{"id":412259,"date":"2026-02-15T09:31:19","date_gmt":"2026-02-15T09:31:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=412259"},"modified":"2026-02-13T08:22:33","modified_gmt":"2026-02-13T08:22:33","slug":"evora-nao-sabemos-se-tudo-o-que-angariamos-vai-ser-suficiente-para-suprir-as-necessidades-diz-responsavel-da-caritas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/evora-nao-sabemos-se-tudo-o-que-angariamos-vai-ser-suficiente-para-suprir-as-necessidades-diz-responsavel-da-caritas\/","title":{"rendered":"\u00c9vora: \u00abN\u00e3o sabemos se tudo o que angariamos vai ser suficiente para suprir as necessidades\u00bb, diz respons\u00e1vel da C\u00e1ritas"},"content":{"rendered":"<p>Desde o final de janeiro, Portugal mant\u00e9m-se em alerta devido ao mau tempo. Nos \u00faltimos dias as aten\u00e7\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es dos portugueses voltaram-se para o risco de cheias e para a limpeza nas zonas invadidas pelo leito dos rios. Entre outras, uma das zonas mais afetadas foi Alc\u00e1cer do Sal, onde ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel contabilizar os avultados preju\u00edzos.\u00a0Desde a primeira hora que a C\u00e1ritas se encontra no terreno, no apoio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o afetada. Jo\u00e3o Cacha\u00e7o, diretor-executivo da C\u00e1ritas Arquidiocesana de \u00c9vora, \u00e9 o convidado deste domingo da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-412369\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.19.28-400x267.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.19.28-400x267.jpeg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.19.28-768x512.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.19.28-391x260.jpeg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/WhatsApp-Image-2026-02-12-at-16.19.28.jpeg 908w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 iremos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de Alc\u00e1cer, que \u00e9 bastante conhecida. Antes quer\u00edamos perceber: que outras situa\u00e7\u00f5es preocupantes, muitas vezes sem visibilidade, est\u00e3o a acontecer na Arquidiocese?<\/em><\/p>\n<p>As chuvas est\u00e3o por todo o pa\u00eds, algumas com maior mediatismo, alguns acontecimentos com maior mediatismo, como \u00e9 o caso de Alc\u00e1cer, mas temos registo de ocorr\u00eancias tamb\u00e9m noutros pontos da Diocese, que \u00e9 vasta. Temos notifica\u00e7\u00e3o de que em Borba, Vila Vi\u00e7osa tamb\u00e9m h\u00e1 algumas inunda\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00f5es, a situa\u00e7\u00e3o de Coruche tamb\u00e9m \u00e9 conhecida pela regularidade caudal alto cheio do rio Sorraia, que muitas vezes chega at\u00e9 \u00e0 baixa da vila.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E at\u00e9 que ponto esta falta de visibilidade prejudica uma mais eficaz ajuda \u00e0s popula\u00e7\u00f5es afetadas?<\/em><\/p>\n<p>As popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o ficam sem socorro, porque efetivamente todo o apoio social est\u00e1 disseminado pela diocese e a C\u00e1ritas Arquidiocesana pontualmente pode ajudar tamb\u00e9m a mitigar estes efeitos e chega l\u00e1, quando os apoios estatais n\u00e3o chegam. N\u00f3s estamos, conseguimos tamb\u00e9m suprir algumas necessidades. Portanto, consideramos que temos uma cobertura eficaz da diocese.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Temos recolhido v\u00e1rios depoimentos que falam de um certo sentimento de isolamento, sobretudo para quem est\u00e1 mais longe dos centros urbanos. Esse sentimento de abandono existe nas popula\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a servir?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, \u00e9 normal que isso aconte\u00e7a, porque muitas vezes as autarquias locais tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o muito pr\u00f3ximas, distam alguns quil\u00f3metros destas pequenas realidades, destas situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. As pessoas precisam no momento, no aqui, no agora, e sentem, frente a uma for\u00e7a avassaladora, que n\u00e3o t\u00eam toda a capacidade para resolver, sentem-se impotentes face a essas situa\u00e7\u00f5es, mas as autarquias t\u00eam dado uma boa resposta. N\u00f3s sentimos isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 esse esfor\u00e7o?<\/em><\/p>\n<p>De articula\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E quando n\u00e3o est\u00e3o as autarquias, est\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Isso mesmo, \u00e9 isso mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este isolamento, por vezes, origina desconfian\u00e7a. Tivemos relatos, nomeadamente da Caritas de Leiria, da exist\u00eancia de casos em que os idosos, por receio, se recusavam a abrir a porta. Tem conhecimento de situa\u00e7\u00f5es id\u00eanticas a\u00ed na regi\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o, porque h\u00e1 uma proximidade das equipas t\u00e9cnicas com as popula\u00e7\u00f5es. As popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o pequenas e n\u00f3s temos, como tinha dito, boas parcerias com outras institui\u00e7\u00f5es da Igreja que est\u00e3o no terreno. N\u00f3s conhecemos, quase caso a caso, as situa\u00e7\u00f5es e n\u00e3o sentimos isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vamos ent\u00e3o falar de Alc\u00e1cer do Sal: como \u00e9 que est\u00e1 a decorrer o processo de recupera\u00e7\u00e3o, dentro das limita\u00e7\u00f5es? Esteve esta semana na localidade. Quais s\u00e3o as grandes dificuldades que se vivem?<\/em><\/p>\n<p>As dificuldades s\u00e3o de conhecimento, ou seja, as pessoas est\u00e3o perante esta circunst\u00e2ncia de inunda\u00e7\u00f5es e ainda n\u00e3o conseguiram contabilizar ao certo todo o preju\u00edzo que t\u00eam. Ent\u00e3o n\u00e3o nos conseguem identificar as reais necessidades. Isto porqu\u00ea?<\/p>\n<p>Porque h\u00e1 circunst\u00e2ncias em que faz falta tudo, mas o que \u00e9 que \u00e9 o tudo? \u00c9 preciso fazer um elenco de tudo o que ser\u00e1 necess\u00e1rio depois adquirir e ajudar a suprir estas necessidades. E o que sentem as pessoas, sentem tamb\u00e9m os servi\u00e7os, que acabaram por tamb\u00e9m perder alguma da sua informa\u00e7\u00e3o com as cheias, com as inunda\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m est\u00e3o eles pr\u00f3prios em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade porque n\u00e3o t\u00eam meios para conseguir fazer registos e apoiar mais eficazmente a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o para durar at\u00e9 porque as cheias permanecem\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. N\u00f3s estivemos esta semana em Alc\u00e1cer e o que sentimos foi muito estranho. Eu conhe\u00e7o relativamente Alc\u00e1cer e estou habituado a ver tr\u00e2nsito a passar, ser um local de passagem com algum dinamismo, com alguma vida e as estradas est\u00e3o muitas delas cortadas, as ruas est\u00e3o cortadas, h\u00e1 um sil\u00eancio, um sil\u00eancio na cidade. V\u00ea-se as pessoas a tentar limpar as coisas, v\u00ea-se os servi\u00e7os, as autarquias a trabalhar dentro das suas possibilidades.<\/p>\n<p>Toda esta vida que pulsava dantes de forma quase fren\u00e9tica, se \u00e9 que isso pode acontecer numa cidade t\u00e3o pequena, mas com dinamismo, agora v\u00ea-se com algum vagar, alguma calma, mas est\u00e1 toda a gente a trabalhar, toda a gente a tentar articular-se no sentido de poder dar resposta \u00e0s situa\u00e7\u00f5es. N\u00f3s tivemos contacto com a autarquia e a pr\u00f3pria autarquia nos disse, \u201cneste momento tudo o que precisamos \u00e9 de tempo tamb\u00e9m para nos organizarmos, para tentarmos estruturar respostas, n\u00f3s contamos convosco, mas neste momento deem-nos 10 a 15 dias para nos podermos organizar, para podermos tamb\u00e9m articular convosco\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda pouco usava aquela express\u00e3o de que \u201cfalta tudo\u201d, portanto \u00e9 dif\u00edcil dizer exatamente o que \u00e9 que mais falta. Houve necessidade de acolher pessoas desalojadas e que ajuda \u00e9 que a C\u00e1ritas est\u00e1 a prestar neste momento?<\/em><\/p>\n<p>Neste momento o que estamos a fazer \u00e9 a angaria\u00e7\u00e3o, as colegas do Servi\u00e7o de Atendimento e A\u00e7\u00e3o Social est\u00e3o em contato connosco, tudo o que precisarem n\u00f3s disponibilizamos. Estamos a fazer a angaria\u00e7\u00e3o de fundos, essencialmente, porque temos feedback por parte das equipas que alimentos e roupas e todos esses bens n\u00e3o precisam mais, j\u00e1 nem t\u00eam capacidade para armazenamento, portanto agradecem que n\u00f3s n\u00e3o enviemos. O que far\u00e1 falta no futuro ser\u00e1 depois apoio a equipamentos, seja eletrodom\u00e9sticos, camas, colch\u00f5es, mob\u00edlias, portanto a todo um conjunto de bens que v\u00e3o ser necess\u00e1rios e para isso ser\u00e1 preciso fundos para fazer face a essas despesas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E h\u00e1 pessoas desalojadas?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o temos conhecimento, n\u00e3o temos essa notifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e3o a angariar fundos, o arcebispo de \u00c9vora apelou \u00e0 solidariedade para com as popula\u00e7\u00f5es afetadas. A Igreja tem sido esse fator de proximidade que tantas vezes \u00e9 reclamado?<\/em><\/p>\n<p>E agregador sim, tem sido. N\u00f3s sentimos a generosidade das popula\u00e7\u00f5es, mesmo pessoas an\u00f3nimas que fazem donativos, outras que j\u00e1 regularmente fazem, mas sentimos que h\u00e1 aqui uma onda de solidariedade para fazer face a esta trag\u00e9dia, que neste momento n\u00e3o nos afetou a n\u00f3s aqui na cidade, mas em alguns pontos da Diocese estamos solid\u00e1rios com eles e esta solidariedade tem-se constatado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma coisa que penso que fica clara desta conversa, \u00e9 que vai levar muito tempo at\u00e9 que se possa regressar \u00e0 normalidade\u2026<\/em><\/p>\n<p>Vai levar tempo e vai requerer algum trabalho de articula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o nos queremos sobrepor a quem est\u00e1 no terreno, n\u00e3o queremos fazer de forma desarticulada, queremos fazer com, queremos ser complemento, queremos fazer as coisas com sentido. N\u00e3o queremos duplicar apoios nem nada que se pare\u00e7a, n\u00e3o queremos dispersar verbas, queremos estar com quem est\u00e1 no terreno a fazer o melhor para as popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa \u00e9 uma das preocupa\u00e7\u00f5es, porque a quest\u00e3o do tempo que \u00e9 preciso para o terreno \u00e9 muito diferente da quest\u00e3o do tempo medi\u00e1tico. Quando os holofotes se apagarem, o que vai ser preciso para que a aten\u00e7\u00e3o se mantenha sobre o impacto desta situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Vai ter de haver manifesta\u00e7\u00f5es, comunica\u00e7\u00f5es de necessidades, de poss\u00edveis futuras angaria\u00e7\u00f5es para fazer face a estas necessidades, porque n\u00e3o sabemos se tudo o que angariamos vai ser suficiente para suprir as necessidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E evitar esse risco de desarticula\u00e7\u00e3o, como dizia\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim, exatamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Falou j\u00e1 de angaria\u00e7\u00e3o de fundos, nesta altura j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel dizer o que foi angariado e at\u00e9 onde querem ir, no que diz respeito \u00e0 angaria\u00e7\u00e3o de fundos?<\/p>\n<p>N\u00e3o temos expectativa, n\u00e3o temos expectativa, at\u00e9 porque a Diocese de Set\u00fabal tamb\u00e9m j\u00e1 manifestou a sua solidariedade para com Alc\u00e1cer de Sal, que pertence ao Distrito de Set\u00fabal, est\u00e3o ali mesmo pr\u00f3ximos, \u00e9 cont\u00edguo, ali a fronteira, e disponibilizaram uma verba de 10 mil euros para ser apoiada a popula\u00e7\u00e3o. N\u00f3s arranc\u00e1mos mais tarde com essa angaria\u00e7\u00e3o, ao dia 11 de fevereiro penso que t\u00ednhamos cerca de 5 mil euros, mas pronto, temos tamb\u00e9m depois toda uma verba de apoio da Funda\u00e7\u00e3o Eug\u00e9nio de Almeida, que n\u00f3s poderemos eventualmente canalizar parte para essas emerg\u00eancias, que se destinam a situa\u00e7\u00f5es de car\u00eancia e de emerg\u00eancia na diocese.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O arcebispo de \u00c9vora tamb\u00e9m j\u00e1 pediu que as comunidades fa\u00e7am uma recolha de donativos nas celebra\u00e7\u00f5es dominicais.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, ainda n\u00e3o come\u00e7aram a chegar, portanto vai a crescer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falou agora tamb\u00e9m desse gesto de solidariedade da Diocese de Set\u00fabal, pergunto como \u00e9 que a C\u00e1ritas de \u00c9vora acolhe esse gesto de comunh\u00e3o entre dioceses? S\u00e3o um sinal importante de que a Igreja trabalha como um corpo \u00fanico nestas situa\u00e7\u00f5es de cat\u00e1strofe?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, sem d\u00favida. N\u00f3s, enquanto C\u00e1ritas, pertencemos a um organismo nacional, a C\u00e1ritas Portuguesa, e estamos em permanente articula\u00e7\u00e3o, estamos em contato tamb\u00e9m com o presidente da C\u00e1ritas de Set\u00fabal e trabalhamos articuladamente, por isso estamos todos concertados no apoio. Portanto, aqui acolhemos este gesto de entrega de donativos como um carinho muito especial por parte desta diocese vizinha.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Com o objetivo de que ningu\u00e9m fique para tr\u00e1s, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o final de janeiro, Portugal mant\u00e9m-se em alerta devido ao mau tempo. 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