{"id":411964,"date":"2026-02-11T08:31:52","date_gmt":"2026-02-11T08:31:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=411964"},"modified":"2026-02-11T23:47:22","modified_gmt":"2026-02-11T23:47:22","slug":"publicacoes-teologia-tem-de-falar-para-pessoas-que-existam-nao-para-anjos-padre-joao-goncalves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/publicacoes-teologia-tem-de-falar-para-pessoas-que-existam-nao-para-anjos-padre-joao-goncalves\/","title":{"rendered":"Publica\u00e7\u00f5es: \u00abTeologia tem de falar para pessoas que existam, n\u00e3o para anjos\u00bb &#8211; Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves"},"content":{"rendered":"<p><em>Autor do livro \u00abDe profundis \u2013 pensar e acreditar em Auschwitz\u00bb reclama uma \u00ab\u00e9tica universal\u00bb que n\u00e3o esque\u00e7a a morte de milh\u00f5es e atue nos dramas dos \u00abrefugiados, v\u00edtimas da guerra, pobres indevidamente repatriados, v\u00edtimas de ditaduras horrendas e escravos contempor\u00e2neos\u00bb<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_411970\" aria-describedby=\"caption-attachment-411970\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Padre-Joao-Goncalves_Funchal_6133.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-411970 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Padre-Joao-Goncalves_Funchal_6133.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Padre-Joao-Goncalves_Funchal_6133.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Padre-Joao-Goncalves_Funchal_6133-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Padre-Joao-Goncalves_Funchal_6133-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Padre-Joao-Goncalves_Funchal_6133-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Padre-Joao-Goncalves_Funchal_6133-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-411970\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR, Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves<\/figcaption><\/figure>\n<p>Funchal, Madeira, 11 de fev 2026 (Ecclesia) \u2013 O padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, autor do livro \u00abDe profundis \u2013 pensar e acreditar em Auschwitz\u00bb, diz que a Teologia corre o risco de falar mais do \u201coutro mundo do que deste\u201d e \u201cperder o sentido\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA Teologia deve estar atenta a esses sinais, a esses movimentos. N\u00e3o pode apenas pensar nos grandes princ\u00edpios inomin\u00e1veis &#8211; a encarna\u00e7\u00e3o, os mist\u00e9rios da encarna\u00e7\u00e3o de Cristo, a inefabilidade de Deus, a impassibilidade de Deus, os atributos eternos. Essas dimens\u00f5es s\u00e3o todas importantes, mas tem que perceber a terra, a carne, e tantas vezes os te\u00f3logos ou crentes parecem que sabem mais das coisas do outro mundo do que deste, e isso n\u00e3o me faz muito sentido\u201d, explica \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o sacerdote da Diocese do Funchal.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o, agora publicada em livro, quis partir da \u201cinquieta\u00e7\u00e3o\u201d sobre a presen\u00e7a de Deus \u201cbom e omnipotente\u201d que \u201ccoexiste com o mal\u201d, concretamente \u201co mal incarnado no s\u00e9culo XX com os horrores do Holocausto\u201d.<\/p>\n<p>O padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves reclama uma \u201c\u00e9tica universal, conciliadora, fundada em princ\u00edpios que originaram as civiliza\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO que acontece na Alemanha nazi \u00e9 a evid\u00eancia de que n\u00e3o \u00e9 por uma maioria dizer que vamos por um determinado caminho, que esse caminho passa a ser certo. E, claramente, os julgamentos de Nuremberga d\u00e3o-nos conta disso. H\u00e1 uma exig\u00eancia no cora\u00e7\u00e3o humano, que \u00e9 capaz de reconhecer que, apesar da lei &#8211; e a lei pior que possa ser fabricada &#8211; um cora\u00e7\u00e3o humano tem que ser capaz de reconhecer que \u00e9 uma lei m\u00e1, que h\u00e1 uma dignidade inviol\u00e1vel, que \u00e9 a dignidade da pessoa humana porque est\u00e1 e deve estar acima de qualquer lei\u201d, sublinha.<\/p><\/blockquote>\n<p>O autor cita dramas atuais \u2013 \u201cdos refugiados \u00e0s v\u00edtimas da guerra, dos pobres aos indevidamente repatriados, das v\u00edtimas de ditaduras horrendas aos escravos contempor\u00e2neos, entre outros in\u00fameros e terr\u00edveis exemplos\u201d \u2013 para afirmar que \u201capesar da lei, a dignidade da pessoa humana deve estar acima de tudo e de qualquer coisa\u201d.<\/p>\n<p>O padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves reflete na \u201cpresen\u00e7a de Deus junto dos pequeninos, dos mais fracos\u201d e, por isso, afirma que \u201cDeus foi v\u00edtima em Auschwitz\u201d: \u201cAli ele foi novamente crucificado\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDurante um tempo, Deus parece-nos como o todo-poderoso, juiz, afastado, como que um pai mau. Mas n\u00e3o podemos esquecer uma outra verdade que \u00e9 o Deus que se faz pequenino. Jesus identifica-se com aqueles que est\u00e3o \u00e0 margem, com aqueles que s\u00e3o v\u00edtimas &#8211; o pr\u00f3prio Jesus diz que tudo aquilo que foi feito a um mais pequenino, a um mais fr\u00e1gil, foi feito diretamente a ele. Ent\u00e3o, penso termos caminho aberto para dizer que em Auschwitz Jesus foi gasificado; Jesus morreu na c\u00e2mara de g\u00e1s porque foi feito isso a mais pequeninos\u201d, traduz.<\/p>\n<figure id=\"attachment_411969\" aria-describedby=\"caption-attachment-411969\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/De-profundis.-Pensar-e-acreditar-depois-de-Auschwitz.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-411969 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/De-profundis.-Pensar-e-acreditar-depois-de-Auschwitz-210x280.jpg\" alt=\"\" width=\"210\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/De-profundis.-Pensar-e-acreditar-depois-de-Auschwitz-210x280.jpg 210w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/De-profundis.-Pensar-e-acreditar-depois-de-Auschwitz-300x400.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/De-profundis.-Pensar-e-acreditar-depois-de-Auschwitz.jpg 470w\" sizes=\"(max-width: 210px) 100vw, 210px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-411969\" class=\"wp-caption-text\">Imagem https:\/\/officiumlectionis.pt\/<\/figcaption><\/figure>\n<p>O sacerdote indica a import\u00e2ncia de a Teologia dialogar com a Literatura, \u201cgrande reposit\u00f3rio da humanidade e laborat\u00f3rio da condi\u00e7\u00e3o humana\u201d e que esta tem \u201cobrigatoriamente\u201d de ser \u201cinserida no pensamento teol\u00f3gico\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA Teologia faz-se a partir do que \u00e9 humano. E nada do que \u00e9 humano pode ser estranho \u00e0 Teologia. A literatura do Holocausto desafia a Teologia, em primeiro lugar, dando-lhe humanidade, sendo um reposit\u00f3rio de humanidade. \u00c9 verdade, numa situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, mas d\u00e1 mat\u00e9ria para que a Teologia possa trabalhar. A Teologia j\u00e1 n\u00e3o se faz mais s\u00f3 sobre conceitos abstratos, et\u00e9reos, sobre grandes princ\u00edpios universais. A Teologia tem de fazer uma audi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica das obras da literatura, para poder estar a falar para pessoas que existam, e n\u00e3o para anjos\u201d, indica.<\/p>\n<p>Autores que contaram o que viveram consequ\u00eancia do regime nazi, na Alemanha, como Elie Wiesel, Primo Levi, Etty Hillesum ou Dietrich Bonhoeffer, s\u00e3o \u201cgrandes testemunhos e alertas para uma sociedade que pode estar a esquecer-se de que entre 1939 e 1945 tivemos campos de concentra\u00e7\u00e3o que matavam milh\u00f5es de pessoas\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 important\u00edssimo que eles n\u00e3o sejam esquecidos, que n\u00e3o fiquem s\u00f3 nos livros, mas que sejam trazidos para o nosso quotidiano\u201d, reconhece.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a Literatura sobre o Holocausto reflete um \u201cclaro\/escuro\u201d, vis\u00edvel, por exemplo, numa \u201cracionalidade de Elie Wiesel\u201d e numa \u201cpoesia orante e afetuosa de Etty\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEssa liberdade amorosa dada por Deus tanto \u00e9 usada para o bem como \u00e9 usada para o mal. \u00c9 nesse jogo de claro e escuro, que depois o palco da hist\u00f3ria vai sendo povoado de tantos atos bons, de tanto amor, de tanta bondade, mas tamb\u00e9m de tanta barb\u00e1rie\u201d, indica.<\/p><\/blockquote>\n<p>A conversa com o padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, autor do livro \u00abDe profundis \u2013 pensar e acreditar em Auschwitz\u00bb, vai ser emitida na Antena 1, esta noite no programa ECCLESIA, e disponibilizada no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor do livro \u00abDe profundis \u2013 pensar e acreditar em Auschwitz\u00bb reclama uma \u00ab\u00e9tica universal\u00bb que n\u00e3o esque\u00e7a a morte de milh\u00f5es e atue nos dramas dos \u00abrefugiados, v\u00edtimas da guerra, pobres indevidamente repatriados, v\u00edtimas de ditaduras horrendas e escravos 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