar os valores humanos, espirituais e religiosos, com a ci&ecirc;ncia e a t&eacute;cnica da sua &eacute;poca.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Um grande desafio<\/strong><\/p>\n<p>Este &eacute; um grande desafio: estamos, de facto, convencidos de que cada pessoa, como individuo, vale mais do que tudo o resto, por mais valioso que seja?! A exclus&atilde;o social e outras formas de exclus&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o apenas do nosso tempo, embora persistam, como perduram, tamb&eacute;m, a fuga &agrave;s responsabilidades pessoais interventivas e em rela&ccedil;&atilde;o ao dinamismo culpabilizante dos outros&hellip;<\/p>\n<p>Nestas quest&otilde;es, o n&atilde;o querer ver, o acostumar-se, o conformar-se e a insensibilidade impedem ou, pelo menos, dificultam e atrasam o processo de integra&ccedil;&atilde;o de pessoas exclu&iacute;das e conduzem outras a caminhos de exclus&atilde;o, com grandes probabilidades de retorno dif&iacute;cil para muitos e sem retorno, tamb&eacute;m, para muitos outros.<\/p>\n<p>Novos tempos, novos problemas, novas sensibilidades, novos paradigmas, novos valores, novos desafios!&#8230; Tamb&eacute;m as respostas t&ecirc;m de ser inteligentes, complementares, em rede, com responsabilidade por parte das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas, assumindo, cada qual, as suas responsabilidades, em di&aacute;logo colaborante e eficiente, &agrave; medida do nosso tempo e tendo como centralidade a Pessoa Humana!<\/p>\n<p>A &ldquo;sa&uacute;de&rdquo; de uma Sociedade mede-se pelos valores que defende e pelo modo como integra&nbsp; e cuida dos seus cidad&atilde;os, designadamente os que apresentam especiais limites e defici&ecirc;ncias! A antecipa&ccedil;&atilde;o nas respostas profil&aacute;ticas &eacute; sintoma de perspic&aacute;cia e de efici&ecirc;ncia, facilitando as poss&iacute;veis interven&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, nos diversos casos inevit&aacute;veis.<\/p>\n<p>Deixo-vos esta mensagem, na certeza de que, quando o Homem quer, a obra acontece. O futuro ser&aacute; diferente, se cada um e todos n&oacute;s assumirmos, convictamente, que &eacute; poss&iacute;vel melhorar e usufruir de sa&uacute;de mental e colocarmos a Pessoa e a Fam&iacute;lia no centro das decis&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais. Este &eacute; um desafio de Sa&uacute;de e de Servi&ccedil;o C&iacute;vico de Bem Comum, que entendemos como processo de Sa&uacute;de Mental, nunca acabado e que &eacute; sempre novo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Ant&oacute;nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/em><\/p>\n<p>(Abertura das IV Jornadas de Enfermagem de Sa&uacute;de Mental e Psiqui&aacute;trica da Casa de Sa&uacute;de de S. Jo&atilde;o de Deus &ndash; Funchal)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apraz-me estar aqui convosco, pela oportunidade que tenho de me dirigir a cada um de v&oacute;s, que sa&uacute;do, expressando a minha estima e o meu contentamento pela participa&ccedil;&atilde;o t&atilde;o numerosa de pessoas, neste evento de grande import&acirc;ncia, na &aacute;rea da Sa&uacute;de Mental. 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