{"id":41229,"date":"2009-10-09T16:02:05","date_gmt":"2009-10-09T16:02:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/09\/estabilidade-da-familia-na-europa\/"},"modified":"2009-10-09T16:02:05","modified_gmt":"2009-10-09T16:02:05","slug":"estabilidade-da-familia-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/estabilidade-da-familia-na-europa\/","title":{"rendered":"Estabilidade da fam\u00edlia na Europa"},"content":{"rendered":"<p>Consequ\u00eancias do Tratado de Lisboa <!--more--> <\/p>\n<p>No que respeita &agrave; fam&iacute;lia, o Tratado de Lisboa pode trazer transforma&ccedil;&otilde;es. Anna Z&aacute;borsk&aacute;, do Parlamento europeu (Eslov&aacute;quia) alertou para as transforma&ccedil;&otilde;es que decorrem da evolu&ccedil;&atilde;o do direito comunit&aacute;rio, pela progressiva harmoniza&ccedil;&atilde;o ao direito civil internacional. Segundo a deputada, &ldquo;em todos os Estados Membros, o matrim&oacute;nio &eacute; um acto regulado pelo c&oacute;digo civil&rdquo;.<\/p>\n<p>Anna Z&aacute;borsk&aacute; denunciou tamb&eacute;m a discrimina&ccedil;&atilde;o a que est&aacute; sujeita a mulher quando investe na fam&iacute;lia. Porque &eacute; encorajada &ldquo;por disposi&ccedil;&otilde;es legislativas relativas &agrave; igualdade de oportunidades no acesso ao mercado de emprego&rdquo;. Pelo contr&aacute;rio, v&ecirc;-se discriminada quando escolhe investir na forma&ccedil;&atilde;o de futuras gera&ccedil;&otilde;es, no acolhimento a pessoas dependentes ou na anima&ccedil;&atilde;o de projectos de solidariedade entre gera&ccedil;&otilde;es. Este trabalho, referiu a deputada, n&atilde;o &eacute; reconhecido nem faz parte de estat&iacute;sticas.<\/p>\n<p>Em confer&ecirc;ncia de imprensa, Anna Z&aacute;borsk&aacute; fez eco do debate provocado, a partir das suas afirma&ccedil;&otilde;es, entre os participantes, reafirmando a valoriza&ccedil;&atilde;o da &ldquo;lei natural&rdquo; e, consequentemente, da &ldquo;fam&iacute;lia natural&rdquo;. Dela &ldquo;depende o futuro da Europa&rdquo;, concluiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pobreza e div&oacute;rcios<\/strong><\/p>\n<p>G&oslash;sta Esping-Andersen, professor de sociologia da Universidade Pompeu Fabra (Dinamarca), numainterven&ccedil;&atilde;o, que ele pr&oacute;prio apelidou de &ldquo;controversa&rdquo;, veio desmistificar &ldquo;mitos&rdquo; acerca da fam&iacute;lia e das consequ&ecirc;ncias que t&ecirc;m sobre os filhos as escolhas familiares, com base nas evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas trazidas pelas ci&ecirc;ncias sociais.<\/p>\n<p>De facto, tem vindo a verificar-se que nas sociedades mais desenvolvidas como a Escandin&aacute;via e os Estados Unidos, j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o as fam&iacute;lias socialmente mais humildes as que t&ecirc;m casamentos mais duradouros e mais filhos, mais sim que agora h&aacute; mais estabilidade em fam&iacute;lias formadas por casais com elevado n&iacute;vel s&oacute;cio-cultural. Isto porque os casais que t&ecirc;m aproximadamente as mesmas habilita&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas, t&ecirc;m consequentemente as mesmas expectativas e convic&ccedil;&otilde;es quanto ao futuro. A leitura de Esping-Andersen &eacute; que as grandes transforma&ccedil;&otilde;es na mentalidade da mulher e nas suas expectativas quanto &agrave; gest&atilde;o da vida profissional e familiar est&atilde;o na origem desta mudan&ccedil;a. Os homens demoraram tempo a acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o das mentalidades, o que gerou muitas instabilidade nos casais durante algumas d&eacute;cadas, e s&oacute; recentemente o fizeram, come&ccedil;ando pelas classes mais elevadas, o que faz com que sejam estas as que actualmente mais conseguem atingir a estabilidade familiar que prov&eacute;m, considera ele, da sintonia entre o homem e a mulher na forma como gerem a vida familiar, a divis&atilde;o das tarefas, o cuidado dos filhos. De facto, tamb&eacute;m se verifica que s&atilde;o as m&atilde;es e os pais com maiores estudos aqueles que mais tempo dedicam aos filhos e mais investem na sua educa&ccedil;&atilde;o, ao contr&aacute;rio do &ldquo;mito&rdquo; de que as carreiras &ldquo;modernas&rdquo; s&atilde;o inimigas de uma gest&atilde;o familiar de qualidade, e que seriam as fam&iacute;lias mais humildes as que mais tempo passam com os filhos.<\/p>\n<p>Os casais com maior forma&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses escandinavos e Estados Unidos, apesar de casarem mais tarde, t&ecirc;m um n&uacute;mero mais elevado de filhos do que os casais de pa&iacute;ses como Espanha ou It&aacute;lia, que tamb&eacute;m casam tarde mas que depois n&atilde;o t&ecirc;m as condi&ccedil;&otilde;es sociais para terem v&aacute;rios filhos. Diz o soci&oacute;logo que o desejo de procriar &eacute; comum &agrave;s pessoas de todo o mundo, com pequen&iacute;ssimas varia&ccedil;&otilde;es: geralmente todos desejam cerca de 2 filhos. S&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es sociais proporcionadas pelas sociedades que o permitem ou n&atilde;o, com especial relev&acirc;ncia para a estabilidade profissional da mulher, sendo que as mulheres com mais filhos s&atilde;o sobretudo as que trabalham e n&atilde;o vice-versa, como se podia esperar.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m a quest&atilde;o do div&oacute;rcio gerou pol&eacute;mica, na medida em que Esping-Andersen afirma que as evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas mostram que o div&oacute;rcio, por si s&oacute;, n&atilde;o traz como consequ&ecirc;ncia crian&ccedil;as menos estruturadas e com um futuro acad&eacute;mico e profissionalmente pior do que as outras. Aquilo que se verifica &eacute; antes que todo o processo de degrada&ccedil;&atilde;o familiar que conduz ao div&oacute;rcio &eacute; que provoca traumas &agrave;s crian&ccedil;as, sendo geralmente o fim do casamento a melhor solu&ccedil;&atilde;o para uma situa&ccedil;&atilde;o familiar j&aacute; degradada.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m disto, verifica-se uma pr&eacute;-selec&ccedil;&atilde;o nas fam&iacute;lias que sofrem casos de div&oacute;rcio e de mono-parentalidade, sendo, portanto, a destrutura&ccedil;&atilde;o familiar (com consequ&ecirc;ncias profundas na evolu&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as) uma causa e n&atilde;o uma consequ&ecirc;ncia do div&oacute;rcio.<\/p>\n<p>Em conclus&atilde;o, a linha de pensamento do soci&oacute;logo &eacute;, pois, que a evolu&ccedil;&atilde;o das sociedades modernas, se seguir o rumo de pa&iacute;ses considerados mais avan&ccedil;ados como os escandinavos, conduz a um modelo em que as fam&iacute;lias se formam mais tarde, mas com maior probabilidade de sucesso e estabilidade, na medida em que as suas habilita&ccedil;&otilde;es (e o modelo de apoio estatal) lhes permitem ter filhos e a sua educa&ccedil;&atilde;o leva a que compartam igualitariamente as tarefas dom&eacute;sticas, partilhando as exig&ecirc;ncias da parentalidade.<span id=\"_marker\">&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Consequ\u00eancias do Tratado de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[203,206,314],"class_list":["post-41229","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-europa","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41229"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41229\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}