{"id":41215,"date":"2009-10-09T10:59:32","date_gmt":"2009-10-09T10:59:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/10\/09\/intervencao-de-d-jorge-ortiga-no-sinodo-dos-bispos\/"},"modified":"2009-10-09T10:59:32","modified_gmt":"2009-10-09T10:59:32","slug":"intervencao-de-d-jorge-ortiga-no-sinodo-dos-bispos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/intervencao-de-d-jorge-ortiga-no-sinodo-dos-bispos\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o de D. Jorge Ortiga no S\u00ednodo dos Bispos"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Promover a reconcilia&ccedil;&atilde;o pelo exerc&iacute;cio da Caridade&#8221;<\/p>\n<p>A minha interven&ccedil;&atilde;o pretende ser mem&oacute;ria dum passado evangelizador, no caso concreto de Portugal &ndash; congratulando&#8208;me com o uso da l&iacute;ngua portuguesa nesta sala, pela representatividade que ela significa no contexto dos cat&oacute;licos espalhados pelos quatro cantos do mundo &ndash; e <strong>compromisso <\/strong>numa reinterpreta&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o que as comunidades da Europa devem assumir.<\/p>\n<p>O <em>Instrumentum Laboris <\/em>alertou&#8208;nos para a realidade da globaliza&ccedil;&atilde;o com consequ&ecirc;ncias nefastas para o continente africano. Pode parecer que este fen&oacute;meno n&atilde;o se repercute no quotidiano dos povos a debaterem&#8208;se com dramas existenciais e verdadeiras afrontas &agrave; dignidade humana. Se o Evangelho deve inculturar&#8208;se, o an&uacute;ncio deve acontecer como resposta, e aqui est&aacute; o n&uacute;cleo central das minhas palavras &ndash; &ldquo;implicando outros continentes e respectivas institui&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, financeiras e suas redes de informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>O passado evoca&#8208;nos um aproveitamento das riquezas africanas. Hoje, devemos retribuir com uma dedica&ccedil;&atilde;o total aos flagelos, concretos e reais, da falta de p&atilde;o e de esperan&ccedil;a (cf. n.13). Sabemos, e n&atilde;o podemos ignorar, a corrida &ldquo;dos pa&iacute;ses industrializados para apoderarem&#8208;se&rdquo; da abund&acirc;ncia dos recursos naturais, o que constitui uma permanente amea&ccedil;a &agrave; paz e &agrave; justi&ccedil;a, gerando conflitos que impedem o desejo de reconcilia&ccedil;&atilde;o (cf. n.72).<\/p>\n<p>Urge, n&atilde;o s&oacute; impedir este processo, mas entrar na l&oacute;gica do serm&atilde;o da montanha, onde Jesus elucida sobre os dinamismos da miss&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p>Encontrar&#8208;se com os pobres, com os que choram por causa da fome e da sede de justi&ccedil;a &eacute; o &uacute;nico caminho a percorrer para que o reino de Deus aconte&ccedil;a. Da&iacute; que n&atilde;o basta denunciar e condenar os interesses, individuais e colectivos, de quem procura enriquecer &agrave; custa dos mais pobres. Estes n&atilde;o podem esperar e a Igreja na Europa deve ser capaz de ir ao encontro de Cristo em cada irm&atilde;o &ldquo;<em>Cada vez que o fizestes a um dos meus irm&atilde;os mais pequeninos a mim o fizestes&rdquo; <\/em>(cf. Mt 25,40 e 45 e <em>Instrumentum Laboris <\/em>n. 35).<\/p>\n<p><strong>Coragem de reconhecer Cristo<\/strong><\/p>\n<p>Se a Igreja na Europa interpretou o mandato de Cristo de partir e fazer disc&iacute;pulos dando a <strong>conhecer <\/strong>Jesus e a Sua mensagem, torna&#8208;se imperioso que, neste mundo global, continue a partir, mas na atitude de querer <strong>ver <\/strong>Jesus em todos e particularmente nas situa&ccedil;&otilde;es indignas duma sociedade que se orgulha das capacidades t&eacute;cnicas capazes de proporcionar os meios adequados para uma vida verdadeiramente humana. Este <strong>reconhecer Jesus <\/strong>em todos sup&otilde;e a atitude corajosa <strong>de fazer <\/strong>como se fosse a Cristo. Trata&#8208;se de ir ao encontro de Cristo em cada irm&atilde;o para que, pelas nossas atitudes de justi&ccedil;a&#8208;express&atilde;o do amor de Deus, se questionem e adiram &agrave; mensagem como Boa Nova libertadora.<\/p>\n<p>O ir ao encontro de Cristo deve ter uma <strong>dimens&atilde;o universal<\/strong>, no sentido de um verdadeiro encontro de comunh&atilde;o com todos, n&atilde;o aceitando excep&ccedil;&otilde;es de qualquer g&eacute;nero, incluindo a religi&atilde;o. O proselitismo ou interesses de conquista n&atilde;o se coadunam com a verdadeira interpreta&ccedil;&atilde;o do mandamento do amor. O amor vale por si e ele encerra uma capacidade de manifesta&ccedil;&atilde;o de Deus. Nesta tarefa, nunca se pode olhar para os resultados ou recompensas de qualquer g&eacute;nero. Pelo contr&aacute;rio, trata&#8208;se dum trabalho persistente, caracter&iacute;stico de quem acredita no seu valor. &ldquo;A civiliza&ccedil;&atilde;o do amor &eacute; uma tarefa da qual ningu&eacute;m se pode cansar&rdquo; (<em>IL <\/em>n.147).<\/p>\n<p><strong>Organizar<\/strong><strong>&#8211;<\/strong><strong>se convenientemente para servir verdadeiramente os necessitados<\/strong><\/p>\n<p>Encontrar&#8208;se com Cristo em cada ser humano tem as suas exig&ecirc;ncias. Se &eacute; verdade que a Europa deve estabelecer esta ponte de circularidade de bens, pagando uma divida hist&oacute;rica, as comunidades locais devem organizar&#8208;se de modo que as ajudas n&atilde;o se percam nas demoradas burocracias ou beneficiem sempre os mesmos, deixando de lado quem n&atilde;o tem capacidade de procurar ajuda.<\/p>\n<p>&Eacute; importante chegar aos lugares onde o povo an&oacute;nimo tem o seu quotidiano muitas vezes sem horizontes, pois n&atilde;o lhe foram revelados. Se &eacute; urgente caminhar no rumo da condivis&atilde;o e partilha, torna&#8208;se imperioso uma organiza&ccedil;&atilde;o bem estruturada de modo que a caridade privilegie prioritariamente os mais necessitados. A verdade explicita o amor e a caridade na verdade necessita deste servi&ccedil;o desinteressado e gratuito.<\/p>\n<p><strong>Voluntariado para um desenvolvimento integral<\/strong><\/p>\n<p>Nesta renovada dedica&ccedil;&atilde;o total n&atilde;o podemos esquecer o envio de pessoas. O <strong>voluntariado <\/strong>pode ser um caminho novo para levar a &Aacute;frica a possibilidade de interpretar um progresso integralmente humano.<\/p>\n<p>Dar coisas &eacute; necess&aacute;rio, <strong>dar<\/strong><strong>&#8211;<\/strong><strong>se <\/strong>criar&aacute; as condi&ccedil;&otilde;es para que os povos, por si mesmos, adquiram a compet&ecirc;ncia necess&aacute;ria para extra&iacute;rem das riquezas locais uma vida com dignidade. O mundo do ensino e da sa&uacute;de deve ser privilegiado, embora me pare&ccedil;a que &eacute; na escola que o futuro se edifica.<\/p>\n<p>Penso n&atilde;o ser utopia interpelar as Igrejas Particulares da Europa para um maior compromisso atrav&eacute;s da gemina&ccedil;&atilde;o de pessoas e de bens. Dando e dando&#8208;se, as comunidades europeias nada perdem, pelo contr&aacute;rio, adquirem consist&ecirc;ncia na sua vida de f&eacute; feita testemunho.<\/p>\n<p>&nbsp;<strong>Conclus&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Resumindo, a Europa deve regressar &agrave; &Aacute;frica n&atilde;o s&oacute; para levar o conhecimento de Cristo &ndash; e hoje h&aacute; muitas outras inten&ccedil;&otilde;es disfar&ccedil;adas onde nem sempre o jogo &eacute; claro &ndash; mas para se encontrar com Cristo na l&oacute;gica do Serm&atilde;o das Bem&#8208;Aventuran&ccedil;as e da descri&ccedil;&atilde;o do ju&iacute;zo final. &ldquo;<em>Tive fome e destes<\/em><em>&#8208;<\/em><em>me de comer&#8230; Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer<\/em>&rdquo; (Mt 25,40 e 45).<\/p>\n<p>Urge redescobrir de novo os mares de &Aacute;frica, n&atilde;o para trazer mas para levar. N&atilde;o bastam discursos. Imp&otilde;em&#8208;se os gestos de solicitude e as vidas dispon&iacute;veis para caminhar com o povo para que experimente o amor de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>+ Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, <\/em><em>Arcebispo de Braga<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Promover a reconcilia&ccedil;&atilde;o pelo exerc&iacute;cio da Caridade&#8221; A minha interven&ccedil;&atilde;o pretende ser mem&oacute;ria dum passado evangelizador, no caso concreto de Portugal &ndash; congratulando&#8208;me com o uso da l&iacute;ngua portuguesa nesta sala, pela representatividade que ela significa no contexto dos cat&oacute;licos espalhados pelos quatro cantos do mundo &ndash; e compromisso numa reinterpreta&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o que as 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