{"id":412071,"date":"2026-02-11T10:14:31","date_gmt":"2026-02-11T10:14:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=412071"},"modified":"2026-02-11T10:14:31","modified_gmt":"2026-02-11T10:14:31","slug":"um-outro-olhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-outro-olhar\/","title":{"rendered":"Um outro olhar"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-271042 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Pretende ser mesmo um outro olhar. Simples olhar e simples texto, embora. Um outro entre muitos outros para al\u00e9m do olhar mais comum ou mesmo do mais vulgar. Aquele que os m\u00e9dia nos v\u00e3o trazendo com imagens ou sem elas, com os textos noticiosos ou de opini\u00e3o e comentadores de servi\u00e7o ou de ocasi\u00e3o. \u00c9 o olhar dos dramas de muitos e das insufici\u00eancias e defici\u00eancias dos governantes. \u00c9 o olhar para os males de um povo como se tratasse de qualquer maleita que acompanha muitas fases da sua hist\u00f3ria e que explode com feridas vis\u00edveis em momentos de maior corte com a tranquilidade da paz social. E at\u00e9 se v\u00e3o buscar dizeres de antigos mestres da nossa literatura para se confirmarem as maleitas da \u00abarte de ser portugu\u00eas\u00bb.<\/p>\n<p>Muitas vezes olhamos e n\u00e3o vemos. Noutras n\u00e3o olhamos para n\u00e3o vermos. Ainda noutras n\u00e3o olhamos nem vemos. Andamos distra\u00eddos e deixamo-nos cegar por uma normalidade de que nem sempre temos consci\u00eancia. Vivemos nela e dela, dessa normalidade constru\u00edda, e quando ela parece tremer, acordamos, em sobressalto, do sono tranquilo para a realidade da nossa conting\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade: para al\u00e9m de mortes e destrui\u00e7\u00f5es que muito se lamentam e que importa superar com urg\u00eancia e dignidade, as cat\u00e1strofes revelam muito do que somos, n\u00f3s humanos, sozinhos ou acompanhados neste universo astral em que nos encontramos.<\/p>\n<p>Ainda respiramos o ar das depress\u00f5es quando as \u00e1guas v\u00e3o abrandando nas margens e leitos dos rios, das ribeiras e dos riachos. O olhar para as lacunas infra-estruturais, defici\u00eancias administrativas e legais continua na ordem do dia. E faz-se hist\u00f3ria olhando para a hist\u00f3ria. De outras cat\u00e1strofes do nosso viver. Recentes ou antigas. Um olhar de pobres. Pobres e pouco agradecidos.<\/p>\n<p>Sugiro outro olhar. Um olhar de optimismo, que, mesmo assim, n\u00e3o deixar\u00e1 de ser realista. Um olhar de regozijo e de agradecimento. De regozijo por vivermos numa comunidade estruturada. De agradecimento porque esta organiza\u00e7\u00e3o social que se estrutura em m\u00faltiplas institui\u00e7\u00f5es, p\u00fablicas ou privadas, nos s\u00e3o diariamente oferecidas com os seus servi\u00e7os. N\u00e3o fomos n\u00f3s que as invent\u00e1mos nem fomos n\u00f3s que imagin\u00e1mos os sistemas que lhes d\u00e3o vida: o sistema pol\u00edtico, o sistema de sa\u00fade, o sistema educativo, o sistema jur\u00eddico, o sistema de seguran\u00e7a e defesa, e outros sistemas, simples ou mais complexos, de que vivemos confortavelmente. Ocasionalmente poder\u00e1 ter havido algum pequeno contributo da parte de cada um, mas a grande verdade \u00e9 que tudo nos foi oferecido. Muito temos que agradecer.<\/p>\n<p>Vivemos a usufruir dos bens que estes sistemas nos oferecem. \u00c9 a normalidade. A nossa, que n\u00e3o era a de quantos nos antecederam h\u00e1 duzentos e muitos mais anos. Mas muito devemos aos nossos antepassados que, pouco a pouco, foram engendrando recursos de vida que, sistematicamente melhorados, constituem a normalidade dos nossos dias. Normalidade que respiramos como se fosse o ar de uma natureza dada. S\u00f3 quando uma cat\u00e1strofe inesperada nos vem atormentar \u00e9 que sentimos a falta dos muitos benef\u00edcios de que vamos usufruindo. Sentimos, ent\u00e3o, o que nos falta. E mais: sentimos profundamente a nossa fragilidade.<\/p>\n<p>Tudo nos foi dado. Os bens da cria\u00e7\u00e3o e os bens da sua transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi cada um de n\u00f3s que inventou ou construiu a engrenagem dos reservat\u00f3rios e condutas de \u00e1gua de que diariamente nos servimos esquecendo os quantos, por esse mundo fora, n\u00e3o possuem esses benef\u00edcios. N\u00e3o agradecemos esses servi\u00e7os, mas sabemos protestar \u00e0 menor falha no abastecimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi cada um de n\u00f3s que descobriu a corrente de electricidade nem que inventou o sistema el\u00e9ctrico que fornece energia a nossas casas propiciando uma infinidade de funcionalidades dom\u00e9sticas. N\u00e3o agradecemos os seus benef\u00edcios, mas ficamos perdidos quando uma falha aparece sem aviso a perturbar o nosso viver.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi cada um de n\u00f3s que construiu o sistema de comunica\u00e7\u00e3o que nos permite a mobilidade e a informa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o agradecemos o bem que tal sistema nos proporciona, mas ficamos ansiosos quando somos impedidos de estabelecer os contactos habituais e nos sentimos isolados do mundo, mesmo do mundo virtual.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi cada um de n\u00f3s que criou o mundo das ci\u00eancias materializadas na complexa tecnologia sem a qual n\u00e3o sabemos viver. Mas n\u00e3o nos lembramos de agradecer a quantos, tantos desde o in\u00edcio dos tempos, dedicaram a vida a desvendar os mist\u00e9rios e encantos da natureza.<\/p>\n<p>Muito temos que agradecer quando, perante cat\u00e1strofes, os v\u00e1rios sistemas de vida colectiva \u2013 e s\u00e3o tantos &#8211; se harmonizam para responderem \u00e0s necessidades emergentes. Somos humanos de muita sorte nos tempos em que vivemos em que a comunidade humana se encontra de tal modo organizada que a solidariedade n\u00e3o \u00e9 uma palavra v\u00e3. Solidariedade institucional e solidariedade espont\u00e2nea e pessoal. Solidariedade nacional e solidariedade internacional.<\/p>\n<p>Muito temos de agradecer. Ao presente e ao passado.<\/p>\n<p>As calamidades t\u00eam tamb\u00e9m a virtualidade de convocar consci\u00eancias, de mobilizar altru\u00edsmos e solidificar a solidariedade e dar visibilidade ao voluntariado altru\u00edsta, escondido nas sombras da indiferen\u00e7a medi\u00e1tica. Tamb\u00e9m por tal importa agradecer.<\/p>\n<p>J\u00e1 se tem dito que a solidariedade ocasional emergente nas cat\u00e1strofes contrasta com a indiferen\u00e7a quotidiana dos cidad\u00e3os. Contraste ser\u00e1. Mas n\u00e3o sei se ser\u00e1 assim t\u00e3o grande como \u00e9 vulgar julgar-se. Um sem n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es vivem com a alma de muitos volunt\u00e1rios que ali d\u00e3o muito do seu tempo com humildade e sil\u00eancio. O bem n\u00e3o tem hist\u00f3ria, mas \u00e9 ele que supera as trag\u00e9dias da hist\u00f3ria humana. Muito h\u00e1 para agradecer.<\/p>\n<p>Cresci a aprender a agradecer. Cresci a agradecer. Cresci a ouvir falar das v\u00e1rias formas de ora\u00e7\u00e3o. L\u00e1 estava a forma de agradecimento. Era a ora\u00e7\u00e3o de Ac\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as. N\u00e3o sei se tenho andado distra\u00eddo, mas a express\u00e3o \u00abAc\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as\u00bb n\u00e3o \u00e9 muito de uso corrente.<\/p>\n<p>Perante a cat\u00e1strofe que se abateu sobre Portugal, seja a ora\u00e7\u00e3o de peti\u00e7\u00e3o para que os males sejam superados conjugada com a ora\u00e7\u00e3o de Ac\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as dos bens recebidos.<\/p>\n<p><em>\u00a0(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da 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